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A PERSEVERANÇA DE DEUS
Um dia Deus criou o mundo e dentro do seu plano magnífico e singular desejou que tudo tivesse vida infinita como o tempo. Então, ocupou os espaços vazios com a beleza dos mares, com a diversidade das montanhas, a exuberância das florestas, o encanto dos animais, e também, como não podia deixar de ser, inseriu o homem, sua invenção mais querida.
Tempo depois, desejoso para saber como andava o seu projeto, enviou alguns anjos à Terra. Quando retornaram, o Senhor perguntou:
- Que notícias me trazem?
- Temos boas e más.
- Digam-me as boas.
- A natureza é o reflexo do Vosso desejo, Senhor. Nela encontramos Vossas qualidades: sabedoria, paz, harmonia, renovação e continuidade. Sobre as notícias ruins devemos vos dizer que o homem é para vosso coração apenas desapontamento e desgosto.
Vendo o Senhor que do espírito do homem só poderia retirar maldade, decidiu destruí-lo, como prova de arrependimento por tê-lo feito. E determinou aos anjos que retornassem e avisassem a Noé que faria chover até destruir toda a carne em que há alma.
E sua palavra se transformou em realidade, pois a chuva desabou por muitos dias. Mares e lagos se uniram, avançaram, ocuparam vales e planícies.
Quando as águas baixaram abençoou Noé, seus filhos, e disse: “Frutificai e multiplicai-vos. Prometo que a partir desse dia não tornarei mais a amaldiçoar a terra por causa do homem “.
Vieram gerações e gerações que se espalharam por todos os lugares habitáveis daquele mundo.
Muitos anos depois o Senhor, outra vez, enviou seus anjos à Terra. Voltaram cheios de tristeza e, diante Dele, narraram fatos presenciados. “Continua tudo como antes. Aonde o homem vai, carrega em seu coração discórdia, mentira, ira.”
Naquele momento Deus se viu diante de um impasse, pois prometera não mais condenar o homem, levando-o à destruição. Assim, preferiu renunciar a companhia do seu filho mais querido, conduzindo-o à difícil missão de conciliação, pregação da paz e amor verdadeiro. E fez por cumprir a sua decisão.
Cristo veio ao mundo e iniciou o projeto de Deus, pregando sua palavra, aniquilando o pecado, pacificando os homens, até ser traído por um dos seus discípulos mais próximos. Morreu brutalmente.
Como o Senhor prometera não mais amaldiçoar a Terra por causa do homem, manteve a serenidade, perseverando no seu plano. Mas disse: ´´Apenas vou agir de modo diferente. ´´
Sabiamente, fez Jesus Cristo ressuscitar e voltar ao convívio dos homens em forma de espírito.
E um anjo perguntou a Deus:
- Por que em forma de espírito?
E Deus respondeu: - Não se mata um espírito! Autor: Célio Furtado |