O SER FELIZ
Norma Emiliano
“ Quem consegue realizar as metas de sua alma é feliz ” Roberto Shinyashiki Casou-se muito jovem. Seu projeto maior era constituir uma grande família. Por trinta e dois anos, viveu com o sentimento de realização. Era feliz, tinha ao seu lado um marido atencioso e quatro filhos saudáveis e carinhosos. Certa manhã, foi surpreendida pelo marido. Ele queria a separação. Atônita não conseguia entender o que lhe relatava. Só conseguia ouvir : você não merece que eu continue a lhe enganar. Há anos seu marido tinha um outro relacionamento pelo qual, hoje, optara. Tinha consciência de que fora mãe dedicada, boa dona de casa, esposa e amiga. Onde falhara? Após várias conversas, ele se foi. Sentiu-se perdida. Os filhos casaram-se. De repente, viu-se sem as ocupações cotidianas, sem a companhia do homem a quem tanto se dedicara! Assim, dia após dia, foi vendo seu corpo se transformar. A balança apontou-lhe trinta quilos a mais. Não podia manter-se na inércia. Os amigos, todos em comum ao casal, já não lhe satisfaziam. Só lhe traziam recordações que desejava abandonar. Agendou médico e terapia. Resolveu “dar a volta por cima”. Em quatro meses foi se reconhecendo, mas precisava conhecer pessoas, fazer novas amizades, construir um novo caminho. Recomeçar. Na dança de salão, conseguiu ir tecendo os seus fios. Cercada de pessoas de várias idades, foi recuperando a alegria de viver. Iniciou, também, curso de línguas. Contudo, sentia falta de uma companhia mais próxima, do afeto. Percebeu que tinha de virar uma outra página: a esperança do marido voltar. Queria encontrar novo parceiro. Em um dos bailinhos, encontrou seu novo parceiro. A partir daí, sempre juntos, freqüentaram os salões de dança e foram se apoiando mutuamente. Na passagem do tempo, algumas restrições surgiram. Ao completar sessenta anos, mesmo após internação de quinze dias, quis fazer uma festa em sua homenagem. Tudo foi detalhadamente programado. Reconectou-se com os amigos e contratou um DJ. Não queria deixar de usufruir tudo o que sentia ter direito. As dores da artrose, que não a largavam, não a impediriam de bailar. Sete meses sem ter podido quase caminhar. Sentia-se inchada, não estava tão bonita, mas nada disto seria obstáculo. Em sua festa, muito alegre a todos recebeu. Cercada pelos filhos, netos, amigo e do atual parceiro, fazia uma grande celebração à vida. Quis de tudo usufruir. Culminou com a valsa a sua confirmação e demonstração do que é ser feliz.
Autora |
Para acessar matérias anteriores,
clique na caixa abaixo.
Qual
a sua opinião sobre esta matéria?
Envie suas críticas e sugestões.
Clique
aqui
Deseja
enviar esta página para um "Velho Amigo"?
Clique Aqui