DIA DO IDOSO

1º DE OUTUBRO

OS QUE ESTÃO VIVOS E OS MORTOS

APOLOGIA À VELHICE - MEUS 80 ANOS

DIA DO IDOSO - CRESCER ATRAVÉS DO SOFRIMENTO

JANEY CUTLER: NUNCA É TARDE PRA COMEÇAR!

NUNCA É TARDE


OS QUE ESTÃO VIVOS E OS MORTOS

No fundo estamos condenados ao mistério. As pessoas dizem, eu gostaria de sobreviver além da minha materialidade... Eu não acredito que vá sobreviver, mas, pelo menos na memória dos outros, você sobrevive. Vivi intensamente isso com a perda da Ruth. Olhando para trás, é claro que ela estava com um problema grave de saúde. Apesar disso fizemos uma viagem longa e fascinante à China. É como se o problema não existisse. A gente sabe que um dia vai morrer e, no entanto, vive como se fosse eterno.

Depois da morte de Ruth e, mais recentemente, de outros amigos, como Juarez Brandão Lopes e Paulo Renato, eu me habituei a conversar com os que morreram. Não estou delirando. Os mortos queridos estão vivos dentro da gente. A memória que temos deles é real. À medida que vamos ficando mais velhos, convivemos cada vez mais com a memória. Conversamos com os mortos. Por intermédio da Ruth, passei a lembrar mais dos outros que morreram, dos meus pais, meus avós. Os que morreram e nos foram queridos continuam a nos influenciar. O que não há mais é o contrário. Não podemos mais influenciá-los.

Eu não penso na morte. Sei que ela vem. Já senti a morte de perto. Não em mim. Senti a morte de perto nos meus. E procuro conviver com ela através da memória. Os que se foram continuam na minha memória e eu converso com eles. Minha mãe, meu pai, minha avó, minha mulher, meu irmão, meus amigos que se foram são meus referentes íntimos. Tudo isso constitui uma comunidade – posso usar a palavra – espiritual, que transcende o dia a
dia. Então, a morte existe, ela é parte da vida, é angustiante, não se sabe nunca quando ela vai ocorrer. Eu só peço que ela seja indolor. Não sei se será.

Ninguém sabe como e quando vai morrer. Pessoalmente, tenho mais medo do sofrimento que leva à morte do que da morte propriamente dita. Se não é possível ter a pretensão utópica de sobreviver como pessoa física, é possível ter a aspiração de viver na memória, começando por conviver com a memória dos que se foram. Isso tem alguma materialidade? Nenhuma. Isso é científico? Não é. Mas é uma maneira de você acalmar sua angústia existencial.

SENTIDO DA VIDA

Aos 80 anos creio que cada um cria o sentido de sua vida. Não há um único sentido. Isso é muito dramático. Cada um tem que tentar criar o seu sentido. Nesse ponto os existencialistas têm razão. É muito angustiante. Tem uma dimensão da existência que é inexplicável. Ou você consegue conviver com isso no dia a dia sem apelar para a transcendência – digo no dia a dia porque, de vez em quando, todo mundo apela... – ou você tem que criar algum sentido para justificar, se não explicar, o sentido das coisas.

Eu criei, imagino que sim. Achei que devia ter uma ação intelectual para entender e para mudar o Brasil. Na verdade é isso que eu queria, mudar as condições de vida no Brasil. A literatura me influenciou muito, sobretudo a nordestina, José Lins do Rego, Graciliano Ramos, Jorge Amado. Depois as Vinhas da Ira, de John Steinbeck, sobre a revolta social na América da Grande Depressão. Ou mesmo Roger Martin Du Gard com Os Thibault e, já noutra direção, André Gide e, também, a metafísica de A montanha mágica, de Thomas
Mann. Esse caminho da literatura me contagiou e me levou à política.

Passei a vida inteira tentando entender melhor a sociedade, os mecanismos que podem levar a uma sociedade mais decente, como digo hoje, não apenas mais rica, e sim mais decente. Tem que haver, é claro, algum grau de riqueza, senão a miséria, a escassez, predomina e então não se tem nem liberdade nem igualdade. A escassez é a luta, a guerra pela sobrevivência. Tem que haver um certo bem-estar material. Além disso, porém, é preciso criar uma condição humana de dignidade, de decência, de aceitação e respeito pelo outro.

Tentei entender isso do ponto de vista intelectual e fazer a mesma coisa do ponto de vista político. Então acho que dei um certo sentido à minha vida. Esse sentido tem que ser dado por cada um. Não está dado que todos tenham que ter o mesmo sentido e haverá quem nunca encontre sentido na vida e fique batendo cabeça. "Quando se vai ficando velho e, portanto, mais maduro, você tem que valorizar mais a felicidade, a amizade, essas coisas que, no começo da vida, parecem secundárias."

Essa angústia vai ser permanente. Não tem solução. É parte da condição humana. Não sabemos de onde viemos, não sabemos para onde vamos. Tampouco sabemos por que e para que estamos aqui. O que não podemos é deixar que essa angústia da morte e da ausência de um destino claro nos paralise. Cada um tem que inventar sua resposta. Cada um tem que dar sentido à sua vida. Ela não tem sentido em si. Esse sentido não está dado. Cada um tem que construir o seu sentido. E vai sofrer para encontrar. Uma resposta está no próprio convívio com os outros. Inclusive com os mortos. Talvez isso arrefeça um pouco a angústia. Não se vive sem amizade, sem amor, sem adversidade.

Quando se vai ficando velho e, portanto, mais maduro, você tem que valorizar mais a felicidade, a amizade, essas coisas que, no começo da vida, parecem secundárias. Você continua querendo mudar o mundo, mas sabe que as pessoas contam. Embora eu tenha sempre me definido como mais intelectual do que como político, na verdade minha vida foi muito mais dedicada ao público. Isso vem da minha ancestralidade, da minha convivência familiar. O sentido, para mim, sempre consistiu em buscar fazer alguma coisa que mude a situação mais ampla do que a minha própria Nunca fui uma pessoa voltada em primeiro lugar para alcançar o meu bem-estar. Eu tenho bem-estar. Diria que quase sempre tive bem-estar. Mas esse não foi o meu valor.

Mesmo em termos subjetivos, a ideia de felicidade, nunca busquei com denodo a felicidade pessoal. Eu a tive de alguma forma, nunca me senti infeliz. Eu me dediquei muito mais a ver a situação dos outros. De uma maneira modesta, sem proclamar. Nunca andei proclamando, sou solidário, sou do bem. Mas levei a vida inteira pensando no mundo, pensando na sociedade, pensando nas pessoas, nos outros. O sentido que dei à minha vida foi construir isso.

Autor: Fernando Henrique Cardoso - A soma e o resto


Apologia à velhice - Meus 80 anos

Consegui enganar o tempo, a vencer as doenças, superar os desenganos,
comemorei as vitórias, velejei no barco da vida e cheguei aos oitenta anos; com uma disposição e vontade imensas para seguir em frente.

Abracei o vento, beijei a lua, galopei a estrela D'Alva, toquei no coração do sol, andei descalço sobre o oceano, senti o frescor da brisa da madrugada, senti saudades vendo o lânguido ocaso esconder-se!

Senti o aroma de uma rosa, chamada flor, brinquei com os pássaros, corrigi erros, agradeci a Deus as vitórias e consegui chegar aos oitenta anos.

Neste ápice da minha vida, não guardo rancores, não tenho queixas, não tenho inimigos ou desafetos. Bendigo o esplendor das alvoradas e o trajeto vagaroso do por do sol, que tanto me emocionam. Rendo graças a Deus pelo que meus olhos enxergam e minha boca saboreia.

E pelos milagres das minhas mãos e pés. Meu coração bate palmas à minha vida longeva!

Não me rotulo de velho quadradão. Mas de ancião alegre e afinado com a vida. Achando tudo bom e maravilhoso, no emaranhado lusco-fusco diário da modernidade.

Todas as idades são belas, com saúde, estabilidade social, harmonia no lar e, sobretudo, coragem para aceitar e ultrapassar os revezes. Nem sempre tudo é bonança. Há borrascas também, no nosso caminhar por este mundo.

Viver é um ato sagrado de amor. Desde que possamos colher os frutos de uma existência curta ou longa com dignidade. Durante nossa passagem pelas etapas da vida: infância, adolescência, mocidade, maturidade, chegamos ao topo da viagem através da velhice, ou mais docemente, da senectude. Etapa derradeira, onde se concentram os senões, os porquês e outras incógnitas solucionadas ou não.

Viver é brincar. Mas a vida em si não é uma brincadeira que possamos fazer dela um hobby de luxo. Por isto passamos pelas etapas iniciais, como se fosse uma faculdade na qual aprenderíamos a caminhar por suas retas e sinuosidades, com o menor prejuízo possível para nossa trajetória. Sempre com um rumo definido.

Quase não acreditei ao chegar aos 50 anos, quando publiquei a crônica: "Meio século...e agora?" Para mim foi uma espécie de apoteose subir tantos degraus e descer tantas ladeiras nessa trajetória vitoriosa. Depois nós todos ficamos pensando em como chegar aos 80 anos, com todas as mazelas que vão nascendo e criando raízes ao nosso derredor. As mais cruéis são as que atingem nossa saúde, outrora inabalável. Mas que à medida em que os anos decorrem, vão chegando de mansinho os sintomas de variadas transformações, pessoais e psicológicas. Afirmam que a idade não perdoa.

Não há como nos livrarmos dessa carga pesada, que temos que carregar à tiracolo. O casamento. A filharada. Os empregos. As tristezas. As alegrias e o inevitável desgaste físico que atrai as enfermidades inerentes ao tempo. E o tempo é cruel. Com ele ninguém pode brincar. E o jeito que temos é encontrar um modus-faciende de driblá-lo tanto quanto possível, para que cheguemos mais adiante no catálogo da nossa existência com vigor e lucidez.

Ao chegar aos 80 anos, inacreditavelmente, abro o leque da incredulidade e me questiono como tudo aconteceu. Paro silente para recordar e pensar. À que devo uma vida tão longa. 80 anos = 260 meses = 29.220 dias = 701.280 horas, pisando as abençoadas terras de Deus. Na plenitude do meu conhecimento e na maneira regrada de apreciar o belo, sem deixar me levar pelas leviandades que enlutam tantas criaturas; às vezes no despertar da existência ou mais adiante, sem dar tempo suficiente para elas desenvolverem seu potencial no emaranhado e competitivo mundo dos negócios civilizados e das obrigações domésticas.

Obrigado, meu Senhor, pelo tempo que já me deste. Sinto-me na plenitude do existir!

Não me tornei um idoso hipocondríaco ou melancólico nesse tempo todo. Procurei, sim, ver o lado belo da vida. Descobrir como fazer da vida um coquetel de vitórias, de superações, de esperanças e um altar de agradecimentos a Deus. Tenho repudiado quaisquer tipos de oferendas pecaminosas, que perturbem minha consciência. Fui e continuarei sendo um idoso folclórico, alegre, crítico, conformado com os achaques da idade, com sentido emotivo sempre aguçado para tudo quanto possa servir de lenitivo para meus semelhantes, com mãos firmes para ajudá-los.

Ao escrever estas linhas exorto todos os idosos e idosas, a saborearem o néctar da existência com garra, com alegria sem pieguices e na certeza de que os obstáculos que encontramos são tropeços que ocorrem numa viagem longa e às vezes exaustiva. Por isto nas idades anteriores à velhice aprendemos a garimpar o mapa da vida.

Juro como não é tarefa fácil comemorar 80 anos. Mormente quando temos que enfrentar muitas barreiras pessoais, ideológicas, a busca pelo aperfeiçoamento científico, para ter um emprego digno, para produzir resultados que mereçam elogios, que possamos traçar uma linha reta do princípio ao fim; na utilização dos instrumentos que a modernidade hoje disponibiliza para todos.

É preciso um equilíbrio de funções orgânicas, profissionais e mentais que permitam à nossa personalidade afinar-se em plenitude; para não escorregar nas beiradas das inconsequências. O mundo é rico e paga caro pela nossa colaboração honesta e desempenho profissionalizante proficiente. Mas precisamos dar de nós o melhor, independente de ovações ou não. Deus sempre está vendo nossas boas ou más intenções. Também tive muita sorte neste ponto. Procurei a sorte em todos os lugares possíveis e fui tateando, tateando até bem perto dela. Ninguém a possui plenamente! Não tenho do que reclamar.

Meu começo foi complicado. Filho abandonado pelo pai aos oito anos tive que abrir alas num mundo hostil onde pudesse acomodar os membros lassos. Com o passar dos anos, as difíceis arestas foram abrandando e consegui ir tão longe quanto estou chegando, no pleno gozo das minhas faculdades mentais, sentimentais, humanas e profissionais. Hoje me regalo com os amigos e amigas que tenho adquirido através da Internet. À quem agradeço os louvores e críticas que fazem ao meu trabalho, em união com os frutos de todos os internautas que comigo compartilham ideais, opiniões e dos seus carinhos.

O tempo entre o nascimento e o declínio fatal, é um grande anestésico que vai curando nossas feridas. Injetando dentro de nós um ópio chamado "coragem". Este produto não é vendido nas farmácias e nem tem contra indicações. Mas é preciso ser cultivado com afinco e persistência no grande mercado das oportunidades. Coragem para romper as barreiras das incompetências, dos medos, das fobias, dos despreparos para a vida.

Não repudio a velhice porque estou preparado para ela, aceito o grande desafio de envelhecer, enfrentando-a como quem descobre um tesouro debaixo de uma loca. A velhice também não me assusta. O que nos assusta é a aproximação do fim das nossas vidas, mesmo que estejamos aquém ou além dos 80 anos. Este é um paradoxo sem explicações e sem a bula para lermos as contra indicações.

A velhice necessita de uma sintonia fina para com ela conviver, sem os assombros dos achaques e desilusões que, aos poucos, vão se acumulando, porque oitenta anos é muito tempo para galgar na escada da vida. Não é a velhice em si que é triste, mas sim sua aproximação sorrateira e imaginar que dai para a frente só tem uma porta estreita que dá para uma viagem sem volta.

A grande poesia dessas idades provéticas é o sonho. O sonho do super poder, da super saúde, da super riqueza da super beleza e da felicidade. Difícil juntar tantas benesses ao mesmo tempo! E torcer para que todas deem resultados conjuntamente.
Afirma-se que os velhos saboreiam a vida sem as afoitezas da mocidade. Mas com a consciência do dever cumprido. Dificilmente um velho pratica o suicídio, diferentemente dos jovens que mutilam seus dotes e pendores com vícios perniciosos e descompromissos com suas próprias identidades de filhos de Deus.

É na velhice que acontece a reconstituição da vida, no seu esplendor maior; na calmaria e no silêncio dos íntimos de cada pessoa, que deixou para trás o folguedo da vida para observar o panorama dos finalmente. E é também nessa fase da existência que o ser humano se torna admirador do tempo antigo. Sempre ouvimos dos velhos: "No meu tempo não se praticavam tantos desatinos". "O meu tempo foi doce, calmo e singelo como o desabrochar de uma margarida". "No meu tempo fazia-se assim ou assado".

Tenho esse hábito de evocar o passado, como se esse retorno ao tempo antigo rebrotasse dentro de mim alguma felicidade. O que passou, passou! O mais importante quando descemos os últimos degraus é aproveitar a modernidade e nela mergulhar como um afoito mergulhador em busca das pérolas no fundo do mar.
É justamente nessa instância que compreendemos realmente que o passado não é o que passou, mas o que ficou dentro de nós de tudo que o vento levou.

A velhice tem a sua personalidade própria, diferentemente de todas as outras etapas. Esta é a lei geral entre as idades humanas. Elas possuem sua aurora, seu zênite e o seu crepúsculo. Não adianta querer retardar ou antecipar um desses momentos, porque isso faz parte do ser e nunca do querer. A velhice não se caracteriza como o fim da existência, como muitos ignorantes imaginam que seja. É uma fase igual às demais na sua razão de ser, na vitalidade mental e mesmo no equilíbrio psíquico. Isto significa dizer que ser velho não é está espreitando a morte pela fresta da janela. Em qualquer das outras idades podemos morrer. Tem até crianças que nascem mortas. O glorioso Santo Afonso de Liguorio nos adverte que a vida é sempre uma preparação para a morte. Por isto nunca devemos ter medo de viver a vida em plenitude.
Nunca procure entender a vida. Viva-a! Ela é simplesmente a vida!

Sinceramente afirmo aos meus seletos leitores que não me sinto um velho enrugado, acabado, amarfanhado e inutilizado num pé de parede, fumando um cigarro atrás do outro. Confesso-lhes que estou neste glorioso momentos dos meus 80 anos de idade, no auge dos 45 anos, sem máscaras, mágicas nem mentiras. Vejo-me e afirmo-me deste modo. A idade nós a fazemos interiormente ser bela, produtiva, procriativa ou, simplesmente, um frangalho, um zero à esquerda.Tantos jovens que tripudiam de suas juventudes, enveredando por maus caminhos, sempre com retornos impossíveis.

Deve-se viver pari-passu com a configuração da eternidade que espera todos nós do outro lado da linha demarcatória do templo da existência. Ninguém escapa, porque até este momento ninguém escapou, com exceção do milagre da ressurreição de Jesus Cristo. Isso porque todas as idades vão repercutir na idade senil. Evidencia-se, entretanto que sempre é obscurecido o tema morte; tudo vai depender de como aceitamos e vivemos nossa idade.
O grande segredo de termos, pelo menos, um pouco de felicidade é aceitarmos corajosamente o passar dos anos e as transformações que eles nos impõem, como condição sine qua non.

Cada vida é uma história com prefácio e epílogo, onde ficam gravadas nossas emoções, sucessos ou fracassos. Pode até ser uma história de dez linhas apenas. Conheço muitos idosos e idosas que vivem encostados no paredão da inércia, como nulos personagens atrelados a devaneios mórbidos, curtindo saudades e doenças. Cuidado para você não se transformar num desses desiludidos passageiros da agonia.

Epílogo:
Os velhos não ficam feios quando chegam aos limites das realidades,
ficam apenas diferentes dos padrões anteriores. Porém, o inteligente é não dar bolas!
Na velhice o passado ecôa forte e o futuro esconde-se nas brumas do desconhecido porvir.
Meus queridos idosos. Que vocês nunca sintam vergonha dos cabelos brancos, das rugas, do andar cambiante, da fala atrapalhada, das falhas ocasionais da memória e das reminiscências. Quando for necessário usem uma bengalinha.
Elas foram projetadas para ajudar. Façam caminhadas.
Melhor é vaguear à ermo, do que escutar a voz do vento sentados na beirada de uma calçada.

Pois é assim que a vida é! Não se pode ser jovem, bonito, aprumado e charmoso o tempo todo. Temos que nos conformar com as configurações que os anos nos impõem. Mas, mesmo assim, sintam-se jovens no vigor de suas possibilidades latentes, mesmo restritas. Não se incomodem quando não lhes for possível enfiar uma linha no buraco de uma agulha. Não fazer palavras cruzadas, Não participar de festas. Ou de atravessar uma rua no centro de suas cidades. Sem medo e sem vergonha peçam ajuda. Nunca tenham medo de ter medo! A vida em qualquer idade é uma apoteose tão bela e mágica quanto o esplendor do alvorecer. Descubra esse milagre!
Mas, tem também suas limitações necessárias.
E num momento qualquer a lâmpada se apaga. Será o fim!

Idosas e idosos, não vos apoquenteis pela vossa fragilidade se não podem mais carregar um botijão de gás. Mas rejubilai-vos por ostentar o brasão da vida longa. Admirável é vossa coragem para atravessar a nado, o oceano da vida; enfrentando calmarias e tempestades, mas firmes como as baraúnas das pradarias. Praticai o principal e nunca permitam que vossa Fé decline ao ponto de se extinguir do seus corações, nem a Confiança em Deus feneça, como fenecem os girasóis. Carreguem à tiracolo os tesouros de suas almas. Isto é o mais importante!
Zelem por vossas velhices como se fossem eternas juventudes e
deixem o resto por conta de Deus.

Valeram, Senhor, as experiências aprendidas nesses oitenta anos. Minha cabeça continua cheia de projetos, saudades, conhecimentos e agradecimentos, e não
cabe mais nem um parafuso. Melhor do que isto seria excesso!

Autor: Rivaldo Cavalcante.
80 anos. *1-10-31 - (+ Só Deus sabe a data)


DIA DO IDOSO - CRESCER ATRAVÉS DO SOFRIMENTO

Dra Zilma Gurgel Cavalcante, especialista em gerontologia social.
Em sua obra "Crescer através do Sofrimento", publicada pela editora Cia dos Livros a autora fala sobre a aquisição da resiliência e do Coping no estresse do luto na velhice.

Os idosos que souberam enfrentar a dor, com coragem, podem ser considerados verdadeiros sábios, porquanto conseguiram enxergar, além da superfície, o sofrimento profundo que tiveram de vivenciar. Esse é o caminho que conduz, finalmente, a uma integração de corpo, mente e espírito, o que pressupõe o enfrentamento dos rigores do treinamento frequentemente impostos pela mais exigente mestra: a vida.

Crescer através do Sofrimento

Aquisição da resiliência e do Coping no estresse do luto na velhice

Nos tempos atuais há uma tendência de negar o sofrimento e a dor. Isso deságua na alienação, tratada com medicamentos e tranquilizantes, adquiridos com relativa facilidade no mercado. Como é possível aprender, enfrentar e vencer - com sabedoria - esses momentos estressantes? Superar o estresse da perda, da doença ou do luto é emergir com um EU mais resistente, mais forte, ou seja, com humildade, fé e perseverança, pode-se atravessar o caminho doloroso do sofrimento. Os idosos que souberam enfrentar a dor, com coragem, podem ser considerados verdadeiros sábios, porquanto conseguiram enxergar, além da superfície, o sofrimento profundo que tiveram de vivenciar. Esse é o caminho que conduz, finalmente, a uma integração de corpo, mente e espírito, o que pressupõe o enfrentamento dos rigores do treinamento frequentemente impostos pela mais exigente mestra: a vida.

Na obra o leitor terá a oportunidade de conhecer o que é resiliência, tema muito usado na área da psicologia, educação e saúde. Em outras palavras pode significar a superação e adaptação às diversidades e problemas enfrentados no dia-a-dia das pessoas, em especial, na fase da Terceira Idade, onde ocorrem recomeços e mudanças significativas.  Através de estudos biográficos e estudo de casos, a autora mostra o que é a resiliência de maneira clara e sucinta. Descreve os acontecimentos, o como agir diante deles, adaptando-se ou enfrentando-os conscientemente, em busca de um novo viver. Uma obra que pode ser adotada para uso pessoal, acadêmico e mesmo como presente para as pessoas a quem gostamos. 

Sinopse: A dor teria algum sentido? Por que sofremos? Através do estudo biográfico de alguns pensadores famosos (Françoise Dolto, Carl Gustav Jung, Viktor Frankl) e quatro estudos de casos, a autora descreve situações de perdas e lutos desses personagens, onde o horizonte existencial parecia totalmente bloqueado. Estas situações promovem perturbações do ritmo de vida e mesmo - ou sobretudo - nos valores que norteiam estas existências. O que em linguagem popular parece soar como advertência: a dor ensina a gemer! Mas, quais são esses mecanismos de enfrentamento da situação? O que pode reforçar essa auto defesa e, em alguns casos, de auto preservação? A autora convoca os conceitos de resiliência e coping para mergulhar profundamente na busca de respostas. Dessa imersão, feita de forma criteriosa e sem pieguismos, pode-se afirmar que a dor, a perda e o luto, são formas – por vezes inesperadas – de fortalecer a crença que apesar das intempéries e barreiras, a vida pode ser um belo espetáculo de esperança.

Palavra da autora sobre a obra: “O interesse pelo tema surgiu da minha experiência como professora do curso “Alegria de Viver”. Convivendo com alunos idosos, a maioria deles com mais de 70 anos e vivenciando perdas e lutos, decidi aprofundar os conceitos de resiliência e de coping na velhice, sobretudo no momento da perda, da dor e do luto. Nesses vinte anos de experiência, pude observar que o ciclo da velhice é o mais longo da vida. Essa faixa etária é pontuada por alguns eventos estressores, os mais variados: a aposentadoria com consequente perda do espaço profissional e a perda econômica. Há, igualmente, mudanças na estrutura familiar, ausência dos filhos adultos, que casam ou saem de casa, a morte de familiares e amigos, algumas limitações de ordem física ou psíquica e até mesmo o medo da morte. Esses fatores estressantes podem suscitar comportamentos diversificados. Alguns idosos sentem-se tão gravemente impotentes, tão arrasados, que quase desistem de viver, iniciam um processo de desinvestimento em si próprio e abdicam do direito de decidir e administrar os acontecimentos. Esse comportamento leva o idoso a uma autodestruição, acentuando o processo do envelhecimento, em alguns casos, acompanhado da doença de Alzheimer, comenta Zilma.

Enviado por Patrícia Prado
MGA Comunicações
Jornalistas: Marilu G. do Amaral


JANEY CUTLER: NUNCA É TARDE PRA COMEÇAR!

Quem canta com a alma é sempre jovem!

Clique no link abaixo, e assista!

http://www.youtube.com/watch?v=8ADvp6fkMyQ


NUNCA É TARDE

Mulher de Carmichael, 98, conquista Facebook
(Sábado, 12 setembro, 2009)

Marjorie Loyd tem 98 anos, usa um andador. Além disso, ela não ouve muito bem. E, ainda por cima, sua pouca visão torna difícil a leitura das letras na tela do computador.

Ainda assim, a internauta de Carmichael tem um link para 19 amigos no Facebook (www.facebook.com) desde que entrou no site de redes sociais, há duas semanas.

"Eu não acho que exista qualquer coisa na vida que substitua pessoas e amigos", disse Lloyd. "Eu amo as pessoas, e eu amo o contato com as pessoas".

Mais de 250 milhões de pessoas usam o Facebook, disse o porta-voz do site de relacionamentos. Com um rápido crescimento demográfico, a faixa etária predominante envolve usuários de 35 anos em diante.  A empresa não divulga quantos são os usuários da terceira idade.

Loyd nasceu no Tennessee, em 18 de outubro de 1910. Sua família tinha um cavalo e uma charrete, uma linha telefônica compartilhada com um punhado de vizinhos. Loyd se lembra daquele dia em que sua família recebeu água encanada. Ela ainda estava na escola secundária.

Com velocidade surpreendente, Loyd dirige um andador através de sua residência, adaptada para sua idade, e é conhecida pelo nome por todos que passam por ela. Dentro de seu espaçoso apartamento, ela se instala em uma cadeira na frente de um computador portátil, usando a fonte 18, ampliada em 150 por cento. Loyd escreve e-mails, cartas no Microsoft Word e se estende pelo Facebook.

Sua filha de 66 anos, em Richmond, Virgínia, aderiu ao Facebook poucos dias depois que ela o fez.

Loyd disse que se juntou para ficar de olhe em seu ex-pastor da Igreja Presbiteriana de Westminster, em Sacramento.

O reverendo David Thompson disse que foi surpreendido por um e-mail da amiga Loyd em sua caixa de correio eletrônico.

"Eu sugeri a ela que seria uma boa ideia, mas eu não esperava que ela conseguisse", disse Thompson.

Loyd aprendeu a usar um computador há três anos, aos 95 anos. Ela só queria ficar ligada com a família e amigos. Seu marido, Herlan Loyd, por muitos anos médico em Sacramento, tinha morrido em 2001.

Ela tinha uma amiga na igreja que usava um laptop com uma tela bem grande.  Depois de vários cursos rápidos, aprendeu sozinha a utilizá-lo.

Quando os olhos se deterioraram, a ponto de não conseguir mais ler as cartas, Loyd contratou um especialista em informática para ampliar fontes na tela e colocar ícones no desktop (área de trabalho) para que eles fossem acessados facilmente.

Ela trocou as letras das teclas do teclado por outras maiores.

"É meio desgastante, pois toda vez que eu aprendo alguma coisa, eu vejo que tenho muito mais a aprender", disse Lloyd.

Loyd tem superado as expectativas com frequência. Antes mesmo que muitas mulheres procurassem trabalho em empresas, ela já era proprietária de uma máquina de escrever usada, em Chicago, para poder sustentar seus irmãos, após a morte do pai.

Agora, mesmo em sua décima década, Loyd viaja todos os anos ímpares. Ela tem uma viagem prevista para o próximo mês: visitará a família no Tennessee.  Em seguida, tem planos de comemorar seu 99º aniversário na casa de Long Island de um de seus oito netos. Ela ganhou seu bilhete de avião on-line.

Ela também continua a enfrentar obstáculos quando eles vêm. Quando ela não consegue ler alguma coisa no computador, ela tecla o botão de impressão e coloca a impressão em uma máquina que amplia as letras através de uma câmera de vídeo em um circuito fechado de tv.

É como Loyd lê o Wall Street Journal todos os dias, bem como sua assinatura da revista americana Forbes.

"É incrível", disse Thompson. "Ela encontra maneiras de fazer tudo."

Autora: Gina Kim
(Tradução livre e enviada por Anna Eliza Führich)


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