AUTORES CÉLEBRES

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ERICO VERISSIMO

CLARISSA

É o primeiro livro, escrito em 1933, tem como ambiente a cidade de Porto Alegre. Nele, Erico Verissimo traça o perfil psicológico da adolescente Clarissa.

Clarissa é a história límpida e serena de um ano de vida de uma criança que se faz mulher. "Na monotonia cotidiana da pensão de sua tia Zina", escreve um dos críticos que melhor compreenderam o sentido deste romance, "ela é um raio de sol, uma mancha rutilante de alegria. É a poesia da vida no meio do realismo mesquinho. Nela, tudo encanta porque tem a inocência que a angeliza, e o sabor das coisas naturais que ainda não sofreram as deformações da sociedade... Clarissa é qualquer coisa de agreste e puro. Clarissa é música e é poesia. Menina e moça - olhos abertos para o mistério sa vida. alma que amanhece." Uma de nossas melhores novelas sobre a psicologia da adolescência, este livro tem como fundo a terra e a gente do Rio Grande do Sul.

Personagens:
Clarissa - adolescente que morava numa fazenda e foi estudar na cidade grande. Ondina - a infiel, casada com Barata.
Amaro - um musico que cortejava Clarissa. Tonico - garoto que perdera as duas pernas num acidente, era muito frágil e acaba morrendo.
Vasco - primo de Clarissa que vive em Jacarecanga.

Sem sono, Clarissa debruça-se à janela. A noite está clara. Refrescou. Uma lua enorme, cheia, muito clara. Os quintais estão raiados de sombra e de luz. parece que o disco da lua se enredou entre a ramagem folhuda do plátano grande do quintal da casa onde D. Tatá morava. O relógio, na sala, bate onze horas. Cabeça encostada na vidraça, Clarissa pensa... Como o tempo passou... Parece que o ano começou ontem.

Entretanto, quanta coisa aconteceu! Sempre desejou voltar para casa. Mas agora que o dia da partida se aproxima, ela sente algo de esquisito no peito, uma espécie de saudade antecipada. Vai sentir falta de tudo isto, de todos estes aspectos de todas essas caras, de todos estes ruídos. Vai se lembrar sempre do papagaio que sabe dizer o seu nome, do gato que lhe roça preguiçosamente pelas pernas, da siá Andreza que vive na cozinha como uma gata borralheira. Sentirá falta de tia Zina, do Tio Couto, de Amaro. E quem sabe se também de Ondina e Nestor; a vida é tão engraçada...

Nunca mais lhe sairá da memória a risada contente do major... Fora, o luar cresce, tênue, inundando a paisagem. Clarissa infla as narinas. Parece-lhe que o luar tem um perfume todo especial. Se ela pudesse pegar o luar, fechá-lo na palma da mão, guardá-lo numa caixinha ou no fundo de uma gaveta para soltá-lo nas noites escuras...

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