CRÔNICAS DA LOU
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Esta crônica com minhas recordações foi inspirada na lei que quer estatizar a educação das crianças no seio da família, enquanto a deseducação e o descumprimento das leis que regem o ensino nas escolas públicas estão abandonados! Sinto saudade das criancices bem vividas,
Sinto, sim, saudade daquela época. Éramos 5 filhos. Sentia amor e respeito. Confiava nos meus pais e nas suas intenções. Sempre os castigos eram seguidos de algum conselho, ou explicação, quando fosse necessário. É claro que nenhuma criança gosta de ficar de castigo nem de levar palmadas. Mas depois de adulta, vem aquela saudade da ligação familiar, incluindo as brigas entre irmãos e atritos com nossos pais. Mauricio, meu irmão, tinha uns 6 anos e havia aprontado alguma. Minha mãe falou pra ele: venha já aqui que vou lhe dar uma palmada. E ele veio se virou de costas, com a bundinha empinada pra trás, esperando a palmada que mamãe não conseguiu dar... À proporção que os mais velhos iam crescendo, as palmadas deixavam de existir pra eles. Uma usava o vestido da outra sem pedir... E isto era um erro grave em nosso tratado, mas que sempre cometíamos e que era motivo pra repetidas brigas. Meu pai entrou no quarto, nervoso, com o rosto vermelho, dizendo que não estávamos respeitando nossa mãe que estava de cama. E nós, ainda gritando, começamos a nos defender, acusando umas às outras. Ele tirou o cinto da calça. Nós nunca imaginamos uma cena daquela: apanhar de cinto pela primeira vez?? E o mais surpreendente viria depois. Aconteceu que as calças dele caíram - ele em casa, não usava cueca, ficou pelado. Diante daquela cena, começamos a rir às gargalhadas. Ele, rapidamente, levantou as calças e, com os olhos cheios de lágrimas, explicou que tirou o cinto só pra nos assustar, e disse, com a voz embargada, que nossa mãe precisava dormir... Aí, nós três o abraçamos, tentando consolá-lo e ele nos retribuiu... A cena engraçada se tornou comovente. Sentimos o quanto nosso pai nos amava e amava nossa mãe. E o quanto nós os amávamos. Dá pra esquecer? Outra cena inesquecível: mamãe perdeu a paciência com a Zeca e deu-lhe uns tabefes nos braços... Em ato instintivo a Zeca se defendia com as mãos, porém pegou de mau jeito no pulso da mamãe. Pronto! A Zeca foi cuidar do "ferimento", chorando e pedindo desculpas... Mais um fato marcante: Eu já tinha 18 anos. Naquela época, moça direita não chegava tarde em casa. Mas eu já trabalhava no Jornal do Brasil e, muitas vezes, saía de lá depois das 7 horas da noite. O meu namorado foi me buscar de ônibus... Fomos a uma pizzaria na rua Hadock Lobo, ali mesmo, pertinho de casa, na Tijuca. Minha mãe, deitada na cama, lia; meu pai, nervoso, andava pela casa arrastando o chinelo...; minhas irmãs, assustadas com a demora. Eis que chego em casa, toda lampeira, por volta da meia-noite. Vou direto pro quarto. Ele veio atrás de mim, me censurando, parecia uma fera! Não aceitei a reprimenda e disse que não havia motivo pra ele brigar comigo. Não era mais criança... Nem pude terminar e ele me interrompeu, falando mais alto. Minha mãe, deitada nua (não havia ar condicionado e o calor era infernal), enrolou-se no lençol e veio ver o que estava acontecendo. Ela se meteu no meio, pra evitar que ele me batesse, pois estava ficando bravo com minhas respostinhas... Aí, ela foi segurá-lo e o lençol caiu. Dessa vez foi ela que ficou pelada. Pronto, começamos a rir. Ela se abaixou pra apanhar o lençol, mas ele tornou a cair. Foi uma outra luta: mamãe não sabia se segurava o lençol ou segurava o papai... Então, a gargalhada foi geral. Ah, tem outra! Voltando no tempo. Eu devia ter uns oito anos. Estávamos jantando e eu não queria provar o suflê de chuchu. Meu pai insistia mas eu resistia: não e não! Quando acabou o jantar, meu pai desceu e comprou balas, docinhos de leite e sorvete pra todos nós. "A PALMADA" Um dia fui malcriada, Lou Micaldas |
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Consternação geral. Estamos todos de luto por dois motivos: o primeiro, a morte escabrosa de uma jovem “dita de vida fácil” para os que a julgam assim, sem se darem conta do quanto pode ser doloroso vender o corpo, sofrer agressões e humilhações pra tentar conseguir uma vida financeira estável. Não menos triste, o segundo motivo é ver um profissional do esporte, ídolo nacional e internacional, com promissora carreira pela frente, encerrá-la tão tragicamente. O esporte sempre foi um meio de disseminar a educação. No ensino primário, as escolas públicas utilizavam as competições esportivas nas aulas de educação física. Fazia-se campeonato de vôlei, de bandeira, de passa bastão, dança dos arcos, etc. Com a decadência da educação, saíram do currículo as aulas de Educação Física e de Educação Moral e Cívica. E no pátio, antes de entrarem em sala, os alunos cantavam o Hino Nacional. Conforme a data, eram entoados os hinos da Bandeira ou da Independência, ou do Dia do Soldado, ou da Proclamação da República, perfilados e separados por série, acompanhados pela professora. Pode parecer uma frescura, hábitos antigos, uma perda de tempo. Mas não é. Assim, os alunos das escolas públicas obtinham um ensino básico de excelência e eram preparados pra se tornarem cidadãos. O amor e o respeito à pátria se constrói nas Escolas. Os professores eram amados e respeitados por serem devidamente preparados em Escolas Normais. De que adianta obrigar os candidatos ao magistério a fazer faculdade, se as entidades não ensinam pedagogia, técnicas de Educação, metodologias de cálculos e da língua portuguesa, matérias fundamentais para se obter êxito nos resultados e base para entrar no segundo grau e posteriormente nas faculdades, sem precisarem entrar pela janela com a tal das cotas? Nas Copas Mundiais, uma onda de patriotismo extremo beira uma patologia, transformando-se em verdadeiras guerras entre nações: bandeiras são desfraldadas, enroladas nos corpos motivadas pelos jargões da imprensa escrita, dos locutores esportivos, dos âncoras de telejornais, das propagandas de carros a brinquedos infantis, de cerveja. Aliás, cerveja combina com esporte? E o pior: é razoável provocar adversários, utilizando-se a cerveja como símbolo ligado à picuinha esportiva? É ética esportiva cultivar richas entre hermanos? Ficou evidente que os sucessivos campeonatos internos e os inúmeros torneios com seus variados.apelidos: Taça Guanabara, Taça Carioca, Taça Nacional, Paulista..., Copa América, Copa Européia, Latina, etc., com o fim de ganhos financeiros, prejudicaram o nível dos atletas. Eles vem baixando à medida que a qualidade dos jogos vem caindo, vertiginosamente, em troca de resultados "táticos".Perderam em arte, com menos liberdade de criação e mais bordoadas... A agressividade é contagiante. Se os locutores incitam à luta, em forma de guerra, onde a arma mortífera é a chuteira, e a malandragem é a arma branda, o que podemos esperar de jovens, a maioria carente, que saíram de comunidades onde imperam as armas, as drogas ilícitas, e o domínio do poder pertence aos chefes do tráfico? Os termos usados são agressivos: duelo, mata-mata, mata a bola, tiro certeiro, etc.. Cadê o espetáculo? Onde estão os craques, aqueles que surgem das peladas nas comunidades? E não faltam as marias-chuteiras que os seduzem pra dar-lhes o golpe da barriga. Elas, também, são quase sempre moças de origem humilde, vítimas dos maus exemplos que deram certo. Os ídolos da música, das TVs e do cinema também se tornaram presas fáceis pra esta geração de meninas que se submete a orgias, engravida e depois enriquece exigindo altas pensões. Algumas conseguem êxito e se tornam donas de programa de TV, artista de novela, apresentadoras de programas; e outras, simplesmente, saem de seus casebres e se casam com altos empresários. Quem são os culpados? Quem são as vítimas? Os que morrem perdem a chance de viver uma vida com possibilidade de ser feliz, com menos dinheiro e mais amor. Os que cometem crimes perdem a liberdade, são execrados. E os que escorregam, mas teriam chance de se recuperar, conforme a mídia se encarrega de denegrir sua imagem, rouba-lhes a oportunidade de se salvarem e de retomarem o caminho do bem pra alcançarem ascendência a uma sociedade que eles tanto almejavam. Lou
Micaldas |
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Quando era criança, havia aula de religião nas escolas públicas.
E minha professora ia vestida como se fosse uma freira, sei lá, nem sabia o que era ser virgem. Precisamos ser mais tolerantes com nossos desacertos, pra ter a capacidade de nos perdoar e mais humildes pra conseguir pedir perdão. Lou
Micaldas |
Revisão : Anna Eliza Führich
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