OS MINERAIS E O SER HUMANO I

Dr. Sérgio Teixeira

Actínio

Descoberto em 1899, é um elemento metálico extremamente raro e perigosamente radioativo que destrói os tecidos do organismo a ele exposto. Encontrado em todos os minérios do urânio, geralmente é obtido a partir do bombardeio do rádio com nêutrons em um reator nuclear. Utilizado como fonte radioativa, especialmente de raios alfa.

Alumínio

O alumínio é o metal mais abundante na face da Terra. Descoberto em 1890, só é mais leve que o magnésio e tem espantosa versatilidade, podendo ser usado em muitas ligas. Depois do aço, é o metal mais usado no mundo.

Retirado da bauxita (de Les Baux, na França), que tem esse nome em homenagem à cidade onde pela primeira vez foi isolado, o alumínio era ainda há 150 anos novidade na corte de Napoleão III, que mandou fazer um serviço de jantar para os convidados de honra todo de alumínio - e isto lhe custou alguns milhares de libras.

O alumínio é considerado hoje altamente tóxico e deve ser evitado em panelas, caixas de leite aluminizadas, comida congelada em quentinhas e outros recipientes, remédios (como os antiácidos e os desodorantes antitranspirantes), assim como nos vasilhames em que os animais se alimentam, pois vai se depositar nos nervos, nos ossos e no cérebro. As pesquisas freqüentemente mostram valores aumentados (20 a 40 ppm, quando o normal é apenas 1 ppm) devido ao seu amplo uso no mundo de hoje.

Para o Dr. Mauro Tarandach, da Sociedade Brasileira de Pediatria, está cada vez mais claro o papel do alumínio nas doenças da infância graças ao avanço da biologia molecular no que tange ao papel dos oligoelementos na fisiologia e na patologia.

Os sintomas clínicos da intoxicação por alumínio em crianças são diversos, dentre eles anemia microcítica hipocrômica refratária ao tratamento com ferro, alterações ósseas e renais, anorexia e conseqüente fraqueza e até psicoses, o que se agrava em crianças com dificuldades de eliminação desse metal devido a problemas renais crônicos. As soluções para diálise e para nutrição parental muitas vezes contêm alto teor de alumínio, o que acarreta graves danos e vem sendo corrigido nos últimos anos.

O alumínio provoca dormências quando se cruza as pernas ou se permanece na mesma posição por algum tempo, seborréia intensa no couro cabeludo acompanhada de queda dos cabelos, envelhecimento precoce, paralisia dos membros inferiores, esclerose cerebral (doença de Alzeheimer), falta de disciplina, dificuldade para transpirar, conjuntivite crônica, coceira noturna e sensação de que o tempo custa a passar.

Apesar de usado amplamente no mundo de hoje, vem intensamente combatido, sobretudo após estudos que mostram sua influência sobre o comportamento dos delinqüentes, assim como em pessoas com surtos psicóticos ou pré-psicóticos. Ele desloca os cálcio e o fósforo, causando a osteoporose.

Entretanto, a carência de alumínio, embora pouco freqüente, produz sintomas análogos aos provocados pela falta de vitamina B1. Sua indicação é o retardamento intelectual. É um regulador do sono, especialmente nas insônias por excesso de trabalho mental. Segundo Mellie Uyeldert, ativa o hemisfério cerebral direito, tornando a pessoa mais sonhadora e sensível à arte e menos intelectual.

Antimônio

Descoberto por volta de 1450, seu nome significa "inimigo da solidão", pois sempre se encontra combinado com outros elementos. Embora existam mais de cem minerais que contêm antimônio, o mais importante é a estibinita (Sb2S3). Ele se combina principalmente com cobre, chumbo, prata, mercúrio e enxofre, os quais interagem por isso mesmo, no organismo através do "efeito gangorra", isto é, eles se neutralizam mutuamente.

O antimônio acha-se em soldas, tipos para imprensa, ligas com chumbo, tecidos à prova de fogo, medicamentos, cerâmica esmaltada e fósforos. Os gregos e egípcios faziam taças e cosméticos de antimônio e o usavam como remédio para a melancolia. Foi muito usado pela medicina medieval como restaurador da juventude e era o mais precioso de todos os remédios. "Sua presença no organismo restaura a confiança, a calma, a auto-estima, atraindo toda a gama de energias cósmicas favoráveis" - diziam dele alguns alquimistas.

A intoxicação pelo antimônio, que se concentra no fígado e nos glóbulos vermelhos, causa alterações cardíacas, renais e hepáticas. Este elemento provoca a formação de calosidades na sola dos pés, como os cravos plantares, rachaduras no canto da boca e deformação das unhas, ao lado de intensa fotofobia e grande insatisfação com todas as coisas. As crianças com excesso de antimônio têm tendência a engordar muito e não querem que ninguém as olhe nem as toque. O antimônio provoca efeito desastroso sobre os órgãos genitais, com a perda do desejo sexual e atrofia do pênis e dos testículos. Pode haver uma uretrite com micção difícil e urina sanguinolenta. As mulheres expostas ao antimônio apresentam abortos espontâneos e partos prematuros.

Argônio

É um gás incolor, que se liquefaz em -187,2ºC, considerado praticamente inerte, mas capaz de formar alguns compostos com o flúor. Foi obtido pela destilação fracionada do ar líquido em 1894. Representa quase 1 por cento da atmosfera terrestre. As lâmpadas contêm argônio e nitrogênio. É usado também em arco voltaico, para soldas e refletores.

Arsênico

Os mais importantes minerais que contêm arsênico são a arsenopirita (FeAs2.FeSz) o falso ouro-pigmento (As2S3) e a lollingita (FeAsz).

O arsênico é usado como inibidor da ferrugem em anticongelantes, na fabricação do vidro, como preservativo na curtição do couro e na preservação da madeira, como herbicida ou como inseticida. Deposita-se nos tecidos, especialmente os cabelos e unhas. Nos cabelos de Napoleão foi encontrada grande quantidade de arsênico, sugerindo a possibilidade de o imperador francês ter sido assassinado com esse veneno.

Seu nome vem do grego e significa "macho" (os gregos achavam que os metais tinham sexo); foi citado pela primeira vez em 1250. Sua presença, em pequenas quantidades, era considerada um poderoso estímulo para a saúde.

É antagonista do cálcio, enxofre, selênio e zinco, reduzindo o teor desses elementos no organismo e sendo igualmente reduzido por eles quando estão aumentados.

Entretanto, o arsênico é um dos mais conhecidos venenos e foi usado com finalidades criminosas desde a Antigüidade. Também já acarretou grande número de envenenamentos acidentais, como ocorreu em Manchester em 1900, quando vários milhares de pessoas morreram após tomar cerveja contaminada por arsênico. Outras vítimas foram crianças nas quais se usaram talcos com alto teor de arsênico, o que às vezes acontece nas minas de talco. A arsina (A5H3) é um gás penetrante que contamina operários da indústria metalúrgica acidentalmente.

Meia hora depois do envenenamento agudo, a pessoa queixa-se de constrição na garganta, dificuldade de engolir e desconforto no estômago que se transforma em dor violenta seguida de diarréia intensa, às vezes com sangue. Segue-se estado de coma e morte. Já o envenenamento crônico, que ocorre em virtude do contato com papéis de parede, corantes, água, leite ou alimentos, acarreta prostação, perda de apetite, ardor na ponta da língua, secreção catarral, inflamação do fígado e erupções na pele de várias formas, com descamação das mãos e dos pés, que se tornam muito sensíveis. Surgem idéias altamente pessimistas, com a sensação de que nenhuma salvação será possível.

Diante destes sintomas, a homeopatia utiliza o antídoto para o arsênico, ou seja, o Arsenicum albim, em variadas potências, o qual eliminará esse veneno do organismo, com rápida melhora do desconforto que ele provoca.

Astatínio

Pertence à família dos halogênios, da qual os outros membros são o bromo, o cloro, o flúor e o iodo. Seu nome significa instável e não ocorre em nosso planeta; foi obtido com o uso do ciclotron pelo bombardeamento do bismuto com partículas alfa. Suas propriedades são semelhantes às do iodo.

Bário

O principal minério do bário é a barita (BaSo4), ou seja, o sulfato de bário. Este metal tem a propriedade de absorver gases. Suas formas industriais e domésticas são carbonato, cloreto, hidróxido, sulfato e nitrato. É forte antagonista do cálcio no organismo.

Descoberto em 1808, seu nome significa "pesado". O bário é um elemento tóxico que pode matar pela ingestão de apenas meio grama mas, felizmente, sua absorção é lenta. É usado em venenos para ratos, depilatórios, pigmentos para pintura, vidros e cerâmicas. Em medicina é usado em contrastes radiológicos para estômago, vesícula e intestinos.

Os sintomas da intoxicação aguda pelo bário (veja fontes de contaminação acima) são: excessiva salivação, vômitos, cólicas, diarréia, tremores convulsivos, pulso lento e pressão alta. Seguem-se hemorragias no estômago, intestinos e rins, e finalmente parada cardíaca. O exame de sangue apresenta grande aumento de leucócitos, simulando uma infecção aguda, e as radiografias mostram lesões ósseas do fêmur e do maxilar. O bário é uma grande causa de derrames e acidentes vasculares quando em excesso no organismo. Deposita-se nos ossos, olhos e pulmões, causando forte vasoconstrição.

A presença de bário no organismo das crianças acarreta retardamento mental com tendência a se isolar e a não se desenvolver fisicamente. Nos idosos o bário provoca a demência senil e leva a um comportamento infantil e inseguro, com aumento da próstata nos homens e dificuldade de reter urina em ambos os sexos. Acarreta aumento de gânglios, facilidade para pegar resfriados e cheiro fétido nos pés e virilhas.

A homeopatia elimina o bário do organismo mediante várias formas de Baryta: carbônica, muriática, sulphurica, por exemplo, que são antídotos desse metal.

Berílio

O berilo (silicato de berílio e alumínio) e a bertrandita (silicato de berílio) são os principais minérios deste metal.

Elemento metálico que, combinado com o silício e o alumínio, forma a esmeralda e a água-marinha. Com ele se fazem ligas de alta elasticidade, sendo utilizado para fabricar transmissões, molas e outras várias partes de várias máquinas. Graças ao seu elevado ponto de fusão (1.283º C), o berílio é usado em ogivas de foguetes. Ligado ao urânio, funciona como combustível compacto em submarinos nucleares. Outros compostos de berílio com nióbio, tântalo, titânio e vanádio vêm sendo usados em naves espaciais. Também está presente dentro das lâmpadas fluorescentes.

É altamente tóxico, especialmente na forma líquida (sulfatos e fluoretos), causando pneumonite aguda e crônica com granulomas que se estendem ao fígado, baço, gânglios abdominais, rins e medida óssea; tumores pulmonares benignos e malignos tipo adenoma, epidermóide ou de células escamosas; sarcoma ósseo; dermatites e lesões que não cicatrizam; raquitismo e reações imunológicas. Todos esses itens se agravam com cirurgias, choques emocionais, gravidez, acidentes etc., que provocam uma produção maior de adrenalina.

A medicina ortomolecular dispõe de agentes quelantes do berílio como o ácido aurintricarboxílico (ATA) e o ácido etileunodiaminotetracético (EDTA) mas, embora isto aumente a excreção urinária desse metal, não há grandes melhoras clínicas, a não ser corticóides, pois o berílio deprime a função do córtex supra-renal. A homeopatia emprega o Beryllium como antídoto desse metal.

O bismuto ocorre na natureza como metal livre ou combinado com o enxofre (bismutinita = Bi2S3).

Bismuto

Descoberto em 1500, seu nome significa "massa branca" em alemão; ele já era mencionado Paracelso como um metal lunar encontrado na madrepérola das ostras e mexilhões. Sua presença no ser humano o torna amante do anoitecer e das horas noturnas. São pessoas generosas e hospitaleiras que lutam a favor dos solitários e sofredores.

O principal uso do bismuto é na fabricação de soldas, fusíveis e outras ligas de baixa fusão (sistemas antiincêndio), assim como medicamentos (especialmente antiácidos) e cosméticos (batons, pós, esmaltes etc.), em virtude do seu aspecto perolizado. A indústria farmacêutica consome cerca de 30 por cento do bismuto produzido no mundo em produtos para diarréia, enterites e úlceras gástricas. Caracteristicamente as dores se refletem nas costas e são aliviadas ao se ingerir alimento ou bebidas gelados.

A exposição ao bismuto por tempo prolongado causa formação de granulomas no pulmão, assim como enfraquecimento dos dentes, acompanhado de uma linha azulado nas gengivas semelhante à da intoxicação pelo chumbo, e dor de estômago. Também pode atacar os rins, pelos quais tem grande afinidade, e estimular o aparecimento de herpes zoster e estomatite aguda. Este elemento causa também horror à solidão.

Boro

Descoberto em 1808, é conhecido principalmente através do bórax (borato de sódio) e do ácido bórico; usado na água boricada e outros produtos farmacêuticos, assim como em inseticidas. Emprega-se também na agricultura para adubo e extermínio de ervas daninhas. A intoxicação por bórax causa medo de descer escadas, ladeiras ou rampas; salivação, náuseas, vômitos, cólicas, insuficiência renal com perda de albumina, cilindros e sangue pela urina, ondas brilhantes diante da vista; encurvamento das pálpebras para dentro (entrópio); excessiva sensibilidade ao mais leve ruído, mas não tanto ao barulho forte; aftas; diarréia cremosa e fétida em crianças (estas gritam antes de urinar).

Nas mulheres, leva à produção de leite sem amamentar, regras adiantadas e corrimento como clara de ovo, cólicas menstruais e esterilidade. Ao deitar, falta de ar e fisgadas no peito ao respirar e ao tossir. Dor na ponta do polegar. Fisgadas na planta dos pés. Perda das unhas, devido a psoríase. Coceira nas costas das mãos. Gritos durante o sono como se estivesse assustado. Já o ácido bórico causa diabetes, frio generalizado (inclusive da língua e da vagina), eritema do tronco e membros superiores, edema ao redor dos olhos etc.

Entretanto, em proporção adequada o boro previne a osteoporose em mulheres pós-menopausa, evita a eliminação de cálcio e magnésio e melhora a taxa hormonal. É comum a perda de magnésio em usuário de diuréticos e digitálicos, perda essa importante nas doenças cardíacas. O boro pode ser fundamental nesses casos. A suplementação do boro, na dose de 1 mg diário de boroglicina, é indicada quando existe carência desse elemento. Alimentos ricos em boro são: maçã, pêra, pêssego, uvas, passas, tâmaras, nozes e soja.

DR. SÉRGIO TEIXEIRA
Trecho do Livro: Medicina Holística
A Harmonia do Ser Humano

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