CLÓVIS INFORMA

"Informativo do Clóvis Gualberto - Regras da Língua Portuguesa (Redação e Gramática) - Novas Regras Ortográficas".

SAIBA QUANDO EVITAR A VÍRGULA

OS VÍCIOS DE LINGUAGEM DO DIA A DIA

EMPREGO DOS PRONOMES DEMONSTRATIVOS

MEIO, MEIA, MALFORMAÇÃO E MALOCLUSÃO



Em 16/5/2010

EDITORIAL

Na edição anterior, tratamos acerca dos "Vícios de linguagem do dia a dia". Nesta edição, em atenção à solicitação de leitores com dúvidas quanto ao "Uso da vírgula", procuramos esclarecer tais questionamentos. A maioria dos erros de pontuação se dá pelo excesso do uso da vírgula. As pessoas não sabem muito bem quando usá-la e acabam abusando. Este minicurso online mostra com clareza como identificar os locais onde a vírgula não deve ser colocada, reduzindo assim grande parte dos erros de pontuação. Futuramente, cuidaremos do "Uso correto da pontuação" em geral.
Boa leitura!

Saiba quando evitar a vírgula

1 - Uso da Vírgula - Saiba quando evitar
1.1 - Vírgula X Respiração

Muitos pensam que a vírgula serve para marcar as pausas que fazemos para respirar ao ler um texto, e acabam escolhendo os locais das vírgulas de acordo com sua própria capacidade pulmonar.

Assim, é comum que as pessoas agitadas e os atletas, principalmente os nadadores, usem poucas vírgulas. Já a maioria das pessoas tende a abusar de seu uso, principalmente as sedentárias e as fumantes.

Entretanto, o uso da vírgula não se relaciona com as pausas da respiração, que variam de pessoa para pessoa.

Bom, se o objetivo da vírgula não é marcar as pausas da respiração, qual é o critério para definir quando ela deve ser usada ou não?

1.2 - Regra básica

A definição dos locais onde a vírgula pode ou deve ser empregada depende principalmente da estrutura sintática da oração.

Conhecer a estrutura sintática de uma oração é, basicamente, saber qual é o seu sujeito, seu predicado, identificar o verbo e quais são seus complementos.

Identificando os termos da oração, é possível evitar a maioria dos erros relacionados ao uso da vírgula seguindo apenas uma regra básica:

Não se deve separar com vírgula elementos relacionados

1.3 - Não coloque a vírgula onde não deve

Nas próximas páginas veremos alguns desdobramentos da regra básica, que é a mais simples, a mais importante e, ao mesmo tempo, a mais desobedecida.

1.4 - Não separe o sujeito do predicado

Em uma oração, normalmente se diz algo em relação a alguma coisa ou alguém.

Sujeito é essa alguma coisa ou alguém sobre quem se fala, enquanto o predicado é aquilo que se diz a respeito dela. O predicado é composto por um verbo e seus complementos (objeto direto e objeto indireto).

Assim, como esses termos são estreitamente relacionados, não devem ser separados por vírgula:

  • Carlinhos trombou no poste.

Sujeito: "Carlinhos" - Predicado: "trombou no poste."

1.5 - Não separe o verbo de seus complementos

Alguns verbos pedem complementos para que seu significado fique completo.

Se esse complemento se ligar ao verbo diretamente, sem uso da preposição, será chamado de objeto direto. Caso o verbo exija o uso da preposição para se ligar ao complemento, esse complemento será chamado de objeto indireto.

O complemento não deve ser separado por vírgula do verbo porque completa seu sentido:

  • Joana vendeu sua casa.

Verbo: "vendeu" - Complemento Verbal: "sua casa"

1.6 - Não separe o adjunto adnominal do nome ao qual se refere

Adjunto adnominal é uma palavra que vem junto (adjunto) a um nome (adnominal) para qualificá-lo, caracterizá-lo ou simplesmente determiná-lo. Pode ser representado por adjetivos, artigos, pronomes, numerais e até mesmo locuções adjetivas. Já o "nome", normalmente representado por um substantivo, pode ser o de seres, ações, estados, sensações, sentimentos etc.

Como o adjunto adnominal diz respeito diretamente ao nome ao qual se refere, esses termos não devem ser separados por vírgula:

  • Aquela moça estrangeira conversou com os dois professores da cidade.

Nome: moça - Adjuntos adnominais: aquela (pronome) e estrangeira (adjetivo)

Nome: professores - Adjuntos adnominais: os (artigo), dois (numeral) e da cidade (locução adjetiva)

1.7 - Não separe o complemento nominal do nome ao qual se refere

Complemento nominal é o termo que complementa (complemento) o sentido de certos nomes (nominal) que não possuem sentido completo. O complemento nominal é sempre regido de preposição. Já o nome pode ser representado por substantivos abstratos, adjetivos e advérbios.

O complemento nominal não deve ser separado por vírgula do nome ao qual se refere porque completa seu sentido:

  • A defesa da pátria é importante para os brasileiros.

Nome: defesa - Complemento nominal: da pátria

Nome: importante - Complemento nominal: para os brasileiros

1.8 - Orações Subordinadas

Muitas vezes, o papel de certos termos da oração não é representado por palavras ou expressões, mas por outras orações, com seus próprios sujeitos, verbos e complementos.

Nesses casos, temos um período com mais de uma oração. O número de orações é definido pela quantidade de verbos ou locuções verbais existentes.

Quando isso ocorre, basta identificar qual termo a oração está substituindo, e, novamente, usar a regra básica que aprendemos.

A oração que engloba as outras é chamada de "Oração Principal". Já as orações que substituem os termos da oração e se subordinam ao seu verbo da oração principal, exercendo alguma função sintática, são chamadas "Orações Subordinadas".

As que exercem funções próprias de substantivos são "Orações Subordinadas Substantivas", enquanto que aquelas que exercem funções de adjetivos são as "Orações Subordinadas Adjetivas".

Dependendo da função exercida na oração principal, as orações subordinadas ainda recebem mais nomes para indicar essa função. Mas não se preocupe com o tamanho do nome. Depois que você entende como são montados, eles não assustam mais.

1.9 - Oração substituindo o sujeito:

Veja a oração: "Comer frutas e legumes é bom para a saúde."

A oração "comer frutas", cujo verbo é "comer", é uma "Oração Subordinada Substantiva Subjetiva". Oração porque possui verbo. Subordinada porque se subordina ao verbo da oração principal ("é"). Substantiva pois exerce uma função própria de um substantivo (função de sujeito). Subjetiva porque substitui o sujeito da oração principal. Já "é bom para a saúde" é o predicado.

Assim, não se separa por vírgula a oração que substitui o sujeito do predicado da oração principal.

1.10 - Oração substituindo o complemento verbal:

Veja a oração: "Todo mundo percebe que a Amazônia está sendo devastada."

A oração "que a Amazônia está sendo (locução verbal) devastada" é uma "Oração Subordinada Substantiva Objetiva Direta", pois está fazendo o papel de complemento do verbo "perceber" na oração principal, sem a exigência de preposição, exercendo, assim, a função de Objeto Direto (função exercida por substantivos).

Assim, não se separa por vírgula a oração que substitui um complemento verbal do verbo da oração principal.

1.11 - Oração substituindo o complemento nominal:

Veja a oração: "O menino estava convicto de que seu pai voltaria."

A oração "de que seu pai voltaria" é uma "Oração Subordinada Substantiva Completiva Nominal", pois está fazendo o papel de Complemento Nominal (função exercida por substantivos) do substantivo abstrato "convicto" na oração principal.

Assim, não se separa por vírgula a oração que substitui o complemento nominal do nome a que se refere na oração principal.

1.12 - Oração substituindo o adjunto adnominal:

As orações subordinadas que substituem termos cuja função normalmente é exercida por adjetivos ("Orações Subordinadas Adjetivas") somente se classificam quanto a seu sentido, e podem ser "Restritivas" ou "Explicativas". Quando a oração restringe e limita o sentido do substantivo ou pronome ao qual se refere, é chamada "Oração Subordinada Adjetiva Restritiva":

Os alunos que são altos conseguem todas as vagas do time de basquete.
A oração "que são altos" restringe o sentido da palavra "alunos". Assim, não são os alunos em geral que conseguem todas as vagas, mas só os que são altos.

A "Oração Subordinada Adjetiva Restritiva", portanto, não deve ser separada por vírgula do termo a que se refere.

Autor: Clóvis Gualberto
E-mail: clovisgualberto@bol.com.br
Professor e Consultor de Língua Portuguesa
Tudo por sua causa. Porque se informar faz bem!



Em 16/5/2010

OS VÍCIOS DE LINGUAGEM DO DIA A DIA

1 - FRASES EXPRESSÕES E VÍCIOS DE LINGUAGEM
     1.1 - “DOMICILIADO E RESIDENTE À”:

É muito comum o emprego da preposição "A" nessas construções. Temos um verdadeiro festival de "residente à", "sito à", "morador à", são construções que devem ser evitadas, pois como os verbos morar, residir, situar, localizar e semelhantes são regidos pela preposição EM, e deveria se usar "NA" e não "À" nos casos específicos.

O motivo é a situação de repouso e não de movimento, mas é muito comum o uso intercambiável das preposições A e EM, como temos visto em diversas ocasiões, por isso ainda se observa estas duas formas: na rua e à rua, com preferência por esta última àquela primeira na forma escrita. Em suma, de acordo com o padrão culto da língua portuguesa, o correto é: "situado na rua tal", "morador na rua..." ou ainda "localizado na rua". Em outras oportunidades, estudaremos outros vícios de linguagem.

Fico à disposição para qualquer esclarecimento ou informação adicional. Obrigado!

Tenha excelente SEMANA!!!

Autor: Clóvis Gualberto
E-mail: clovisgualberto@bol.com.br
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Em 11/5/2010

EMPREGO DOS PRONOMES DEMONSTRATIVOS

Os pronomes demonstrativos são utilizados para explicitar a posição de uma certa palavra em relação a outras ou ao contexto. Essa relação pode-se dar em termos de espaço, tempo ou discurso. Vamos abordar aqui as situações em que o uso de demonstrativos é produtivo ou problemático para o falante, recomendando o uso dominante entre os falantes cultos.

1. Este, esse, aquele e suas flexões
Utilizamos estas pró-formas para localizar os nomes no tempo, no espaço e no próprio texto:

* No espaço:
Vale para o uso dos demonstrativos a relação com as pessoas do discurso: este para próximo de quem fala (eu); esse para próximo de quem ouve(tu); aquele para distante dos dois (ele).

Exemplos:
Este documento que eu estou entregando apresenta a síntese do projeto.

Se tu não estás utilizando essa régua, podes me emprestar por alguns minutos?

Vês aquele relatório sobre a mesa do Dr. Silva? É o documento a que me referi.

Em situações de fala direta (tanto ao vivo quanto por meio de correspondência, que é uma modalidade escrita de fala), são particularmente importantes o este e o esse - o primeiro localiza os seres em relação ao emissor; o segundo, em relação ao destinatário. Trocá-los pode causar ambigüidade.

Exemplos:
Dirijo-me a essa universidade com o objetivo de solicitar informações sobre o concurso vestibular. (trata-se da universidade destinatária).

Reafirmamos a disposição desta universidade em participar no próximo Encontro de Jovens. (trata-se da universidade que envia a mensagem).

* No tempo:
Este e suas flexões referem-se ao tempo presente ou futuro.

Exemplos:
Nestas próximas semanas, estarão ocorrendo as inscrições para o concurso vestibular.

No final desta semana, o Diretor de nossa Unidade irá a São Paulo.

Este ano de 2010 está sendo marcado pela violência no Oriente Médio.

* Esse e suas flexões referem-se a tempo recentemente decorrido.

Exemplo:
Ninguém esquecerá os acontecimentos desse trágico 21 de setembro.

Aquele e suas flexões referem-se a um passado mais distante.

Exemplo:
Falávamos daquele período em que as mulheres obtiveram o direito ao voto.

Evidentemente, não há limites precisos para o uso de esse e aquele, sendo a última palavra sempre determinada pela adequação ao contexto.

No discurso:
Quando bem utilizados, os demonstrativos são eficientes elementos de coesão entre o que se está falando e o que já se disse ou irá dizer adiante. Deve-se utilizar este e suas flexões em dois casos: para adiantar o que se vai dizer ou para remeter a algo recém dito, quando esse já-dito comportar mais de uma retomada.

Exemplos:
Nosso povo sofre com mutos problemas, dentre os quais estes: miséria, fome e ignorância.

Admiração, respeito, amizade? Talvez, pensava ela, este (último) seja o mais importante e perene dos sentimentos.

Outra situação importante ocorre quando queremos retomar por demonstrativos mais de um elemento já mencionado.

Exemplo:
O velho, o índio e o negro são discriminados por motivos diversos: aquele, por ser improdutivo para a sociedade de consumo; esse, por ser considerado atrasado e preguiçoso; este, por não se ter libertado, ainda, do estigma da escravidão.

Quando se quer retomar apenas dois elementos, elimina-se a forma intermediária esse.

Exemplo:
As crianças da classe média têm um futuro mais promissor do que os filhos de pais das classes menos favorecidas, porque àquelas se dão oportunidades que se negam a estes.

Veja a ilustração para esses dois últimos casos:

1. Emprego de este, esse e aquele em relação a três termos

Este: indica o que se referiu por último.
Esse: se refere ao penúltimo.
Aquele: indica o que se mencionou em primeiro lugar.

2. Emprego de este e aquele em relação a dois termos citados anteriormente

Este: indica o que se referiu por último.
Aquele: indica o que se referiu em primeiro lugar.

2. Mesmo, próprio e suas flexões

Observe as frases:

(a) Ele mesmo digitará o texto final.
(b) Eles mesmos digitarão o texto final.
(c) Ele vai mesmo digitar o texto final?
(d) Eles vão mesmo digitar o texto final?

Por que será que na frase (b) a palavra mesmo é flexionada no plural e na frase (d) não? A resposta é lógica, e encontra-se na relação que esses termos estabelecem com outros elementos da frase. No caso de (a) e (b), mesmo/s se refere a ele/s, podendo ser substituído por próprio/s; no caso de (c) e (d), mesmo se refere a vai digitar , podendo ser substituído por realmente. Se quiser ir adiante, saiba que mesmo e próprio, no primeiro caso, são pronomes e, como tal, acompanham a flexão do nome; no segundo caso, mesmo é advérbio, e como todos os advérbios são invariáveis.

Fico à disposição para qualquer esclarecimento ou informação adicional. Obrigado!

Tenha excelente SEMANA!!!

Autor: Clóvis Gualberto
E-mail: clovisgualberto@bol.com.br
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Em 3/5/2010

Neste informativo iremos aprender como utilizar corretamente as locuções expressivas "Meio", "Meia", "Malformação" e "Maloclusão".

MEIO, MEIA, MALFORMAÇÃO E MALOCLUSÃO

-- Gostaria de saber em que casos utilizo o MEIA e em que casos utilizo o MEIO?
    (S. G. M., Guarulhos/SP)

-- Gostaria de saber se está correto o uso do hífen no termo "meio-período"?
    (L. F., São Paulo/SP)

Meio adjetivo

A palavra meio (= metade) varia no feminino e plural quando precede um substantivo:
Cem mil toneladas de carne representam o consumo nacional de meio mês.
Ganhou meia gleba de terra.
Por favor, deixe de meias palavras.

Em tais casos, faz-se a concordância em gênero e número mesmo que o substantivo esteja subentendido, como se verifica em "meia hora":
À meia-noite e meia (hora) apagavam-se as luzes do povoado.
O almoço deve ser servido ao meio-dia e meia.

Meio advérbio

Com o significado de "um tanto, um pouco, quase", acompanha um adjetivo e fica invariável:
As portas ficaram meio abertas. Ela está meio tonta. São meio tolos.

Meio em substantivo composto

A formação composta leva hífen; e sendo um adjetivo, meio flexiona conforme o substantivo:
A maior parte da sua pintura é feita em meios-tons.

Outros exemplos: à meia-luz, de meia-tigela, roupa de meia-estação, é um meio-termo, pessoa de meia-idade, nesse meio-tempo, os meios-fios, são meios-irmãos, vive de meias-solas.
Só se configura um substantivo composto quando os dois elementos realmente formam um conjunto indissociável, o que não me parece ser o caso de "meia entrada", que no entanto se encontra hifenizada no VOLP 2009 [comprar/pagar meia-entrada]. Já em "meio período" não se constata o hífen - aqui "meio" é um adjetivo usado no seu sentido literal [a metade] e independente:
Só tenho disponibilidade para trabalhar meio período, e não o período integral.

-- Em odontologia emprega-se, para designar uma oclusão (mordida) anormal, ou seja, que não é boa, os seguintes termos: má-oclusão, má oclusão, maloclusão. Qual seria o correto? (W. M., São Paulo/SP)

-- Qual o correto: má-oclusão, maloclusão ou mal oclusão? Não existe consenso entre os escritores sobre Ortodontia. (J. M. B., Guarulhos/SP)

A dúvida era gerada pela ausência do vocábulo nos dicionários. Costumava-se tomar por base os vocábulos má-formação e malformação, cuja primeira forma era considerada mais adequada, visto se constituir de adjetivo e substantivo femininos. Entretanto, por influência estrangeira se disseminou a grafia com "mal" numa só palavra, como em malnutrição (em inglês: malnutrition). Portanto haveria duas grafias corretas: má-oclusão, plural más-oclusões, e maloclusão, pl. maloclusões. Apesar de o VOLP 2009 (Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, 5ª ed.) ter se esquecido exatamente de má-oclusão, continuam valendo as duas formas.

Fico à disposição para qualquer esclarecimento ou informação adicional. Obrigado!

Autor: Clóvis Gualberto
E-mail: clovisgualberto@bol.com.br
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