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CÉLEBRES

Artur da Távola
| VOCÊ SABE OU VOCÊ SENTE? Você
já reparou o quanto as pessoas falam dos outros? E falam porque supõem saber. Mas não sabem. Porque jamais foram capazes de sentir como o outro sente. Se sentissem não falariam. Só pode falar
da dor de perder um filho, um pai que já perdeu, ou a mãe
já ferida por tal amputação de vida. Mas sentir o que o outro sente não significa sentir por ele. Isso é masoquismo. Significa perceber o que ele sente e ser suficientemente forte para ajudá-lo exatamente pela capacidade de não se contaminar com o que o machucou. Se nos deixarmos contaminar (fecundar?) pelo sentimento que o outro está sentindo, como teremos forças para ajudá-lo? Só quem já
foi capaz de sentir os muitos sentimentos do mundo é capaz de
saber algo sobre as outras pessoas e aceitá-las, com tolerância.
Sentir os muitos
sentimentos do mundo é abrir-se a qualquer forma de sentimento.
Só quem deixou fluir sem barreiras, medos e defesas todos os próprios sentimentos, pode sabê-los, de senti-los no próximo. Espere florescer a árvore do próprio sentimento. Vivendo, aceitando as podas da realidade e se possível fecundando. A verdade é que só sabemos o que já sentimos. Podemos intuir,
perceber, atinar; podemos até, conhecer. Mas saber jamais. Autor: Arthur da Távola |
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