CLÓVIS INFORMA
"Informativo do Clóvis Gualberto - Regras da Língua Portuguesa (Redação e Gramática) - Novas Regras Ortográficas".
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OS VÍCIOS DE LINGUAGEM DO DIA A DIA |
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Na edição anterior, tratamos acerca dos "Vícios de linguagem do dia a dia". Nesta edição, em atenção à solicitação de leitores com dúvidas quanto ao "Uso da vírgula", procuramos esclarecer tais questionamentos. A maioria dos erros de pontuação se dá pelo excesso do uso da vírgula. As pessoas não sabem muito bem quando usá-la e acabam abusando. Este minicurso online mostra com clareza como identificar os locais onde a vírgula não deve ser colocada, reduzindo assim grande parte dos erros de pontuação. Futuramente, cuidaremos do "Uso correto da pontuação" em geral. Saiba quando evitar a vírgula 1 - Uso da Vírgula - Saiba quando evitar Muitos pensam que a vírgula serve para marcar as pausas que fazemos para respirar ao ler um texto, e acabam escolhendo os locais das vírgulas de acordo com sua própria capacidade pulmonar. Assim, é comum que as pessoas agitadas e os atletas, principalmente os nadadores, usem poucas vírgulas. Já a maioria das pessoas tende a abusar de seu uso, principalmente as sedentárias e as fumantes. Entretanto, o uso da vírgula não se relaciona com as pausas da respiração, que variam de pessoa para pessoa. Bom, se o objetivo da vírgula não é marcar as pausas da respiração, qual é o critério para definir quando ela deve ser usada ou não? 1.2 - Regra básica A definição dos locais onde a vírgula pode ou deve ser empregada depende principalmente da estrutura sintática da oração. Conhecer a estrutura sintática de uma oração é, basicamente, saber qual é o seu sujeito, seu predicado, identificar o verbo e quais são seus complementos. Identificando os termos da oração, é possível evitar a maioria dos erros relacionados ao uso da vírgula seguindo apenas uma regra básica: Não se deve separar com vírgula elementos relacionados 1.3 - Não coloque a vírgula onde não deve Nas próximas páginas veremos alguns desdobramentos da regra básica, que é a mais simples, a mais importante e, ao mesmo tempo, a mais desobedecida. 1.4 - Não separe o sujeito do predicado Em uma oração, normalmente se diz algo em relação a alguma coisa ou alguém. Sujeito é essa alguma coisa ou alguém sobre quem se fala, enquanto o predicado é aquilo que se diz a respeito dela. O predicado é composto por um verbo e seus complementos (objeto direto e objeto indireto). Assim, como esses termos são estreitamente relacionados, não devem ser separados por vírgula:
Sujeito: "Carlinhos" - Predicado: "trombou no poste." 1.5 - Não separe o verbo de seus complementos Alguns verbos pedem complementos para que seu significado fique completo. Se esse complemento se ligar ao verbo diretamente, sem uso da preposição, será chamado de objeto direto. Caso o verbo exija o uso da preposição para se ligar ao complemento, esse complemento será chamado de objeto indireto. O complemento não deve ser separado por vírgula do verbo porque completa seu sentido:
Verbo: "vendeu" - Complemento Verbal: "sua casa" 1.6 - Não separe o adjunto adnominal do nome ao qual se refere Adjunto adnominal é uma palavra que vem junto (adjunto) a um nome (adnominal) para qualificá-lo, caracterizá-lo ou simplesmente determiná-lo. Pode ser representado por adjetivos, artigos, pronomes, numerais e até mesmo locuções adjetivas. Já o "nome", normalmente representado por um substantivo, pode ser o de seres, ações, estados, sensações, sentimentos etc. Como o adjunto adnominal diz respeito diretamente ao nome ao qual se refere, esses termos não devem ser separados por vírgula:
Nome: moça - Adjuntos adnominais: aquela (pronome) e estrangeira (adjetivo) Nome: professores - Adjuntos adnominais: os (artigo), dois (numeral) e da cidade (locução adjetiva) 1.7 - Não separe o complemento nominal do nome ao qual se refere Complemento nominal é o termo que complementa (complemento) o sentido de certos nomes (nominal) que não possuem sentido completo. O complemento nominal é sempre regido de preposição. Já o nome pode ser representado por substantivos abstratos, adjetivos e advérbios. O complemento nominal não deve ser separado por vírgula do nome ao qual se refere porque completa seu sentido:
Nome: defesa - Complemento nominal: da pátria Nome: importante - Complemento nominal: para os brasileiros 1.8 - Orações Subordinadas Muitas vezes, o papel de certos termos da oração não é representado por palavras ou expressões, mas por outras orações, com seus próprios sujeitos, verbos e complementos. Nesses casos, temos um período com mais de uma oração. O número de orações é definido pela quantidade de verbos ou locuções verbais existentes. Quando isso ocorre, basta identificar qual termo a oração está substituindo, e, novamente, usar a regra básica que aprendemos. A oração que engloba as outras é chamada de "Oração Principal". Já as orações que substituem os termos da oração e se subordinam ao seu verbo da oração principal, exercendo alguma função sintática, são chamadas "Orações Subordinadas". As que exercem funções próprias de substantivos são "Orações Subordinadas Substantivas", enquanto que aquelas que exercem funções de adjetivos são as "Orações Subordinadas Adjetivas". Dependendo da função exercida na oração principal, as orações subordinadas ainda recebem mais nomes para indicar essa função. Mas não se preocupe com o tamanho do nome. Depois que você entende como são montados, eles não assustam mais. 1.9 - Oração substituindo o sujeito: Veja a oração: "Comer frutas e legumes é bom para a saúde." A oração "comer frutas", cujo verbo é "comer", é uma "Oração Subordinada Substantiva Subjetiva". Oração porque possui verbo. Subordinada porque se subordina ao verbo da oração principal ("é"). Substantiva pois exerce uma função própria de um substantivo (função de sujeito). Subjetiva porque substitui o sujeito da oração principal. Já "é bom para a saúde" é o predicado. Assim, não se separa por vírgula a oração que substitui o sujeito do predicado da oração principal. 1.10 - Oração substituindo o complemento verbal: Veja a oração: "Todo mundo percebe que a Amazônia está sendo devastada." A oração "que a Amazônia está sendo (locução verbal) devastada" é uma "Oração Subordinada Substantiva Objetiva Direta", pois está fazendo o papel de complemento do verbo "perceber" na oração principal, sem a exigência de preposição, exercendo, assim, a função de Objeto Direto (função exercida por substantivos). Assim, não se separa por vírgula a oração que substitui um complemento verbal do verbo da oração principal. 1.11 - Oração substituindo o complemento nominal: Veja a oração: "O menino estava convicto de que seu pai voltaria." A oração "de que seu pai voltaria" é uma "Oração Subordinada Substantiva Completiva Nominal", pois está fazendo o papel de Complemento Nominal (função exercida por substantivos) do substantivo abstrato "convicto" na oração principal. Assim, não se separa por vírgula a oração que substitui o complemento nominal do nome a que se refere na oração principal. 1.12 - Oração substituindo o adjunto adnominal: As orações subordinadas que substituem termos cuja função normalmente é exercida por adjetivos ("Orações Subordinadas Adjetivas") somente se classificam quanto a seu sentido, e podem ser "Restritivas" ou "Explicativas". Quando a oração restringe e limita o sentido do substantivo ou pronome ao qual se refere, é chamada "Oração Subordinada Adjetiva Restritiva": Os alunos que são altos conseguem todas as vagas do time de basquete. A "Oração Subordinada Adjetiva Restritiva", portanto, não deve ser separada por vírgula do termo a que se refere. Autor: Clóvis Gualberto |
OS VÍCIOS DE LINGUAGEM DO DIA A DIA 1 - FRASES EXPRESSÕES E VÍCIOS DE LINGUAGEM É muito comum o emprego da preposição "A" nessas construções. Temos um verdadeiro festival de "residente à", "sito à", "morador à", são construções que devem ser evitadas, pois como os verbos morar, residir, situar, localizar e semelhantes são regidos pela preposição EM, e deveria se usar "NA" e não "À" nos casos específicos. O motivo é a situação de repouso e não de movimento, mas é muito comum o uso intercambiável das preposições A e EM, como temos visto em diversas ocasiões, por isso ainda se observa estas duas formas: na rua e à rua, com preferência por esta última àquela primeira na forma escrita. Em suma, de acordo com o padrão culto da língua portuguesa, o correto é: "situado na rua tal", "morador na rua..." ou ainda "localizado na rua". Em outras oportunidades, estudaremos outros vícios de linguagem. Fico à disposição para qualquer esclarecimento ou informação adicional. Obrigado! Tenha excelente SEMANA!!! Autor: Clóvis Gualberto |
EMPREGO DOS PRONOMES DEMONSTRATIVOS Os pronomes demonstrativos são utilizados para explicitar a posição de uma certa palavra em relação a outras ou ao contexto. Essa relação pode-se dar em termos de espaço, tempo ou discurso. Vamos abordar aqui as situações em que o uso de demonstrativos é produtivo ou problemático para o falante, recomendando o uso dominante entre os falantes cultos. 1. Este, esse, aquele e suas flexões * No espaço:
Exemplos: Se tu não estás utilizando essa régua, podes me emprestar por alguns minutos? Vês aquele relatório sobre a mesa do Dr. Silva? É o documento a que me referi. Em situações de fala direta (tanto ao vivo quanto por meio de correspondência, que é uma modalidade escrita de fala), são particularmente importantes o este e o esse - o primeiro localiza os seres em relação ao emissor; o segundo, em relação ao destinatário. Trocá-los pode causar ambigüidade. Exemplos: Reafirmamos a disposição desta universidade em participar no próximo Encontro de Jovens. (trata-se da universidade que envia a mensagem). * No tempo: Exemplos: No final desta semana, o Diretor de nossa Unidade irá a São Paulo. Este ano de 2010 está sendo marcado pela violência no Oriente Médio. * Esse e suas flexões referem-se a tempo recentemente decorrido. Exemplo: Aquele e suas flexões referem-se a um passado mais distante. Exemplo: Evidentemente, não há limites precisos para o uso de esse e aquele, sendo a última palavra sempre determinada pela adequação ao contexto. No discurso: Exemplos: Admiração, respeito, amizade? Talvez, pensava ela, este (último) seja o mais importante e perene dos sentimentos. Outra situação importante ocorre quando queremos retomar por demonstrativos mais de um elemento já mencionado. Exemplo: Quando se quer retomar apenas dois elementos, elimina-se a forma intermediária esse. Exemplo: Veja a ilustração para esses dois últimos casos: 1. Emprego de este, esse e aquele em relação a três termos
Este: indica o que se referiu por último. 2. Emprego de este e aquele em relação a dois termos citados anteriormente
Este: indica o que se referiu por último. 2. Mesmo, próprio e suas flexões Observe as frases: Por que será que na frase (b) a palavra mesmo é flexionada no plural e na frase (d) não? A resposta é lógica, e encontra-se na relação que esses termos estabelecem com outros elementos da frase. No caso de (a) e (b), mesmo/s se refere a ele/s, podendo ser substituído por próprio/s; no caso de (c) e (d), mesmo se refere a vai digitar , podendo ser substituído por realmente. Se quiser ir adiante, saiba que mesmo e próprio, no primeiro caso, são pronomes e, como tal, acompanham a flexão do nome; no segundo caso, mesmo é advérbio, e como todos os advérbios são invariáveis. Fico à disposição para qualquer esclarecimento ou informação adicional. Obrigado! Tenha excelente SEMANA!!! Autor: Clóvis Gualberto |
Neste informativo iremos aprender como utilizar corretamente as locuções expressivas "Meio", "Meia", "Malformação" e "Maloclusão". MEIO, MEIA, MALFORMAÇÃO E MALOCLUSÃO -- Gostaria de saber em que casos utilizo o MEIA e em que casos utilizo o MEIO? -- Gostaria de saber se está correto o uso do hífen no termo "meio-período"? Meio adjetivo A palavra meio (= metade) varia no feminino e plural quando precede um substantivo: Meio advérbio Com o significado de "um tanto, um pouco, quase", acompanha um adjetivo e fica invariável: Meio em substantivo composto A formação composta leva hífen; e sendo um adjetivo, meio flexiona conforme o substantivo: Outros exemplos: à meia-luz, de meia-tigela, roupa de meia-estação, é um meio-termo, pessoa de meia-idade, nesse meio-tempo, os meios-fios, são meios-irmãos, vive de meias-solas. -- Em odontologia emprega-se, para designar uma oclusão (mordida) anormal, ou seja, que não é boa, os seguintes termos: má-oclusão, má oclusão, maloclusão. Qual seria o correto? (W. M., São Paulo/SP) -- Qual o correto: má-oclusão, maloclusão ou mal oclusão? Não existe consenso entre os escritores sobre Ortodontia. (J. M. B., Guarulhos/SP) A dúvida era gerada pela ausência do vocábulo nos dicionários. Costumava-se tomar por base os vocábulos má-formação e malformação, cuja primeira forma era considerada mais adequada, visto se constituir de adjetivo e substantivo femininos. Entretanto, por influência estrangeira se disseminou a grafia com "mal" numa só palavra, como em malnutrição (em inglês: malnutrition). Portanto haveria duas grafias corretas: má-oclusão, plural más-oclusões, e maloclusão, pl. maloclusões. Apesar de o VOLP 2009 (Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, 5ª ed.) ter se esquecido exatamente de má-oclusão, continuam valendo as duas formas. Fico à disposição para qualquer esclarecimento ou informação adicional. Obrigado! Autor: Clóvis Gualberto |
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