POESIAS E CRÔNICAS

 

"CAVALHEIRO"

Desculpa-me Cavalheiro, mas vou quebrar o protocolo e convidar-te para dançar ... não te assustes com a minha ousadia. Ouve como é linda a melodia, eu simplesmente não resisti ...

Olhei para teu corpo moreno e esguio, teu porte soou-me como um desafio. Todos os cavalheiros do salão, sumiram do meu campo de visão ... só tive então olhos para ti.

Ouve como é linda esta canção.
Envolve-me nos teus braços delicadamente ...deixa-te embriagar pela meia luz, pela ambiência, pelos acordes e por tudo que eles possam evocar.

Vem, Cavalheiro, vem dançar esta melodia e não te aborreças, se além da ousadia eu quiser me achegar ... é que tua pele macia, cheirando a pinho do alto da serra, encerra encantos de raro carisma ...não resisti, vim tirar a cisma e estou cá a tua frente, pedindo que me tires para dançar.

Não te perturbes, se esta dama atrevida olhar fundo nos teus olhos, quase a encarar ...
achegar-se comovida no teu corpo varonil, quase a apertar ... deslizar as mãos com doçura pela tua nuca ...roçar os lábios nos teus lábios silentes que incitam a beijar.

Se quiseres uma contradança formal, prometo me comportar ... mas eu não me importarei e nem me sentirei ultrajada, se no meio da contradança,
estancares o teu passo junto à multidão, abrindo espaço, puxando-me pela mão, arrancando-me do salão...

Então não digas nada Cavalheiro, porque não é preciso.
Teu gesto apenas me diz que pudeste interpretar a linguagem secreta do meu coração!!!

Autora
Fátima Irene Pinto
Livro: "Momentos Catárticos"

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