15 DE OUTUBRO

DIA DO PROFESSOR

"O professor se liga à eternidade. Ele nunca sabe quando cessa a sua influência".
(Henry Adams)

ORIGEM DO DIA DO PROFESSOR
Fonte: www.portaldafamilia.com.br

QUERIDAS AMIGAS E MESTRAS
Autora: Yêda Saraiva

MEU MESTRE
Autora: Mírian Warttusch

ORAÇÃO DA MESTRA
Autora: Gabriela Mistral

MAS O QUE É A ESCOLA?
Autor: Gabriel Perissé
Enviado por Luiz Carvalho

POR UMA SOCIEDADE JUSTA E EFICIENTE
Autor: Stephen Kanitz

AO MESTRE, COM CARINHO
Autor não mencionado
Enviado por Angelica Lepper

PROFESSOR MESTRE
Autora: Marinês Bonacina

MESTRES
Autora: Magdalena Léa

QUESTÃO DE FÍSICA
Autor: Waldemar Setzer
Enviado por Sérgio Fraga


ORIGEM DO DIA DO PROFESSOR

O Dia do Professor é comemorado no dia 15 de outubro. Mas poucos sabem como e quando surgiu este costume no Brasil.

No dia 15 de outubro de 1827 (dia consagrado à educadora Santa Tereza D’Ávila), D. Pedro I baixou um Decreto Imperial que criou o Ensino Elementar no Brasil. Pelo decreto, “todas as cidades, vilas e lugarejos tivessem suas escolas de primeiras letras”. Esse decreto falava de bastante coisa: descentralização do ensino, o salário dos professores, as matérias básicas que todos os alunos deveriam aprender e até como os professores deveriam ser contratados. A idéia, inovadora e revolucionária, teria sido ótima - caso tivesse sido cumprida.

Mas foi somente em 1947, 120 anos após o referido decreto, que ocorreu a primeira comemoração de um dia dedicado ao Professor.

Começou em São Paulo, em uma pequena escola no número 1520 da Rua Augusta, onde existia o Ginásio Caetano de Campos, conhecido como “Caetaninho”. O longo período letivo do segundo semestre ia de 01 de junho a 15 de dezembro, com apenas 10 dias de férias em todo este período. Quatro professores tiveram a idéia de organizar um dia de parada para se evitar a estafa – e também de congraçamento e análise de rumos para o restante do ano.

O professor Salomão Becker sugeriu que o encontro se desse no dia de 15 de outubro, data em que, na sua cidade natal, professores e alunos traziam doces de casa para uma pequena confraternização. Com os professores Alfredo Gomes, Antônio Pereira e Claudino Busko, a idéia estava lançada, para depois crescer e implantar-se por todo o Brasil.

A celebração, que se mostrou um sucesso, espalhou-se pela cidade e pelo país nos anos seguintes, até ser oficializada nacionalmente como feriado escolar pelo Decreto Federal 52.682, de 14 de outubro de 1963. O Decreto definia a essência e razão do feriado: "Para comemorar condignamente o Dia do Professor, os estabelecimentos de ensino farão promover solenidades, em que se enalteça a função do mestre na sociedade moderna, fazendo participar os alunos e as famílias".

Fonte:
www.portaldafamilia.com.br


QUERIDAS AMIGAS E MESTRAS

Não há palavras que possam, realmente, dar significado à importância do mestre em todas as vidas.

Falo não como mestra que fui e do que muito me orgulho, mas como pessoa que vê o mundo de hoje desabando em violência e desrespeito ao ser humano.

Como mestra gostaria de ter a certeza de que cumpri o meu papel, dando amor, passando experiências, ensinando, não o caminho, mas como tentar seguir o caminho sem se perder pelas trilhas da vida.

Sei que vocês são assim, todas, digo sem medo de errar, fizeram da tarefa de ensinar, não um trabalho enfadonho, mas um prazer de ver pessoas chegarem a vocês cheias de dúvidas e encontrarem, não só regras e fórmulas, mas caráter, dignidade e acima de tudo doação.

Aqui vai minha sincera e pequena homenagem.
Um beijo carinhoso pelo DIA DO MESTRE!

Autora: Yêda Saraiva


MEU MESTRE

Professor Acácio
Noventa anos de estrada, muito amor, dedicação,
No fervor de tua vida, o ensino foi oração.
Aqueles tantos alunos, jamais irão te esquecer.
Foste qual um anjo bom, na trilha do seu saber.
Iluminadas carreiras, tiveram, sim, com certeza.
Do Mestre não esqueceram, sua bondade e nobreza.
Tão bem tu os preparaste, para seguirem sem medo.
O teu brio e o teu valor foram de tudo o segredo.
Seguiram rumos diversos, mas nunca erraram o caminho.
Quem teve um bom professor, jamais se sentiu sozinho.
Foram firmes em seus sonhos, ideais concretizados,
Pois a figura do Mestre os trouxe sempre inspirados.
Mereces todo o carinho, todo o amor, toda a afeição,
Em troca do teu trabalho, teu saber, dedicação.
O amanhã sempre é mais belo, se um professor ensinar,
Respeito e dignidade para a vida se enfrentar.
Ganhaste, sim, como prêmio, longevidade e tal luz,
Não podemos separar-te da figura de Jesus.
Foi ele o teu timoneiro, o fanal que iluminou,
Tua mente, teu destino, pois nunca te abandonou.
Sabemos que está aqui, com Sua graça e esplendor.
Pois foi tão igual ao Dele, para os jovens, o teu amor.
Na alma fiquem guardadas, todas as grandes lições.
E os mestres que as ensinaram, guardemos nos corações.

Autora: Mírian Warttusch


ORAÇÃO DA MESTRA

Senhor! Tu que ensinaste, perdoa se eu ensino, se levo o nome de mestre que levaste pela Terra!

Concede-me o amor único de minha escola, que nem o sortilégio da beleza seja capaz de roubar-lhe a minha ternura de todos os dias.

Mestre, faz perdurável a minha paixão e passageiro o desencanto. Arranca de mim este impuro desejo de justiça que ainda me perturba, a revolta que nasce dentro de mim quando sou ferida; que não me doa a imcompreensão, nem me entristeça o esquecimento daqueles a quem ensinei.

Concede-me a ser mais mãe que as mães, para poder amar e defender, como elas, o que "não é carne de minhas carnes"; que eu chegue a fazer, de um dos meus alunos, meu verso mais sublime e a deixar-TE nele gravada, minha mais insinuante melodia para quando meus lábios não cantem mais.

Torna-me possível Teu Evangelho, em meu tempo, para que não esmoreça na luta de cada hora por ele. Põe, em minha escola democrática, o resplendor que descia sobre Teu coro de meninos descalços.

Faz-me forte, ainda em meu desvalimento de mulher, e de mulher pobre; faz-me desprezar todo poder que não seja puro; toda pressão que não seja a de Tua vontade ardente sobre minha vida.

Amigo, acompanha-me! Sustém-me! Muitas vezes não terei senão a Ti, a meu lado. Quando minha doutrina seja mais verdadeira, e, mais causticante minha verdade, eu ficarei sem os mundanos, mas Tu me acolherás em Teu coração que muito soube já de solidão e desamparo.

Só em Teu olhar, buscarei as aprovações. Dá-me singeleza, e dá-me profundidade; livra-me, Senhor, de ser complicada ou banal em minha lição cotidiana.

Concede-me levantar os olhos de meu peito ferido, ao entrar cada manhã em minha escola; que não leve à minha mesa de trabalho os meus nímios afazeres materiais, minhas ínfimas dores.

Torna leve minha mão ao castigar, e fá-la mais suave, ainda, na carícia. Repreenda eu com sentimento para saber que corrigi amando.

Permite que construa de espírito minha escola de tijolos; qua a flama de meu entusiasmo envolva seu edifício pobre, sua sala desnuda. Meu coração seja mais coluna, e minha boa vontade mais ouro que as colunas e o ouro das escolas suntuosas.

Enfim, lembra-me desde a palidez da tela de Velásquez, que ensinar e amar intensamente sobre a Terra é chegar ao último dia com a lança de Longinos espetada de lado a lado.

Autora: Gabriela Mistral, antologia, 1941


MAS O QUE É A ESCOLA?

A escola não é ilha isolada no oceano social. Não é lugar para guardar crianças, ou reformá-las, embora possa ajudar, orientar e até alimentar. A escola não é paraíso na terra. Nem o inferno entre nós. Nem o purgatório. A escola não está aí por acaso. Dizia-me uma professora nordestina, com muita experiência de vida e muito conhecimento da realidade: “A escola salvará a sociedade se a sociedade salvar a escola”.

Os professores, na escola, não são mágicos, não são heróis (embora heroísmo não falte a muitos deles), não são gênios (muito menos da lâmpada...), não são mercenários, não são santos, não são famosos, não são poucos, não são suficientes, não são muitos, não são o que pensamos que são.

Os professores são pessoas cuja profissão é ajudar na humanização de outras pessoas, os alunos. E que, por isso, devem ser tratados não como funcionários apenas, ou técnicos, ou “aplicadores” de conteúdos apostilados. Devem ser compreendidos e tratados como seres humanos livres, críticos e criativos. Como profissionais que ocupam um lugar único na vida social, profissionais de quem muito se espera.

Cabe aos professores avaliarem os alunos. Avaliação não é punição. Não é acusação. Não é vingança. Não é fatalismo. Não é perseguição. Não é condescendência, tampouco. Tampouco é um fechar os olhos para lacunas e preguiças.

Cabe aos pais acompanharem os filhos. Conversar com os filhos sobre a escola. Conversar com a escola sobre os filhos. Conversarem pai e mãe entre si sobre a escola que os filhos freqüentam. Seja escola pública ou privada. Cabe aos alunos entenderem a escola. Cuidarem dela. Defendê-la. A escola não é apenas um espaço físico. A escola não é ponto de tráfico de drogas. A escola não é a sede do tédio. A escola não é escola de samba. Não é apenas lugar de encontro. Mas o que é a escola mesmo? A escola não é uma idéia vaga. Não é um lugar onde haja ou não vagas. A escola não é vagão de trem onde entramos e do qual saímos quando chega a próxima estação. A escola não é a sua quadra de esportes (abandonada ou ampliada), não é um conjunto de salas de aula (sufocantes ou arejadas), não são suas paredes (sujas ou limpas), janelas (abertas ou fechadas), portas (com cadeados ou não), armários (vazios ou cheios), escadas (perigosas ou seguras), computadores (novos ou obsoletos), bibliotecas (reais ou fictícias).

A escola não é o que vemos. A escola não é arquivo morto. A escola não é cabide de empregos. Não é moeda de troca política. Não é campo de batalha. Não é um curso de idiomas. Não é empresa competitiva. A escola não é clube, não é feira, não é igreja, não é partido. Mas então o que é a escola? E sabe a escola nos dizer o que ela é, a que veio, para que existe? Alguém sabe?

A escola é um problema insolúvel. A escola é uma probabilidade. A escola é uma experiência. A escola é uma esperança.

Gabriel Perissé é autor dos livros Literatura & Educação e Os sete pecados capitais e as virtudes da educação. Professor do Mestrado em Educação da Uninove (SP).
Enviado por Luiz Carvalho


POR UMA SOCIEDADE JUSTA E EFICIENTE

No primeiro ano de faculdade aprendi um truque que muito me auxiliou na hora de obter notas melhores. Descobri que, numa prova na qual cai um tema que você não estudou, que o pegou de surpresa, sobre um assunto de que você não sabe absolutamente nada, o melhor é não entregá-la em branco, que seria a coisa mais lógica e correta a fazer.

Nessas horas, escreva sempre alguma coisa, preencha o papel com abobrinhas, pois quanto maior o número de páginas, melhor. Isso porque existem dois tipos de professor no Brasil: um deles é formado pelos que corrigem de acordo com o que é certo e errado. São geralmente professores de engenharia, produção, direito, matemática, recursos humanos e administração. Escrever que dois mais dois podem ser três ou doze, dependendo “da interpretação lógica do seu contexto histórico desconstruído das forças inerentes”, não comove esse tipo de professor. Ele dá nota dependendo do resultado, e fim de papo.

Mas, para a minha alegria, e agora também a sua, existe outro tipo de professor, mais humano e mais socialmente engajado, que dá nota segundo o critério de esforço despendido pelo aluno e não apenas pelo resultado. Se você escreveu dez páginas e disse coisas interessantes, mesmo que não pertinentes ao tema, ficou as duas horas da prova até o fim, mostrou esforço, ganhará uns pontinhos, digamos uma nota 3 ou até um 3,5. O que pode ser a sua salvação.

Na próxima prova você só precisará tirar um 6,5 para compensar, e não uma impossível nota 10. Se você estudar um mínimo e usar esse truque, vai tirar um 5. Uma vez formados, os alunos desse tipo de professor são muito fáceis de identificar. Seus textos são permeados de abobrinhas e mais abobrinhas, cheios de platitudes e chavões. Defendem que a renda deve ser distribuída pelo esforço, e não pelo resultado, e que toda criança que compete deve ganhar uma medalha. Defendem que todo professor de universidade deve ganhar o mesmo salário, independentemente da qualidade das aulas, e que a solução para a educação é mais e mais verbas do governo, sem nenhuma avaliação de desempenho.

Esses dois tipos de professor obviamente não se bicam. É a famosa briga da turma da filosofia contra a turma da engenharia. São as duas grandes visões políticas do mundo, é a diferença entre administração pública e privada. O que é mais justo, remunerar pelo esforço de cada um ou pelos resultados alcançados? O que é mais correto, remunerar pela obediência e cumprimento de horário ou pelas realizações efetivas com que cada um contribuiu para a sociedade?

Como o Brasil ainda não resolveu essa questão, não podemos discutir o próximo passo, que são as injustiças da opção feita. É justo só remunerar pelo resultado? É justo remunerar somente pelo esforço? Podemos até escolher um meio-termo, mas qual será a ênfase que daremos na educação dos nossos filhos e na avaliação de nossos trabalhadores? Ao esforço ou ao resultado?

Quem tentou ser útil à sociedade mas fracassou teria direito a uma “renda mínima”? É justo dar 3,5 àqueles cujo esforço foi justamente enganar seus professores e o “sistema”? Não seria justo dar-lhes um sonoro zero? Precisamos optar por uma sociedade justa ou uma sociedade eficiente, ou podemos ter ambas? Como aluno, eu tive de me esforçar muito mais para as provas daqueles professores carrascos, que avaliavam resultados, do que para as provas dos professores mais bonzinhos. Quero agradecer publicamente aos professores “carrascos” pela postura ética que adotaram, apesar das nossas amargas críticas na época.

Agora entendo por que tantos de nossos cientistas e professores pertencem à Academia de Letras, por que somos o último país do mundo em termos de patentes, por que tantos brasileiros recebem sem contribuir absolutamente nada para a sociedade e por que nossos políticos falam e falam e não realizam nada. Que sociedade é mais justa, aquela que valoriza as boas intenções e o esforço ou aquela que valoriza os resultados? Uma boa pergunta para começar a discutir no retorno às aulas.

Stephen Kanitz é formado pela Harvard Business School (www.kanitz.com.br) Revista Veja, Editora Abril, edição 2073, ano 41, nº 32, 13 de agosto de 2008, página 28


AO MESTRE, COM CARINHO

Não sei o que combina mais contigo,
Uma poesia, um livro, uma pintura,
Sinceramente fico pensando
No que deve dar alegria
A alguém que é objeto da alegria de tantos.
Na verdade, o professor de verdade,
É aquele que prefere dividir o que possui,
Do que ter somente para si.
O verdadeiro mestre, sente-se feliz
Quando percebe que o caminho que
Ele abriu tem sido trilhado por muitos.
O mestre tem a sua realização no aprendizado
Do pupilo, da passagem da experiência.
É por isso que meras palavras
Não podem recompensar
A alguém que optou por esta carreira
Que muitas vezes é dolorosa e cheia de espinhos.
Chamo-te somente mestre, abnegado coração
Que se sensibiliza com os olhos sedentos
Por uma vida menos escura, mas cheia de luz.
E essa luz, está em suas mãos,
Em seu coração, em seu olhar.
Que bom que existe um dia
Reservado só para você!
Obrigado por sua obstinação incontida,
Pois graças a ela, você nunca desiste.
Você é muito importante,
Espero que você seja sempre assim.

Autor não mencionado
Enviado por Angelica Lepper


PROFESSOR MESTRE

Ele divide o seu tempo,
Caminha, despertando sabedoria,
é parceiro da alegria de tantos.
Abre portas de um novo amanhã,
Questiona a vida e desperta uma realidade.
Nas fórmulas, de raciocínios e regras.

Mestre!
Que estende a mão,
tem o diálogo da nova caminhada
para a aventura da vida.
Faz germinar a missão de ensinar não só letras,
Mas, paz, esperança, solidariedade e coragem,
Para um novo amanhã que virá.
Um exemplo para vencer na vida.
As lições permaneceram: alguém que superou a dor,
que foi lembrança, razão e o progresso,
superando o cansaço a preocupação.
Apenas uma luz, em suas mãos, um livro, uma pintura.
Em seu olhar, a alegria de uma poesia.

Feliz dia 15 de outubro, Dia do Professor!

Autora: Marinês Bonacina


MESTRES

Mestres! É este o seu dia!
E aqui vimos saudá-los com alegria,
Pois a festa, afinal, também é nossa,
Em poder dizer-lhes, com sinceridade,
De tanta confiança e amizade.

Bem sabemos quão árdua é a missão
Dos mestres em guiar a adolescência,
Que é de ímpetos febris e efervescências
Da natureza em evolução.

Mas há mundos de fé e de esperanças
Nestas almas ingênuas de crianças,
Que aqui vêm em busca do saber.
E é sua compreensão e sua luz
É sua mão que ora as conduz
Pela estrada espinhosa do dever.

Nós somos todo o mundo de amanhã,
Em crisálidas, ainda, mas em breve,
Nossas almas se abrirão no afã
De voar para onde um destino as leve.

E, sob esta aparência de insubmissão
De trêfegos seres tagarelas e irritantes,
Creiam que pulsam corações confiantes
E plenos da mais viva gratidão!

Autora: Magdalena Léa


QUESTÃO DE FÍSICA

Há algum tempo recebi um convite de um colega para servir de árbitro na revisão de uma prova. Tratava-se de avaliar uma questão de Física, que recebera nota zero.

O aluno contestava tal conceito, alegando que merecia nota máxima pela resposta, a não ser que houvesse uma "conspiração do sistema" contra ele.

Professor e aluno concordaram em submeter o problema a um juiz imparcial, e eu fui o escolhido. Chegando à sala de meu colega, li a questão da prova, que dizia:

"Mostre como se pode determinar a altura de um edifício bem alto com o auxilio de um barômetro."

A resposta do estudante foi a seguinte:

"Leve o barômetro ao alto do edifício e amarre uma corda nele; baixe o barômetro até a calçada e em seguida levante, medindo o comprimento da corda; este comprimento será igual à altura do edifício."

Sem dúvida, era uma resposta interessante e, de alguma forma, correta pois satisfazia o enunciado. Por instantes vacilei quanto ao veredicto.

Recompondo-me rapidamente, disse ao estudante que ele tinha forte razão para ter nota máxima, já que havia respondido a questão completa e corretamente.

Entretanto, se ele tirasse nota máxima, estaria caracterizada uma aprovação em um curso de física, mas a resposta não confirmava isso. Sugeri então que fizesse uma outra tentativa para responder a questão. Não me surpreendi quando meu colega concordou, mas sim quando o estudante resolveu encarar aquilo que eu sugeri como um bom desafio.

Segundo o acordo, ele teria seis minutos para responder a questão, isto após ter sido prevenido de que sua resposta deveria mostrar, necessariamente, algum conhecimento de física. Passados cinco minutos, ele não havia escrito nada, apenas olhava pensativamente para o forro da sala.

Perguntei-lhe então se desejava desistir, pois eu tinha um compromisso logo em seguida e não tinha tempo a perder.

Mais surpreso ainda fiquei, quando o estudante anunciou que não havia desistido. Na realidade tinha muitas respostas e estava justamente escolhendo a melhor. Desculpei-me pela interrupção e solicitei que continuasse. No momento seguinte ele escreveu esta resposta:

"Vá ao alto do edifício, incline-se numa ponta do telhado e solte o barômetro, medindo o tempo de queda desde a largada até o toque com o solo.

Depois, empregando a fórmula h = (1/2)gt^2, calcule a altura do edifício."

Perguntei então ao meu colega se ele estava satisfeito com a nova resposta, e se concordava com a minha disposição em conferir praticamente a nota máxima à prova.

Concordou, embora sentisse nele uma expressão de descontentamento, talvez inconformismo.

Ao sair da sala, lembrei-me de que o estudante havia dito ter outras respostas para o problema. Embora já sem tempo, não resisti à curiosidade e perguntei-lhe quais eram essas respostas.

"Ah!, sim," - disse ele - "há muitas maneiras de se achar a altura de um edifício com a ajuda de um barômetro."

Perante a minha curiosidade e a já perplexidade de meu colega, o estudante desfilou as seguintes explicações.

"Por exemplo, num belo dia de sol pode-se medir a altura do barômetro e o comprimento de sua sombra projetada no solo, bem como a do edifício. Depois, usando-se uma simples regra de três, determina-se a altura do edifício.

Um outro método básico de medida, aliás bastante simples e direto, é subir as escadas do edifício fazendo marcas na parede, espaçadas da altura do barômetro. Contando o número de marcas para obter a altura do edifício em unidades barométricas.

Um método mais complexo seria amarrar o barômetro na ponta de uma corda e balançá-lo como um pêndulo, o que permite a determinação da aceleração da gravidade (g). Repetindo a operação ao nível da rua e no topo do edifício, tem-se dois g's, e a altura do edifício pode, a princípio, ser calculada com base nessa diferença.

Finalmente, se não for cobrada uma solução física para o problema, existem outras respostas.

Por exemplo, pode-se ir até o edifício e bater na porta do síndico. Quando ele aparecer, diz-se: "caro senhor síndico, trago aqui um ótimo barômetro; se o senhor me disser a altura deste edifício, eu lhe darei o barômetro de presente."

A essa altura, perguntei ao estudante se ele não sabia qual era a resposta "esperada" para o problema.

Ele admitiu que sabia, mas estava tão farto com as tentativas dos professores de controlar o seu raciocínio e cobrar respostas prontas, com base em informações mecanicamente arroladas, que ele resolveu contestar aquilo que considerava, principalmente, uma farsa.

"Não basta ensinar ao homem uma especialidade, porque se tornará assim uma máquina utilizável e não uma personalidade.
É necessário que adquira um sentimento, um senso prático daquilo que vale a pena ser empreendido, daquilo que é belo, do que é moralmente correto."
(Albert Einstein)

Autor: Waldemar Setzer
Professor aposentando da USP
Enviado por Sérgio Fraga

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