POESIAS E CRÔNICAS

DIVAGAÇÕES DO POETA

Roubaram-me tudo, minha inocência, minha juventude, minha mocidade,
meus sonhos, meus ideais, minha vivacidade, meus
amores, minhas vaidades, minhas loucuras, minha suavidade, meus prazeres, meu bem-querer, minhas saudades.

 Caminho só, sem dor, sem amor, sem riso, sem lágrimas, sem falsidades, sem orgulho, sem felicidade.
Olho para a frente, para atrás, para os lados, vejo gente, vejo coisas, vejo andarilho, vejo choro, vejo riso, vejo sorte, vejo flores, vejo rios, vejo montanhas, vejo a morte.

Olhar perdido no espaço, sinto falta do calor de um regaço, sinto que a vida vai fugindo, sinto amores partindo, sinto frio, sinto calor, sinto dor, sinto tudo, sinto nada, sinto o fim da estrada.

Lá atrás, vejo meu passado, vejo alguém ao meu lado, vejo tudo,novamente vejo nada, vejo a velhice, vejo sombras,  caduquices, vícios, maluquices, tristezas, sandices, que loucura, assim me desnudo.

Sonhando, chorando, sorrindo, sofrendo, falando, mecalando, orando, maldizendo, cantando, poetando, rimando, contradizendo, gritando, querendo, não querendo, buscando, não encontrando, não desanimando, caindo levantando, tentando a sorte, mesmo que traga a morte, vou subindo, vou descendo, vou vivendo, vou morrendo, sem contudo lograr sucesso, vou mudando meu universo, vou enaltecendo em prosa  em verso.

Na minha lucidez, na minha invalidez, tecendo aquí e acolá, a grande e majestosa teia, sinto-me em uma cadeia, um pequeno grão de areia, na imensidão da terra,
sou tudo e não sou nada, mas também não construo a guerra.

Tal e qual um ser nú, com tudo que já fez, sinto a morbidez, como poeta que rima, jogo tudo para cima,
e começo tudo outra vez.

Transformo tudo em prece, então me deito e adormeço,
sinto que estou em um berço, alguém me embala, de tudo esqueço.
A hora então chega, não há tempo para mais nada, chegou o fim da estrada, para o poeta que divagou, seu chão acabou......parou....sossegou...... Adeus

Autora: Divanilde Vitoria Campos

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