16 DE MAIO

DIA DO GARI


(Os garis surgiram para limpar as sujeiras naturais.
Exemplos: folhas das árvores, poeiras, pedras, etc.

Os mal educados jogam as suas sujeiras no chão
achando que os garis existem para servi-los.)

DIA DO GARI
Autor: Rivaldo Cavalcante

'O HOMEM TORNA-SE TUDO OU NADA, CONFORME A EDUCAÇÃO QUE RECEBE'
Autor: Plinio Delphino
Enviado por: José Carlos

GARI NÃO É LIXO
Autor: Rivaldo Cavalcante

QUEM SÃO OS GARIS?
Autor: não mencionado

O GARI
Autor: Manoel de Almeida

GARI COM MESTRADO
Autor: Luiz Eduardo Farias


DIA DO GARI

Garis. Quem são eles? Quais os seus nomes?
(?)

Garis são esses homens e mulheres anônimos aí da imagem, que passam o dia vasculhando as ruas, à cata de entulhos, retirando o lixo.

Compenetrados, cabeças baixas, tentando esconder-se dos olhares de pessoas que passam, atentos ao que estão fazendo em nosso benefício, eles apenas trabalham.

Sempre os encontramos, inclusive nos veículos coletores de lixo. Mas eles passam despercebidos, como se fossem apenas sombras, pessoas excluídas, nojentas.

Enfrentando intempéries, cães ferozes, perigos de contaminação com cortes de cacos de vidros, contaminações do lixo hospitalar e outros tipos de desgraças, eles nos prestam um inestimável serviço.

Somos ingratos com esses laboriosos e silenciosos trabalhadores do nosso quotidiano. Eles também são Brasileiros, minha gente...

Nunca nos aproximamos deles. Vemo-los como se fossem portadores de doenças transmissíveis pelo simples olhar, pelo sorriso, pelas mãos calejadas, pelas roupas às vezes surradas e sujas.

Nunca os cumprimentamos, com medo de comprometermos nossa imunidade ou identidade e superioridade pessoal.
(Isto se chama ingratidão (petulância) social)

Da próxima vez que você tiver oportunidade, dê um bom dia para o gari. Pois os garis são brasileiros e brasileiras.

Não são escravos. Este gesto não fará esse humilde trabalhador mais rico ou mais pobre, mas asseguro-lhes que tocará direto no fundo do seu coração, por ter sido considerado uma pessoa.
Sem esse trabalho humilde nossas ruas, praças e logradouros seriam imundos.
Pois é! O gari é uma pessoa, um irmão em Cristo, que nos quer todos irmãos.
 
(Essa máxima de Jesus precisa ser verdadeira e não da boca pra fora)

Autor: Rivaldo Cavalcante


'O HOMEM TORNA-SE TUDO OU NADA, CONFORME A EDUCAÇÃO QUE RECEBE'
'Fingi ser gari por 1 mês e vivi como um ser invisível'

Psicólogo varreu as ruas da USP para concluir sua tese de mestrado da 'invisibilidade pública'. Ele comprovou que, em geral, as pessoas enxergam apenas a função social do outro. Quem não está bem posicionado sob esse critério, vira mera sombra social.

O psicólogo social Fernando Braga da Costa vestiu uniforme e trabalhou um mês como gari, varrendo ruas da Universidade de São Paulo. Ali, constatou que, ao olhar da maioria, os trabalhadores braçais são 'seres invisíveis, sem nome'. Em sua tese de mestrado, pela USP, conseguiu comprovar a existência da 'invisibilidade pública', ou seja, uma percepção humana totalmente prejudicada e condicionada à divisão social do trabalho, onde enxerga-se somente a função e não a pessoa. Braga trabalhava apenas meio período como gari, não recebia o salário de R$ 400 como os colegas de vassoura, mas garante que teve a maior lição de sua vida: 'Descobri que um simples bom dia, que nunca recebi como gari, pode significar um sopro de vida, um sinal da própria existência', explica o pesquisador.

O psicólogo sentiu na pele o que é ser tratado como um objeto e não como um ser humano. 'Professores que me abraçavam nos corredores da USP passavam por mim, não me reconheciam por causa do uniforme. Às vezes, esbarravam no meu ombro e,
sem ao menos pedir desculpas, seguiam me ignorando, como se tivessem encostado em um poste, ou em um orelhão', diz. No primeiro dia de trabalho paramos pro café. Eles colocaram uma garrafa térmica sobre uma plataforma de concreto. Só que não tinha caneca. Havia um clima estranho no ar, eu era um sujeito vindo de outra classe, varrendo rua com eles. Os garis mal conversavam comigo, alguns se aproximavam para ensinar o serviço. Um deles foi até o latão de lixo pegou duas latinhas de refrigerante cortou as latinhas pela metade e serviu o café ali, na latinha suja e grudenta. E como a gente estava num grupo grande, esperei que eles se
servissem primeiro.

Eu nunca apreciei o sabor do café. Mas, intuitivamente, senti que deveria tomá-lo, e claro, não livre de sensações ruins. Afinal, o cara tirou as latinhas de refrigerante de dentro de uma lixeira, que tem sujeira, tem formiga, tem barata, tem de tudo. No momento em que empunhei a caneca improvisada, parece que todo mundo parou para assistir à cena, como se perguntasse: 'E aí, o jovem rico vai se sujeitar a beber nessa caneca?' E eu bebi. Imediatamente a ansiedade parece que evaporou. Eles passaram a conversar comigo, a contar piada, brincar.

O que você sentiu na pele, trabalhando como gari?
Uma vez, um dos garis me convidou pra almoçar no bandejão central. Aí eu entrei no Instituto de Psicologia para pegar dinheiro, passei pelo andar térreo, subi escada, passei pelo segundo andar, passei na biblioteca, desci a escada, passei em frente ao centro acadêmico, passei
em frente a lanchonete, tinha muita gente conhecida. Eu fiz todo esse trajeto e ninguém em absoluto me viu. Eu tive uma sensação muito ruim. O meu corpo tremia como se eu não o dominasse, uma angustia, e a tampa da cabeça era como se ardesse, como se eu tivesse sido sugado. Fui almoçar, não senti o gosto da comida e voltei para o trabalho atordoado.

E depois de um mês trabalhando como gari? Isso mudou?
Fui me habituando a isso, assim como eles vão se habituando também a situações pouco saudáveis. Então, quando eu via um professor se aproximando - professor meu - até parava de varrer, porque ele ia passar por mim, podia trocar uma idéia, mas o pessoal passava como se tivesse passando por um poste, uma árvore, um orelhão.

E quando você volta para casa, para seu mundo real?
Eu choro. É muito triste, porque, a partir do instante em que você está inserido nessa condição psicossocial, não se esquece jamais. Acredito que essa experiência me deixou curado da minha doença burguesa. Esses homens hoje são meus amigos. Conheço a família deles, frequento a casa deles nas periferias. Mudei. Nunca deixo de cumprimentar um trabalhador. Faço questão de o trabalhador saber que eu sei que ele existe. Eles são tratados pior do que um animal doméstico, que sempre é chamado pelo nome. São tratados como se fossem uma 'COISA'.
*Ser IGNORADO é uma das piores sensações que existem na vida!

Autor: Plinio Delphino
Enviado por: José Carlos



GARI NÃO É LIXO

Pense num trabalho ingrato e sujo!
Garis são esses homens que passam dia e noite vasculhando as ruas, à cata de entulhos.
Compenetrados, cabeças baixas, tentando esconder-se dos olhares de pessoas que passam, atentos ao que estão fazendo, no nosso benefício, eles apenas trabalham.
Sempre os encontramos, inclusive nos veículos coletores de lixo.
Mas eles passam despercebidos, como se fossem apenas sombras, pessoas excluídas e invisíveis, enfrentando intempéries, cães ferozes, perigos de contaminação com cortes de cacos de vidros e produtos ácidos, contaminações do lixo hospitalar e outros tipos de desgraças, eles nos prestam um inestimável serviço.
Somos desatenciosos com esses laboriosos e silenciosos trabalhadores do nosso cotidiano.
Nunca nos aproximamos deles.
Vemo-los como se fossem portadores de doenças transmissíveis pelo simples olhar, pelo sorriso, pelas mãos sujas e calejadas, pelas roupas surradas.
Não é tarefa fácil correr oito horas de dia ou de noite, no sol ou na chuva, atrás de um caminhão coletor do nosso lixo.
Pense na sua residência sem coleta de lixo!
Faça uma experiência. Deixe-a com lixo acumulado durante apenas quinze dias.
Depois me conte o resultado.
Nunca os cumprimentamos, com medo de comprometermos nossa imunidade ou identidade pessoal.
Talvez eu até já tenha pensado: que me importa o lixeiro!
Entretanto, eles têm sentimentos, famílias, religiosidades, falam, sofrem, sorriem,
sonham com uma vida melhor.
Têm fé e esperança nos seus corações de seres humanos.
Da próxima vez que você tiver oportunidade, dê um bom dia para o gari.
Este gesto não fará esse humilde trabalhador mais rico ou mais pobre, mas, asseguro que tocará direto no fundo do seu coração, por ter sido considerado uma pessoa. Por ter sua presença notada.
O gari é nosso irmão em Cristo, que nos quer todos irmãos.
(Esta máxima de Jesus precisa ser verdadeira e não da boca pra fora)

Autor: Rivaldo Cavalcante


QUEM SÃO OS GARIS?

No Brasil, os garis são os profissionais da limpeza que recolhem o lixo das residências, indústrias e edifícios comerciais e residenciais, além de varrer ruas, praças e parques. Também capinam a grama, lavam e desinfetam vias públicas.

Apesar de imprescindíveis para a manutenção da limpeza das cidades, o gari quase sempre passa despercebido nas ruas. As pessoas costumam considerar o trabalhador braçal apenas como sombra na sociedade, seres invisíveis, sem nome. O gari enfrenta o drama da “invisibilidade pública”, ou seja, uma percepção humana totalmente prejudicada e condicionada à divisão social do trabalho, onde se enxerga somente a função e não a pessoa.

Em Portugal, eram conhecidos como "almeida", em homenagem a um cidadão com Almeida no nome, que foi diretor-geral da limpeza urbana da capital portuguesa. O nome gari também é uma homenagem a uma pessoa que se destacou na história da limpeza da Cidade do Rio de Janeiro - o francês Aleixo Gary.

O empresário Aleixo Gary assinou contrato, em 11 de outubro de 1876, com o Ministério Imperial para organizar o serviço de limpeza da cidade do Rio de Janeiro. O serviço incluía remoção de lixo das casas e praias e posterior transporte para a Ilha de Sapucaia, onde hoje fica o bairro Caju.

Ele permaneceu no cargo até o vencimento do contrato, em1891. Em seu lugar, entrou o primo Luciano Gary.
A empresa foi extinta um ano depois, sendo criada a Superintendência de Limpeza Pública e Particular da Cidade, cujos serviços deixavam a desejar.

Em 1906, a superintendência tinha 1.084 animais, número insuficiente para carregar as 560 toneladas de lixo da cidade. Assim, da tração animal passou-se à tração mecânica, e depois ao uso do caminhão.

O GARI

O gari representa faxineiros e serventes...
Em seu lugar, as máquinas não têm a eficiência.
Se não feita pelo gari, a limpeza parece ausente.
O trabalho simples, requer ordem e paciência.

Repare no gari: - Parece um ser "imantado".
Apesar do mérito de seu serviço, é mal remunerado.
Sendo irrisório o seu ganho, sobrevive mal alimentado.
Mas com todas as dificuldades, o gari é educado...

É uma educação vinda de berço e da sua criação.
Com pouco estudo, o gari se sujeita à humilhação!
No Brasil, o salário mínimo é sinônimo de fome,
Que não sustenta a família e nem a um só homem!

Mais que um mero político, o gari merece respeito,
Para ele, ser honesto e trabalhar correto é normal.
Numa sociedade, os que assim procedem são aceitos.
Pena não haver ganho digno ao trabalhador braçal,
E, com todos os problemas, o gari leva à alegria geral!!!

Autor: Manoel de Almeida  (Manal)
* Copyright

GARI COM MESTRADO

"Concurso público para a seleção de 1.400 garis para a cidade do Rio já atraiu 45 candidatos com doutorado, 22 com mestrado, 1.026 com nível superior completo e 3,180 com superior incompleto, segundo a Comlurb (Companhia Municipal de Limpeza Urbana). Para participar do concurso, bastava ter concluído a quarta série do ensino fundamental."
(Folha de São Paulo – outubro de 2009)

Bom, nem sei por onde começar...
Confesso que fiquei alguns segundos tentando digerir a informação acima. E, para ser sincero, não sei qual é a melhor análise a se fazer sobre a notícia.
Vou tentar seguir uma explicação e espero que consiga argumentar bem a minha tese.

Estas pessoas mencionadas no texto teoricamente poderiam estar concorrendo a vagas com o nível de exigência bem maior. Porém, a opção pelo concurso da Comlurb é fruto, segundo eles, da falta de mercado em suas áreas e da segurança que um serviço público proporciona.
Vamos primeiro debater sobre as duas justificativas.

Por mais saturado que seja o mercado de trabalho, como é o caso do direito, não faltam vagas. As empresas, pelo contrário, sentem dificuldades de contratarem profissionais. No entanto, a exigência é grande e o simples fato de ter um diploma não garante a qualificação do sujeito. Muitas profissões procuram pessoas com conhecimento em informática, em língua estrangeira, com boa bagagem cultural e/ou elementos pessoas como liderança, bom relacionamento inter-pessoal etc.
Em resumo, o desemprego é fruto da falta de qualificação. Pessoas capacitadas, se desempregadas, estão procurando emprego no lugar errado. Vagas não faltam.
Só para finalizar, como citei o caso do direito... quantos concursos públicos são realizados durante o ano nesta área? Inúmeros, não! Mesmo que não seja no direito, dezenas de concursos públicos são feitos todos os anos para a contratação de pessoas em nível superior.

Este último ponto nos leva a segunda justificativa: a estabilidade no emprego.
Concordo que a estabilidade no trabalho é uma das grandes conquistas que o trabalhador pode ter. Afinal de contas, sair de casa para trabalhar e não saber se você será o próximo da lista é altamente estressante.
Para quem não quer viver esta situação o setor público é o paraíso. De lá você só sai se fizer muita força. E só entra se tiver competência.
Não é difícil passar num concurso. Se a pessoa tiver um bom histórico escolar e estudar um pouco é o suficiente.
E este último ponto é exatamente o que quero sublinhar.

Chamo a atenção pra você, leitor que me atura, pensar comigo... se uma pessoa tem um doutorado significa que ele passou no mínimo do mínimo 8 anos tendo contato com professores do primeiro time – a elite do magistério do país. Este doutor persegue a vaga de gari... Então eu faço a seguinte indagação: todos os professores que passaram em sua vida foram incompetentes na sua missão de ensinar ou este aluno fracassou e provavelmente passou a trancos e barrancos até conseguir o diploma de doutor?

Quando eu digo fracassou não é um menosprezo pela profissão de gari... longe disso. Só não dá pra entrar na minha cabeça como pode uma pessoa estudar quase 20 anos da sua vida pra limpar o lixo da cidade.
Talvez a resposta esteja, em parte, para um breve relato sobre a minha vida na universidade.
Como alguns de você já sabem, estudei numa faculdade particular. E assinando embaixo do que disse um reitor de uma destas faculdades, o aluno da faculdade particular chega em um nível menor do que o seu colega da pública. O trabalho dos professores é mais árduo e deve ser feito mais rápido a ponto de que passados 4, 5 ou 6 anos este aluno tenha o mesmo nível do seu colega da pública.
Para encurtar a questão, preciso dizer que no último período da faculdade era comum ter alunos na minha turma que não sabiam escrever uma redação, interpretar corretamente um texto e/ou elaborar um argumento convincente para defender uma hipótese.
Mais do que isso, muitos deste ganharam o diploma deste jeito, apresentando monografias medíocres.

Mais do que isso, tenho uma colega de faculdade que fez pós-graduação em seguida e me "contratava" para elaborar resenhas de livros pra ela. E não é porque ela não tinha tempo pra fazer... é porque não sabia mesmo.
Tive professores excelentes no ensino superior. Acho que aqueles que se esforçaram conseguiram "sugar" o máximo deles. Porém, outros preferiram empurrar com a barriga e pegar o diploma no fim do curso. Para muitos pode parecer loucura mas passar de perídodo na faculdade é tão fácil como passar de ano no ensino básico. Não tem muita diferença... passam quase todos, inclusive os incopetentes.
Enfim, para concluir o raciocínio, tento insistir em dizer que o baixo nível do alunado, em todos os segmentos de ensino - do primário ao doutorado -, não é resultado direto da ação no magistério. Se fosse, não haveria doutores procurando emprego para gari.

Volto a afirmar, o insucesso do aluno não pode ser debitado na conta dos professores, nem mesmo nas instituições de ensino. A maior parte da responsabilidade deve ser atribuída a particularidades da pessoa, seja alguma dificuldade de aprendizado, seja desinteresse ou qualquer outra coisa que, diferente de como os pedagogos querem nos enfiar pela goela, o professor tem poucas ferramentas para reverter.

O professor de faculdade não pode ensinar um aluno a fazer uma resenha, assim como eu não posso ensinar a meus alunos como se lê ou escreve B+A=BA.
O professor de faculdade não pode impedir que seu aluno pense que deveria estar no bar tomando cerveja, assim como eu não posso evitar que meus alunos prefiram estar em casa jogando Playstation.
Em resumo, não podemos lutar contra as individualidades. Por mais que eu fique 386 anos numa escolinha de futebol, nunca chegaria aos pés de um jogador razoável. Por mais que eu tivesse o Picasso como professor, nunca pintaria uma tela tão melhor do que um macaco.

Cada um de nós nasce com uma aptidão para certas áreas. Por melhor que eu seja, nunca terei uma turma com todos os alunos aprendendo História. Isto porque é impossível que todos tenham facilidade com a leitura e escrita (fundamentais para se entender e "fazer" História). O que a escola de hoje me impõe é a exclusão daqueles alunos que não aprendem, seja pela repetência ou pela evasão.
O que talvez os pedagogos de hoje possam fazer, em vez de tentar humilhar o magistério, é imaginar uma escola que consiga se moldar aos alunos, oferecendo atividades que vão ao encontro das habilidades da criança. Se esta escola existisse, talvez aqueles doutores não tivessem perdido tanto tempo de suas vidas e já estariam hoje, felizes, varrendo o calçadão de Copacabana.

Autor: Luiz Eduardo Farias

Webdesigner: Lika Dutra

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