ARTUR XEXÉO
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Deixa eu ver se entendi: a prefeitura admite que é um erro manter a caixa destampada e garante que, “ainda esta semana”, vai providenciar uma tampa? O que impede a prefeitura de tampar a caixa imediatamente? É necessário fazer uma reunião? Uma licitação para comprar a tampa? Um estudo de impacto ambiental? Uma simples caixa d’água à beira da Lagoa mostra o imobilismo das nossas autoridades. Tudo parece que pode ser resolvido mais tarde. Nada é para agora. O noticiário dos últimos anos está cheio de promessas do governo do estado em relação à situação de nossos trens, de nosso metrô, de nossos bondinhos. A SuperVia está caindo aos pedaços. O metrô está uma bagunça. Os bondinhos de Santa Teresa sumiram do mapa. Mas o governo promete trens novos, promete cobrar uma boa administração do metrô, promete recuperar os bondinhos, mas só para o fim do ano, para 2013, para antes da Copa e até para depois da Copa! O governo de Sergio Cabral é um governo de reeleição. Quase na metade de sua segunda adminisração, Cabral deveria estar exibindo resultados, mas acha que ainda é tempo de fazer promessas. Com o caos em torno de todo o sistema de transportes do Rio, cabe a pergunta: afinal, o que faz o secretário de Tranportes, Julio Lopes? Seja qual for a resposta, posso garantir que ele faz muito devagar. Esta
semana, o “Jornal Nacional” exibiu uma série de
reportagens sobre a situação dos aeroportos no país.
Não apresentou novidade alguma. A situação é
igualzinha à de reportagens feitas seis meses atrás,
um ano atrás ou dois anos atrás. No Galeão, então,
a situação é ainda pior. Sei que reformar um
aeroporto é tarefa complexa. Mas não me parece complexo
acabar, por exemplo, com os táxis bandalhas ou com Diferentemente da população, as autoridades no Brasil não têm pressa. Nem para tampar uma caixa d’água. Artur Xexéo |
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A série de reportagens que O GLOBO vem fazendo sobre o estado calamitoso do Galeão (não vou chamá-lo de Tom Jobim porque isso seria uma ofensa com o mais talentoso de nossos compositores populares) comprova que, há muito tempo, nosso aeroporto internacional virou caso de polícia. Há pelo menos dez anos os usuários do Galeão convivem com tapumes que indicam que uma reforma acontece ali. É conversa mole. Os tapumes mudam de lugar, as obras nunca aparecem, e o Galeão continua sendo uma cidade do Velho Oeste. É só sair uma crítica no jornal para as autoridades responsáveis por aquele campo de pouso argumentarem que obras futuras em pouco tempo o transformarão numa das sete novas maravilhas do mundo moderno. É mentira. O Galeão está morrendo sufocado pela incompetência, pela má gestão e pela má fé. Resta saber por quanto tempo ainda o Governo Federal, o governo estadual e a Prefeitura vão reagir para interromper sua agonia. Ontem mesmo, depois de três reportagens do GLOBO, uma autoridade da Infraero tentou se explicar. E veio com a história de sempre: “Nós reconhecemos falhas que temos no Aeroporto Internacional do Rio, que, por ser de concepção antiga, tem muito o que ser adequado”, admitiu o presidente da Infraero, Gustavo Matos do Vale. A frase, além de mostrar o português tortuoso da autoridade, bate numa tecla que já está estragada de tanto ser utilizada. Então a concepção antiga justifica todas as falhas do Galeão? O Rio está repleto de prédios de concepção antiga cujos condomínios mantêm os elevadores funcionando. Por que cargas d’água os elevadores do Galeão estão sempre parados? E suas escadas rolantes também? Há oito meses, depois de fazer críticas ao aeroporto, minha colega de espaço Cora Rónai foi convidada a uma visita guiada ao Galeão. Na ocasião, foi informada de que os elevadores “estão em vias de troca”. Bem, oito meses depois, eles continuam parados. Se foram trocados, não deu certo. As autoridades da Infraero ainda informaram a Cora que seriam inaugurados 64 novos postos de check-in no terminal 2. Agora, o presidente da Infraero diz que vai criar o “check-in compartilhado”. Qual é o projeto correto? Também não é necessária uma licitação para se acabar comos táxis-bandalhas. A “concepção antiga” do aeroporto não justifica a existência dessa praga. Estacionamentos mal administrados também não são necessariamente características de aeroportos velhos. Nem banheiros fedidos com torneiras estragadas. Nada explica ainda a não existência de uma linha de ônibus regular que transporte passageiros recém-chegados para outras partes da cidade. A Infraero pode alegar que alguns desses ítens não são de sua competência. Mas é de sua conpetência pressionar Governo e Prefeitura. Se o faz, não é com habilidade. O que o Galeão precisa é de um bom síndico que ame o Rio. Enquanto ele não chega, chamem a polícia. @@@@@@@@@@@ Eu sei que a língua é viva, mas, ultimamente, alguns vícios de linguagem são inexplicáveis. Eu só queria saber quando é que a palavra “diferente” morreu. Deve ter sido no mesmo dia em que nasceu a palavra “diferenciado”. Nada mais é diferente. Restaurante tem comida diferenciada, decorador faz projeto diferenciado, estilistas criam coleções diferenciadas... E, na tentativa de falar de uma maneira diferenciada, todo mundo fala igual. @@@@@@@@@@@ Dona Candoca andava sumida. Mas reapareceu. Ela tem consumido suas noites de sábado assistindo ao “Projeto Fashion”, apresentado por Adriane Galisteu, que a Bandeirantes lançou há um mês e meio. O problema de dona Candoca é que, como em qualquer >ita<reality show, o bom é conversar com outros espectadores sobre o programa. Só que a velhinha não tem encontrado ninguém para conversar. Parece que ela é a única espectadora da atração. Por isso, ela me escreveu: Artur Xexéo |
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Em pronunciamento na ONU, na semana passada, a presidente Dilma estreou, internacionalmente, uma palavra que vem usando insistentemente no Brasil: “malfeito”. “Meu governo não terá compromisso com o malfeito”, disse ela. Todo mundo sabe que, quando diz “malfeito”, a presidente está usando um eufemismo. Ela se refere à “corrupção”. Mas, aparentemente, Dilma não quer admitir, pelo menos publicamente, a possibilidade de que haja corrupção em seu governo. Artur
Xexéo é colunista do jornal "O Globo" |
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