20 DE OUTUBRO

DIA DO POETA

"Aquele que faz poesia
sabe que a glória é completa;
ninguém aposenta o dia
de trabalho do poeta".
(Nilton Manoel)
Academia Brasileira de Poesia


QUEM SOU EU?

Alguém que ama, que chora, sofre e ri
Que adora liberdade, odeia impunidade
Acredita no ser humano, corre da maldade
Da infância distante, sente saudade.

Adora poesia, detesta água fria...
Gosta de música, arte, cinema, teatro
Da madrugada, da noite, da boemia
Da conversa de bar, não existe melhor lugar.

Que escreve, se esforça e se lança
Naquilo que aumenta o prazer de amar.
Nem sempre o que faz é firme, balança
Mas caminha sozinha no mundo a sonhar.

Sou quem ama Carlos Drumond que tinha uma pedra no caminho;
Que se encanta com o Guma do Jorge Amado e o amor da Zélia.
Chora com as canções do Gonzaguinha, de se perder, de se achar...
E com a mulher rendeira do Gonzagão que ele ensina a namorar.

E em certos dias quando penso em minha gente, trago o Vinicius na mente, e sinto assim todo meu peito se apertar...
Pasmo com a poesia da Florbella Espanca que lê
no misterioso livro do teu ser, a mesma história tantas vezes lida.

Amo Cora Coralina, que fazia poemas de amor
tão meigos, tão ternos, tão teus... Não sei... se a vida é curta...
Sou o Enigma de Clarice Lispector quando penso
Que "tenho várias caras. Uma é quase bonita,
Outra é quase feia. Sou um o quê? Acho que um quase tudo, talvez.

Ando no rastro dos poetas, porém descalça
Quero sentir as sensações que deixaram por aí.

Canto as canções do Jobim e vejo o Corcovado,
o Cristo Redentor, a garota de Ipanema...
Como João Bosco e Aldir Blanc, procuro Henfil num rabo de foguete...
Vejo um bêbado com chapeu-côco que me lembra o Carlitos.

Meu coração bate outra vez com a esperança do Cartola
E volto aos jardins para me queixar com as rosas
Fico em silêncio porque as rosas não falam,
exalam, simplesmente, o perfume que roubam de ti...

Do Mário Quintana, meu amado, existe um "Bilhete"
Pedindo que deixe em paz os passarinhos
Porque, se me quizeres, não gritará nos telhados
Me amará em paz, devagarinho, baixinho, porque
a vida é breve...vocês passarão e eu passarinho.

Enquanto isso, gritas em meus ouvidos e nada dizes
Deixa de me amar e faz meus dias passarem tristes
Entoa cobranças, me tira a esperança
Faz a vida mais do que breve, faz a vida vazia.

E Como Cecília Meireles, eu sou.
Em seu poema "Motivo da Rosa" ela ainda não sabe quem é, e diz assim:
" Se eu nem sei quem sou,
como posso esperar que venha alguém gostar de mim?"

Autora: Meg Klopper
Publicado no Recanto das Letras em 06/10/2006
Código do texto: T257431
Enviado por: Renata Bucciarelli Lopes


SER POETA É...(CARTA/HOMENAGEM AOS POETAS)

Ser poeta é mais que entender,
Ser poeta é mais que sentir,

Ser poeta é ter um dom de escrever,
O que todos querem ouvir,
Ser poeta é mais que humano,
Ser poeta é mais que normal,

Para todos nós que escrevemos o que sentimos,
De forma singela e natural...
Te digo meu dogma de vivência.
Escrever pra ti é uma honra,

Ser poeta é transformar em palavras uma grande essência.
Ser poeta é ser universo, universo sem fim,
Por tanto nunca tirem esse dom de mim,,
Ser poeta é comunhão, comunhão de seres,

Que mesmo em distância faz sentir-se perto,
Apenas palavras que despertam de um amor concreto, a algo discreto...
Ser poeta é mais que poeta ser.
Quando não soubemos falar, tentamos escrever,

De nossa eterna falta de voz, faz-se um grande arsenal de versos.
Que vão desde rimas de amigas (os) até apaixonados confessos...
Ser poeta é mais que escrever,
Ser poeta é mais que sentir.

Ser poeta é um dom da vida, não se pode discutir,
Palavras serão simples palavras,
Ser poeta é olhá-las como extensão da alma..
E alma estendida é alma quebrada.!

Seria um poeta um mero ser incompleto?!
Ou ao contrário, um conhecedor do universo...?!
Tanto faz um simples poeta sempre será um poeta simples em seus dizeres.
Por mais que tentem falar um poeta nunca se cansa,

Sempre haverá tempo para seus insanos versos e rimas,
Ser poeta é dominar a mente, campo infindo de perguntas,
Que o guiam em seus humildes versos de forma consciente,

Ser poeta é fazer surgir sentimentos de meros dizeres,
Ser poeta é trazer do oculto simples palavras,
Ser poeta é ser feliz,
Ser poeta é fazer feliz...!

Um dia da poesia e dos os outros do poeta,
Um salve pra todos que escrevem que forma humilde e correta,
Um olho atento para quem lê apreensivo (a),
Que se sente melhor com versos de amigo,

Um olho de cuidado pra quem lê versos que o deixam revoltado.
Um olho de pesar pra quem lê versos de dor.
Um olho de confesso para quem lê amor em verso..
Ser poeta é ser um "olho", ver o que ninguém pode,

E escrever de modo grandioso.
Ser poeta é ser único,
Ser único é ser poeta.
Portanto, o que é ser poeta afinal?

Ser poeta é ser você.
Ser poeta é ser eu.
Ser poeta é escrever.
Com um dom que Deus me deu.

Ser poeta é...

"Ser Poeta é mais que Poeta ser...
Ser Poeta é..." (Tiago Lino)
Brasília, 14 de março, de 2009
Enviado por: Renata Bucciarelli Lopes


DIA DO POETA

 Dia do pensador que tem dentro d'alma as
quimeras que poetiza.
Das frases que emocionam,
e que cabem dentro de uma poesia.
Das rimas que dão vida a um texto.
Seja ele curto como um soneto ou longo
como um poema.
Sem as efusões emotivas da poesia nosso
mundo estaria mais opaco; mais tristonho.
O papel principal do poeta é sensibilizar,
é estimular nos arremates das rimas, todo
lirismo das palavras que expressam sentimentos,
que transportam sonhos, que
excitam e nos evocam coisas belas da vida.
A inspiração primorosa do poeta abre caminhos
para os sonhos, para os devaneios.
Quantas poesias belas existem circulando ao  nosso redor!
Na música a poesia exerce um frenesi especial, de
emoções que nunca perecem.
Na simetria das estrofes descobre-se a
verve que move cabeça e coração de um poeta.

 Que nos encanta e fascina.
Pensando bem, nós que não somos poetas,
sempre vivemos remoendo poesias novas ou
antigas de queridos poetas e poetisas.
E de alguma nos apoderamos de alguma como sendo
a mais bela de todas.
Eu também tenho a minha poesia preferida.
"Meus Oito Anos" do poeta Casimiro de Abreu.
Certamente um hino de amor.
Um despertar da consciência.
Um reviver momentos felizes que
ficaram para trás
e que a poeira do tempo vai apagando.
Mas o poeta possui essa arte sutil e sublime de
ressuscitar nas estrofes
os refrões da vida, das emoções.
Quem não tem saudades do despertar
da existência!
Quem não se extasia com o manto azul do céu!
Cada um de nós, correu
pelas campinas de camisa aberta ao peito,´
pés descalços e braços nús.
Quem não sente saudades de sua infância querida!

Para escrever verdadeiras poesias é
preciso ter nascido poeta.
Quem poetiza carece de inspiração, para
fazer resplandecer as modulações
rítmicas e métricas da poesia,
fazendo das palavras emoções.

Versos dolentes e perfumados pelo
perfume da imaginação fecunda dos poetas
e poetisas que nos brindam com
rimas e frases que deixam saudades.
Saudade!
Talvez a palavra que mais emociona  os poetas seja
SAUDADE.
Saudades de familiares, de ex-colegas, ex-amigos, ex-amores perdidos no tempo, vividos sob
céus de primaveras, verões, outonos e invernos.
PARABÉNS AOS POETAS E POETISAS
DE ONTEM, DE HOJE, DE SEMPRE.

Autor: Rivaldo Cavalcante

MEUS OITO ANOS

Oh! Que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida,
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras,
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

Como são belos os dias
Do despontar da existência!
Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é lago sereno,
O céu - um manto azulado,
O mundo - um sonho dourado,
A vida - um hino de amor!

Que auroras, que sol, que vida,
Que noites de melodia,
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado de estrelas,
A terra de aromas cheia,
E a lua beijando o mar!

Oh! Dias da minha infância!
Oh! Meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Naquela risonha manhã!
Em vez das mágoas de agora,
E tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos da minha irmã!

Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
De camisa aberta ao peito,
Pés descalços, braços nus,
Correndo pelas Campinas
À roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azues!

Naqueles tempos ditosos,
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava as Avemarias,
Achava o céu semp
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar

Oh! Que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida,
Que os anos não trazem mais
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras,
À sombra das laranjeiras,
Debaixo dos laranjais!

Autor: Casimiro De Abreu
* Capivari. RJ, 1839 + Indaiaçu, RJ. 1860


SER POETA…

Ser poeta é “ser mais alto”, é ser diferente!
É aquele que fala com a voz coração.
É quem sente "aquele amor ardente"
Que Camões cantou tão sabiamente
E se tornou, dos poetas, um padrão!

É ser um outro ser, “é ser maior”
(como Florbela outrora bem dizia).
É sentir o que escreve com amor
É soltar da alma o pranto e a dor,
É sentir com fervor a poesia!

Ser poeta é um dom – não se aprende.
É o ser e o poder de quem sustente
Esse dom que, escondido, surpreende…
Quando a sua vida à dor se rende
E sente uma alegria descontente!...

Autor: Fernando Reis Costa
(Inspirado nos grandes mestres Florbela Espanca e Camões)


O POETA E O MUNDO

O poeta não vive em mar de rosas
E se disser que sim está tentando,
Levar conforto e até mesmo evitando,
Fazer alguém ler coisas dolorosas.

Porque o poeta em versos ou em prosas,
Mesmo a sofrer prossegue procurando
Alegrar esse mundo e vai buscando,
Sempre saciar as almas sequiosas.

E na infindável dor que traz a guerra,
Luta o poeta pela paz na Terra
E de pregar o amor jamais desiste.

Então se chora, faz do pranto um riso,
Faz do Inferno seu um Paraíso,
Para não ver ninguém sentir-se triste.

Autor:  Samuel Freitas de Oliveira
Cônsul dos "POETAS DEL MUNDO"
Em Avaré- SP -Brasil


RECEITA DE POETA

O poeta não precisa ser boa-pinta
Mas tem de escrever coisa supimpa.

Não precisa ser um Humphrey Bogart
Contanto que componha uma bela obra.

Que se chame João, José, Almir
Sob a condição de que saiba escandir.

Não importa se branco, índio, preto
Mas tem de compor um belo soneto.

Não importa se pardo, moreno ou louro
Se o soneto culminar em chave de ouro.

O poeta pode até ser meio franzino
Mas tem de compor em alexandrino.

O poeta pode ser coxo ou manco
Mas que se esmere no verso branco.

Ao falar, quem sabe seja gago?
Mas ao escrever tem de ser um Machado.

Na vida real pode até ser vulgar
Mas na poesia tem de saber rimar.

O poeta pode até ser casmurro
Mas precisa escrever com apuro.

O poeta pode até ser ferino
Se compuser como manda o figurino.

Admite-se um poeta pecador
Mas tem de escrever com vigor.

Pode esquecer aberta a barriguilha
Contanto que componha redondilha.

Tudo bem que seja bonachão
Se escrever do fundo do coração.

Que seja porventura malandro
Contanto que componha um ditirambo.

Quem sabe seja um paxá?
Mas não pode escrever rima má.

Não é preciso ser trovador
Mas não vá rimar "amor" e "dor".

O poeta pode até ser palhaço
Contanto que nos eleve ao Parnaso.

Do poeta não se exige origem nobre
Contanto que evite a rima pobre.

Que se meta, vez ou outra, num entrevero
Contanto que escreva com esmero.

Pode até ser meio que "filha-da-puta"
Mas tem que escrever coisa batuta.

O poeta pode ser meio cavalar
Contanto que evite a rima vulgar.

Tanto faz se de esquerda ou direita
Contanto que a rima seja perfeita.

No dia-a-dia pode até ser trapalhão
Mas na métrica tem de ser campeão!

Autor: I.K.
(Dedicado a Vinícius, que nos deu a "Receita de Mulher")


SOU POETA

Poeta?!
Sei que sou,
Não por obrigação,
Mas por pura opção,
Por amar o belo,
A natureza.
Por dar asas a minha imaginação,
Por brincar com as palavras
Com muito amor e dedicação.
Por viver muitas vidas,
Por ser muitas em uma só.

Sou uma princesa no seu castelo,
Com o príncipe encantado
Vivendo um maravilhoso reinado.

Sou um ser humano
Em busca da felicidade.

Sou uma mulher incondicional.
Sou a matriz, a esposa a amante.
Sou o sonho, o pesadelo e a ilusão.
Sou a fêmea total.

Sou a pedinte, sou a ouvinte.
Enfim...como poeta...
sou todas que nesse mundo há...

Autora: Sandra Mamede


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