21 DE ABRIL

BRASÍLIA, ELES NÃO PRESTAM
MAS EU TE AMO!

Autor: Ógui Lourenço Mauri

EU VI BRASÍLIA
Autora: Magdalena Léa


BRASÍLIA, ELES NÃO PRESTAM
MAS EU TE AMO!

Ógui Lourenço Mauri

Cinquentona, com traços de menina,
Sempre mais linda ao avançar na idade.
"Ex-Capital da Esperança" fascina;
Hoje, és a "Capital da Realidade".

Tens na classe política um entulho,
Moradores de três dias por semana.
Deixa, porém, túrgido teu orgulho...
Teu brilho, nenhum político empana.

Brasília, eles não prestam mas eu te amo!
Encantas o forasteiro enciumado,
És obra de JK que eu aclamo,
O sonho de Dom Bosco realizado.

Salve, teus verdadeiros habitantes!
Legião de labores ininterruptos,
Que refuta os acenos aliciantes,
Mesmo no meio de tantos corruptos.

Brasília, eles não prestam mas eu te amo!
Tua viva História massacra os escândalos...
Pois teu povo não é do mesmo ramo
Que se ajusta aos políticos e vândalos.

Desde Juscelino, plena de glória,
Quanto mais te conheço, mais me inflamo.
Tua beleza singular é notória...
Brasília, eles não prestam mas eu te amo!

Autor: Ógui Lourenço Mauri
Catanduva (SP), 21 de abril de 2010.

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BRASÍLIA

Eu vi Brasília!
A cidade menina!
A cidade criança!
A cidade milagre!
A cidade esperança!
Eu vi Brasília!
Ritmo e aceleração
Retalham-se terras nuas
Em avenidas e ruas.
Lastra-se a obra em projeto,
Os gigantes de concreto
Pipocando no sertão,
E sangra a terra vermelha.
Rubra como centelha,
Evola-se fina poeira
Em torno da construção.
Eu vi Brasília!
De noite como de dia,
Sua bárbara melodia
Ecoando na amplidão.
Sinfonia do trabalho:
Cantam pedras, tinem ferros,
Martela sonoro o malho,
Nos longes atroam berros,
Geme esmagado o cascalho
Sob o rolo compressor,
Rangem máquinas, turbinas,
Metralha um britador,
Zunem e silvam usinas,
Trepidam rodas na estrada.
Por todo o imenso planalto,
Geme na voz de contralto,
A sereia agoniada.
Gritos, apitos, descargas,
Guindastes levantam cargas,
Estrepitam caminhões,
Despejando aos cem, aos mil,
Para intérminos serões,
Trabalhadores da noite
Enquanto dorme o Brasil.
Enquanto, na noite, dorme,
Tranqüilo o Brasil enorme,
Brasília está desperta.
Brasília não dorme não,
Pulsa, palpita, lateja
Como um grande coração.
Eu vi Brasília ao luar!
Naquela vasta amplidão
De horizontes sem montanha, avultam - visão estranha - Esqueletos de armação,
Assim imensos, distantes,
Como fantasmas gigantes.
E, no veludo da noite,
À luz da lua azulada
Qual rara jóia cintila
O Palácio da Alvorada.
Eu vi Brasília
A Cidade menina!
A cidade criança!
A cidade milagre!
A cidade esperança!

Quando Magdalena Léa conheceu Brasília, ainda em construção; no ano de 1959, o Lago Paranoá, criado artificialmente para amenizar o clima seco da região, era apenas um enorme buraco. Logo que chegou ao Hotel Nacional, ela escreveu o Poema: "EU VI BRASÍLIA".

O poema está publicado no livro "A Criança Recita" - Editora Minerva- 1960 - 3ª Edição RJ - e em outras edições do livro utilizados nas escolas de declamação.

Autora: Magdalena Léa

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