CRÔNICA
ANO DE CRISE, É A HORA DA GRANDE VIRADA!
José Luiz Tejon
Em mais de 3 mil anos de história, só tivemos 8% desse tempo sem guerras. Crises ou maldades, grandes solavancos sempre agitaram a humanidade. Líderes e “cases“ de grande sucesso dos anos 80 desapareceram quase todos. Celebridades e autoridades desta pré-crise, viajaram para o anonimato ou a falência três meses após. Alan Greenspan, o artífice, o líder do Banco Central Americano, por 18 anos, homem com 40 anos de sólida experiência na condução do maior negócio do planeta, os Estados Unidos, admitiu que estava enganado. Ele disse “jamais poderia acreditar que as grandes organizações seriam tão insensatas ao ponto de não protegerem a si mesmas e aos seus acionistas!” Se até Greenspan caiu na real da marcha da insensatez e do fogo vivo das ilusões e utopias que sempre conduziram a vida humana na terra, o que poderíamos dizer de nós mesmos, simples “mortais“?Portanto é a hora de mais uma grande virada. E essa é gigantesca. Selecionei 5 das 50 regras de ouro do nosso novo livro “A Grande Virada“, para ilustrar este artigo. O que fazer para dar a volta por cima? O que aprender e o que mudar, e principalmente, como enfrentar essa grande onda, que, ao contrário das outras vem descarregada de crédito, com falta de confiança, e passando uma rasteira nos maiores grupos e intelectuais financeiros de todo o globo? Conversando com meu motorista de táxi, que costuma me levar para as palestras, o Xavier, ele disse: “em casa, eu primeiro ganho, para depois sair para comprar. Demora mais, mas tudo o que tenho é sem dívida!”. Como membro do conselho de uma empresa do setor do agronegócio, ao pegarmos os demonstrativos financeiros, que felicidade pela vitória da sensatez naquela organização: os ótimos ganhos dos últimos 3 anos de crescimento da economia estavam reinvestidos num projeto extremamente promissor já em testes aprovados na agricultura, e o capital de giro e necessidade de caixa, protegidos, em entidades e aplicações conservadoras. Os empresários, dirigentes da empresa dizem que nada pode ser melhor do que investir no desenvolvimento do próprio negócio, por isso resistiram a todas as tentações de mergulhar nas magias do reino virtual. Por outro lado, amigos empresários que encontrei num aeroporto dias antes da eclosão da crise, desfilavam orgulhosos os enormes êxitos com suas operações em papéis, e tinham certeza absoluta de que já haviam vendido mais uma de suas empresas, sem muito futuro, para outro grupo de um fundo de investimentos internacional. Hoje, a sobrevivência desses amigos dependerá de muito talento e relacionamento, e que os salve o gerente do Banco do Brasil. A primeira das regras de ouro, aquela que costuma vencer o tempo, ultrapassar as dificuldades e crises é: “Ética e virtude, as decisões que valem a vida“. A ética pressupõe o discernimento entre o bem e o mal e a virtude é a determinada convicção para a prática do bem. São as virtudes que atrairão equipes virtuosas ao lado do empresário. Nas crises e situações difíceis, profissionais ou pessoais, é exatamente nesse momento que podemos reconhecer o prazer pelas ações nobres do passado, e seja qual for a situação, continuará sendo na regra de ouro da ética e virtude, que encontraremos as grandes fortalezas para a superação. A segunda regra de ouro escolhida é: “qual é a sua legião? com quem você anda?” Nas grandes viradas caímos na real. Olhamos para trás e constatamos os descaminhos e as péssimas relações que cultivávamos. Os conselhos supérfluos, o jogo de interesses. Empresas quebraram e executivos saíram premiados com altíssimos bônus. Consultores enriqueceram estimulando outras pessoas à investirem todas as suas poupanças no jogo dos papéis e derivativos. Jovens gestores, conduzidos pela disputa de egos, colocaram suas empresas e heranças em risco, para não perderem na competição de quem é mais esperto e leva mais vantagem em tudo. A mídia ajudou. Livros foram parceiros do “faça tudo pelos seus sonhos“. Que sonhos? Sonho não é ilusão. Sonho não é o engano dos sentidos e da mente. Confundimos sonhos com ilusões, e somos estimulados a isso pela grande massa que nos cerca. Peter Drucker, o legítimo “guru“ da nossa moderna administração não duvidava: “se a maioria concorda, deve estar errado!”, dizia. A velocidade das mudanças ambientais é tão grande que ao firmarmos uma convicção, e passarmos a ser guiados por ela, a chance de que esse passado não mais nos conduz ao futuro é praticamente certo. Somos o resultado dos relacionamentos que temos e que cultivamos em vida. Precisamos preservar uma boa diversidade de vínculos. Pessoas diferentes. Ampliarmos nossa exposição pessoal para a razão, a intelectualidade, mas compensá-los com o espiritual, o amor, e jamais perder de vista os opostos, os provocadores. Gente que pensa e age diferente, nossas antíteses. Deles pode nascer um grande caminho para o nosso progresso. Nesta regra de ouro, na grande virada das crises, com certeza, é a hora de buscar novos e ricos relacionamentos. Muitos dos que vieram conosco até o momento da crise, não nos servirão mais para darmos as voltas por cima na situação. Nas superações, nas grandes viradas, somente nossas crianças interiores nos salvam. A terceira regra de ouro é: “O que você precisa reaprender com a sua criança interior?“ Nascemos quase gênios, e com o passar dos anos vamos esquecendo a criatividade, vamos sendo dominados pelos padrões instituídos, fugimos para brincar com os vícios, com a alienação. Deixamos de encontrar nas brincadeiras da bola, das bonecas, das representações teatrais infantis o ânimo das nossas alegrias. O cérebro desinfantilizado produz rancor, ódio, vingança, e após um grande tombo de uma crise, seja ela econômica ou pessoal, muitos não conseguem superar por que esses sentimentos ficam dominantes. Ora, nas grandes viradas, necessitamos da jovialidade, do humor, da esperança e da criatividade acima de tudo. Precisamos fazer novos amigos. Vender para novos clientes. Precisamos daquele poder adormecido dentro de nós, das nossas crianças. A quarta regra de ouro selecionada é: “Fé nas ferramentas, nos meios“. Isso significa que uma alavanca sem pontos sólidos de apoio não move nada. Uma alavanca sobre uma realidade muda o mundo. Na crise, e para superá-la, volte para o seu melhor. Concentre todos os seus esforços no seu principal talento. Faça muito melhor em cima daquilo onde você tem suas vocações. Na empresa, reveja o foco, a concentração no que você tem de especial. Na sua vida profissional, verifique onde você é muito bom, e sinta se não é a hora de retomar a paixão pelo que tem de especial dentro de você. E pessoalmente também. As crises revelam o que temos de pior e de melhor. Agarre-se ao seu melhor. “A arte de viver é tirar todo o bem de todo o mal“, escreveu Machado de Assis. As ferramentas, os meios são o conhecimento, a tecnologia, a arte, o universo conhecido. O domínio sobre o real é o portal para darmos boas chances aos novos acasos que virão e que nos permitirão crescer de novo. E a 5ª regra de ouro para encerrar este comentário, tem na frase do Corisco, o cangaceiro imortalizado na obra de Glauber Rocha, a forte motivação: É a revolução dos pobres, a utopia comunista criando uma pororoca capitalista... e nunca vista! Se olharmos para a nova sociedade e seguirmos a quinta regra de ouro, iremos inevitavelmente dar a volta por cima: “Você se vê como um fim ou um começo?“ A resposta convicta, a fé na força criativa é o que nos fará irmos tocando em frente, e criando a vida, onde a vida não existia. A personalidade sadia existe sempre com a possibilidade futura. Já vivi de contar carros que passavam nas ruas, através da janela do Hospital Brigadeiro em São Paulo, durante anos de internação. Sobreviventes de campos de concentração e das mais tormentosas atrocidades superaram por sempre visualizarem as janelas do futuro. “Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sem cessar” é a máxima de Kardec. Ano de crise, a hora da grande virada. E para não falar que não falamos do riso, sem dúvida, superamos tudo quando conseguimos rir de nós mesmos e das situações. Se você perdeu, sorria . Quem não perdeu? Depois que o tempo passa, relativizamos, e até segunda divisão vira celebração. José
Luiz Tejon |
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