
ENTRE NESTE NOVO MUNDO
AS
OPÇÕES SEXUAIS DO IDOSO
PARTE I
Saldanha
Coelho
|
Eduard
Spranger (La experiencia de la vida) fala que uma pessoa vivida, experiente,
conhecedora da criatura humana, dirá a quem lhe pedir conselho:
"Se és assim, isto te convém. Se não és,
outra coisa te convirá. A mesma coisa não serve para todos."
Concordamos com a definição. A eficácia de um conselho é relativa, porque ele reflete a opinião pessoal de quem o dá e quase sempre não coincide com a opinião de quem o recebe. Este desencontro é que tira do conselho sua força de persuasão, quando ele pretende levar alguém a fazer ou a dizer alguma coisa diferentemente do pretendido. Por isto muitas vezes perde o significado. Este, aliás, é o nosso entendimento neste despretensioso e breve ensaio sobre a velhice e suas relações com o mundo, com a família e consigo mesma. Não queremos induzir ninguém a se comportar desta ou daquela maneira, no mundo paralelo em que vive ou irá viver um dia, no ocaso da vida. Nossa intenção é mostrarmos ao idoso um elenco de opções que lhe possam ser úteis quando tiver que se definir diante dos desafios da terceira idade. Às vezes vivemos certas situações que não avaliamos com nitidez. Nosso propósito é chamar a atenção para elas, como se quiséssemos alertar alguém para uma realidade ainda não identificada. Para atingirmos esse fim, temos nos valido de opiniões e exemplos de cientistas e intelectuais que, como nós, viveram ou vivem - e tentam analisar - os mesmos problemas. E por falar neles, vejamos algumas informações sobre o que, neste sentido, preocupa ou atormenta o velho. Este é sempre um assunto polêmico e contraditório, e talvez por isto seja com freqüência objeto de pesquisas e de debates na área médica e na própria opinião pública, que a imprensa não deixa de consultar amiúde. Agora mesmo nossos jornais estão divulgando uma coleta de dados de uma revista de Nova Iorque, entre homens e mulheres de 18 a 65 anos, para saber o que acham do ato sexual depois da maturidade. O resultado é sucinto: fica melhor. A revista não entra em detalhes, mas de qualquer modo justifica a conclusão sob o argumento de que, na maturidade, pela experiência que têm na condução do ato sexual, os homens idosos sentem maior prazer do que os jovens. Aliás uma ginecologista da Universidade de Nova Jersey, Gloria ª Backman, baseada em pesquisa que realizou, afirma que não passa de tolice a crença de que sexagenários levam uma vida casta voluntariamente. As sexagenárias sexualmente inativas atribuem essa inatividade ao desinteresse de seus maridos, e não ao seu. Quando o idoso se cansa de uma mulher com quem vive há muitos anos, sobretudo por ela ter envelhecido e já não ser muito desejável, recobra a virilidade ao trocar sua antiga parceira por uma nova, geralmente jovem. A monotonia mata-lhe o desejo. A novidade aguça-o. Mas de acordo com o dr. Philip R. Roen (A Saúde Sexual do Homem), "não se rejuvenesce pelo fato de se procurar uma companheira mais jovem ou tomar hormônios masculinos. Só uma visão realista da vida e o ajustamento filosófico à situação trarão satisfação e serenidade". A velhice diminui as forças e extingue as paixões; a redução da libido causa o desvanecimento da agressividade biológica; o cansaço e a indiferença que tantas vezes dominam a velhice desviam-na das preocupações com os outros. Daí a necessidade que sentem os velhos - e muitos por várias razões o conseguem - de buscar estímulos mais fortes que lhe restituam a normalidade sexual. Marguerite Yourcenar (Arquivos do Norte) descreve uma personagem seu desposando uma jovem de dezesseis anos, 37 anos mais moça do que ele. E sublinhou: "Rubens, ao fornicar com Hèléne, recuperava sua juventude." Mas nem tanto ao mar nem tanto à terra. Nem a abstenção total nem o excesso. O dr. Philip R. Roen nos revela que um dos seus clientes, de 62 anos, passou a viver com uma mulher de vinte e poucos anos. A partir de então, ele satisfez seu desejo sexual quase diariamente, embora sua necessidade pudesse ser atendida com um coito semanal apenas. Este exagero provocou graves sintomas prostáticos, micções freqüentes, dor pélvica e mais tarde, impotência total, porque sua próstata não conseguiu acompanhar aquele ritmo anormal. Esta é uma das alternativas, uma espécie de mecanismo de fuga, para resgatar a potência adormecida pelo tempo. Mas há outras, que estão ligadas à condição social dos indivíduos e das quais dependem suas atividades sexuais - mais duradouras entre os trabalhadores braçais que entre os intelectuais, prolongando-se também mais entre as pessoas de baixo nível de rendimentos do que entre as classes abonadas. Referimo-nos ao homossexualismo e ao onanismo, por exemplo, sem esquecermos que a invalidação genital provoca, segundo os psicanalistas, uma regressão da sexualidade senil aos estágios oral e anal, atingindo alguns velhos que se tornam bulímicos, entregando-se, maniacamente, ao prazer de comer para compensar sua frustração erótica. Outros idosos procuram relacionar-se com prostitutas, pagas para saciarem o seu voyeurismo ou, até mesmo, conseguirem levá-lo ao orgasmo, com todos os seus artifícios de sedução. E há os que abandonam completamente a atividade sexual, encaramujando-se num absenteísmo injustificável. Mas o organismo é o que nos parece ser o recurso universalmente praticado, quer na adolescência, por falta de intimidade com parceiras femininas, quer na velhice, por falta de vigor sexual para responder prontamente aos estímulos que levam à ereção, ao orgasmo e à ejaculação. Conscientes da dificuldade de sua ereção, várias vezes mais lenta do que fora na mocidade; receosos da detumescência que interrompe ou sucede ao orgasmo com muita rapidez; e conscientes de que é infinita a possibilidade de fecundação do óvulo pelo esperma senil, os homens idosos masturbam-se, dando asas às suas fantasias, preferindo seus fantasmas ao corpo decadente de suas companheiras. Livro Envelhecer e Ser Feliz |
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