Quando era criança, havia aula de religião nas escolas públicas.
E minha professora ia vestida como se fosse uma freira, sei lá, nem sabia o que era ser virgem.
E a aula dela era uma verdadeira preleção pra impingir o medo e a culpa. Depois que amadureci, perdi a crença em Jesus ser filho da Virgem Maria - virgem?- e passei a pensar em Deus com sua infinita bondade.
Então, agora, mais velha, acredito que Ele jamais castigaria as crianças pelo pecado de Adão e Eva e pelos erros de vidas passadas...
Primeiro, porque não consigo imaginar que ELE tenha criado uma mulher e um homem em pleno paraíso e, depois, tenha plantado uma árvore com o fruto do pecado - uma armadilha.
Pra mim Ele criou a natureza, ELE está lá em cima pra nos receber e nos dar a tranquilidade.
Acredito que ELE nos ame de forma incondicional. Mesmo porque não creio em amor que imponha mandamentos e condições penais.
Se ELE criou o amor, foram os homens e as religiões que inventaram o resto: as chantagens, pra merecermos o amor d'ELE e a nossa moradia no céu.
Inventaram o inferno pra gente ter medo de falar mentira – talvez o nosso primeiro pecado - pra fugir dos castigos do papai, da mamãe, da professora, e por aí afora. Bastaria, então, só esse pecadinho inocente, pro céu não mais existir e em seu lugar ter nascido um enorme o deserto.
Inventaram as religiões pra nos policiar e pra dar lucro em todos os níveis de mercado da fé e do castigo.
É pecado original desejar fazer sexo? Mas quem criou o desejo sexual? Quem criou a felicidade, a atração e o amor foi ELE! Quem criou a tristeza, a maldade, a palavra pecado foram seres humanos, pra obter mais presença em suas igrejas, ou templos.
Todo ser humano normal sente culpa. Ninguém é santo, nem a Madre Tereza de Calcutá. Certamente, ela deve ter sido uma criança, uma adolescente e uma mulher como todas as outras que cometeram alguns deslizes, antes de se arrepender e de se tornar santa. Talvez, até por isto, ela tenha se tornado santa. Quem sabe? Não considero que as pessoas bondosas devam virar santas. A bondade é uma qualidade indiscutível.
Qual a necessidade de tantos sacrifícios para se tornar santo? Não acredito que ele tenha criado nada disso.
O importante, pra mim, sempre foi procurar reconhecer os erros, pedir desculpas e seguir em frente, tentando não repeti-los e evitar novos.
Somos passíveis de fraquezas. Não podemos cobrar da nossa frágil e curta existência a perfeição.
Refletindo sobre culpas e perdões, acho que não sofri por muito tempo do sentimento de culpa, esta erva daninha que pode nos levar a outros males.
Fico arrasada quando julgo que cometi alguma ofensa ou injustiça e me apresso a pedir perdão.
Se sou perdoada, melhor pra mim, que me alivio do sofrimento e ganho maior admiração por quem me perdoou e melhor também pra pessoa que soube me perdoar, porque ela também se sente mais leve, mais feliz por conceder o perdão e, também, por descobrir que quem a magoou é gente do bem. Quantas amizades se reforçaram depois de um desentendimento ou de um desequilíbrio emocional?
Precisamos ser mais tolerantes com nossos desacertos, pra ter a capacidade de nos perdoar e mais humildes pra conseguir pedir perdão.
Não rezo ave-maria, nem padre-nosso, mas costumo orar, conversar com Deus sobre meus medos, minhas fraquezas. Peço ajuda a ELE pra não me deixar cair em tentação. Amém.
Lou
Micaldas
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