ENTRE NESTE NOVO MUNDO

AUTORES CÉLEBRES

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MANUEL BANDEIRA

VOU-ME EMBORA PRA PASSÁRGADA


1886 - Nasce Manuel Carneiro de Souza Bandeira Filho, no Recife, Pernambuco. A tuberculose o atinge no fim do ano letivo de 1904, quando abandona os estudos “sem saber que os versos, que eu fizera em menino por divertimento, principiaria então a fazê-los por necessidade, por fatalidade”. Volta ao Rio em busca de clima serrano. Escreve crônicas semanais para o Diário Nacional e para várias rádios, além de traduções e biografias.
1968 - Morre Manuel Bandeira.

VOU-ME EMBORA PRA PASSÁRGADA

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d’água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
- Lá sou amigo do rei -
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.

Jornal de Poesia

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