24 DE JUNHO

DIA DE SÃO JOÃO

CONVITE PARA FESTA CAIPIRA

Vosmecês tá cunvidado
Pra dançá no arrastado
Das festança junina
Mas porém não arrepare
Pruque é festa de roça
Qui dô na minha paioça
Prus moço mais as menina.

Venham tudo satisfeito
Dançá com gosto e com jeito
Que vai sê bom de duê
Tem cumilâncias gostosa
E as moça mais fermosa
Pra vosmecês escolhê.

Venham tudo com as famia
Traga as neta, traga as fia
Os pai, as mãe, as avó
Qui nós recebe com amizade
A casa é grande, cumpade
E os coração é maió.

Autora: Magdalena Léa
Livro: "A Criança Recita"


MEU AMOR CAIPIRA

 Ainda guardo recordação
daquela noite de São João,
quando de mim se aproximou
aquele que o amor me despertou.

Foi num lugar chamado Cajuri
que é muito distante daqui.
Fica no interior de Minas Gerais,
 e dele não esquecerei jamais.

Havia uma enorme fogueira,
e eu era uma menina faceira;
na festa estava muito cotada,
mas só naquele moço ligada.

Dançamos juntos a quadrilha
e a noite...ah, que maravilha!
Nos despedimos ao raiar do dia...
A saudade que sinto é minha companhia.

Autora: Maria Tomasia


EU SÔ EU, VANCÊ É VANCÊ...

Num recado cumpricado,
Vancê me mando dizê,
Que gostava de sê eu,
Si eu tambeim fosse vancê...

Mai que recado arretado
Que ocê mando pra eu.
Se vancê fosse vancê,
Vancê num seria eu...

Ocê sabe que eu sô eu...
Nunca que eu vô sê vancê,
E se vancê fosse eu,
Cumo é que eu ia sabê?

Se ocê intão num dissesse
Que era eu, e eu vancê,
Nois duas, abestaiadas,
Ficava inté sem sabê.

Ocê bem que gostaria
De sê eu - pode dizê!
E eu tambeim que gostaria
De num sê eu, sê vancê!

É só eu oiá procê
E vancê oiá pra mim,
Nóis sabe quem que nois semo
Por esse mundão sem fim.
Vancê e eu, num tem jeito;
Temo por nóis, amizade.
Uma num vai sê a otra
Nem trocá de indentidade!
Continua sendo ocê,
Num quero trocá mais não
Eu continuo a sê eu,
Senão vai dá cunfusão.

Se nóis trocasse o marido,
Despois, cumo é que ia sê?
Se ocê durmisse com o meu,
Será que ia dizê?

Se eu dormisse coteu
Eu mesma, num te dizia...
Pra que? num carece mesmo,
Contá nossas fantasia...

Ia sê muito bem feito
Pra nóis aprende a lição.
Nóis pode uma sê a otra,
Marido? Num troco não!

Autora: Mírian Warttusch


FESTA DE SÃO JOÃO

Comprei um vestido de chita,
Chapéu de palha mandei fazer,
Eu quero ficar bonita
Para o meu benzinho ver.

A festa vai ser na roça,
Lá no sítio do seu Zé
E dentro de uma palhoça
Vai ter o arrasta pé...

Vai ter pinhão e quentão,
Batata doce e macaxeira,
Vamos pular fogueira
Para festejar São João.

Tem convite prá quem quiser,
Seja homem ou mulher
E prá a festa ficar animada
Levem também a criançada.

Autora: Hilda Persiani


ORIGEM DA FOGUEIRA

Desde os tempos pagãos, a data é comemorada com fogueira, dança, música e muita comida.
Somente no século VI, o catolicismo passou a associar esta celebração ao aniversário de São João.

Para os católicos, a fogueira teve origem num trato entre Isabel, a mãe de João, e sua prima Maria, a mãe de Jesus. Ficou combinado que Isabel deveria acender uma fogueira sobre um monte para avisar Maria sobre o nascimento do menino. Este seria o sinal para receber sua visita e seu auxílio após o parto.


"SINHAZINHA VEM DA ROÇA"

Minha gente eu vim da roça,
Do mato, lá do fundão...
Deixei a minha paioça,
Deixei o meu coração,
A mode de festejá
Meu santo, meu São João!

Virge! Mas quanta festança
Tô vendo aqui no arraiá!
Tem fogueiras e tem dança
E nós pode se alegrá!

Tá ansim de moça bunita,
Com suas saias de chita,
Nas trança um laço de fita
Pro mode os moço pegá.

E os moços? Que buniteza!
Tantos moço bunitão,
Que inté sinto uma agonia,
Ai meu santo, São João,
Aqui no meu coração.

Ói só, tá tudo me oiando,
E com cada zoião
Que inté eu fico vexada
E ponho os óio no chão.

Vou-me embora, minha gente,
Vou-me embora pro sertão,
A sodade tá apertando,
E eu não güento mais não...

Mas antes vamo dançá
Inté a festa acabá!

Autora: Magdalena Léa
Livro: "A Criança Recita"


SÃO JOÃO NO MEU TEMPO

Hoje, sozinho no meu canto, volto aos tempos de muita festa e de uma alegria ímpar. Como era diferente, quando uma rua era palco de uma algazarra e de comemoração na preparação de uma linda e alta árvore de São João.
No meu tempo, a comemoração era com todos os vizinhos. E, enquanto queimava a grande fogueira, fogos, como bombinhas busca-pés e rojões, espocavam e também os foguetes com três tempos.

Lembro que, na parte dos comes, a batata-doce inteira era cozida em volta das brasas e, como bebida, um quentão com muito vinho tinto.
Que alegria, meu povo! Como eram bons aqueles tempos. Como todos eram parceiros e amigos e ninguém tinha medo de nada.

Era uma festa pura, inocente, em que meninos e meninas, pais, tios e amigos desfrutavam com prazer. Imagina no meio de minha rua: o trânsito já era pequeno e ninguém se importava em fechá-la durante a festança. Tinha uma parte perigosa, pois os busca-pés andavam às cegas e se pegassem chamuscavam a sua vítima. Dependendo, queimavam a nossa pele.

Outra lembrança corajosa, mas bonita, era o caminhar nas brasas ou, ainda, pular; é lógico quando o fogo estava baixo. Às vezes o pulo era em falso e o valente esparramava brasas pra todo lado.
Que tempo lindo na noite mais longa e geralmente mais fria do ano. De repente, o tempo passou e as festas terminaram, pelo menos nas cidades.
Sei que no interior ainda se festeja. Mas será como antigamente?
Vou morrer um dia com certeza, mas levarei tanta beleza, tanta alegria e tantos amigos que hoje sou feliz por ter existido naquela época de um São João, repleto de felicidade e de grandes fogueiras.

Imagina! Hoje estou escrevendo em uma máquina que naquele tempo nem Júlio Verne previa.
Chega de mostrar o meu interior e minha visão de memória que jamais será esquecida. Feliz Festa de São João a todos que ainda hoje festejam.
E, aos que não festejam, feliz data do grande Santo.

Autor: Paulo Kwamme


São João - Festejado em 24 de junho.

Filho de Zacarias e Isabel, diz a Bíblia que foi ele quem batizou Jesus Cristo com as águas do rio Jordão. Daí vem o nome Batista, o "batizador". É o mais famoso dos três santos do mês de junho, tanto que as festas juninas também são conhecidas como festas joaninas, em sua homenagem.
É usualmente representado pela figura de um menino com um cordeiro no colo, já que teria sido ele quem anunciou aos homens a chegada do cordeiro de Deus.

Fogueira: representada com a base redonda e em formato de pirâmide.

QUADRAS DE SÃO JOÃO
(Por Alípio Fernandes, junho de 2001)

O vinte e quatro de Junho
É o dia de São João
Quando já nasce o abrunho
E se come até sem pão.

Isabel e Zacarias
P’ra serem pais de João
Rezaram todos os dias
Perseverante oração.

São João namorador,
Assim diz a voz do povo,
P’ras moças lhe ter amor,
Aceitou morrer de novo.

São João era bom Santo,
Mas era muito “velhaco”:
Com as moças pelo Campo,
Levou três e trouxe quatro.

As moças bem enfeitadas
Cada qual com seu balão,
Todas vão, enamoradas,
À festa de São João.

Meu querido São João,
És um Santo popular,
Traz teu arco e teu balão,
Vem com o povo dançar.

Alho porro e manjerico,
Em manhãs de orvalhadas,
Nasce o Sol e é bonito,
Vão-se as moças bem cansadas.

O “maciço” a estalar
Na cabeça dos carecas,
É costume popular,
A quem as tem descobertas.

Deixemos de profanar
O nome de São João,
Mais graças lhe vamos dar
Se fizermos oração.

Não te zangues São João,
Com a alegria do Povo.
Assim cresça a devoção
Nos jovens do mundo novo.

Foi com grande admiração
Que o povo um dia viu isto:
Lá nas águas do Jordão
São João batizou Cristo.

João pregou no deserto
E lá fazia orações.
Seu alimento mais certo:
Mel silvestre e saltões.

Uma pele de camelo,
Único fato que tinha,
Todos corriam a vê-lo,
Toda a gente a ele vinha:

Endireitai os caminhos,
O Messias está a chegar:
Corrigi os desatinos
P’ra Ele vos perdoar.

Será lembrado p’ra sempre
O que ele quis ensinar:
Que não era competente
Do calçado Lhe apertar.

E João foi a Herodes,
Ao Palácio criticar:
- Com essa mulher não podes
Pretendê-la p’ra casar.

Mas Herodes, irritado,
Mandara João prender:
Por não o ter “respeitado”
Na prisão irá morrer.

Herodíades ao Rei
Pediu-lhe que se vingasse.
Logo ele ditou a lei,
Mandando que o degolasse.


A Lenda das Bombas de São João

Antes de São João nascer, seu pai, São Zacarias, andava muito triste por não ter filhos. Certa vez, um anjo de asas coloridas, envolto em uma luz misteriosa, apareceu à frente de Zacarias e anunciou que ele seria pai.

A alegria de Zacarias foi tão grande que ele perdeu a voz desse momento em diante. No dia do nascimento do filho, perguntaram a Zacarias como a criança se chamaria. Fazendo um grande esforço, ele respondeu "João" e a partir daí recuperou a voz. Todos fizeram um barulhão enorme. Eram vivas para todos os lados.

Vem daí o costume de soltar as bombinhas, tão apreciadas pelas crianças, durante os festejos juninos.

Webdesigner: Lika Dutra

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