AUTORES CÉLEBRES

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J. G. DE ARAÚJO JORGE


O LADO BOM

Quero ser uma ilha, um pouco de paisagem,
uma janela aberta, uma montanha ao longe, um aceno de mar.
Quando precisares de sonho, de um canto de beleza,
de um pouco de silêncio, ou simplesmente de sol... e de ar...

Quero ser o lado bom em que pensas,
isto que intimamente a gente deseja mas nem sempre diz.
Quero ser, naquela hora, o que sentes falta para seres feliz...
Que quando pensares em fugir de todos ou de ti mesma,
enfim, penses em mim...

Autor: J.G. de Araújo Jorge
Enviado por: Carlos Luiz Grilo Almeida


O POETA NA PRAÇA - (1ª edição - 1981)

  Não há incompatibilidade entre o poeta e o político. Aí estão os exemplos no mundo contemporâneo: Lorca, Neruda, Mao Tsé-tung, Ho Chi Minh, Lumumba, Senghor, Agostinho Neto, Nicolas Guilhen, poetas líricos, sociais e grandes líderes de seus povos.
Em mim, são como duas faces de uma mesma moeda.
Na Faculdade de Direito, fundei uma Academia de Letras, fui orador do CACO, da União Democrática Estudantil,
(germe da UNE), presidente de Diretório, do 1o Congresso nacional da Juventude, diretor de jornais, publiquei meus primeiros livros, atuei em movimentos políticos e populares.
Costumo dizer: "fiz curso de Felinto Müller e do Gal. Newton Cavalcanti."
Lia Marx, Spengler, Rousseau, e Castro Alves, Alvares Azevedo, Tobias Barreto. Em 1943, uma posição humanista: "O Canto da Terra". Em 1947, uma definição política: "Estrela da Terra".
"Na encruzilhada de minha poesia /  Cristo e Marx se encontrarão e acima de tudo cantarei a liberdade" Antecipava em 30 anos a"Populorum Progressio", e a revolução da Igreja de João XXIII tentando conciliar o cristianismo  e o socialismo. Quando a crítica
metia o rabo entre as pernas com medo da ditadura, e os poetas, como caramujos de jardim enclausuravam-se em hermetismos artificiais, lancei livros que o DIP apreendeu, participei de comícios dissolvidos a bala, vi meu programa "Encontro com a Poesia" ser retirado do ar, pelo SNI, então dirigido pelo Gal. Golberi do Couto e Silva, no dia do lançamento de "Mensagem".
Mas proclamava em minha poesia neo-romântica: "Não me envergonho nunca de falar de amor"  ou , "Acima de tudo cantarei o amor. / O de Cristo e Confúcio, o de Romeu e D. Juan / o de Che Guevara./ Botarem-me então no "índex". E passaram a coachar:
"É o poeta das moças." E daí?  Poeta das moças,  dos moços, e com isto, sinto-me, como dizia Romain Roland, "um contemporâneo do futuro".
Subestimam o leitor, o grande e insuspeito juiz. Vingam-se dos que tem leitores, eles precisam de cicerones para poderem ser entendidos, e parodiam
Édipo: "Decifra-me, ou morrerás" Complexados. Shakespeare foi, em seu tempo, considerado "um poeta açucarado". Baudelaire,  preso e acusado de imoral.  No Brasil tenho ouvido restrições a Vinícius porque "desceu até a canção popular;  a Jorge amado, que
está "transigindo com o público";  Chico Buarque, classificado como compositor "de laboratório".
Drummond, o grande poeta, se queixa num de seus poemas da "galhofa" de alguns. Console-se. Teria que me queixar da galhofa maior de certa  crítica, "não-li-não-gostei" , e de certos intelectuais, filhos de encalhes, da poeira das estantes, e ininteligíveis ao próprio
bestunto. Neste livro reuni poemas de sentido social e político, de sete livros publicados e de um ainda inédito. Uma face da minha poesia.
A que sei fazer. A que, para minha alegria,  "faz ciranda com o povo nas ruas".
- J.G. de Araujo Jorge
Brasília, maio de 1981

Obs: Os oito livros  que compõe "O Poeta na Praça"  são:
TEMPO SERÁ..............(1986) - Publicado alguns meses antes da sua morte.
O PODER DA FLOR.......(1970)
CANTIGA DO SÓ..........(1965)
MENSAGEM.................(1966)
A OUTRA FACE.............(1949)
ESTRELA DA TERRA.......(1947)
O CANTO DA TERRA ......(1943)
CÂNTICOS...................(1941)

Autor: J. G. de Araujo Jorge
Extraído do livro" Poemas do Amor Ardente" 1961

Fonte: www.jgaraujo.com.br

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