RALPH NEVES

IMEDIATISTAS

De acordo com o dicionário, “imediato” é o mesmo que repentino, instantâneo. Se o caro leitor não está entendendo o início deste texto, então lembre do seu chefe dizendo: “Fulano, preciso deste serviço pra ontem!”
É a cultura do imediatismo. Preciso para ontem, para hoje, para daqui a pouco. Ouvimos também comumente a expressão “Fulano vive apagando incêndio na empresa”. Por que isso acontece? Porque não há planejamento.

Nós, brasileiros, temos a cultura de resolver os problemas de imediato, ao invés de planejar as ações para que esses problemas não tivessem surgido. E, muitas vezes, passamos um dia inteiro dentro da empresa, resolvendo pendências que poderiam ser evitadas. Então o que poderia ser resolvido a longo ou até médio prazo acaba se tornando urgência, pois não houve planejamento. Vivemos numa sociedade também que nos cobra resultados a todo instante.
O fato gerador de toda essa celeuma por imediatismo é uma coisa chamada “tempo”.

No século XXI tempo também é dinheiro, como diz o ditado. Talvez, uma moeda mais bem valorizada que qualquer outra. Jovens de 18 a 20 anos de idade já são cobrados como adultos, principalmente na definição de sua carreira. Aquelas pessoas com 30 anos de idade são cobradas por não estarem financeiramente estáveis. E quando se chega aos 40 anos, o mercado “olha” de forma discriminatória esses profissionais, como se dissessem: “o seu tempo acabou”.

Essa cultura imediatista que estamos vivendo em pleno século XXI leva as pessoas à depressão mais facilmente, quando não, ao suicídio. Por isto, também, vemos pessoas desmotivadas não somente no trabalho, mas no dia-a-dia. Pessoas impacientes, que tentam resolver tudo em questão de minutos, como se o mundo fosse desaparecer no dia seguinte. Exemplos de tais atitudes têm-se todos os dias a nossa volta. Alunos desistem no primeiro ano da faculdade, pois o curso tem 4 anos de duração. Outros entram numa academia e em uma semana querem ficar com corpos esculturais, como num passe de mágica. As pessoas têm que entender que é preciso treinamento, trabalho, dedicação, tempo e uma boa dose de paciência para que as coisas realmente aconteçam e os objetivos sejam alcançados.

O imediatismo pode trazer como conseqüência negativa os trabalhos mal elaborados, os erros, e o que é pior, acaba nos transformando em pessoas frustradas, pois descobrimos que nunca temos tempo para nada.

Autor: Ralph Neves


A tendência ao imediatismo pode comprometer seu futuro.

Vivemos hoje em um mundo onde o imediatismo e o consumismo são práticas bastante comuns e incentivadas especialmente pelas mídias em suas propagandas comerciais de venda de produtos e serviços.

É importante que tomemos consciência acerca da verdade cientificamente comprovada de que a tendência ao imediatismo pode comprometer nosso sucesso futuro. Um projeto experimental, que ficou conhecido como “O desafio dos marshmallows”, foi iniciado pelo psicólogo Walter Mischel da Universidade de Stanford, nos EUA, nos anos 60, e na seqüência contou com a participação de muitos outros especialistas, certos de que seus resultados foram surpreendentes e conclusivos, apurados no final da década de 70.

A experiência consistiu em colocar várias crianças juntas em uma sala, onde um cientista, que estava ali para cuidar delas, dizia-lhes que precisaria se ausentar dali por certo tempo a fim de resolver um problema, e propunha às crianças que: caso conseguissem esperar ele voltar, ganhariam dois marshmallows de presente, e informava também que quem não quisesse esperar a sua volta, ganharia imediatamente um marshmallow.

Esse, certamente é um tipo de desafio capaz de testar a profundidade da determinação de qualquer criança de apenas quatro anos de idade, já que dentro da cabecinha dela passa a ser travada uma feroz batalha entre o impulso e a contenção, desejo e autocontrole, subconsciente e consciente, emoção e razão, satisfação e adiamento.

Cerca de dois terços dessas crianças conseguiram esperar a volta do cientista e ganharam dois marshmallows, enquanto um terço delas não conseguiu esperar a volta do cientista e receberam antecipadamente apenas um marshmallow.

A observação da escolha que cada criança fez foi capaz de revelar, através de uma rápida análise, não apenas o caráter dela, mas também a trajetória comportamental que essa criança seguiria ao longo de sua existência. Quatorze anos depois, quando as crianças já eram adolescentes, observou-se uma enorme diferença social e emocional entre as crianças que pegaram imediatamente os marshmallows e aquelas que adiaram a satisfação e receberam ao final dois marshmallows.

As crianças que resistiram à tentação aos quatro anos de idade, tornaram-se adolescentes socialmente mais competentes, otimistas, assertivos, equilibrados, flexíveis, autoconfiantes, determinados e capacitados a superar, com mais facilidade, os traumas e reveses da vida. E, quatorze anos depois, ainda traziam dentro de si a capacidade de adiar a satisfação na intenção de alcançar suas metas.

Em contrapartida, os que pertenciam ao grupo constituído pela terça parte das crianças que decidiram pegar imediatamente o marshmallow, tinha menos competências e qualidades em relação às crianças que conseguiram controlar o impulso; seus perfis psicológicos eram significativamente mais problemáticos, eram mais reativos, tímidos nos contatos sociais, medrosos e indecisos na tomada de decisões; descontrolavam-se com mais facilidade diante de perdas e frustrações; ficavam paralisados quando submetidos à pressão.

Eram mais pessimistas em relação à vida, ressentidos e desconfiados em relação às pessoas, tendiam a ser extremamente emotivos ciumentos e invejosos; envolviam-se com facilidade em desentendimentos e reagiam, por vezes, de forma violenta quando contrariados.

É curioso observar que algumas crianças, mesmo aos quatro anos de idade, já haviam dominado certas habilidades básicas e conseguiram decifrar a situação social e perceber que o adiamento seria vantajoso para eles; desta forma, distraindo-se e mantendo a calma de forma perseverante, conseguiram alcançar o objetivo maior que era receber dois mashmallows.

Até na avaliação dos pais, os estudantes que haviam esperado pacientemente eram os mais competentes nos estudos, mais equilibrados, tinham definição mais clara em relação aos projetos futuros, e gostavam mais de estudar e aprender.

Percebe-se que uma pessoa que tem preguiça de trabalhar e estudar, e que prefere passar o tempo conversando em roda de amigos, escolhendo o prazer momentâneo e fugindo dos compromissos e responsabilidades, dedicando-se ao prazer momentâneo ao invés de investir em sua própria educação, por exemplo, acaba comprometendo de forma irreversível seu futuro profissional.

Um alcoólatra sente dificuldade de abandonar o vício, porque a bebida entorpece sua mente, levando-o a esquecer os problemas do dia-a-dia, inclusive. Ironicamente, parece até que bebem para esquecer que são viciados em bebidas alcoólicas.

Ao escolher e seguir esse caminho, ele escolhe o prazer momentâneo em detrimento da sua saúde futura, podendo chegar ao estágio de dependência psíquica e física. Nesse estágio, o indivíduo jamais deixará de ser um alcoólatra, só lhe restando admitir sua doença e buscar ajuda especializada para limpar seu organismo, para depois ter que passar o resto de sua vida evitando o primeiro gole.

A escolha pelo êxtase momentâneo provocado pela droga e a opção que leva à perda da saúde física e de seu bem maior que é a dignidade humana; é como se ele gastasse além do limite de seu cartão de crédito e tivesse que passar o resto de sua vida pagando apenas juros exorbitantes, sem jamais conseguir quitar a dívida principal. Quando investimos em nossa saúde física e mental, estamos fazendo um investimento para toda a vida.

Fonte: Artigo escrito por Nelson Tanuma - 2007

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