Esta página foi aberta por sugestão do Velho Amigo José Carlos de Melo com a finalidade de trocar experiências, de compartilhar esperança, alegrias e tristezas.
Esperamos receber depoimentos e ensinamentos daqueles que venceram a luta contra as drogas lícitas (álcool, tabaco, xaropes, barbitúricos, etc) e as ilícitas: cocaína, maconha, heroína, exctasy, etc.)
Sabemos que a luta é diária.
Cada dia é uma nova etapa e uma nova superação.
Maria de Lourdes Micaldas



11 de Agosto de 2009
PACTO PERVERSO


Sueli de Queiroz




Os jovens começam a beber cada vez mais cedo. Esta, por si, já é uma constatação preocupante. Mas a realidade parece ainda pior: não são mais os jovens, e sim as crianças, que estão bebendo e se embriagando.


A idade em que se começa a beber já beira os 10 anos, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde) — em um estudo de 2001, realizado em 35 países — e o Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), através de um levantamento nacional feito com estudantes do ensino fundamental e do médio, em 2004.


Dados do Cebrid mostram também que quase metade (42%) das crianças brasileiras de 10 a 12 anos já bebeu e que cerca de 10% da população entre 12 e 17 anos preenchem os critérios para se classificar como dependência do álcool. (Até há pouco, era rara a conclusão diagnóstica de alcoolismo antes dos 30 anos.) O estudo da OMS conclui ainda que 12 anos é a idade média para o primeiro porre, e que cerveja é a bebida preferida das crianças e dos jovens. (Os fabricantes de cerveja aproveitam bem essa informação.)


Tudo faz crer que essa idade inicial continuará a diminuir, como vêm comprovando as pesquisas das últimas quatro décadas. Dados do Instituto Nacional de Saúde dos EUA mostram que, em 1987, a idade média de início era de 17 anos, caindo para 15 em 1996 e para 13 em 2003. Por que se teima em chamá-los jovens, quando são crianças? Talvez a falta de um olhar distanciado dos especialistas prejudique a percepção dos limites, cada vez mais tênues, entre a infância e a juventude. Aceita-se — com crescente tolerância — que a juventude comece logo nos primeiros anos de vida e que não tenha data para acabar. Hoje, são inúmeros os filhos — adolescentes de 30 anos — que moram em lares-hotéis. Tudo muito natural.


Aos três anos, as menininhas passam batom e sombra, pintam as unhas das mãos e dos pés, e começam a bambolear sobre os primeiros saltinhos. Vestem-se como as mães e têm uma agenda tão lotada quanto a delas. Talvez nada mais normal que, aos 10, estejam entediadas, precisando beber para se divertir. Igualzinho a seus pais.


Há tempos que só o que se tem a oferecer às crianças é o mundo dos adultos.
Na realidade, um mundo com as características da adolescência: imediatista, consumista, estressado, impaciente, com o foco nas aparências e despreparado para enfrentar as frustrações. Nas barbas da sociedade, acontece um estranho faz de conta: os adultos fingem não perceber que as crianças estão queimando etapas, pulando a infância, como quem pula uma fogueira. E as crianças, por sua vez, fingem não perceber que os adultos envelhecem. É um pacto perverso, numa sociedade que idolatra a juventude eterna.


(Sueli de Queiroz é psicoterapeuta)

Fonte: Globo



Autor: Sueli Queroz


Enviado por: Elena Moreira
Webdesigner: Lika Dutra
Deseja enviar esta página para um
"Velho Amigo"?
Clique Aqui

<< Voltar

Fale sobre o seu problema:
Desabafe