EXERCÍCIO & HIPERTENSÃO

Dr. Alberto Siqueira Lopes

Quando o hipertenso mostra interesse em praticar exercícios físicos, para o seu prazer ou para tratar a hipertensão, deve obedecer certos cuidados, para que esta não se eleve perigosamente durante o exercício.

Para um jovem portador de "hipertensão leve", o exercício físico traz inúmeros benefícios, como tratamento "não farmacológico".

Existem inúmeras evidências de que o exercício físico contínuo e extenuante reduz a possibilidade da progressão da hipertensão no futuro.

Nos jovens hipertensos, incluindo os adolescentes, torna-se particularmente difícil a prescrição de medicamentos, devido à grande possibilidade deles não obedecerem. Mais difícil, ainda, é a prescrição de dietas, incluindo a de sal.

O tipo de exercício merece especial atenção, porque nem todos devem ser utilizados.

Os estudos mostram que os efeitos benéficos ocorrem quando se utilizam todas as formas aeróbicas de exercícios, como natação, corrida e atletismo, de uma forma esquemática e regular.

O exercício isométrico, como levantamento de peso, além de não trazer efeitos benéficos, pode ser contraindicado, podendo apresentar elevação acentuada da tensão arterial, com sérios riscos à saúde. Pode, ainda, produzir hipertrofia concêntrica no ventrículo esquerdo e complicações, como distúrbios do ritmo cardíaco.

Os exercícios físicos, como andar, trotar e correr, podem ser recomendados para os hipertensos, que fazem uso de medicação hipotensora.

Os hipertensos que apresentam cuidados especiais são os portadores de hipertrofia venticular esquerda por constituir um fator de riscos, que se agrava com o exercício físico.
Devem ser tratados antes de iniciar um programa de exercícios físicos.

Estas recomendações aplicam-se aos exercícios recreativos comuns em condomínios fechados, ou mesmo em Academias de Ginástica, com o objetivo de divertimento, manutenção da saúde ou perda de peso.

O exercício físico no hipertenso é recomendado, quando a hipertensão é controlada e quando não existem sinais de lesões em órgãos vitais, como o coração, o cérebro e os rins.

Os benefícios que os hipertensos encontram com a prática de exercícios regulares são inúmeros, como por exemplo:

  • reduz a tensão arterial em repouso
  • reduz a tensão arterial durante o exercício
  • emagrrecimento
  • elevação do HDL (bom colesterol)
  • diminuição do LDL (mau colesterol)
  • perda de sal e água através da sudorese
  • diminuição da viscosidade do sangue
  • redução do tônus simpático, com a redução da concentração de adrenalina no sangue e melhora na freqüência cardíaca
  • efeito psicológico favorável de "bem estar"
  • estudos mostram que na hipertensão do obeso, o exercício físico reduz a insulina que, por sua vez, reduz a absorção de sal no organismo, diminuindo, tanto o peso, como a hipertensão arterial.

O exercício aeróbico dinâmico, como a natação e a corrida, não acarretam aumento na espessura muscular do coração, enquanto o exercício isométrico, como luta corporal e levantamento de peso, são prejudiciais à musculatura do coração hipertenso.

Antes de iniciar quaisquer práticas de exercícios, é óbvio, todos devem submeter-se a exames físicos e laboratoriais e também a testes ergométricos, para avaliação do estado funcional do coração e da pressão arterial.

Dr. Alberto Siqueira Lopes
Prof. Adjunto de Cardiologia da UERJ

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