CRÔNICAS
| VIRTUALIDADE E APARÊNCIA A LUA CRESCE NO CÉU DE FRIBURGO SANTO
PECADO CAÍ
NO MUNDO E NÃO SEI COMO VOLTAR A
DITADURA DO POLITICAMENTE CORRETO VIDA APÓS A VIDA A
POESIA DA VIDA SOBRE
CAZUZA E RENATO RUSSO A
OBESIDADE MENTAL A
REVOLUÇÃO SILENCIOSA VIVER
DESPENTEADA O
CRONISTA SEM JORNAL O
QUE MATOU RAFAEL? O
FUTEBOL DOS MASCARADOS AMOR E ÓDIO BELEZA DA IMPERFEIÇÃO QUAL
É A VONTADE DE DEUS PARA MIM? COM
TODO O CARINHO: CALA A BOCA, DILMA! A
ORDEM NA DESORDEM EIS
O PERIGO DE MEXER COM PESSOAS INTELIGENTES EU,
VELHINHA MAL-HUMORADA? |
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Vivemos sem dúvida momentos de profunda transformação na maneira de se relacionar, de produzir e de imaginar o futuro. Os efeitos da virtualidade e a imposição da aparência orientam e conduzem muitas vezes nossa inserção social e nossos anseios pessoais: duas presenças (perdoe o paradoxo) constantes no nosso horizonte de referências, seja pessoal, seja social. Das tecnologias de ponta ao camelô da esquina, todos sabem, por exemplo, a importância da aparência em todas as esferas da vida pública. Seja como embalagem de uma mercadoria, como apresentação, como propaganda, como notícia, como apelo ou simplesmente como "visual", a aparência passou a ser uma importante moeda de troca na vida política, econômica e social. Autor: Erlon José Paschoal |
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Alguns
anos depois... Disse que queria falar ao Diretor (sabia lá o nome do cargo?) e foi levado à presença do dito cujo, com visível satisfação. Aquele, de comovida aparência, deixou-se beijar os cordões e declarou que realmente lá precisavam de alguém. Na cozinha pelo menos Napoleão, o cozinheiro chefe, queixava-se há bocado do excesso de trabalho. Indagado, como era praxe, sobre a sua origem, etc... e tal, soube-se que era de parcos recursos, filho de mãe solteira, que embora com ela não vivesse, andava saudoso e muito. Como soubera do emprego questionaram, mas a inocência das respostas nada tirou nem acrescentou. Dia
seguinte lá estavam de emprego novo. Feliz, Evandro, nome sonoro,
a cara não era de todo má. E Ademias os ares santos
do lugar poderiam toma-lo melhor. Tiritando de frio (era inverno grosso),
espaventou-se Mosteiro adentro, deixando a vida a correr atrás
de si, lá fora, assim que o frade o mandara entrar. Trocava-se as bolas, mal silabava o Pai-Nosso à noitinha arrumava pretextos, dissimulava (será isso ódio? Amor?). Não sabe nem quer saber. Quase nem percebe o blém-blém do sino que o desperta.Ouve uma voz suave tem ciúmes da paz. Era tudo o que esperava. Podia ter ido para outro lugar, mas aquele, não se sabe bem porque, fora o mais indicado. Uma
voz chama-o com êxtase sobe ao patamar, confiando o frade um
sorriso empalidecido e ensaia algumas palavras. O que consegue é
um bom dia sufocado. Ademais, a limpeza, o rafiné,o todo no lugar, a resina dos pinheiros excitam-no mais e mais. Tenta outras excitações, mas não resiste à curiosidade de, por instantes, esticar as pestanas até uma janelinha indiscreta que rasga seu esperar uma parede amarelecida. Mexe com botões e os enche de perguntas, tirando-os e recolocando-os nas casas, e continua a seguir o Frei Bonifácio, que bochechudo mais parece uma moranga madura. Bate uma saudade da horta da mãe! Na
sua dispersão, perdera até o frio, aquecera-se mais,
com satisfação observa que chegaram. Entram na cozinha
e então, rompendo-lhes as inibições e numa simplicidade
familiar, sorri ao cozinheiro chefe. O certo é que a fradaria, aos poucos, já exauria as potencialidades do novo habitante, que afinal tinha vinte e um anos e já trouxera um pouco mais de agitação para o lugar. Ele, por sua vez, não ousava ser inconveniente.Introduzia-se na intimidade do Mosteiro, ora a ensaiar alguma observação mais ousada, ora a arriscar uma gargalhada. Logo
de manhã levava um cafezinho com licor ao Frei Bernardo, o
manda chuva, como o chamava; afinal não se trata de convento
mendicante! Sobrava lá o que faltava cá fora! Não
que o galheteiro engrossasse as dificuldades do Mosteiro, mas assim
que pudesse compraria um outro para substituir o quebrado. Além
do mais, pensava Evandro, talvez há muito tempo os habitantes
da santidade não tiveram sentido alguma diferença entre
o quebrar ou não o galheteiros, uma vez que isso não
implicasse ter a barriga agarrada às costas por pança
vazia! Achava demais ter de beber óleo de rícino. De madrugada aproveitou-se do trabalho que seus intestinos lhe deram para arriscar uma visita até a adega - "Imunda! Não via limpeza, sabe-se lá desde quando".Entrou ingênuo e saiu aguçado. O vinho fazia um efeito celestial! Dormiu como um anjo e sonhou com prazeres da carne. - "Aí que saudade da Ditinha".Mas seus humores faziam cócegas na hora da procissão. Não entendia nada daquele aparato todo, o que lhe provocava pensamentos estupidamente hereges. Não que fosse rebelde.Mas se dessem por isso, seria certamente castigado por Deus e pelos homens. Deduzia que fosse um dos grandes penitentes, pois fora colocado na cabeça da procissão; mas sentiu-se importante, porque ali ia o regimento principal e todos almejavam a mesma coisa: a salvação das almas. Ele, mais que ninguém! -"Que fedor! É mal daqueles que têm a alma perfumada demais". Viu-se
interrompido nas conjeturas, quando uma voz apocalíptica mandou
que rezasse o "mea culpa, mea culpa, mea máxima culpa".
Todos se ajoelharam. Evandro abalou-se. A mãe ensinara-lhe
a rezar a tal oração quando ia pra cama. Dizia que se
a gente morresse dormindo, já morria perdoado. Achou que tinha
chegado a sua hora. Quase chorou de susto. Não compreendia
bem a liturgia, lembrava-se pouco. Acordou
com um torpor inexplicável. Um latinório ouviu-se ao
longe. Ruído de paramentos, pigarros do frade mais velho -Esse
já está com um pé na cova e outro na casca de
banana".Uma lufada de vento o entristeceu voluptuosamente. A
própria carne estaca e friorenta. Lembrou-se do pacto. Não
podia esquecer-se da mãe. Veio-lhe o impulso de fugir. -Ah!
Bons dias de sol, em que jogava bola no adro da igreja. Armar redes,
sentar-se à sombra dos arvoredos!". Autor: Nelson Valente |
Sempre pensei que ia morrer cedo. A luta armada, a clandestinidade, aventuras, promiscuidade, orgias, riscos… Tudo me levava a crer que não chegaria aos 30 anos. Para quem tem 20 anos, quem tem 30 já é coroa. Tomei um susto quando vi-me vivo e saudável aos 30. Aos 40 percebi a possibilidade real da morte. No dia do meu aniversário quarentão, um jovem ator de 24 anos perguntou como eu me sentia: “Agora? De frente para a morte.” Para minha surpresa foi o jovem quem morreu logo depois. Agora estou além dos 60. Aos 40 rezava pela alma dos mortos amigos e parentes. Nome por nome eu pedia ao Senhor. Hoje, são tantos os que caíram, que apenas peço “pelos mortos em geral”. E mais uma vez espanto-me por estar ainda vivo, e consolo-me no Salmo 91.7, que diz: “Mil cairão ao teu lado e dez mil à sua direita, mas você não será atingido.” Mesmo confiando na Palavra, ainda assim caminho embaixo de marquises pra São Pedro não me ver. Ainda estou vivo, e pra quem pensou que morreria aos 30 descubro que existe vida após a vida. Mas o preço do viver é muito alto para o jovem de hoje: tem que comprar apartamento, arranjar um trampo, ganhar dinheiro, ficar famoso, comer todas, bombar no iutube, malhar, casar, ter filhos, comprar carro, estar bronzeado, conhecer tudo de web e ainda ir ao show da Madonna, entre outras miudezas. Após os 60 você já está quite com tudo isso e pensa que vai viver em paz. Qual o quê: tem que tomar insulina, antidepressivos, rivotris, controlar a pressão, não comer açúcar, não comer sal, não fumar, não beber, se conseguir comer uma e outra já é uma vitória, tem que caminhar ao menos meia hora por dia, cuidar do joanete, dormir cedo, vender o apartamento, fugir da bolsa, não discutir no trânsito, não se alterar no caixa do supermercado, tolerar os filhos, agradar os netos, ficar calado diante da mediocridade, aceitar o salário de aposentado, ter o testamento em dia e curtir todas as dores ósseas, nervosas e musculares porque se algum dia você acordar sem dor é porque está morto. Claro que o idoso tem suas vantagens: uma delas é a transparência. Quanto mais velho, mais transparente você se torna. Chega a ficar invisível: ninguém mais lhe percebe, mais um pouco e nem lhe enxergam. Mas pode passar à frente dos jovens nas filas todas, com aquele ar de superior: “Você é jovem e sarado, mas eu tenho prioridade.” E ante qualquer aborrecimento ou dificuldade você ameaça infartar ou ter um AVC. Funciona sempre, todos logo se tornam gentis e cordatos, e é garantia de muitas meias e lenços como presentes no Natal. Lidando com a minha “terceira idade” ouço de meu psicanalista, o bom Luiz Alfredo: “Só há dois caminhos: envelhecer… o outro, muito pior.” Prefiro envelhecer, aceitando cada minúsculo “sim” que a vida me dá com uma grande alegria e uma grande vitória. Após os 60, como no filme de Brad Pitt, regrido na existência, deixo Paulinho e a viola de lado e reencontro Lupiscinio: “Esses moços, pobres moços, ah, se soubessem o que eu sei.” Mas se soubessem não ia adiantar nada: porque a sabedoria é filha do tempo. Como diz o amigo Percinotto, também idoso: “O diabo é sábio porque é velho.” Pelo andar da carruagem, percebo que já morri muitas vezes nesta vida, e que viverei até fartar-me. Autor: Bemvindo Sequeira |
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Em 2003 o cantor Alexandre Pires, bisonhamente, fez uma homenagem ridícula à bossa nova em Washington (EUA), precisamente na Casa Branca, levando todos à certeza de que Tom Jobim e Vinicius de Morais revolveram na tumba, fazendo subir e descer a terra (por essa estupidez o pagodeiro mereceu o abraço de George W. Bush). Nessa ocasião, temi pelas homenagens que a Rede Globo de televisão, no quadro Som Brasil, prestaria a Cazuza e a Renato Russo. Mas até que deu certo. Foi uma justa memória. Renato Russo e Cazuza nasceram no Rio de Janeiro, Renato foi criado em Brasília, estudou um tempo nos Estados Unidos. Cazuza também morou lá. Ambos assumiram publicamente a homossexualidade. Ambos compuseram e cantaram canções firmes e melodiosas. Poucas pessoas se preocupam em ter uma noção do que foram suas letras, mas não se pode negar a semelhança objetiva entre elas. Houve um tempo, no Brasil, em que as musicas eram cultivadas pela cabeça e não pelas nádegas baianas. Sobretudo no período de repressão militar, grupos de artistas, malgrado a censura, intrigavam o poder com suas criações inspiradoras. Renato e Cazuza são filhos dessa geração; dela, herdaram a rebeldia, o gosto pela liberdade, o amor pela arte. Pagaram um preço caro por amarem demais. “Exagerado”, Cazuza morreu de AIDS, aos 32 anos. Por gostar de “meninos e meninas”, Renato, morreu aos 36, da mesma doença que nos privou da companhia de Cazuza. Não faz muito tempo, pouco depois da morte de Renato Russo, em 1996, gente célebre punha esta questão gasta e vulgar: “Quem foi o maior poeta? Renato Russo ou Cazuza”? Alguém, mais infeliz que o interrogador, respondia como quem não prestou atenção na pergunta: “Raul Seixas”! A comparação não é a melhor das análises. Essa pergunta sobre Renato e Cazuza, no-lo mostra. Então me limitarei, portanto, a falar daquilo que faz com que o poeta Renato Russo mereça nossa estima e seja comparado a Cazuza. Parece-me que Renato Russo, de um modo geral, ao escrever suas letras, teve a intenção de mostrar o homem sob uma luz odiosa. Pintou-o com cores escuras e infelizes. Compôs para seus contemporâneos um acervo de sons contra a sociedade em que viveu. Além disso, eloqüentemente, com a força da letra e do rock, proferiu injúrias contra o gênero humano, imputando à essência de nossa natureza aquilo que só pertence a alguns homens. Compôs e cantou contra a burguesia, contra o poder insano, contra o senhor da guerra, contra o seu país e sua corja de assassinos, contra os pequenos universos, contra os covarde, contra os estupradores e os ladrões. Por outro lado, falou das flores, dos anjos, dos índios, de barcos, de giz, de pais e filhos, de meninos e meninas, de Clarice, de João Roberto, e de tudo que ainda não vimos. Sobre nós, chamou “o sol que bate na janela do seu quarto”; também teve medo da “tempestade que chega e que é da cor dos seus olhos: castanhos”. Ironicamente, convidou-nos a “celebrar a estupidez humana”, mas advertiu que o que vem é “Perfeição”. Aos apreciadores e fãs da banda de rock Legião Urbana, e do seu vocalista, Sr. Renato Manfredini Júnior, “que não resta mais do que a falta que ficou”, selecionei alguns títulos para comentário, mas como são vários, prefiro comentar aquele que, particularmente, mais tocou-me. A música é “Índios”. Nessa canção, Dado Vila Lobos, Marcelo Bonfá e Renato Russo buscam retratar na letra, de uma forma crítica, todo o processo de colonização da nossa amada mãe gentil. A música fala do impiedoso e estúpido trato que os portugueses deram aos nossos índios. Não obstante, no decorrer de tal letra, até a religião foi criticada – com razão – nas pessoas dos senhores missionários católicos que por aqui passaram - sem deixar saudades - e tentaram, a todo custo, inserir naquelas pobres almas, a doutrina católica, sem levar em conta suas crenças, seus valores, seus costumes, suas vidas. Desde o início da música até o seu final, o eixo principal, que gira em torno da mensagem, é a manifestação de desejo e de arrependimento de um ser literalmente lesado, oprimido, enganado e, pior, ferido na sua dignidade e na sua liberdade, que são aspectos universais. A música, creio, consegue expressar uma dor, a muito silenciada em nossa história. Para nos impressionar ainda mais, diz: “tentei chorar, mas não consegui”. Essa frase deixa-nos a impressão de que a dor do índio é tão grande e a frustração tão forte, que não lhes sobraram nem lágrimas, pois até elas foram levadas pelos colonizadores e pelos religiosos. Nada pior e mais nefasto que perder os sonhos, a esperança e as lágrimas. Ainda hoje, querem tirar isso de nós. Ouçam-me senhores! lutem... Como índios, lutem contra essa gente! Morram lutando, mas não deixem-se alienar. Li, de Paulo Coelho, coisa semelhante; prefiro reescrever do meu modo, pois a história é boa, mas a fonte nem tanto. Pouco antes de morrer, o Cacique chamou seu filho e disse: “Meu corpo em breve voltará à mãe terra, quando eu partir, pensa em tua herança. Tu serás o chefe de nosso povo, e eu espero que o conduza com honra. Em breve o homem branco nos cercará por completo, e tentará comprar nossa mãe, a Terra. Lembre-se que meu corpo está nela, que sou parte dela”. Dito e feito. O filho tornou-se Cacique, depois vieram os homens brancos e tentaram comprar a terra, o Cacique não vendeu. Depois tentaram comprar o Cacique; ele não se vendeu. Daí vieram as guerras e o Cacique liderou seu exército contra os soldados, armou crianças e mulheres, e lutou bravamente. Quando ferido em batalha, moribundo, mas sem deixar-se capturar, perguntaram porque defendia uma causa perdida. Seu último suspiro foi dizer: “Um homem não vende os ossos de seu pai”. Elder Fernande Oliveira, também conhecido como Summus, foi quem me inspirou a ouvir Legião Urbana. Dele tenho uma carta, escrita em 10/10/1997. Na dedicatória, ele escreveu: “Ao eterno amigo e irmão, prudente e sensato, Baranowske. Atenciosamente, Summus”. Transcrevo o final de tal milonga: Termino citando Renato Russo: Autor: Durval Baranowske |
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No final de todo ano, a par das compras intensivas e do desejo de comer e beber insaciavelmente, afloram os bons sentimentos, as boas intenções, os desejos positivos, as metáforas e a poesia. Ainda bem. Significa que temos um tempo dedicado a pensar no bem dos outros e da humanidade. Pena que seja um tempo curto e vinculado às obrigações de dar e receber presentes. Vivenciamos também o simbolismo do fechamento de um círculo e do início de um outro, embora todos saibamos que a vida é contínua e sem interrupções. Mas, de qualquer modo, temos a sensação de que algo terminou e de que a vida recomeçará. Culturalmente, é um momento de reavaliação dos próprios atos e de retomada dos verdadeiros objetivos que orientam a vida e a realização dos sonhos e desejos mais profundos. É interessante observar como todos se deixam dominar pela poesia utilizando metáforas as mais diversas para expressar os seus sentimentos e anseios, mesmo que predominem os lugares-comuns e as frases feitas. Pois sabemos que, no fundo, as palavras têm um poder especial. Segundo a Bíblia, o mundo tal como o conhecemos começou com a força das palavras de Deus: "Fiat lux", faça-se a luz, e fez-se a luz. Acreditava-se então que o ato de pronunciar determinadas palavras desencadeasse no universo um processo de concretização daquilo que elas significavam. E então a luz se fez e teve início a vida humana. Penso que uma pessoa elabora as expressões de que necessita, ainda que tenham sido repetidas infinitas vezes, ou então inventa novas combinações, a fim de manifestar aquilo que somente ela sente e percebe, sobretudo o modo como sente e percebe o mundo. Afinal todos podem ser poetas alguma vez na vida ou no mínimo criar uma poesia a partir de sua necessidade de exprimir ao mundo os seus sentimentos reais e íntimos. A verdadeira poesia pressupõe, sem dúvida, a sinceridade e o desejo real de suscitar no Outro alguma sensação verdadeira. Trata-se de um desafio para o qual todos estamos devidamente preparados, independentemente do grau de escolaridade. Rainer Maria Rilke, poeta nascido em Praga, escreveu certa vez uma série de cartas contendo sugestões a um jovem que pretendia escrever poemas. Afirmou que para escrever bem é preciso perceber em sua própria alma os motivos que o levam a dizer certas coisas. Pede ao jovem que expresse "seus pensamentos passageiros, sua fé em qualquer beleza ? tudo isto com íntima e humilde sinceridade. Utilize, para se exprimir, as coisas do seu ambiente, as imagens dos seus sonhos e os objetos de sua lembrança. Se a própria existência cotidiana lhe parecer pobre, não a acuse. Acuse a si mesmo, diga consigo que não é bastante poeta para extrair as suas riquezas". Vivemos agora, portanto, a época em que todos soltam o poeta de dentro de si, espalhando mensagens de amor, de carinho e de solidariedade. Que estes estímulos nos sirvam de referência para conduzirmos o cotidiano e orientem sempre os nossos pensamentos. Autor: Erlon José Paschoal |
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O prof. Andrew Oitke publicou o seu polémico livro «Mental Obesity», que revolucionou os campos da educação, jornalismo e relações sociais em geral. Nessa obra, o catedrático de Antropologia em Harvard introduziu o conceito em epígrafe para descrever o que considerava o pior problema da sociedade moderna. «Há apenas algumas décadas, a Humanidade tomou consciência dos perigos do excesso de gordura física por uma alimentação desregrada. Está na altura de se notar que os nossos abusos no campo da informação e conhecimento estão a criar problemas tão ou mais sérios que esses.» Segundo o autor, «a nossa sociedade está mais atafulhada de preconceitos que de proteínas, mais intoxicada de lugares-comuns que de hidratos de carbono. As pessoas viciaram-se em estereótipos, juízos apressados, pensamentos tacanhos, condenações precipitadas, preferem governantes que são bons para elas, não para a maioria, apesar de se dizerem democratas, e democracia é a vontade da maioria. Todos têm opinião sobre tudo, mas não conhecem nada. Os cozinheiros desta magna "fast food" intelectual são os jornalistas e comentadores, os editores da informação e filósofos, os romancistas e realizadores de cinema. Os telejornais e telenovelas são os hamburgers do espírito, as revistas e romances são os donuts da imaginação.» O problema central está na família e na escola. «Qualquer pai responsável sabe que os seus filhos ficarão doentes se comerem apenas doces e chocolate. Não se entende, então, como é que tantos educadores aceitam que a dieta mental das crianças seja composta por desenhos animados, videojogos e telenovelas. Com uma «alimentação intelectual» tão carregada de adrenalina, romance, violência e emoção, é normal que esses jovens nunca consigam depois uma vida saudável e equilibrada.» Um dos capítulos mais polémicos e contundentes da obra, intitulado "Os Abutres", afirma: «O jornalista alimenta-se hoje quase exclusivamente de cadáveres de reputações, de detritos de escândalos, de restos mortais das realizações humanas. A imprensa deixou há muito de informar, para apenas seduzir, agredir e manipular.» O texto descreve como os repórteres se desinteressam da realidade fervilhante, para se centrarem apenas no lado polémico e chocante. «Só a parte morta e apodrecida da realidade é que chega aos jornais.» Outros casos referidos criaram uma celeuma que perdura. «O conhecimento das pessoas aumentou, mas é feito de banalidades. Todos sabem que Kennedy foi assassinado, mas não sabem quem foi Kennedy. Todos dizem que a Capela Sistina tem tecto, mas ninguém suspeita para que é que ela serve. Todos acham que Saddam é mau e Mandella é bom, mas nem desconfiam porquê. Todos conhecem que Pitágoras tem um teorema, mas ignoram o que é um cateto». As conclusões do tratado, já clássico, são arrasadoras. «Não admira que, no meio da prosperidade e abundância, as grandes realizações do espírito humano estejam em decadência. A família é contestada, a tradição esquecida, a religião abandonada, a cultura banalizou-se, o folclore entrou em queda, a arte é fútil, paradoxal ou doentia. Floresce a pornografia, o cabotinismo (ação, costumes ou vida de um homem presumido), a imitação, a sensaboria (que não tem sabor), o egoísmo. Não se trata de uma decadência, uma «idade das trevas» ou o fim da civilização, como tantos apregoam. É só uma questão de obesidade. O homem moderno está adiposo no raciocínio, gostos e sentimentos. O mundo não precisa de reformas, desenvolvimento, progressos. Precisa sobretudo de dieta menta». Autor:
Andrew Oitke |
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Não espere tanques, fuzis e estado de sítio. A revolução comunista no Brasil já começou e não tem a face historicamente conhecida. Age na degradação dos princípios e do pensar das pessoas. Para seus líderes, sociedade onde é preciso ser ordeiro não é democrática. Essa revolução impede as pessoas de sonharem com uma vida econômica melhor, porque quem cresce na vida, quem começa a ter mais, deixa de ser "humano" e passa a ser um capitalista safado e explorador dos outros. Ter é incompatível com o ser. Esse é o princípio que estamos presenciando. Vai ser triste ver o uso político-ideológico que as escolas brasileiras farão das disciplinas de filosofia e sociologia, tornadas obrigatórias no ensino médio a partir do ano que vem. A decisão é do ministério da Educação, onde não são poucos os adoradores do regime cubano mantidos com dinheiro público. Quando a norma entrar em vigor, será uma farra para aqueles que sonham com uma sociedade cada vez menos livre, mais estatizada e onde o moderno é circular com a camiseta de um idiota totalitário como Che Guevara. A constatação que faço é simples. Hoje, mesmo sem essa malfadada determinação governamental - que é óbvio faz parte da revolução silenciosa - as crianças brasileiras já sofrem um bombardeio ideológico diário. E pouco importa que este modelo não tenha produzido uma única nação onde suas práticas melhoraram a vida da maioria da população. Ao contrário, ele sempre descamba para o genocídio ou a pobreza absoluta para quase todos. No Brasil, são as escolas os principais agentes do serviço sujo. São elas as donas da lavagem cerebral da revolução silenciosa. Há exceções, é claro, que se perdem na bruma dos simpatizantes vermelhos. Perdi a conta de quantas vezes já denunciei nos espaços que ocupo no rádio, tevê e internet, escolas caras de Porto Alegre recebendo freis betos e mantendo professores que ensinam às cabecinhas em formação que o bandido não é o que invade e destrói a produção, e sim o invadido, um facínora que "tem" e é "dono" de algo, enquanto outros nada têm. Como se houvesse relação de causa e efeito. Recebi de Bagé, interior do Rio Grande do Sul, o livro "Geografia", obrigatório na 5ª série do primeiro grau no Colégio Salesiano Nossa Senhora Auxiliadora. Os autores são Antonio Aparecido e Hugo Montenegro. O Auxiliadora é uma escola tradicional na região, que fica em frente à praça central da cidade e onde muita gente boa se esforça para manter os filhos buscando uma educação de qualidade. Através desse livro, as crianças aprendem que propriedades grandes são de "alguns" e que assentamentos e pequenas propriedades familiares "são de todos". Aprendem que "trabalhar livre, sem patrão" é "benefício de toda a comunidade". Aprendem que assentamentos são "uma forma de organização mais solidária... do que nas grandes propriedades rurais". E também aprendem a ler um enorme texto de... adivinhe quem? João Pedro Stédile, o líder do criminoso MST que há pouco tempo sugeriu o assassinato dos produtores rurais brasileiros. Essa é A revolução silenciosa a que me refiro, que faz um texto lixo dentro de um livro lixo parar na mesa de crianças, cujas consciências em formação deveriam ser respeitadas. Nada mais totalitário. Nada mais antidemocrático. Um grupo de pais está indignado com a escola, mas não consegue se organizar minimamente para protestar e tirar essa porcaria travestida de livro didático do currículo do colégio. Alguns até reclamam, mas muitos que se tocaram da podridão travestida de ensino têm vergonha de serem vistos como diferentes. Eles não são minoria, eles não estão errados, mas sentem-se assim. A revolução silenciosa avança e o guarda de quarteirão é o medo do que possam pensar deles. Botar a boca no trombone, alertar, denunciar, fazer pensar, incomodar os agentes da Stazi silenciosa. Não há silêncio que resista ao barulho. "Em outubro lembre-se: urna não é lixeira" - "Voto não tem preço, tem conseqüência" "O maior castigo para aqueles que não se interessam por política é que serão governados pelos que se interessam" (Arnold Toynbee) Autor: Diego Casagrande |
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Hoje aprendi que é preciso deixar que a vida te despenteie, por isso decidi aproveitar a vida com mais intensidade... O
mundo é louco, definitivamente louco... O que é gostoso,
engorda. O que é lindo, custa caro. O sol que ilumina o teu rosto
enruga. E o que é realmente bom dessa vida, despenteia... Então, como sempre, cada vez que nos vejamos eu vou estar com o cabelo bagunçado... mas pode ter certeza que estarei passando pelo momento mais feliz da minha vida. É a lei da vida: sempre vai estar mais despenteada a mulher que decide ir no primeiro carrinho da montanha russa, que aquela que decide não subir. Pode ser que me sinta tentada a ser uma mulher impecável, toda arrumada por dentro e por fora. O aviso de páginas amarelas deste mundo exige boa presença: Arrume o cabelo, coloque, tire, compre, corra, emagreça, coma coisas saudáveis, caminhe direito, fique séria... e talvez deveria seguir as instruções, mas quando vão me dar a ordem de ser feliz? Por acaso não se dão conta que para ficar bonita eu tenho que me sentir bonita, a pessoa mais bonita que posso ser! O único, o que realmente importa é que ao me olhar no espelho, veja a mulher que devo ser. Por isso, minha recomendação a todas as mulheres: Entregue-se, coma coisas gostosas, beije, abrace, dance, apaixone-se, relaxe, viaje, pule, durma tarde, acorde cedo, corra, voe, cante, arrume-se para ficar linda, arrume-se para ficar confortável! Admire a paisagem, aproveite, e acima de tudo, deixa a vida te despentear! O pior que pode passar é que, rindo frente ao espelho, você precise se pentear de novo... Autor:
Não mencionado |
O cronista sem jornal Muitos anos depois, diante do pelotão de fotógrafos e jornalistas, Nicole haveria de recordar aquela tarde gelada em que leu a última crônica de Antonio Pastoriza. Botafogo era então um bairro pacificado, livre da violência urbana dos anos anteriores, protótipo de um suposto modelo de segurança pública que serviria para toda a cidade: polícia no morro, milícia disfarçada no asfalto e a periferia esquecida pelo estado. Mas a primavera atípica, com nuvens pesadas e temperaturas glaciais para a época, deixava as mãos trêmulas, ásperas, sem confiança. A respiração arquejante parecia em contraste com a tranquilidade do lugar. O vento na varanda levantava as folhas do jornal. Era preciso dobrá-lo em quatro, além de se desvencilhar das páginas de política e cultura. O que ela queria ler estava na editoria de opinião, onde eram publicados os textos de romancistas, poetas, médicos, advogados, professores, humoristas, sádicos e afins, uma editoria redundante, pensava, tratando como exceção apenas as linhas semanais de seu escritor favorito. Mas o que viu estampado no papel sujo foi decepcionante. Não valia nem o esforço contra o vento. Então era isso? Só isso? Nada mais do que isso? A última crônica de Pastoriza resumia-se em ser apenas a última crônica de Pastoriza. Nada de gestos heroicos, paixões impertinentes, amores impossíveis. Nada de nada. Mil vezes nada. Não, não podia ser. Isso não era papel para um cronista! Onde estavam as metáforas brilhantes, as metonímias inteligentes, as frases reveladoras? Naquele momento se arrependia de cada minuto perdido com as leituras anteriores. Dos atrasos para a aula de dança, das brigas com o namorado, do peixe esquecido no aquário, da cerveja solitária no sofá, da cumplicidade que acreditava ter. Definitivamente, o sujeito não a merecia. Querida Nicole, perdoe a despedida sem glamour, o texto insosso, a criatividade zerada. O amor acabou, a amizade ruiu e o papel do jornal agora é outro. Deixo apenas aquele beijo na testa que é pior do que dizer adeus. Cronista sem jornal não é Ferrari sem gasolina, é Fusca sem capô, cavaquinho sem corda, praia sem chinelo, botequim sem cachaça, batata sem bife, Nelson Sargento com dentadura. Cronista sem jornal é erro de semântica. É dialética a prazo, sem juros, em dez vezes, nas Casas Bahia. É a perda da sintaxe, do sentido. É a gramática velha, a ortografia antiga, com trema e acento nos ditongos orais crescentes. Cronista sem jornal não tem direito ao último pedido, ao afago feminino, ao gozo embevecido. Cronista sem jornal não tem direito a voltar no tempo e pedir a leitora em casamento. Cronista sem jornal é Pastoriza sem Nicole. E uma vida pela frente. * Além de jornalista e escritor, Felipe Pena é psicólogo, professor da UFF, doutor em Literatura pela PUC, pós-doutor pela Université de Paris/Sorbonne III e autor do romance 'O marido perfeito mora ao lado' Fonte: Jornal do Brasil - RIO - |
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Estou em Paulínia e fico sabendo da notícia da morte de Rafael, filho da minha querida Cissa Guimarães. Meu coração começa a sangrar e a doer como se fosse o dela, como se a gente fosse parente e, quase como se fosse menino meu, embora nada chegue aos pés da dor dela. Claro que morrem milhares de jovens nesse país a toda hora e nem ficamos sabendo da prematura e anônima notícia, e por isso que dirão que só nos comovemos com essa perda porque é filho de artista conhecida. Ora, é e não é. Essa atenção se dá não só porque temos acesso ao fato, porque ele sai no jornal, mas principalmente porque o artista nos representa. Cissa simboliza alguns signos: força feminina, independência, modernidade, informalidade, honestidade, uma vez que seu nome nunca esta envolvido em falcatruas, responsabilidade materna, porque todos sabem que ela criou os três filhos, sem contar seu carisma e sorriso, que desde a primeira versão do Vídeo Show, fazem dela uma espécie de gente da nossa família. Por isso nos importamos tanto, por isso dói na gente porque fica representando nossos filhos e os filhos de quem não sai no jornal. O menino dela é menino nosso. Tenho em minha mente a imagem dela lendo meu poema Chupetas, punhetas,, guitarras” no espetáculo O Semelhante. Ela adora esse poema e, como minha convidada, chorava lágrimas sinceras ao dizer os versos: "...faço compressas pra febre, afirmo que quero morrer antes deles...." Por causa dessa imagem nem tive coragem de ligar para ela e, impossibilitada de dar-lhe meu abraço por estar em viagem, busquei nas palavras algum remédio que buscasse o entendimento desta tragédia. Por isso pergunto: “O que matou esse jovem de menos de vinte anos? O que lhe roubou o futuro?”. Pelo o que li e vi na TV, a impunidade integra, de novo, o elenco da barbárie. Policiais que estavam no local, ao que parece, foram outra vez coniventes com quem desrespeita a lei que representam. Não conheço os assassinos de Rafael e nem quero aqui ser leviana, mas toda hora vejo uma legião de famílias que não prioriza o amor pelo seu semelhante no conteúdo educacional dos seus filhos. Não é só para bandido que a vida não vale nada. Não. Ela também não vale para o menino que, com o carro que talvez nem possa manter, dá cavalo de pau em um túnel fechado cuja placa de interdição ele não aceita. Há jovens criados com a perversa ilusão de que tudo podem e que diante de seu poder e dinheiro não existem porta fechada, respeito, lei. Desde quando mataram o índio em Brasília que me caiu essa ficha: Alguém dentro de casa ensinou, através de palavras ou ações, a esses meninos infratores da classe média e da alta, que a vida não vale nada. Esse assunto tem raízes mais profundas e nos leva a questionar como estamos educando nossos filhos. Gente ou monstro? Precisamos saber se estamos educando nossos filhos dentro da cultura da paz e afinados com os Direitos Humanos. Nesse sentido entendo que violência no futebol, na escola, pegas de carros, e outras agressões no trânsito, o recorde de vendas de armas de fogo que o Brasil atingiu nos últimos anos, excesso de vaidades anabolizantes, a corrida louca pelo dinheiro e outros sórdidos sensos comuns integram para mim a cultura da guerra. Hoje, mesmo com casamento gay, preconceitos ainda destilam suas variadas conseqüências em nosso mundo contemporâneo que ainda mata mulher por “amor”. Então que evolução é essa? A que nos convoca esse novo tempo? Por isto e para isso escrevo, meus senhores, para que não fiquem impunes os cúmplices desse crime por atropelamento, para que os pais parem de uma vez por todas de armar seus filhos por fora oferecendo-lhes carrões, cartões de crédito sem limite, nenhum juízo, e passem a amá-los por dentro mostrando todos os valores que o dinheiro e o poder não compram, mas que podem salvar uma vida. Cissa, meu amor, quem me dera essas palavras pudessem restituir o tecido rasgado do seu peito nessa hora. Quisera poder adormecer seu coração, anestesiar o seu olhar sobretudo o que recordará a partida do seu fruto. Não posso. Só sei que o tempo fará com que, o que hoje é ausência, vire presença luminosa e eterna na sua memória e que você, o Raul e seus outros filhos construam com valentia e calma essa sublimação. Nem a morte apaga o que o amor construiu, isso eu sei. Termino essa crônica com o verso do tal poema que aqui está a serviço de seu coração generoso : “choram Meus filhos pela casa, eu sou a recessiva bússola, a cegonha, a garça, com o único presente na mão: saber que o amor só é amor quando é troca e a troca só tem graça quando é de graça.” Beijos, sua Elisa Lucinda. Autora: Elisa
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É dessas fotos que ficam no imaginário coletivo: Pelé aos dezessete anos, campeão do mundo, chorando no ombro do grande Gilmar que o ampara, o consola, o anima, o conforta. Passados não mais de 52 anos, a reprodução dessa cena é quase impensável. Se o garoto Neymar tivesse sido campeão do mundo nos seus atuais 18 anos, como muitos queriam, em que ombro choraria de emoção, se é que choraria? No de Dunga, velho e bravo campeão; no de Kaká, veterano de outras copas e acostumado aos aplausos? Não, não parece a ninguém factível a repetição daquela cena protagonizada por Pelé e Gilmar, nos campos da Suécia. Meninos de hoje não choram mais nos ombros de seus ancestrais, meninos de hoje não têm ancestrais. A sociedade pós-moderna pulveriza as verticalidades e não provê acolhimento das angústias nas hierarquias verticais, nos mais velhos, nos mais experientes, nos que já passaram por isso. O resultado está aí: a série que deveria ser: descoberta, sucesso, fama, dinheiro, conforto e satisfação tem sido: descoberta, sucesso, fama, dinheiro, mulheres, drogas, violências, desastres, prisão ou ostracismo. Podemos pensar em uma explicação paradigmática, além das particularidades de cada caso, o que o mais das vezes só anda tampando o sol com a peneira: foi o pai violento, a mãe alcoólatra, as más companhias, a péssima educação, o irmão psicopata, etc. Ocorre que a saída da pobreza e do anonimato para a riqueza e a fama, subitamente, gera uma forte crise de identidade. Ter sucesso é cair fora; na palavra sucesso, tem a raiz ceder, cair. Quem tem sucesso cai fora do seu grupo habitual de pertinência. Jobim não tinha razão quando dizia que o brasileiro não desculpava o sucesso, pois nenhum povo desculpa, só variam as maneiras de demonstrá-lo. A máxima de Ortega y Gasset ainda é válida: “Eu sou eu e a minha circunstância”. E quando a minha circunstância muda abruptamente, fica a pergunta profundamente angustiante: - “Quem sou eu?”, que fundamenta a crise de identidade. Aí, com frequência a pessoa se aliena em uma identidade forjada, aquela que fica bem na fotografia, a máscara; surge assim o mascarado. Quantos e quantos jogadores de futebol não se transformaram em mascarados diante dos nossos olhos? E a coisa não pára por aí. A máscara não é suficiente para dominar a angústia causada pelo sucesso, vindo, em seguida, um sentimento terrível de ilimitação, de poder tudo. Quer alguma coisa, compra; quer um amor, toma; quer ter razão, impõe. Esse sentimento de quebra de fronteiras pede um basta que não raramente aparece da pior forma: no insulto, no acidente, na morte. Alguns têm a sorte de passarem por um desastre controlável e depois conseguem se recuperar, carregando beneficamente a cicatriz de sua desventura, mas muitos e muitos vão e não voltam. Não pensemos que a solução está no treinamento de ombros amigos, como os do passado, dado em lições risíveis de moral e cívica extraídas dos panfletos de neo-religiões televisivas, ou de jornalistas histriônicos que se querem baluartes da dignidade social. O que entendemos necessário é um trabalho junto a todos os grupamentos que convivem com esse fenômeno de mudança de status repentina, dos quais as equipes de futebol são um exemplo maior, um trabalho que saiba tratar do problema da perda de identidade como foi aqui referida. No mundo de hoje, um mundo horizontal sem baluartes fixos, sem Gilmares para as pessoas se apoiarem, é necessário que possamos oferecer novos tratamentos às crises de identidade que se multiplicam. Se o tratamento não reside mais em se mirar no exemplo do ídolo da geração anterior, o que temos a fazer é implicar cada um em seu ponto de vergonha essencial, aquele que a fama não recobre e que o dinheiro não compra, um ponto de vergonha que todo ser humano carrega em si por ter nascido e não saber muito bem o que faz por aqui, por se sentir um acontecimento sem explicação. Pois bem, não deixemos ninguém se acomodar no empobrecedor e perigoso eu sou o máximo, fiquemos com a lição do próprio futebol: cada partida é uma nova partida, sem piloto automático, sem já ganhou, sem triunfalismo. Fica a recomendação para os técnicos do futuro: mais invenção com responsabilidade e menos repetição com disciplina. Autor: Jorge Forbes |
Que sentimento pode superar amor de mãe? Somente outro amor, e se for igual ou maior. Coração de mãe cabe muitas coisas, sobretudo desgosto de filhos. Mãe é branda como chuva fina. Paixão é como temporal. Diferente de amor, provoca coragem, despende muita energia e causa danos. Dura o tempo que resistir a fúria. Estanca. Depois se apuram os prejuízos. A canção "Coração materno" de Vicente Celestino – clássico da MPB - conta a história de um camponês. Ele mata a própria mãe para alegrar à amada. Arrancado do peito, o coração materno é levado, às pressas, pelo filho cego de paixão. Tropeça no caminho. Os versos da canção dizem: "E na queda uma perna partiu / E a distância saltou-lhe da mão / Sobre a terra o pobre coração / Nesse instante uma voz ecoou / Magoou-se pobre filho meu / Vem buscar-me filho, aqui estou / Vem buscar-me que ainda sou teu! Nelsom Mandela tem 91 anos, saúde frágil, aparece raramente em público. Prêmio Nobel da Paz em 93, não vive em paz. Talvez porque o país detenha uma das taxas mais altas de violência e de crime fora de zona de guerra no mundo. Ou talvez porque sinta as dores que cercam os humanos normais. Perdeu a abertura do torneio no mês passado. A causa foi a morte de uma bisneta num acidente de carro. Guardou forças para a festa de encerramento. A aparição emocionou a todos. Ele acenou para o público e foi recebido de pé por quem lotava o palco da grande final da competição. O homem que foi preso e humilhado, não se rendeu à solidão das grades. Vinte e oito anos de reclusão não endureceram um coração que soube ser paciente e perseverante. Em fevereiro de 90 as portas se abriram, o apartheid cedeu, a África do Sul começou a contar nova história. Mandela poderia ter odiado o lado opressor, a porção branca do país. Não o fez porque o coração queria paz, sabia dar somente amor. Por isso, venceu. Por isso, o mundo se emocionou ao ver nos olhos do líder um doce sorriso. No rosto tinha a expressão de quem vê transformada em realidade o que num passado recente eram apenas sonhos. A copa de 2010 aconteceu graças à sua luta. Ele merecia. O olhar sereno deixava notar o que se passava na alma. Parecia coração de mãe, que bate feliz ao ver os filhos unidos, dividindo o mesmo espaço. Espírito iluminado, soube conquistar pelo dom do amor, através da força das palavras. Tinha a linguagem certa. Disse: "Se você falar com um homem numa linguagem que ele compreende, isso entra na cabeça dele. Se você falar com ele em sua própria liguagem, você atinge seu coração." Enquanto o via desfilar no soccer city, sob os aplausos de dezenas de milhares de torcedores, veio à mente a imagem de Bruno. Aplaudido num maracanã lotado, o goleiro do Flamengo era ídolo, exemplo a ser adotado. Lembrei a senha do computador da namorada Eliza: "Amor e ódio". Pensei na força desses dois sentimentos. E concluí: "Negro como o goleiro, o líder sul-africano também nasceu num mundo de revolta, discriminação, negação." Alimentado pelo amor, Mandela venceu o ódio e um dia deixou a prisão para entrar na história. Bruno fez o inverso. Dominado pelo ódio, desprezou o amor. Deixou a história para entrar na prisão. Autor: Célio Furtado |
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Para muitos tentar registrar a verdade em um filme já é em si um ato de ficção. Afinal, o autor escolherá um determinado ângulo para mostrar a realidade e na edição vai excluir cenas ou momentos que por alguma razão pessoal considera irrelevantes. De qualquer modo, não se pode negar que o documentário é um instrumento eficaz para se investigar a realidade. Nesse caso, pode o documentário ser considerado como uma fonte de pesquisa e ensino da História? Segundo Umbelino Brasil sim, afinal ele pode significar para realizadores, estudiosos e espectadores uma prova da "verdade", uma vez que trabalha diretamente com imagens extraídas da vida real. “É comum se imaginar o filme documentário como a expressão legítima do real ou se crer que ele está mais próximo da verdade do que os filmes de ficção”. Mostras diversas de audiovisual realizadas em diversas regiões do Estado têm estimulado a produção de documentários como forma de reflexão sobre a vida e de exercício pleno de uma linguagem quase onipresente no cotidiano de todos. Buscar entender o seu ambiente através de imagens torna-se assim uma maneira eficaz de levar o jovem a participar ativamente da construção de imaginários culturais fundamentados em sua própria existência. Levam também o público a se confrontar com situações e figuras humanas que se, de um lado quase passam despercebidas, de outro, evidenciam a importância das respectivas experiências individuais na formação de cada comunidade, e o significado social de seus depoimentos. É como um espelho que reflete cada habitante do lugar naquilo que possuem de único e, ao mesmo tempo, de universal. Ao longo dos últimos sete anos essas mostras totalizam mais de 80 documentários, que abordam vários aspectos de nossa formação cultural. Um rico painel de pontos de vista diversos acerca de peculiaridades regionais, fatos e trajetórias pessoais que compõem o cotidiano de inúmeros habitantes. Nesse sentido podemos dizer que dispomos de uma ampla fonte de pesquisa antropológica, histórica e artística acerca dos modos de vida de nosso Estado. O reconhecido documentarista Eduardo Coutinho afirmou certa vez que o documentário “não tem que informar, educar, não é jornalismo; ele mostra maneiras de se ver o mundo". Em recente entrevista, ressaltou: “O que me interessa é aquilo que não sou eu, ou aquilo que não sei”. Ao se encontrar com seus personagens anônimos – pessoas a serem entrevistadas –, “o interesse está no que resulta precário, incompleto, parcial, que não diz tudo porque não pode dizer tudo. É a busca pelo belo que se revela na imperfeição humana”. Talvez este seja de fato um caminho de uma possível interpretação artística do documentário: captar a beleza da imperfeição que se manifesta na vida das pessoas e nas situações comuns, na singularidade do que nos distingue e nos identifica, e nos faz seres representativos de nossa espécie. Autor: Erlon José Paschoal |
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A vontade de Deus é que eu desista das coisas de menino nesta vida... Obviamente a vontade de Deus é de Deus. Sim! A vontade Dele é Dele; e de mais ninguém. Jesus disse que comia a vontade do Pai, que se alimentava dela. Ora, se eu tenho muitas vontades e se as exerço de modo pessoal e incompartilhável, que não dizer da vontade de Deus? “Quem
conheceu a mente do Senhor?” Ora,
o mesmo Deus faz com os homens! É o que Paulo diz quando afirma: “... ainda que eu...” fale línguas de homens e anjos, ou profetize, ou saiba todas as ciências e adquira todas as sabedorias, ou me entregue às praticas de martírio ou de entrega social de todas as minhas produções aos demais homens necessitados, mas, “se não tiver amor, nada me aproveitará”; e mais: nada será vontade de Deus. Paulo nunca discutiu nada disso. Sabia fazer tendas. Mas era chamado para pregar. Por isso, tendo dinheiro para entregar-se apenas à pregação, assim fazia. Mas se não tinha, então, fazia tendas, e, pregava nas horas possíveis. Ou
seja: Então, não sei!... Afinal, nessas coisas, à semelhança de Paulo, apenas uso o bom senso para decidir, e nunca o faço como quem consulta um “guia de jornada”, mas apenas como uma decisão de agora, da circunstancia do existir; e isto, sempre, apenas conforme o espírito do Evangelho, que é amor. A vontade de Deus são os Seus mandamentos, embora Jesus tenha nos dito que até os mandamentos, sem que sejam vividos em amor, são desagradáveis a Deus; pois, sem amor, todo mandamento não passa de presunção e arrogância. A vontade de Deus é amor, alegria, paz, bondade, longanimidade, mansidão e domínio próprio! Se você faz isso entregando o lixo, operando na mais rica clínica de neurocirurgia, ou se o faz pregando como um ensinador da Palavra, não importa; pois, a única coisa que importa para Deus é se você vive ou não o amor como o mandamento de seu ser. O
que Deus quer de mim? Onde quer que eu trabalhe? Com quer que eu case? É claro que Deus tem a vontade que diz “não”. Mas essa é a não-vontade de Deus. É o que Deus não quer, pois, é o que Deus não é. Deus não é mentira, nem engano, nem ódio, nem cobiça, nem traição, não injustiça, nem maldade, nem indiferença, nem descrença, nem altivez, nem orgulho, nem arrogância, nem vaidade, nem medo e nem frieza de ser. Assim, a tais coisas Deus diz “não”, mas não como quem diz a Sua vontade, mas apenas aquilo que não é vontade Dele. Portanto, a vontade de Deus não é “não”, mas “sim”, embora a maioria apenas pense na vontade de Deus como negação. Ou
seja: Entretanto, a vontade de Deus é sim, e, para aqueles que desejam fazer a vontade de Deus, e não apenas discuti-la, Deus revela Sua vontade como fé e amor, e, nos diz que se assim vivermos provaremos tudo o que é bom, perfeito e agradável, não porque a vida deixe de doer, mas apenas porque o pagamento do amor transcende a toda dor. A vontade de Deus é que eu desista das coisas de menino nesta vida e abrace as coisas de um homem segundo Deus. Agora, se você vai trocar de casa, de carro, de mulher, de emprego, de cidade, de país, de nome — sinceramente, é melhor consultar um bruxo, uma feiticeira ou um profeta que aceite pagamento para contar tal historinha. Você
pergunta a Jesus: Que tal a gente parar de brincar de vontade de Deus? Vamos? Chega; não é gente? Autor:
Caio Fábio |
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A cada semana, em todas as partes do mundo, milhares de pessoas, na grande maioria homens, se comprimem em estádios, muitos verdadeiramente faraônicos, construídos exclusivamente para esse fim, para torcer por seus times e, mais esporadicamente - mas também com maior intensidade -, por seu país. O som produzido nos estádios, de uma qualidade inigualável a qualquer outro conglomerado humano, pode ser ouvido à distãncia. O que é, de fato, o futebol? O que ele coloca em cena? O que ele mobiliza? Para a psicanálise, a questão é, no fundo: de onde vem a força desse esporte para reunir multidões, arrancar tantas emoções e despertar tanta fala entre os sujeitos? De onde vem essa violenta paixão? Algumas coisas do futebol já sabemos com a psicanálise. Sabemos que o esporte, em geral, proporciona uma intensa forma de satisfação, ao colocar em atividade o aparelho motor e oferecer-lhe condições ótimas para descarregar a agressividade. Dito de outro modo, a agressividade é inerente a todo esporte e pode ser bem evidenciada no futebol ao estudarmos a sua linguagem, francamente bélica: ataque e defesa, capitão, artilheiro, tática. O time é um miniexército que visa à conquista da vitória. Fala-se de tiro de meta, petardo e canhão (para designar chutes poderosos), de poder de fogo do time etc. Os exemplos são intermináveis e a linguagem futebolística evidencia, com todas as letras, que, inconscientemente, nesse esporte, a guerra comparece velada, traduzida nas exigências da cultura humana. Há alguns anos, a figura da morte, que jamais comparecera no jogo, se tornou presente enfim, com a nova regra da "morte súbita". Cada jogo é a representação alegórica da guerra. O amor e a guerra são o sal da terra, já dizia o poeta. O jogo de futebol constitui, de fato, a sublimação das forças (chamadas pela psicanálise de pulsões) de dominação e agressão inerentes ao humano, e as coloca em cena sob uma forma civilizada, passível de ser admitida para que haja convívio entre indivíduos, assim como entre povos. Tal afirmação encontra sua confirmação na manifestação oposta - infelizmente cada vez menos episódica - dos fenômenos de violência entre torcidas, dos quais os hooligans ingleses constituem o bárbaro paradigma, e entre jogadores. Pois a sublimação das pulsões agressivas e sexuais não pode ser total (este é um dos axiomas da psicanálise), elas exigem sempre uma parcela de realização direta de satisfação. Mas temos uma hipótese que vai um pouco mais longe. Segundo ela, o futebol é, no fundo, a celebração da vigência da Lei humana. É o juiz que, entre os jogadores, conduz a partida e as possibilidades que esta apresenta; é ele quem, invisível (ninguém olha para ele), sem tocar na bola (ele a evita), dá a ela todo seu sentido (inicia e encerra o jogo, o interrompe se achar necessário, valida ou não o gol) e emoldura o quadro no interior do qual todo o jogo se desenrolará. É com referência a ele - presença materializada da Lei em campo, com sua austeridade, seu apito e cartões amarelos e vermelhos - que os homens se conduzem para conquistar a vitória. A vitória é buscada, mas deve ser obtida dentro da Lei. Não seria essa efusiva celebração da Lei o que faz com que o futebol encontre no Brasil sua máxima expressão? Num país onde a Lei parece redundar eternamente em fracasso em suas mais diferentes dimensões, os homens bons parecem denunciá-lo ao encontrar no futebol o espaço para celebrá-la em toda sua plenitude e vigor. Isso pode ser uma fecunda indicação para nossos (poucos) políticos que almejam bem estar social verdadeiro: criar projetos que mobilizem no sentido de ações sociais urgentes parte da energia posta em ação com tanto entusiasmo, quando se trata do jogo de futebol, pelos jogadores, times, torcidas. Pois estes, ao celebrarem periodicamente a Lei nos jogos, demonstram que sabem, ainda que inconscientemente, até onde se pode ir para se conseguir o que se deseja. E isto é a essência da Lei humana. E, por enquanto, algo que no Brasil é raro, a não ser nos domínios desse belo e exemplar esporte. O Poder Legislativo, ao fazer as leis, os juízes, ao aplicarem-nas, os promotores, ao fiscalizarem a sua aplicação, e os advogados, ao defenderem os sujeitos, deveriam igualmente tomar este exemplo do povo brasileiro e aprender com ele a celebrar a Lei cotidianamente. Autor: Marco Antonio Coutinho Jorge |
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Quando uma velha senhora morreu na seção para o tratamento de doenças da velhice, em uma pequena clínica perto de Dundee, na Escócia, todos estavam convencidos de que ela não havia deixado nada de valor. Então, quando as enfermeiras verificaram seus poucos pertences, eles encontraram um poema. Sua qualidade e conteúdo impressionaram todas as pessoas, e todas as enfermeiras queriam uma cópia da mesma. Uma delas levou uma cópia para a Irlanda. A única herança que a
velha deixou a seus sucessores foi publicada na edição
de Natal da Notícia da União para a Saúde Mental,
na Irlanda do Norte. EU, VELHINHA MAL-HUMORADA?
Que veem amigas? A velha, que vocês acreditam que não se dá conta das coisas que vocês fazem e que, continuamente, perde a sua escova ou o sapato? A velha,que contra sua vontade, mas humildemente lhes permite fazer o que quiserem, que me banhem e me alimentem só para o dia passar mais depressa…. É
isso que vocês acham? Sou
uma menina de 10 anos, que tem pai e mãe, irmãos e irmãs
que se amam. Aos
60 anos, sobre mim, nuvens escuras aparecem, meu marido está
morto; e quando olho meu futuro, me arrepio toda de terror. Que nada pode durar para sempre…
por isto, abram seus olhos e vejam diante de vocês não
está uma velha mal-humorada.
Diante de vocês estou apenas “EU…” Vocês estarão algum dia em seu lugar… Se não morrerem antes. Autor desconhecido |
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