HILDA HILST
| "Aflição
de ser eu e não ser outra. Hilda Hilst nasceu na cidade de Jaú, interior do Estado de São
Paulo, no dia 21 de abril de 1930, filha única do fazendeiro,
jornalista, poeta e ensaísta Apolônio de Almeida Prado
Hilst e de Bedecilda Vaz Cardoso. Com pouco tempo de vida, seus pais
se separaram, o que motivou sua mudança, com a mãe, para
a cidade de Santos (SP). Seu pai, que sofria de esquizofrenia, foi internado
num sanatório em Campinas (SP), tendo nessa época 35 anos
de idade. Até sua morte, passou longos períodos em sanatórios
para doentes mentais. Aconselhada pela mãe, em 1948 inicia seus estudos de Direito na Faculdade do Largo do São Francisco. A partir de então levaria uma vida boêmia que se prolongou até 1963. Moça de rara beleza, Hilda comportava-se de maneira muito avançada, escandalizando a alta sociedade paulista. Despertou paixões em empresários, poetas (inclusive Vinicius de Moraes) e artistas em geral. Em 1949 é escolhida para saudar, entre os alunos de Direito, a escritora Lygia Fagundes Telles, por ocasião do lançamento de seu livro de contos "O Cacto Vermelho". Hilda lança, nos dois anos seguintes, seus primeiros livros: "Presságio" (1950), e "Balada de Alzira" (1951). Conclui o curso de Direito em 1952. Três anos depois publica "Balada do Festival". No
ano de 1957 viaja pela Europa por sete meses (junho a dezembro). Namora
com o ator americano Dean Martin e, fazendo-se passar por jornalista,
assedia, sem sucesso, Marlon Brando, outro galã de Hollywood. É agraciada com o Prêmio Pen Club de São Paulo pelo livro "Sete Cantos do Poeta para o Anjo", em 1962. Passa a morar na Fazenda São José, a 11 quilômetros de Campinas (SP), de propriedade de sua mãe. Abre mão da intensa vida de convívio social para se dedicar exclusivamente à literatura. Tal mudança foi influenciada pela leitura de "Carta a El Greco", do escritor grego Nikos Kazantzakis. Entre outras teses, defende o escritor a necessidade do isolamento do mundo para tornar possível o conhecimento do ser humano. Muda-se
para a Casa do Sol, construída na fazenda, onde passa a viver
com o escultor Dante Casarini, em 1966. Morre seu pai. Por imposição da mãe, internada no mesmo sanatório em Campinas onde estivera seu pai, casa-se com Dante Casarini, em 1968. Escreve as peças "O Visitante", "Auto da Barca de Camiri", "O Novo Sistema" e "As Aves da Noite". "O Visitante" e "O Rato no Muro" são encenadas no Teatro Anchieta, em São Paulo, para exame dos alunos da Escola de Arte Dramática, sob direção de Terezinha Aguiar. Em 1969 escreve "O Verdugo" e "A Morte do Patriarca". A primeira recebe o Prêmio Anchieta. A montagem de "O Rato no Muro", sob a direção de Terezinha Aguiar, é apresentada no Festival de Teatro de Manizales, na Colômbia. "Fluxo-Floema", sua primeira obra em prosa, é lançada em 1970. A peça "O Novo Sistema" é encenada em São Paulo , no Teatro Veredas, pelo Grupo Experimental Mauá (Gema), sob a direção de Terezinha Aguiar. Baseando-se nos experimentos do pesquisador sueco Friedrich Juergenson, relatados no livro "Telefone para o Além", Hilda Hilst iria se dedicar, ao longo desta década que se iniciava, à gravação, através de ondas radiofônicas, de vozes que, assegurava, seriam de pessoas mortas. No mesmo período, anunciou a visita de discos voadores à sua fazenda. "O Verdugo" é editado em livro e é, até hoje, a única que não é inédita. Morre sua mãe, Bedecilda. Em 1972 o Grupo de Teatro Núcleo, da Universidade Estadual de Londrina, sobre a direção de Nitis Jacon A. Moreira, encena a peça "O Verdugo". Essa mesma peça é encenada no Teatro Oficina, em São Paulo, sob a direção de Rofran Fernandes, no ano seguinte, época em que foi lançado seu novo livro "Qadós". "Júbilo, Memória, Noviciado da Paixão" é lançado em 1974. No ano de 1977 é publicado o livro "Ficções", que recebe o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), como "Melhor Livro do Ano". Três anos depois, 1980, saem os livros "Poesia (1959/1979)", "Da Morte. Odes Mínimas", e "Tu Não Te Moves de Ti". Recebe da APCA o prêmio pelo conjunto da obra. Estréia
a montagem de "As Aves da Noite", no Teatro Ruth Escobar,
com direção de Antônio do Valle. Divorcia-se de
Dante Casarini, mas o ex-marido continua morando na Casa do Sol. Em 1984 saem os "Poemas Malditos, Gozosos e Devotos". Dois anos depois, em 1986, publica os livros "Sobre a Tua Grande Face" e "Com Meus Olhos de Cão e Outras Novelas". 1989 marca o lançamento de "Amavisse". Com "O Caderno Rosa de Lori Lamby", livro que consagra a nova fase iniciada em "A Obscena Senhora D", a escritora anuncia o "adeus à literatura séria" (1990). Justifica essa medida radical como uma tentativa de vender mais e assim conquistar o reconhecimento do público. A obra provoca "espanto e indignação" em seus amigos e na crítica. O editor Caio Graco Prado se recusa a publicá-la e o artista plástico Wesley Duke Lee a considera "um lixo". Lança "Contos d'Escárnio/Textos Grotescos e Alcoólicos". O quarto livro dessa fase que, para muitos, como dissemos, causou "espanto e indignação", "Cartas de Um Sedutor" é lançado em 1991. O livro "O Caderno Rosa de Lori Lamby" é traduzido para o italiano. Estréia, em São Paulo, a peça "Maria Matamoros", adaptação do texto "Matamoros" que se encontra no livro "Tu Não Te Moves de Ti". Em 1992 lança a antologia poética "Do Desejo" e "Bufólicas", na verdade uma brincadeira quase infantil da autora, por muitos visto como uma paródia. Passa a colaborar com o Correio Popular, jornal diário de Campinas (SP), escrevendo crônicas semanais; o trabalho se estenderia até 1995. No ano seguinte publica "Rútilo Nada", num livro que também continha "A Obscena Senhora D" e "Qadós". "Rútilo Nada" recebe o Prêmio Jabuti na categoria "Contos". Em
1994, "Contos d'Escárnio & Textos Grotescos" é
traduzido para o francês. Em 1997, lança "Estar Sendo. Ter Sido". Seus poemas são lidos em Quebec, Canadá, juntamente com textos de Safo, Gabriela Mistral e Marguerite Yourcenar, entre outras autoras, no recital Le Féminin du Feu, durante as comemorações do Dia Internacional da Mulher. A edição bilíngüe (português-francês) do livro "Da Morte. Odes Mínimas" é publicada em 1998. Publica também "Cascos & Carícias: crônicas reunidas (1992-1995)", volume de textos que saíram no jornal "Correio Popular". Volta a se dedicar a questões sobrenaturais: afirma acreditar no contato dos mortos com a Terra através de mensagens enviadas via fax. Reafirma o desejo de construir em suas terras um centro de estudos da imortalidade. Em 1999, lança a antologia poética "Do Amor". Sob a coordenação do escritor Yuri V. Santos, entra no ar seu site oficial: www.angelfire.com. "O Caderno Rosa de Lori Lamby" é levado ao palco sob direção de Bete Coelho e tendo no papel principal a atriz Iara Jamra. Em 2000, lança "Teatro Reunido" (volume 1)". Estréia, em Brasília, a adaptação teatral de "Cartas de um Sedutor". Estréia, na Casa de Cultura Laura Alvin, no Rio de Janeiro, o espetáculo "HH Informe-se", reunião e adaptação teatral de textos da autora. Inauguração, em dezembro, da "Exposição Hilda Hilst - 70 Anos", evento criado pela arquiteta Gisela Magalhães no SESC Pompéia, em São Paulo. Em 2001, estréia, no Rio de Janeiro, a adaptação teatral de "Cartas de um Sedutor". A Editora Globo passa a ser responsável por toda sua obra publicada. Agraciada,
em 2002, com o Prêmio Moinho Santista - 47ª edição,
categoria poesia. Hilda Hilst faleceu no dia 04 de fevereiro de 2004, na cidade de Campinas (SP). Fontes:
www.releituras.com |
Webdesigner: Netty Macedo
Revisão: Anna Eliza Führich
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