CRÔNICAS

QUE OS OLHOS NÃO VEEM, O CORAÇÃO NÃO SENTE

OS FILHOS QUE ESTAMOS CRIANDO
Autor: Roberto Rabat Chame
Enviado por:
Yna Beta

OS DOMINGOS PRECISAM DE FERIADOS
Autor: Rabino Nilton Bonder
Enviado por: Wanda Cotelo

TENHO 74 ANOS E ESTOU CANSADO
Autor: Bill Cosby
Enviado por: Ana Margareth Valois

MEDINDO AS RIQUEZAS DO SER HUMANO!!!
Autor: Armando Fuentes Aguirre (Catón)
Enviado por: Rivaldo Cavalcanti

PAPAI NOEL É UM BOM VELHINHO PARA O MUNDO DOS NEGÓCIOS. PARA AS CRIANÇAS, NEM TANTO
Autor: Paulo Peres

DE REPENTE 60 (2x30)
Autora: Regina de Castro Pompeu.
Enviado por: Marília Belizzi

100 ANOS DA VÍRGULA..
Autor não mecionado
Enviado por: Janete

IMAGINAÇÃO – UMA PLANTA DE IDEIAS
Autor: José Luiz Gomes

ENTRANDO NO CHILE
Autor: Urda Alice Klueger
Enviado por: Assaz Atroz

SOLIDÃO CONTENTE
Autor: Ivan Martins
Enviado por: Suzely Sales Ramos

FALANDO FRANCAMENTE
Autor: Francisco Miguel de Moura
Enviado por: Fernando Soares Campos

QUANDO ME AMEI DE VERDADE
Autora: Kim McMillen & Alison McMillen
Enviado por: Laura Lellis

QUANDO O INTELECTO ALIA-SE À PAIXÃO
Autor: Pedro Bondaczuk
Enviado por: Fernando Soares Campos

ATRITO
Autor: Roberto Crema
Enviado por: Paulo Aquino

O VELHO NÚMERO 10
Autor: Marcelo Mirisola
Enviado por: João Paulo

DIA DO ORGULHO HÉTERO: A GUERRA INÚTIL DO SEXO
Autor: Guilherme Fiuza

DEUS E O UNIVERSO HOLOGRÁFICO
Autor: Fernando Soares Campos

VIVER OU JUNTAR DINHEIRO?
Autor: Max Gehringer

O ESPETÁCULO VIVO
Autor: Erlon José Paschoal

O CÉU, O INFERNO E A CAMPANHA DOS ATEUS
Autor: Fernando Soares Campos

DEUS CRÊ EM DEUS QUE CRÊ EM DEUS QUE CRÊ EM DEUS...
Autor: Fernando Soares Campos

O PRAZER DA LEITURA
Autor: Erlon José Paschoal

O RAUL
Autor: Max Gehringer - CBN
Enviado por: Elenita Pedrosa

A ARMADILHA DO TWITTER
Autor: Bill Keller
Enviado por: Arthur Morais

AMOR E INVEJA
Autora: Regina Navarro Lins
Enviado: Marly Santanelli

ONDE ANDARÁ O MEU DOUTOR?
Autora: Tatiana Bruscky
Enviado por: Marly

VOCABULÁRIO FEMININO
Autora: Leila Ferreira
Enviado por: Nelly Machado

A MÚSICA DA VIDA
Autor: Erlon José Paschoal

É IMPOSSÍVEL SER FELIZ SOZINHO
Autor: Margareth dos Reis
Enviado por: Marly Santanelli

O SEGREDO DO XIXI EM GRUPO
Autor: Ana Cristina de Sá
Enviado por: Janete Rodrigues

 

O QUE OS OLHOS NÃO VEEM, O CORAÇÃO NÃO SENTE

— Poxa, doutora... Assim a senhora quer me deixar mal, né? Como é que eu posso fazer isso com meu melhor amigo e logo agora que ele nem pode se defender?

— Não precisa falar bem nem mal, seu Jerônimo. Só perguntei qual era o endereço do José. Você não freqüentava a casa dele?

Não só frequentava como era seu melhor amigo. Confidente, parceiro, padrinho de dois dos quatro filhos de Zé Pernambuco. Aquilo não era coisa que se fizesse com um irmão. Enfartar, encostado no acostamento de uma estrada, aos 54 anos, sem tempo para organizar a própria vida nem inventariar o confuso espólio da fugaz existência.

Poucos minutos antes da audiência, ouvi, ainda no corredor, que aquela era a história oficial. Zé, José Henrique Silva, que todos conheciam por Zé Pernambuco, na verdade, enfartara num quarto de motel e de lá foi retirado com o auxílio dos muitos amigos que, solidários, tentavam poupar a família de um sofrimento ainda maior.

Quando morreu, ele não estava com Marta nem com Eliana, as duas mulheres que disputaram a cabeceira do caixão e o título de viúva oficial. Agora, ali, na Justiça, pretendiam ser reconhecidas como companheiras, para receber a aposentadoria do Banco do Brasil pela morte do amado, e herdar as três casas construídas num mesmo terreno.

Ambas fulminavam a primeira testemunha a cada pergunta respondida. O melhor amigo, Jerônimo, foi intimado pelas duas para depor porque tanto uma quanto a outra acreditavam que ele era uma peça chave para esclarecer quem era a matriz, quem era a filial.

Marta e Eliana tinham razão de sobra para não duvidar da lealdade de Jerônimo, pois além de freqüentador assíduo de suas casas, partilhava da intimidade dos casais e era padrinho de dois filhos de Zé Pernambuco, um com cada mulher.

O que se assistia, no entanto, era ao assombro, à admiração e ao ódio refletido no olhar das duas viúvas, ao presenciar, depois da morte, o indesejado fenômeno da ressurreição de um homem desconhecido, cheio de segredos e portador de uma vida dupla inimaginável, ao menos para elas.

Desafiando a lei mais básica da física, o depoimento do amigo comprovou que Zé Pernambuco podia ocupar, ao mesmo tempo, ao menos dois lugares no espaço. E coube a Jerônimo, coitado, ser o mensageiro da surpreendente notícia.

O finado foi casado com Marta durante 14 anos e com ela teve dois filhos. Divorciaram-se e, como ela disse na audiência sorrindo e suspirando, não conseguiram ficar separados nem oito meses. O reencontro apaixonado e mais um filho no caminho foram a senha para a reconciliação.

Zé Pernambuco conheceu Eliana no curto período da separação de Marta, oficialmente divorciado. Era o homem que qualquer mulher esperava na vida. Zé mandou uma rosa por dia para o trabalho de Eliana até que ela concordasse em sair com ele. Tinha fama de mulherengo e ela morria de medo de não resistir.

Em menos de dois meses já dividiam um mesmo teto. Não demorou para que Eliana realizasse o sonho de ter um filho. Ela era a mulher mais feliz do mundo, conforme me reportou. Viveram juntos por quase quatro anos e, agora, uma menina, única filha de Zé, nasceria nos próximos meses, sem ter conhecido o pai que tanto a desejou.

No começo da audiência, a hostilidade era visível. Os filhos mais velhos de Marta acompanhavam a mãe. Os caçulas, ambos com 3 anos, um de cada mãe, na falta de companhia para ficar em casa, também entraram na sala. Riam e brincavam como irmãos, não como até então desconhecidos um do outro.

Aquilo parecia tudo, menos uma sala de audiências. Em cima da mesa, brinquedos, biscoito, água, ressentimento e raiva. Tudo misturado.

Durante quase quatro anos, Zé Pernambuco viveu com as duas mulheres. Moravam em bairros distantes e nenhuma imaginara a possibilidade de ter sido apenas meia companheira.

Na medida em que a audiência avançava, as lacunas deixadas ao longo da vida nos dois relacionamentos eram preenchidas, como num jogo de adivinhação: a promoção, no banco, que exigiria muitas viagens e reuniões nos horários mais inusitados, nunca existiu. Os incontáveis congressos, seminários, treinamentos, também não. A noite de Natal e o almoço de Páscoa não eram os certificados de estabilidade em uma casa. Nem o almoço de Natal e o lanche da Páscoa, eram a garantia de normalidade na outra.

As duas mulheres nunca estranharam essa vida de intervalos e Zé nunca se mostrou estranho, preocupado, diferente. Recebia amigos nas duas casas, sempre carinhoso, de sorriso aberto. Estava disponível, material e emocionalmente, para as duas famílias.

Enquanto as outras testemunhas prestavam depoimentos, o ódio e a intolerância que as mulheres destilaram no início da audiência foram dando lugar à identificação e até à solidariedade. Não foram poucas as vezes em que todos gargalharam, ouvindo as histórias do falecido.

Fiquei intrigada com a naturalidade com que as mulheres acreditavam nas mentiras. Como se conformavam com as ausências nos fins de semana, nas férias? Como viveram quase quatro anos com o tempo fragmentado e a presença sempre insuficiente do parceiro?

Ele era tão intenso quando aparecia que as viagens e compromissos frequentes, mesmo inventados, e a promoção inexistente para fiscal de todos os municípios da região, que o impedia de dormir em casa diariamente, eram aceitos sem questionamento.

Percebi, então, que nenhuma delas queria enxergar o óbvio, numa confirmação velada de que aquilo que os olhos não veem o coração não sente.

Se a morte encerra mistérios e é capaz de transformar em herói o político mais abjeto ou em santo o pior dos pecadores, por que no caso de Zé Pernambuco a lógica seria outra?

O que desqualificava Zé, pensando bem, não era a vida dupla que ele escolheu viver. O amor que dedicou às suas famílias era reconhecido, mesmo agora envolto em tanta raiva, depois da revelação. O constrangimento foi cedendo espaço à compreensão, tão logo ambas perceberam que haviam sido vítimas do mesmo segredo por ele tão bem guardado e administrado.

A construção social, cultural e jurídica da monogamia impedia que generosamente se abraçassem. O instinto de preservação da prole e o amor inabalável que ainda sentiam por Zé, no entanto, permitiu que, num acordo, dividissem a pensão do INSS, o seguro de vida e doassem as casas para os cinco filhos, garantindo a elas o usufruto dos imóveis enquanto vivessem.

Desconstruído o Zé de cada uma, perdoaram aquele que existiu e que não podia, nunca mais, mandar flores ou seduzir nem Marta nem Eliane.

Impossível era perdoar Jerônimo, o causador de tantas dores. Marta e Eliana, as viúvas de Zé Pernambuco, deixaram a sala, olhando para o compadre com desprezo, elegendo-o o mais covarde e o mais safado homem do mundo.

Amigo é pra essas coisas, pensou Jerônimo, conformado, antes de rir e também sair.

*Esta crônica faz parte de uma experiência literária da juíza Andréa Pachá que, junto com outros textos, deverá em breve se transformar em livro.

Autor: Andréa Pachá
Enviado por: Marly

Andréa Pachá é juíza de Direito em Petrópolis (RJ) e ex-conselheira do Conselho Nacional de Justiça.
Fonte: Revista Consultor Jurídico


OS FILHOS QUE ESTAMOS CRIANDO

Um jovem de nível acadêmico excelente, candidatou-se à posição de gerente de uma grande empresa.
Passou a primeira entrevista e o diretor fez a última entrevista e tomou a última decisão.

O diretor descobriu através do currículo que as suas realizações acadêmicas eram excelentes em todo o percurso, desde o secundário até à pesquisa da pós-graduação e não havia um ano em que não tivesse pontuado com nota máxima.
O diretor perguntou: “Tiveste alguma bolsa na escola?” O jovem respondeu: “nenhuma”.

O diretor perguntou: “Foi o teu pai que pagou as tuas mensalidades?” O jovem respondeu: “O meu pai faleceu quando tinha apenas um ano, foi a minha mãe quem pagou as minhas mensalidades.”
O diretor perguntou: “Onde trabalha a tua mãe?” E o jovem respondeu: “A minha mãe lava roupa.”

O diretor pediu que o jovem lhe mostrasse as suas mãos. O jovem mostrou um par de mãos macias e perfeitas.
O diretor perguntou: “Alguma vez ajudaste a tua mãe a lavar as roupas?” O jovem respondeu: “Nunca, a minha mãe sempre quis que eu estudasse e lesse mais livros. Além disso, a minha mãe lava a roupa mais depressa do que eu.”
O diretor disse: “Eu tenho um pedido. Hoje, quando voltares, vais e limpas as mãos da tua mãe, e depois vens ver-me amanhã de manhã.”

O jovem sentiu que a hipótese de obter o emprego era alta. Quando chegou a casa, pediu feliz à mãe que o deixasse limpar as suas mãos. A mãe achou estranho, estava feliz mas com um misto de sentimentos e mostrou as suas mãos ao filho.
O jovem limpou lentamente as mãos da mãe.

Uma lágrima escorreu-lhe enquanto o fazia. Era a primeira vez que reparava que as mãos da mãe estavam muito enrugadas, e havia demasiadas contusões nas suas mãos. Algumas eram tão dolorosas que a mãe se queixava quando limpas com água.

Esta era a primeira vez que o jovem percebia que este par de mãos que lavavam roupa todo o dia tinham-lhe pago as mensalidades. As contusões nas mãos da mãe eram o preço a pagar pela sua graduação, excelência acadêmica e o seu futuro.
Após acabar de limpar as mãos da mãe, o jovem silenciosamente lavou as restantes roupas pela sua mãe. Nessa noite, mãe e filho falaram por um longo tempo.

Na manhã seguinte, o jovem foi ao gabinete do diretor.
O diretor percebeu as lágrimas nos olhos do jovem e perguntou: “Diz-me, o que fizeste e aprendeste ontem em tua casa?”
O jovem respondeu: “Eu limpei as mãos da minha mãe, e ainda acabei de lavar as roupas que sobraram.”

O diretor pediu, “Por favor diz-me o que sentiste.”
O jovem disse: “Primeiro, agora sei o que é dar valor. Sem a minha mãe, não haveria um eu com sucesso hoje. Segundo, ao trabalhar e ajudar a minha mãe, só agora percebi a dificuldade e dureza que é ter algo pronto. Em terceiro, agora aprecio a importância e valor de uma relação familiar.”

O diretor disse: “Isto é o que eu procuro para um gerente. Eu quero recrutar alguém que saiba apreciar a ajuda dos outros, uma pessoa que conheça o sofrimento dos outros para terem as coisas feitas, e uma pessoa que não coloque o dinheiro como o seu único objetivo na vida. Estás contratado.”

Mais tarde, este jovem trabalhou arduamente e recebeu o respeito dos seus subordinados. Todos os empregados trabalhavam diligentemente e como equipe.
O desempenho da empresa melhorou tremendamente.

Uma criança que foi protegida e teve habitualmente tudo o que quis, vai desenvolver- se mentalmente e vai sempre colocar-se em primeiro. Vai ignorar os esforços dos seus pais, e quando começar a trabalhar, vai assumir que toda a gente o deve ouvir e quando se tornar gerente, nunca vai saber o sofrimento dos seus empregados e vais sempre culpar os outros.

Para este tipo de pessoas, que podem ser boas academicamente, podem ser bem sucedidas por um bocado, mas eventualmente não vão sentir a sensação de objetivo atingido. Vão resmungar, estar cheios de ódio e lutar por mais. Se somos este tipo de pais, estamos realmente a mostrar amor ou estamos a destruir o nosso filho?

Pode deixar o seu filho viver numa grande casa, comer boas refeições, aprender piano e ver televisão num grande plasma. Mas quando cortar a relva, por favor deixe-o experienciar isso. Depois da refeição, deixe-o lavar o seu prato juntamente com os seus irmãos e irmãs. Isto não é porque não tem dinheiro para contratar uma empregada, mas porque o quer amar como deve de ser. Quer que ele entenda que não interessa o quão ricos os seus pais são, um dia ele vai envelhecer, tal como a mãe daquele jovem.

A coisa mais importante que os seus filhos devem entender é a apreciar o esforço e experiência da dificuldade e aprendizagem da habilidade de trabalhar com os outros para fazer as coisas.
Quais são as pessoas com mãos enrugadas por mim?

Fonte: http://www.r2cpress.com.br


OS DOMINGOS PRECISAM DE FERIADOS

Toda sexta-feira à noite começa o Shabat para a tradição judaica.
Shabat é o conceito que propõe descanso ao final do ciclo semanal de produção, inspirado no descanso divino no sétimo dia da Criação.

Muito além de uma proposta trabalhista, entendemos a pausa como fundamental para a saúde de tudo o que é vivo.

A noite é pausa, o inverno é pausa, mesmo a morte é pausa. Onde não há pausa, a vida lentamente se extingue.

Para um mundo no qual funcionar 24 horas por dia parece não ser suficiente, onde o meio ambiente e a terra imploram por uma folga, onde nós mesmos não suportamos mais a falta de tempo, descansar se torna uma necessidade do planeta.

Hoje, o tempo de "pausa" é preenchido por diversão e alienação.
Lazer não é feito de descanso, mas de ocupações para não nos ocuparmos. A própria palavra entretenimento indica o desejo de não parar. E a incapacidade de parar é uma forma de depressão. O mundo está deprimido e a indústria do entretenimento cresce nessas condições.

Nossas cidades se parecem cada vez mais com a Disneylândia. Longas filas para aproveitar experiências pouco interativas. Fim de dia com gosto de vazio. Um divertido que não é nem bom nem ruim. Dia pronto para ser esquecido, não fossem as fotos e a memória de uma expectativa frustrada que ninguém revela para não dar o gostinho ao próximo...

Entramos no milênio num mundo que é um grande shopping. A internet e a televisão não dormem. Não há mais insônia solitária; solitário é quem dorme. As bolsas do Ocidente e do Oriente se revezam fazendo do ganhar e perder, das informações e dos rumores, atividade incessante. A CNN inventou um tempo linear que só pode parar no fim.
Mas as paradas estão por toda a caminhada e por todo o processo. Sem acostamento, a vida parece fluir mais rápida e eficiente, mas ao custo fóbico de uma paisagem que passa. O futuro é tão rápido que se confunde com o presente.

As montanhas estão com olheiras, os rios precisam de um bom banho, as cidades de uma cochilada, o mar de umas férias, o domingo de um feriado...

Nossos namorados querem "ficar", trocando o "ser" pelo "estar".

Saímos da escravidão do século XIX para o leasing do século XXI - um dia seremos nossos?

Quem tem tempo não é sério, quem não tem tempo é importante.

Nunca fizemos tanto e realizamos tão pouco. Nunca tantos fizeram tanto por tão poucos...

Parar não é interromper. Muitas vezes continuar é que é uma interrupção. O dia de não trabalhar não é o dia de se distrair literalmente, ficar desatento. É um dia de atenção, de ser atencioso consigo e com sua vida.

A pergunta que as pessoas se fazem no descanso é: o que vamos fazer hoje? Já marcada pela ansiedade. E sonhamos com uma longevidade de 120 anos, quando não sabemos o que fazer numa tarde de domingo.

Quem ganha tempo, por definição, perde. Quem mata tempo, fere-se mortalmente. É este o grande "radical livre" que envelhece nossa alegria - o sonho de fazer do tempo uma mercadoria.

Em tempos de novo milênio, vamos resgatar coisas que são milenares. A pausa é que traz a surpresa e não o que vem depois. A pausa é que dá sentido à caminhada. A prática espiritual deste milênio será viver as pausas. Não haverá maior sábio do que aquele que souber quando algo terminou e quando algo vai começar.

Afinal, por que o Criador descansou? Talvez porque, mais difícil do que iniciar um processo do nada, seja dá-lo como concluído.

Autor: Rabino Nilton Bonder
Enviado por: Wanda Cotelo


"Tenho 74 anos e estou cansado"

Tenho 74 anos. Exceto num breve período na década de 50 quando fiz o meu serviço militar, tenho trabalhado duro desde que eu tinha 17 anos. Exceto por alguns graves desafios de saúde, tinha 50 horas por semana, e não caí doente em quase 40 anos. Tinha um salário razoável, mas eu não herdei o meu trabalho ou o meu rendimento. Eu trabalhei para chegar onde estou. Dada a economia, parece que, embora, a reforma foi uma má idéia, e estou cansado. Muito cansado.

Estou cansado de que me digam que eu tenho que "distribuir a riqueza" para as pessoas que não têm a minha ética de trabalho. Estou cansado de que me digam que o governo fica com o dinheiro que eu ganho, pela força se necessário, e dá-o a pessoas com preguiça para ganhá-lo.

Estou cansado de que digam que o Islã é uma "religião da paz", quando todos os dias eu leio dezenas de histórias de homens muçulmanos a matar suas irmãs, esposas e filhas pela "honra" da sua família; de tumultos de muçulmanos sobre alguma ligeira infração; de muçulmanos a assassinar cristãos e judeus porque não são "crentes"; de muçulmanos queimando escolas para meninas; de muçulmanos apedrejando adolescentes, vítimas de estupro, até a morte por "adultério"; de muçulmanos a mutilar o genital das meninas, tudo em nome de Alá, porque o Alcorão e a lei Sharia diz para eles o fazerem.

Estou cansado de que me digam que por "tolerância para com outras culturas" devemos deixar que Arábia Saudita e outros países árabes usem o nosso dinheiro do petróleo para financiar mesquitas e escolas madrassas islâmicas para pregar o ódio na Austrália, Nova Zelândia, Reino Unido, Estados Unidos e Canadá, enquanto que ninguém desses países está autorizado a fundar uma sinagoga, igreja ou escola religiosa na Arábia Saudita ou qualquer outro país árabe, para ensinar amor e tolerância ...

Estou cansado de que me digam para eu baixar o meu padrão de vida para lutar contra o aquecimento global, o qual não me é permitido debater.

Estou cansado de que me digam que os toxicodependentes têm uma doença, e eu tenho que ajudar no apoio e tratá-los, pagar pelos danos que eles fazem.
Foi um germe gigante, a sair correndo de um beco escuro, a agarrá-los, e a enchê-los de pó branco pelo seu nariz ? ... Ou a enfiar uma agulha em seu braço, enquanto tentaram combatê-los?... E os que fumam desprezando o próximo, quem os "obrigou"?

Estou cansado de ouvir ricos atletas, artistas e políticos de todas os partidos falarem sobre erros inocentes, erros estúpidos ou erros da juventude, quando todos sabemos que eles pensam que seus únicos erros foi serem apanhados. Estou cansado de pessoas com senso do direito... Rico ou pobre.

Estou realmente cansado de pessoas que não assumem a responsabilidade por suas vidas e ações. Estou cansado de ouvi-los culpar o governo, de discriminação pelos "seus problemas."

Eu também estou cansado e farto de ver homens e mulheres jovens em sua adolescência e início de 20 anos serem "doca" de tatuagens e pregos na face, tornando-se não-empregáveis e reivindicando dinheiro do governo ... Dos nossos impostos (de quem trabalha e produz)

Sim, estou muito cansado. Mas também estou feliz por ter 74 ..
Porque, não vou ter de ver o Mundo que essas pessoas estão CRIANDO.

Eu só estou triste por minha neta e os seus filhos. Graças a Deus estou no caminho de saída e não no caminho de entrada

Não há maneira de isto ser amplamente divulgado... A menos que cada um de nós colabore, enviando e ganhando força para contrariar esse (mau) caminho que o Mundo, por força de (péssimos) governantes, nos está proporcionando.

Autor: Bill Cosby
Enviado por: Ana Margareth Valois


MEDINDO AS RIQUEZAS DO SER HUMANO!!!

“Tenho a intenção de processar a revista "Fortune", porque fui vítima de uma omissão inexplicável. Ela publicou uma lista dos homens mais ricos do mundo, e nesta lista eu não apareço. Aparecem: o sultão de Brunei, os herdeiros de Sam Walton e Mori Takichiro.

Incluem personalidades como a rainha Elizabeth da Inglaterra, Niarkos Stavros, e os mexicanos Carlos Slim e Emilio Azcarraga.
Mas eu não sou mencionado na revista.
E eu sou um homem rico, imensamente rico. Como não? vou mostrar a vocês:
Eu tenho vida, que eu recebi não sei porquê, e saúde, que conservo não sei como.
Eu tenho uma família, esposa adorável, que ao me entregar sua vida me deu o melhor para a minha vida; filhos maravilhosos, dos quais só recebi felicidades; e netos com os quais pratico uma nova e boa paternidade.

Eu tenho irmãos que são como meus amigos, e amigos que são como meus irmãos.
Tenho pessoas que sinceramente me amam, apesar dos meus defeitos, e a quem amo apesar dos meus defeitos.

Tenho quatro leitores a cada dia para agradecer-lhes porque eles lêem o que eu mal escrevo.

Eu tenho uma casa, e nela muitos livros (minha esposa iria dizer que tenho muitos livros e entre eles uma casa).

Eu tenho um pouco do mundo na forma de um jardim, que todo ano me dá maçãs e que iria reduzir ainda mais a presença de Adão e Eva no Paraíso.

Eu tenho um cachorro que não vai dormir até que eu chegue, e que me recebe como se eu fosse o dono dos céus e da terra.

Eu tenho olhos que vêem e ouvidos para ouvir, pés para andar e mãos que acariciam; cérebro que pensa coisas que já ocorreram a outros, mas que para mim não haviam ocorrido nunca.

Eu sou a herança comum dos homens: alegrias para apreciá-las e compaixão para irmanar-me aos irmãos que estão sofrendo.

E eu tenho fé em Deus que vale para mim amor infinito.

Pode haver riquezas maiores do que a minha?
Por que, então, a revista "Fortune" não me colocou na lista dos homens mais ricos do planeta?"

E você, como se considera? Rico ou pobre?
Há pessoas pobres, mas tão pobres, que a única coisa que possuem é ... DINHEIRO.

Autor: Armando Fuentes Aguirre (Catón)
Enviado por: Rivaldo Cavalcanti


PAPAI NOEL É UM BOM VELHINHO PARA O MUNDO DOS NEGÓCIOS. PARA AS CRIANÇAS, NEM TANTO

Enquanto a nova classe média brasileira gastará, aproximadamente, 53,9% (R$ 34,6 bilhões) do valor que receberá do 13º salário com o pagamento de dívidas, conforme revelou a pesquisa do Instituto Data Popular, o restante da população, seguindo a tradição, irá às compras atendendo ao apelo do Papai Noel, um velhinho bonachão apenas para o comércio.

Todavia, a chegada de Papai Noel na noite de Natal é esperada com ansiedade por inúmeras crianças em todo o mundo, embora o mito do “bom velhinho” carregue outras versões em nada carismáticas ou bondosas, como revela Roland Barthers em seu livro “Mitologias”, que se ocupa com uma análise semiológica das mensagens veiculadas pelos meios de comunicação de massa.

Segundo o livro, Papai Noel funciona como imagem reparadora da sociedade. É um momento em que a sociedade se livra de sua culpa através do presente e da imagem idealizadora do “bom velhinho” , do pai e do mundo adulto, pois a sociedade não aceita que se possa ter um lado bom e outro mau. Papai Noel surge, neste aspecto, como um personagem apenas bom e com ele a sociedade se redime. Isso passa para a criança que é impedida de expressar o seu lado agressivo (mau).

“A imagem da infancia é feita de formulações ideais de bondade e inocência”, afirmam os psicólogos, que vêem assim, “um comportamento repressor do Papai Noel, na medida em que o presente, na verdade, é uma troca. Só recebe presente que se comporta bem, uma maneira do pai esconder a repressão que ele exerce sobre o filho”.

A ideia de que Papai Noel teve origem como sucessor de São Nicolau ou São Klaus pode ter sido o início do hábito de dar presentes na Alemanha, não é muito aceita pelos psicólogos. ” Na versão de Walt Disney para Papai Noel, nota-se que ele confecciona brinquedos numa fábrica em que os anões são artesãos e há, naturalmente, um artesão-chefe. Logo, Papai Noel procura ocultar o caráter de produção coletiva da indústria”.

Destarte, neutraliza-se a coisa, repete-se o modelo do Ateliê. Assim como o que aparece é o ateliê de violinos de Stradivarius, não a fábrica de violeiros da Hering. É uma fábrica sem máquinas, em que o artesão constrói o seu brinquedo, uma fábrica do Gepeto que fabrica o Pinóquio. Não é uma fábrica em que esse Gepeto, esse artesão, já não existe mais, ou então ele é um especialista solidário com o controle do empreendimento.

Não encarado mais com um simples artesão, é um planejador que fica fora da produção. Procura-se, segundo os psicólogos, apresentar uma visão inocentadora da realidade, escondendo os pontos que são sensíveis à consciência da criança. Porque seria inacreditável que os presentes de Papai Noel resultassem da exploração dos trabalhos dos anões.

Para os psicólogos, Papai Noel, como se apresenta hoje, é uma constrrução moldada sobre fragmentos de mitos europeus. “Nessa construção encontramos, entre outros, o componente de humanização que é semelhante aos dos desenhos animados. Quer dizer, a figura do Papai Noel é acentuada pelos traços curvos, é engordada como acontece com os bichos”.

Nesse sentido, Papai Noel não é um velho qualquer, é um velho humanizado, feito para ser simpático, como faz Walt Disney com o ratinho e os gatos, de acordo com o seu interesse. Desse modo, Papai Noel é tão inocentado quanto os bichinhos de Disney, pois reflete o mito da inocência, na medida em que é inocentado por uma elaboração industrial e a consequente venda comercial.

Na verdade, Papai Noel só existe como escamoteamento, porque o consumo continua sendo culpado, enquanto ele é o móvel inocentador desse consumo, pois absolve sua culpa. Por outro lado, ele é um dos muitos mitos do poder em sua imagem dadivosa. Por isso, “ele é Papai Noel, um substituto do pai, porque é o pai quem realmente faz. Pai, em escala social, é a instituição. Logo, Papai Noel é uma imagem institucional”, do ponto de vista psicológico.

Na análise psicanalítica, Papai Noel opera como elemento de frustração do superego e de resistência ao consumo. ” Ele frustra o superego do consumidor naquilo que este tem de crítica à gratificação. Quer dizer, o anseio de gratificação pelo presente de Papai Noel e, este presente é uma autogratificação, sobretudo, quando se dá alguma coisa a um filho”.

Trata-se, pois, de um processo de frustração desse superego crítico em relação à motivação do consumo. Frustração que, para a psicanálise, “se apresenta como um segundo representante do pai, e vai fazer uma passagem entre o pai-indivíduo e o pai-Estado. O pai-Estado não no sentido de governo, mas no sentido do conjunto de forças que detêm o poder na sociedade”.

No sentido sócio-econômico, a lenda de que Papai Noel só presenteia os bons meninos não reflete muito nas crianças extremamente pobres, geralmente residentes no interior do país, uma vez que a representação de Papai Noel não penetra com tanta eficácia nessa classe, a ponto de ser sensível. Este tipo de pobre é um elemento que, além de não ser produtivo no sentido econômico, também não consegue ser um consumidor de bens simbólicos.

A criança extremamente pobre tem meios de satisfazer essa necessidade simbólica, segundo os sociólogos, “ela ainda não se aculturou para ter necessidades padronizadas. Ela não precisa de uma televisão; ela não precisa de uma fantasia. Ela é capaz de transformar qualquer coisa noutra como, por exemplo, um pedaço de madeira em brinquedo”.

No Brasil, o incremento da propaganda do mito Papai Noel, a partir de 1930, associa-se à industrialização e ao acréscimo de dependência externa. Vale ressaltar que, na década de 30, em todo o mundo, Papai Noel assumiu a feição que tem hoje, esse caráter bonachão, no quadro de uma crise econômica duradoura, quando foi necessária a intervenção do Estado em todos os setores da economia (política do New Deal reproduzida nos países europeus de diferentes formas).

Sob esse aspecto, Papai Noel é um ser plurinacional, que se monta sobre as realidades nacionais e que adquiriu seu perfil atual, humanizado, numa década de crise econômica, quando havia a necessidade não só de se unificar o Estado como de apresentá-lo simpaticamemnte, positivamente, ou seja, fazer uma passagem do pai ou Estado, visto o Estado de um ângulo mais positivo e intervencionista.

O Brasil, pelo processo de colonização, vinha desenvolvendo várias representações natalinas próprias, que se centravam nas Festas de Reis. Estas festas, apesar dos folguedos de representações religiosas de origem ibérica, eram de realização brasileira, um ritual que variava de região para região. Não havia no país unidade nacional para manter uma só representação. Mas essas festas foram sendo esmagadas em função da sociedade de consumo, surgindo, então, a imagem definitiva e alienígena de Papai Noel, puxando seu trenó em pleno verão tropical.

O Natal (data do nascimento de Jesus Cristo) foi deturpado pelo mito Papai Noel, pois sua importância como instituição comercial na sociedade brasileira, sobretudo no processo de industrialização de bens de consumo, é notável, uma vez que se reflete nos próprios ciclos de emissão de papel-moeda, explicam os economistas. Nesses ciclos há piques:

“O primeiro ocorre entre os meses de maio e julho, e é destinado à indústria de bens; o segundo ocorre entre agosto e setembro, destinando-se ao comércio atacadista de bens; e o último começa em outubro e emenda dezembro, que é o pique do varejo e do financiamento ao consumidor. Mesmo porque uma boa parte dos brasileiros que vive ao nível de subsistência tem como único recurso de compra a gratificação do Natal”.

Autor: Paulo Peres


DE REPENTE 60 (ou 2x30)

Ao completar sessenta anos, lembrei do filme “De repente 30”, em que a adolescente, em seu aniversário, ansiosa por chegar logo à idade adulta, formula um desejo e se vê repentinamente com trinta anos, sem saber o que aconteceu nesse intervalo.

Meu sentimento é semelhante ao dela: perplexidade.

Pergunto a mim mesma: onde foram parar todos esses anos?

Ainda sou aquela menina assustada que entrou pela primeira vez na escola, aquela filha desesperada pela perda precoce da mãe; ainda sou aquela professorinha ingênua que enfrentou sua primeira turma, aquela virgem sonhadora que entrou na igreja, vestida de branco, para um casamento que durou tão pouco!Ainda sou aquela mãe aflita com a primeira febre do filho que hoje tem mais de trinta anos.

Acho que é por isso que engordei, para caber tanta gente, é preciso espaço!

Passei batido pela tal crise dos trinta, pois estava ocupada demais lutando pela sobrevivência.

Os quarenta foram festejados com um baile, enquanto eu ansiava pela aposentadoria na carreira do magistério, que aconteceu quatro anos depois.

Os cinquenta me encontraram construindo uma nova vida, numa nova cidade, num novo posto de trabalho.

Agora, aos sessenta, me pergunto onde está a velhinha que eu esperava ser nesta idade e onde se escondeu a jovem que me olhava do espelho todas as manhãs.

Tive o privilégio de viver uma época de profundas e rápidas transformações em todas as áreas: de Elvis Presley e Sinatra a Michael Jackson, de Beatles e Rolling Stones a Madonna, de Chico e Caetano a Cazuza e Ana Carolina; dos anos de chumbo da ditadura militar às passeatas pelas diretas e empeachment do presidente a um novo país misto de decepções e esperanças; da invenção da pílula e liberação sexual ao bebê de proveta e o pesadelo da AIDS. Testemunhei a conquista dos cinco títulos mundiais do futebol brasileiro (e alguns vexames históricos).

Nasci no ano em que a televisão chegou ao Brasil, mas minha família só conseguiu comprar um aparelho usado dez anos depois e, por meio de suas transmissões,vi a chegada do homem à lua, a queda do muro de Berlim e algumas guerras modernas.

Passei por três reformas ortográficas e tive de aprender a nova linguagem do computador e da internet. Aprendi tanto que foi por meio desta que conheci, aos cinquenta e dois anos, meu companheiro, com quem tenho, desde então, compartilhado as aventuras do viver.

Não me sinto diferente do que era há alguns anos, continuo tendo sonhos, projetos, faço minhas caminhadas matinais com meu cachorro Kaká, pratico ioga, me alimento e durmo bem (apesar das constantes visitas noturnas ao banheiro), gosto de cinema, música, leio muito, viajo para os lugares que um dia sonhei conhecer.

Por dois anos não exerci qualquer atividade profissional, mas voltei a orientar trabalhos acadêmicos e a ministrar algumas disciplinas em turmas de pós-graduação, o que me fez rejuvenescer em contato com os alunos, que têm se beneficiado de minha experiência e com quem tenho aprendido muito mais que ensinado.

Só agora comecei a precisar de óculos para perto (para longe eu uso há muitos anos) e não tinjo os cabelos, pois os brancos são tão poucos que nem se percebe (privilégio que herdei de meu pai, que só começou a ficar grisalho após os setenta anos).

Há marcas do tempo, claro, e não somente rugas e os quilos a mais, mas também cicatrizes, testemunhas de algumas aprendizagens: a do apêndice me traz recordações do aniversário de nove anos passado no hospital; a da cesárea marca minha iniciação como mãe e a mais recente, do câncer de mama (felizmente curado), me lembra diariamente que a vida nos traz surpresas nem sempre agradáveis e que não tenho tempo a perder.

A capacidade de fazer várias coisas ao mesmo tempo diminuiu, lembro de coisas que aconteceram há mais de cinquenta anos e esqueço as panelas no fogo.

Aliás, a memória (ou sua falta) merece um capítulo à parte: constantemente procuro determinada palavra ou quero lembrar o nome de alguém e começa a brincadeira de esconde-esconde. Tento fórmulas mnemônicas, recito o alfabeto mentalmente e nada! De repente, quando a conversa já mudou de rumo ou o interlocutor já se foi, eis que surge o nome ou palavra, como que zombando de mim...

Mas, do que é que eu estava falando mesmo?

Ah, sim, dos meus sessenta.

Claro que existem vantagens: pagar meia-entrada (idosos, crianças e estudantes têm essa prerrogativa, talvez porque não são considerados pessoas inteiras), atendimento prioritário em filas exclusivas, sentar sem culpa nos bancos reservados do metrô e a TPM passou a significar “Tranquilidade Pós-Menopausa”.

Certamente o saldo é positivo, com muitas dúvidas e apenas uma certeza: tenho mais passado que futuro e vivo o presente intensamente, em minha nova condição de mulher muito sex...agenária!

Autora: Regina de Castro Pompeu.
Enviado por: Marília Belizzi


100 ANOS DA VÍRGULA..

SOBRE A VÍRGULA

,

Muito legal a campanha dos 100 anos da ABI
(Associação Brasileira de Imprensa).

Vírgula pode ser uma pausa... ou não.
Não, espere.
Não espere..

Ela pode sumir com seu dinheiro.
23,4.
2,34.

Pode criar heróis..
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.

Ela pode ser a solução.
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.

A vírgula muda uma opinião.
Não queremos saber.
Não, queremos saber.

A vírgula pode condenar ou salvar.
Não tenha clemência!
Não, tenha clemência!

Uma vírgula muda tudo.
ABI: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação.

Detalhes Adicionais:

SE O HOMEM SOUBESSE O VALOR QUE TEM A MULHER ANDARIA DE QUATRO À SUA PROCURA.

* Se você for mulher, certamente colocou a vírgula depois de MULHER...
* Se você for homem, colocou a vírgula depois de TEM...

Autor não mecionado
Enviado por: Janete


ENTRANDO NO CHILE

Era a primeira vez na minha vida que eu ia ao Chile – e entrar no Chile foi muito engraçado, pois não havia Aduana. Andaríamos 164 km até chegar a ela, o que me fez pensar de novo nas brigas entre os dois países por causa do Canal de Beagle.

A comida, o sol quente e o bom vento fresco em cima da moto acordaram-me de vez, e agora eu tinha forte consciência de que estava, já, no Deserto do Atacama. É muito interessante e muito lindo, tal deserto. É um verdadeiro espetáculo para quem nunca o viu ou o imaginou – eu, pelo menos, tinha na imaginação as imagens do Deserto do Saara, todo de dunas de areia branca, e fui como que indo de surpresa em surpresa Atacama afora. O Deserto do Atacama às vezes é plano, semeado de distantes vulcões; às vezes é feito de suaves ondulações ou colinas; às vezes é todo de altíssimas subidas e descidas de montanhas – e todo ele é um mar de minério, que o deixa com as mais variadas cores, dependendo do que é feito seu solo. Dependendo da região, uma colina é azulada, outra é creme, outra é lilás, outra é roxa – coisa de louco, beleza como que espargida às mão-cheias, e há que se pensar que a última vez que choveu, lá, foi no século XVI – portanto, há quase 500 anos. Algumas partes do Deserto do Atacama estão fora da biosfera, isto é, são tão secas que não permitem nenhuma forma de vida.

Não cheguei a ver, mas soube que nessas partes que estão fora da biosfera, os grandes laboratórios [1] internacionais têm seus centros de pesquisa mais perigosos, por uma questão de segurança. Funciona assim: se um laboratório daqueles acabar produzindo um vírus, uma bactéria, ou qualquer forma de vida que possa ser prejudicial à Humanidade, e se, devido a algum acidente, tal forma de vida escapar de controle e fugir do laboratório, não haverá perigo – ela não atingirá a Humanidade, pois morrerá antes de sair daquelas regiões totalmente secas.

Naquele dia, porém, atravessávamos parte ainda não tão seca do deserto, planícies pontilhadas com distantes vulcões de grande altitude, onde se formavam as neves eternas, e, por causa delas, havia períodos de degelo que formavam algumas lagoas ou outros pontos de umidade, e qualquer umidade é sinônimo de vida, e onde há aquele mínimo de água nasce a vegetação característica do deserto, que no caso podiam ser pequeninos arbustos, ou capins, ou musgos – e lá estavam as alpacas, as vicunhas, as lhamas, os zorros[2], e sabe-se lá quantos outros bichinhos que existiam na cadeia alimentar daquele lugar onde a vida parecia quase impossível! E não se via, nem mesmo casinhas de adobe, mas fico pensando que aquelas lhamas e suas primas não estariam ali de graça – em algum momento do ano seu dono haveria de aparecer, nem que fosse para tosquiá-las dos seus pêlos tão quentes!

Uma coisa ótima que acontecera desde que entráramos no Chile: voltaram as boas estradas asfaltadas, bem sinalizadas com uma forma diferente de sinalização, em placas amarelas. A paisagem soberba me entretinha completamente, e quase não dei pelos 164 km que andamos – o que não deve ter demorado mais que hora e meia – quando paramos com grande estardalhaço, enfim, na Aduana chilena! Havia um rigoroso controle para que não passasse por ali nenhuma contaminação da febre aftosa – e já tive que saltar da moto sobre uma imensa esponja cheia de desinfetante, enquanto patrulheiros vinham aspergir desinfetante em todas as rodas da nossa comitiva.

Eram simpáticos, os chilenos! Enquanto preenchíamos nossas fichas de entrada no país e outras coisas, entre elas uma declaração de que nada levávamos de origem animal (por causa da febre aftosa), um deles deu-se conta de que meu estômago não estava lá muito bom, e foi buscar um limão, e cortou-o, e me falou das suas propriedades terapêuticas, e me ensinou a chupá-lo da forma certa para absorver o ácido necessário para melhorar, e era pura gentileza. Fiz as coisas que se fazem em tais ocasiões: contei-lhe da grande amiga chilena que tinha na minha cidade, a artista plástica Paloma, e ele acabou se despedindo de mim com um beijo no rosto. Deduzi que ele andara vendo muitas novelas brasileiras, para ter aprendido aquele tipo de despedida – tanto quanto sei, os chilenos e outros povos não se beijam assim como nós!

Só quando, enfim, fomos liberados pela Aduana, foi que me dei conta que estávamos.... nada mais nada menos que em SÃO PEDRO DE ATACAMA! Gente, isso aí estava muito além dos meus melhores sonhos!

Autor: Urda Alice Klueger
Enviado por: Assaz Atroz

SOLIDÃO CONTENTE

O que as mulheres fazem quando estão com elas mesmas.

Ontem eu levei uma bronca da minha prima. Como leitora regular desta coluna,
ela se queixou, docemente, de que eu às vezes escrevo sobre solidão feminina
com alguma incompreensão.

Ao ler o que eu escrevo, ela disse, as pessoas podem ter a impressão de que
as mulheres sozinhas estão todas desesperadas e não é assim. Muitas mulheres
estão sozinhas e estão bem. Escolhem ficar assim, mesmo tendo alternativas.

Saem com um sujeito lá e outro aqui, mas acham que nenhum deles cabe na vida
delas. Nessa circunstância, decidem continuar sozinhas.

Minha prima sabe do que está falando. Ela foi casada muito tempo, tem duas
filhas adoráveis, ela mesma é uma mulher muito bonita, batalhadora,
independente e mora sozinha.

Ontem, enquanto a gente tomava uma taça de vinho e comia uma tortilha ruim
no centro de São Paulo, ela me lembrou de uma coisa importante sobre as
mulheres: o prazer que elas têm de estar com elas mesmas.

Eu gosto de cuidar do cabelo, passar meus cremes, sentar no sofá com a
cachorra nos pés e curtir a minha casa, disse a prima. Não preciso de mais
ninguém para me sentir feliz nessas horas.

Faz alguns anos, eu estava perdidamente apaixonado por uma moça e, para meu
desespero, ela dizia e fazia coisas semelhantes ao que conta a minha prima.
Gostava de deitar na banheira, de acender velas, de ficar ouvindo música ou
ler. Sozinha. E eu sentia ciúme daquela felicidade sem mim, achava que era
um sintoma de falta de amor.

Hoje, olhando para trás, acho que não tinha falta de amor ali. Eu que era
desesperado, inseguro, carente. Tivesse deixado a mulher em paz, com os
silêncios e os sais de banho dela, e talvez tudo tivesse andado melhor do
que andou.

Ontem, ao conversar com a minha prima, me voltou muito claro uma percepção
que sempre me pareceu assombrosamente evidente: a riqueza da vida interior
das mulheres comparada à vida interior dos homens, que é muito mais pobre.

A capacidade de estar só e de se distrair consigo mesma revela alguma
densidade interior, mostra que as mulheres (mais que os homens) cultivam uma
reserva de calma e uma capacidade de diálogo interno que muitos homens
simplesmente desconhecem.

A maior parte dos homens parece permanentemente voltada para fora. Despeja
seus conflitos interiores no mundo, alterando o que está em volta.
Transforma o mundo para se distrair, para não ter de olhar para dentro, onde
dói.

Talvez por essa razão a cultura masculina seja gregária, mundana, ruidosa.
Realizadora, também, claro. Quantas vuvuzelas é preciso soprar para abafar o
silêncio interior? Quantas catedrais para preencher o meu vazio? Quantas
guerras e quantas mortes para saciar o ódio incompreensível que me consome?

A cultura feminina não é assim. Ou não era, porque o mundo, desse ponto de
vista, está se tornando masculinizado. Todo mundo está fazendo barulho. Todo
mundo está sublimando as dores íntimas em fanfarra externa. Homens e
mulheres estão voltados para fora, tentando fervorosamente praticar a
negligência pela vida interior com apoio da publicidade.

Se todo mundo ficar em casa com os seus sentimentos, quem vai comprar todas
as bugigangas, as beberagens e os serviços que o pessoal está vendendo por
aí, 24 horas por dia, sete dias por semana? Tem de ser superficial e feliz.

Gastando senão a economia não anda.

Para encerrar, eu não acho que as diferenças entre homens e mulheres sejam
inatas. Nós não nascemos assim. Não acredito que esteja em nossos genes.
Somos ensinados a ser o que somos.

Homens saem para o mundo e o transformam, enquanto as mulheres mastigam seus
sentimentos, bons e maus, e os passam adiante, na rotina da casa. Tem sido
assim por gerações e só agora começa a mudar. O que virá da transformação é
difícil dizer.

Mas, enquanto isso não muda, talvez seja importante não subestimar a cultura
feminina. Não imaginar, por exemplo, que atrás de toda solidão há desespero.
Ou que atrás de todo silêncio há tristeza ou melancolia. Pode haver escolha.

Como diz a minha prima, ficar em casa sem companhia pode ser um bom programa
desde que as pessoas gostem de si mesmas e sejam capazes de suportar os seus
próprios pensamentos.

Repasse para suas amigas, especialmente para as que não sabem fazer sua
"solidão contente!" e para seus amigos entenderem e valorizarem a riqueza
interior de certas mulheres comparada aos homens.

Autor: Ivan Martins
Enviado por: Suzely Sales Ramos


FALANDO FRANCAMENTE

Numa ocasião como esta, a tentação é falar de si próprio. Mas seria impertinente falar sobre mim, quando minha apresentadora, Profª Teresinha Queiroz, já disse tudo e de forma muito clara e generosa. Resta-me, portanto, agradecer, e falar sobre a criatura – minha obra – e não sobre o criador. Lembro sempre do que disse Confúcio: – “Não se deve a todo momento ficar falando de si, por dois motivos: é que, se falamos de bem, ninguém vai acreditar, e se falamos de mal, todos acreditarão”.

Entrando no assunto que quero desenvolver, de imediato me vem à lembrança certo dia dos anos 1980, morando em Salvador, quando entrei numa livraria e comecei a olhar os livros, atividade para mim muito prazerosa, mesmo que nada possa ler além do título, autor e orelhas, e mesmo que nada possa comprar daquela vez. E, por simples coincidência, li na lombada de uma pequena brochura, o seguinte título O Menino Perdido, de autor americano, já falecido há muito tempo. Comprei o compêndio, li todos os contos e gostei, mas, por algum mecanismo obscuro da mente, não guardei nem o livro nem o nome do autor. Foi o meu espanto. Senti-me roubado, pois já me fixara naquele título para escrever algo que fosse memória da minha meninice.

Lembro-me também de outro dia, já no começo dos anos 1990, em Luís Correia, depois de um banho na praia de Amarração. Sentindo já o começo de uma intransigente crise de depressão, comecei a reler pedaços de contos, crônicas, capítulos. Saudade e angústia. Vontade de fazer algo distinto do que já havia lido sobre a infância. Era isto que sentia. E começava a refazer alguns bosquejos miúdos, num caderninho escolar, e a partir dali ressurgia o nome de O Menino Perdido como título não definitivo. Começada a escrita, vieram as indecisões. Não encontrara um novo título e isto me contrariava. Era impossível abrigar minha matéria sob esse título e depois publicá-la. Eu já havia escrito uma crônica com o título de Um Menino Perdido, que logo desejaria publicada num livro de crônicas, o que de fato aconteceu em 1996.

Muitos questionamentos foram feitos mentalmente e permaneceram em ebulição na minha cabeça. Era muita a matéria a escrever, e não queria um livro grande, no fundo eu desejava um grande livro. Também nem pensar em fazer coisa parecida com O. G. Rego de Carvalho, em Ulisses entre o Amor e Morte. Não tinha como. Eu sou realmente discípulo de O. G. Rego de Carvalho e muito me orgulho disto. Ele é um dos maiores amigos que fiz na minha vida, em Teresina, só não maior do que o Hardi Filho, poeta dos melhores do Piauí, pessoa com quem primeiro me encontrei em Teresina e, juntamente com Herculano Moraes, fundamos o movimento literário O CLIP – Círculo Literário Piauiense. Com O. G. Rego de Carvalho foi diferente: antes de encontrar-me com ele, como colega do Banco do Brasil, já havia lido Ulisses entre o Amor e a Morte. Foi outro espanto na minha vida. Espanto que se repetiu em Somos Todos Inocentes e em Rio Subterrâneo. Que obras incomparáveis!

Mas quantos escritores, que vieram antes dele e de mim, escreveram a infância (ou sobre a infância)? Lembro-me de alguns: José Lins do Rego, com seu O Menino de Engenho; Graciliano Ramos com o seu livro Infância; Joaquim Nabuco, com o espetacular Minha Formação. Os clássicos russos Dostoiévski e Leon Tolstói fizeram livros sobre sua infância e adolescência, excelentes obras cujos nomes não me vêm à memória. Os clássicos modernos mais à vista seriam O Pequeno Príncipe, de Antoine de Exupéry, e O Menino do Dedo Verde, de Maurice Druon. A enumeração seria enorme e tomaria muito tempo. Não falemos das historinhas da vida comum e das fábulas antigas renovadas que tanto têm sido escritas e publicadas como meio de ganha-pão de escritores desempregados e de editores sem imaginação senão a do vil metal. Claro que o genial Monteiro Lobato não entraria nessa última classificação, antes merece ser o primeiro da boa lista, com Memórias de Emília e Caçadas de Pedrinho, para referir apenas duas da sua numerosa produção.

Não, eu jamais escreveria uma história ou um conto com o fim único de ganhar dinheiro. Ganhar dinheiro é bom, mas vender a consciência é horrível.

Passei mais de 20 anos a elaborar O Menino quase Perdido. Finalmente, sem matar completamente o nome primitivo, encontrara o novo título: com uma palavrinha apenas ganhei originalidade. Daí então passaram a ser pensadas, com mais gosto, as formas de escrever e a escolha do conteúdo de cada uma das suas partes. Ele, O Menino... não é um conto grande, não é somente feito de contos encadeados, não é de crônicas, não é um romance. E é tudo isto. Ou quase tudo. A matéria eu já possuía até demais, não que minha infância tenha sido tão rica, mas foram minha infância, minha família, minha terra, minha vida que me inspiraram para escrever esta obra. Original na forma, dentro do poder de minha inventiva. Escolhendo como escrever e o que escrever. E o que publicar e o que deixar de publicar. Muitas páginas foram rasgadas. O livro é não somente real como pode ser ficção, imaginação de homem adulto sobre o que e como sentia o menino, naquele tempo. Um transporte enorme no tempo, no espaço e nas emoções. Assim se casaram o distanciamento e a intimidade. Quase todos os personagens são parentes: pai, mãe, avós, tios, irmãs, primos, amigos, amigas e namoradas – algumas inventadas.

Mas é preciso que diga: - este livro é da minha mãe, principalmente. Quem não gosta de mãe certamente não vai gostar dele. Assim como para Saramago a pessoa mais sábia que ele conheceu, quando menino, foi o avô, para mim, foi minha mãe, até os 8 anos. Fui educado para emoções duradouras e positivas. Daí por diante, juntar-se-ia a influência de meu pai.

Com relação a sua composição, repito: - Foi todo escrito e reescrito muitas vezes. Não digo que esteja perfeito. Não há perfeição, na espécie humana nem sei se em outras. A perfeição é apenas um ideal a perseguir. E é isto que os bons escritores fazem, por si, para si e pela humanidade.

Creio que estou sendo capaz de dizer pouco sobre a matéria de O Menino quase Perdido, mas o suficiente para saber-se que não se trata de biografia, muito menos de minha biografia. Minha biografia são meus livros, não sou cientista nem personagem da mídia, não sou político para quem tudo o que faz precisa ser dito e mostrado, e mentido e enganado. Sou um homem simples e ao mesmo tempo vaidoso do que faço, do que penso e do que recuso. Se em O Menino quase Perdido isto for achado, então o escritor, o personagem onisciente não pôde ser totalmente isento de imprimir sua marca. Eis minha luta pela originalidade e pela diferença em minha escrita, assim como sou diferente em pessoa, sabendo como o filósofo Schopenhauer, que “o estilo é a fisionomia do espírito” e não da cara.

Para confirmar minhas palavras, é pertinente que cite, mais uma vez Arthur Schopenhauer (1788 – 1860), filósofo dos anos selvagens da filosofia” e autor de “O Mundo como Vontade e Representação”. Escreveu ele: 1º) “Um livro nunca pode ser mais do que a impressão dos pensamentos do autor”; 2º) “Para estabelecer uma avaliação provisória sobre o valor da produção intelectual de um escritor não é necessário saber exatamente sobre o que ou o que ele pensou, pois para tanto seria necessária a leitura de todas as suas obras. A princípio basta saber como ele pensou”.
Pensei “O Menino quase Perdido” como uma obra original sobre a infância, no estilo e na construção, quando qualquer menino é rei, ficando distante o autor onisciente, muito distante do que sentia e sente “o menino”, no íntimo - ambos realmente tornados personagens.

Auguro, pois, que O Menino... seja lido como verdade mista, real e ficcional, coleção de contos, de crônicas, ou mesmo romance, para os leitores mais liberais. Editorialmente é um memorial, assim ficou classificado e registrado. E que cada leitor encontre seu menino de forma diferente, da forma que o próprio leitor foi em criança. Se assim acontecer estarei pago.

Finalizando, repito com o vulgo que “de bons propósitos, o inferno está cheio”. Sim, porque me traí e traí a todos, dizendo, no início, que não iria falar de mim mesmo, porém da obra. Acontece que a obra é o homem. Eu sou a minha obra, jamais um se desligará do outro. Se isto acontecer, ambos são falsos ou hipócritas e é isto que eu não quis nem quero ser.

Fonte: Agência Assaz Atroz
Autor: Francisco Miguel de Moura em depoimento lido no lançamento de “O Menino quase Perdido”, na APL – Academia Piauiense de Letras”, em 17-9-2011
Enviado por: Fernando Soares Campos


QUANDO ME AMEI DE VERDADE

Quando me amei de verdade
pude compreender
que em qualquer circunstância,
eu estava no lugar certo,na hora certa.
Então pude relaxar.
Quando me amei de verdade
pude perceber que o sofrimento
emocional é um sinal de que estou indo
contra a minha verdade.
Quando me amei de verdade
parei de desejar que a minha vida
fosse diferente e comecei a ver
que tudo o que acontece contribui
para o meu crescimento.
Quando me amei de verdade
comecei a perceber como
é ofensivo tentar forçar
alguma coisa ou alguém
que ainda não está preparado.
- inclusive eu mesma.
Quando me amei de verdade
comecei a me livrar de tudo
que não fosse saudável.
Isso quer dizer: pessoas, tarefas,
crenças e – qualquer coisa que
me pusesse pra baixo.
Minha razão chamou isso de egoísmo.
Mas hoje eu sei que é amor-próprio.
Quando me amei de verdade
deixei de temer meu tempo livre
e desisti de fazer planos.
Hoje faço o que acho certo
e no meu próprio ritmo.
Como isso é bom!
Quando me amei de verdade
desisti de querer ter sempre razão,
e com isso errei muito menos vezes.
Quando me amei de verdade
desisti de ficar revivendo o passado
e de me preocupar com o futuro.
Isso me mantém no presente,
que é onde a vida acontece.
Quando me amei de verdade
percebi que a minha mente
pode me atormentar e me decepcionar.
Mas quando eu a coloco
a serviço do meu coração,
ela se torna uma grande e valiosa aliada.

Nota: Quando eu me amei de verdade, está em zilhões de blogs por ai como sendo de autoria de 2 pessoas: “Charles Chaplin” e “Autor Desconhecido”, o que é mais uma grande piada de mau gosto da grande Rede sem mãe (a Internet). O texto na verdade é de Kim McMillen , publicada por sua filha Alison McMillen (When I Loved Myself Enough) era parte de um caderno de mensagens que a mãe Kim escrevia como se fosse um diário. Ela morreu aos 52 anos e sua filha reuniu em um livro essas lindas mensagens. O livro foi publicado no Brasil pela Editora Sextante (R.J) com tradução de Iva Sofia Golçalves Lima (96 páginas).

Autora: Kim McMillen & Alison McMillen
Enviado por: Laura Lellis


QUANDO O INTELECTO ALIA-SE À PAIXÃO

A importância de um livro não se mede, apenas, pelo tema que aborda. E nem pela forma com que o assunto é tratado. Também a sua extensão não é, nem de longe, relevante, por não se tratar de parâmetro confiável de avaliação. Há volumosíssimos calhamaços, de mil páginas ou mais que, quando submetidos à criteriosa análise, se revelam vazios de idéias e desérticos em termos de pensamentos e sentimentos. Não sensibilizam, nada acrescentam e raramente o leitor consegue completar sua leitura. Não passam de perdulária verborragia.

Não que conteúdo e forma não sejam importantes. São mais do que isso: fundamentais. Mas a extensão não é. Os bons escritores, aqueles que sobrepujam o tempo e o esquecimento, dão seus recados em poucas palavras, e m pouco mais que uma centena de páginas, se tanto. São, além de criativos e peritos no domínio da técnica de redação, objetivos. Põem, sem rodeios, logo de cara, o “dedo na ferida” a que se propõem a expor.

Parodiando o dramaturgo Bertolt Brecht (Eugen Berthold Friedrich Brecht), em uma de suas tantas peças teatrais que ainda rodam mundo, encenada nos mais requintados palcos planeta afora, pode-se afirmar, categoricamente: “Há livros com conteúdo sólido e profundo e são bons. Há outros que além do conteúdo, têm forma correta, precisa e impecável, e são melhores. Há os que além do conteúdo e da forma, primam pela fluência e pela clareza e são muito bons. Mas há os que, além de tudo isso, são escritos com paixão. Estes são imprescindíveis”.

Esse é o caso específico do excelente romance de Urariano Motta, “Soledad no Recife” (Boitempo Editorial) – obra ficcional, posto que baseada em fatos e personagens reais – que, por reunir todas essas características simultaneamente, tem que constar das mais refinadas e preciosas bibliotecas de pessoas inteligentes, bem-informadas, cultas e, sobretudo, sensíveis, combinação que, convenhamos, é das mais raras.

Creiam-me, não exagero. Se exagero houver na minha constatação, este é para menos, dada minha relativa inabilidade para expressar-me com a clareza e a objetividade que o assunto requer. Concordo com o escritor Alípio Freire que acentuou, no texto de “orelha” do livro de Urariano Motta: “Quando viramos a última página de “Soledad no Recife”, o mais indicado é que nos recolhamos a um profundo e contrito silêncio ou que nos lancemos à produção de um exaustivo ensaio literário (...)”. É o que fiz, faço agora e me proponho a fazer em breve.

No caso do verbo fazer no passado, devo confessar que terminei de ler o livro de Urariano em novembro do ano passado, tão logo ele me chegou às mãos. Quando lancei no mercado “Lance fatal” e “Cronos e Narciso”, em setembro de 2010, fiz um trato com o amigo escritor. Ele escreveria a respeito das minhas duas modestas obras e eu me propunha a fazer o mesmo em relação ao seu romance. Trato feito, trato cumprido, certo? Errado!

Urariano fez a sua parte. Redigiu inteligente e lúcida avaliação dos meus dois livros (generosíssima, sem dúvida), enquanto eu... Estava tomado rigorosamente pela mesma sensação que Alípio teve. Ou seja, a da necessidade de recolher-me a um “profundo e contrito silêncio”. Não podia limitar-me a uma análise superficial e apressada do livro. Ademais, já havia decidido redigir, oportunamente, um ensaio literário a propósito.

O caso do verbo fazer no presente é esta minha contrita confissão de débito com o amigo, essa admissão de não haver cumprido, de imediato, o trato feito. E o tempo futuro? É o aviso de que na sequência, farei várias considerações sobre “Soledad no Recife” que, reunidas, poderão compor (na verdade, irão) alentado ensaio literário. Só espero ter competência suficiente para expressar-me com clareza, pelo menos a minimamente próxima da do autor deste apaixonante romance.

Ajo dessa maneira não apenas consoante recomendação de Alípio Freire, lúcida e pertinente, mas, principalmente, em respeito ao enorme talento de Urariano. Convém ressaltar que não há nenhuma subjetividade no que penso desse escritor. Afinal, mesmo sem que houvesse o menor contato pessoal entre nós (ele no Recife e eu em Campinas), ou seja, sem que houvesse um reles aperto de mão, um abraço fraterno, um olho no olho e sem que um conheça, por exemplo, nem mesmo o timbre da voz do outro, por nunca termos conversado, tenho-o na conta de grande amigo. E de fato, ele o é. Mais do que isso até, considero-o irmão que compartilha comigo (e eu com ele) sonhos e ideais comuns. Essas coisas a gente sabe, sem a mais remota necessidade de comprovação. Sente-as.

Urariano trata desse assunto – e de muitos outros, como amor, ódio, ciúmes, traição, idealismo etc.etc.etc. – e faz, na página 54 de “Soledad no Recife”, esta lapidar constatação: “Ocorrem-nos sentimentos muitas vezes sem explicação, sem uma causa clara, se podemos alimentar a esperança de que todas as coisas tenham uma causa. As pessoas do povo têm uma frase que expressa melhor um fato sem explicação “isso tem lógica”. Se tiver, não é mecânica, nem está no reino do cálculo das probabilidades”(...).

Porquanto, como Urariano observa em outro trecho do livro: “A vida está ao lado, corre célere agora mesmo, e pede, mais que pede, exige, ordena uma interpretação, um instantâneo, um flagrante. A paralisação do voo do beija-flor. Mais grave que isso, porque passa ao largo da paralisação mecânica do movimento. Não são asas em um voo congelado. Não é o instante infinitésimo no percurso e paradoxo da flecha de Zenon. É como – se me permitem comparar mal – um olhar fixo e perseguidor. Vivo, permanente e ciclópico. No entanto, além dessa ambição e muito mais além do escrito, a vida corre, ao lado de mim”(...).

Boa leitura.

Fonte: Agência Assaz Atroz
Autor: Pedro Bondaczuk editor de Literário
Urariano Mota colabora com a Agência Assaz Atroz
Enviado por: Fernando Soares Campos


ATRITOS

Ninguém muda ninguém; ninguém muda sozinho; nós mudamos nos encontros. Simples, mas profundo, preciso.
É nos relacionamentos que nos transformamos.
Somos transformados a partir dos encontros, desde que estejamos abertos e livres para sermos impactados pela idéia e sentimento do outro.

Você já viu a diferença que há entre as pedras que estão na nascente de um rio, e as pedras que estão em sua foz?
As pedras na nascente são toscas, pontiagudas, cheias de arestas.
À medida que elas vão sendo carregadas pelo rio, sofrendo a ação da água e se atritando com as outras pedras, ao longo de muitos anos, elas vão sendo polidas, desbastadas. Assim também agem nossos contatos humanos.

Sem eles, a vida seria monótona, árida.
A observação mais importante é constatar que não existem sentimentos, bons ou ruins, sem a existência do outro, sem o seu contato.
Passar pela vida sem se permitir um relacionamento próximo com o outro, é não crescer, não evoluir, não se transformar.

É começar e terminar a existência com uma forma tosca, pontiaguda, amorfa.
Quando olho para trás, vejo que hoje carrego em meu ser várias marcas de pessoas extremamente importantes.
Pessoas que, no contato com elas, me permitiram ir dando forma ao que sou, eliminando arestas, transformando-me em alguém melhor, mais suave, mais harmônico, mais integrado.

Outras, sem dúvida, com suas ações e palavras, me criaram novas arestas, que precisaram ser desbastadas. Faz parte... Reveses momentâneos servem para o crescimento. A isso chamamos experiência. Penso que existe algo mais profundo, ainda nessa análise.
Começamos a jornada da vida como grandes pedras, cheias de excessos.

Os seres de grande valor, percebem que, ao final da vida, foram perdendo todos os excessos que formavam suas arestas, se aproximando cada vez mais de sua essência, e ficando cada vez menores, menores, menores...
Quando finalmente aceitamos que somos pequenos, ínfimos, dada a compreensão da existência e importância do outro, e principalmente da grandeza de DEUS, é que finalmente nos tornamos grandes em valor.

Já viu o tamanho do diamante polido, lapidado? Sabemos quanto se tira de excesso para chegar ao seu âmago.
É lá que está o verdadeiro valor...
Pois, DEUS fez a cada um de nós com um âmago bem forte e muito parecido com o diamante bruto, constituído de muitos elementos, mas essencialmente de AMOR. DEUS deu a cada um de nós essa capacidade, a de AMAR...
Mas temos que aprender como.
Para chegarmos a esse âmago, temos que nos permitir, através dos relacionamentos, ir desbastando todos os excessos que nos impedem de usá-lo, de fazê-lo brilhar.
Por muito tempo em minha vida acreditei que amar significava evitar sentimentos ruins. Não entendia que ferir e ser ferido, ter e provocar raiva, ignorar e ser ignorado faz parte da construção do aprendizado do amor. Não compreendia que se aprende a amar sentindo todos esses sentimentos contraditórios e... os superando.
Ora, esses sentimentos simplesmente não ocorrem se não houver envolvimento...
E envolvimento gera atrito.
Minha palavra final: ATRITE-SE!
Não existe outra forma de descobrir o AMOR. E sem ele. a VIDA não tem significado.

Autor: Roberto Crema
Enviado por: Paulo Aquino


O VELHO NÚMERO 10

Ocorreu-me a lembrança do condutor que vestia suspensórios, e que alegrava os gringos falando um inglês macarrônico e, junto (ou logo acima dessa lembrança) veio o céu do Rio de Janeiro, do ponto de vista de quem se dependura nos estribos, abre os braços e olha pro alto, literalmente suspenso de alegria e do azul do céu. Algumas vezes, eu mesmo subi as ladeiras de Santa Teresa desse jeito, meio bobo, completamente feliz. (...)

Pois bem, agora o lugar da melhor lembrança que guardo de Santa Teresa é exatamente o lugar amaldiçoado que matou o motorneiro de suspensórios (Oh, Deus! Será que foi ele?) e mais quatro pessoas, e deixou outras dezenas feridas. (...) Quero dizer que - mesmo na remota hipótese de ter havido falha humana - acho uma canalhice pôr a culpa no motorneiro. Outra coisa. Suspender a circulação dos bondes, depois de consumada a tragédia, é algo mais violento, hipócrita e lamentável ainda. Isso tudo me dá uma tristeza maior que o barulho todo do mundo, como se, agora, minhas lembranças dependessem de um laudo técnico, como se meu passado estivesse nas mãos de engenheiros e burocratas da Secretaria de Transportes, como se minha felicidade egoísta não pudesse existir mais naquele lugar desgraçado.

O ranger dos bondes que subiam e desciam a Joaquim Murtinho jamais incomodou. Ao contrário, foram os únicos ruídos amigos que me acompanharam naquele ano de solidão e contrariedade absolutas. Se o meu ódio e o meu amor tivessem um som, e se eu tivesse que responder a todos os ruídos de Santa Teresa, eu guincharia feito um bondinho descarrilado, condenado e sem freio. O velho número 10.

Autor: Marcelo Mirisola
Enviado por: João Paulo


DIA DO ORGULHO HÉTERO: A GUERRA INÚTIL DO SEXO

A ideia da criação do Dia do Orgulho Heterossexual em São Paulo, apesar de idiota, é coerente. É para esse tipo de aberração que a história "progressista" caminha. O Brasil elegeu e santificou um ex-operário, o mundo achou que estava salvo com a eleição de um presidente americano negro, o Brasil se achou moderno ao passar a ser presidido por uma mulher. Obama está enrolado numa crise política (com pretextos financeiros), Dilma se debate com a corrupção herdada dela mesma e Lula fatura com palestras populistas ao lado do cadáver insepulto do mensalão. Mas o que importa são as bandeiras.

A eleição de um negro para a Casa Branca foi importante como símbolo. Mas o arrastão politicamente correto que coloniza o planeta logo a transformou numa panaceia, numa estranha apoteose étnica – como se a grande virtude de Obama fosse a cor de sua pele. Preconceito com sinal trocado. Essa espécie de "racismo do bem" não poderia dar em outra coisa: excitou a reação conservadora, fazendo emergir a ala radical do Partido Republicano e agravando a crise da dívida dos Estados Unidos.

É exatamente o mesmo fenômeno que ronda a exacerbação da cultura gay. O que poderia ser um movimento saudável, de afirmação dos que foram (e são) oprimidos por sua natureza afetiva, ganha tons de arrogância e até revanchismo. Foi assim que o MST começou a botar os pés pelas mãos: seguindo a doutrina de aprendizes de maoísmo como João Pedro Stédile, não bastava conquistar terras – era preciso depredar as instalações dos proprietários.

De repente, a moral heterossexual precisa ser confrontada. Figuras retrógradas, como o deputado Jair Bolsonaro, ganham combustível e até se declaram vítimas de "heterofobia" – miseravelmente com razão. Quem não tem orgulho gay, ou não simpatiza com a causa, está na berlinda. Como se isso fosse antídoto para a opressão passada, presente ou futura. A principal novela da televisão brasileira força a barra pela "normalidade" dos casais gays, querendo apressar a assimilação de costumes na base da militância. É um tiro que sai pela culatra (sem trocadilho, diria o filósofo Agamenon Mendes Pedreira).

O Dia do Orgulho Hétero, aprovado pela Câmara Municipal de São Paulo, é uma excrescência. Mas é herança legítima do movimento gay, ou pelo menos de sua face totalitária, difundida pelos evangelizadores do politicamente correto. Se carregar a bandeira gay significa, em alguma medida, constranger os héteros, estaremos andando em círculos no território da discriminação (não importa para que lado ela esteja apontada). É quando os progressistas se tornam, orgulhosamente, reacionários.

Quando os progressistas se tornam reacionários, nós andamos em círculos no território da discriminação

Em outra frente de "discriminação progressista", o sistema de cotas nas universidades produziu um resultado curioso. Em 15 anos de adoção da medida, com reserva de vagas para negros e provenientes de escolas públicas, a presença das classes C, D e E nas universidades federais não cresceu nem um ponto porcentual (eram 44,3% em 1996 e 43,7% em 2010).

Houve um ligeiro aumento da presença de pretos e pardos e também de estudantes vindos de escolas públicas. E por que mesmo foi implantado o sistema de cotas? Para dar oportunidade no ensino superior a minorias socialmente desfavorecidas. Como se viu pelo resultado da pesquisa por classes, as cotas não beneficiaram quem tem menor renda. Ou seja: negros ficaram com vagas de brancos de sua mesma faixa social, assim como estudantes de escolas públicas ganharam o lugar de colegas do ensino privado com o mesmo nível de renda (ou, possivelmente, até menor).

O que deveria ser uma forma de resgate social virou, portanto, privilégio racial (e curricular). A "discriminação progressista" tornou-se só discriminação.

Os politicamente corretos não descansarão enquanto pretos e brancos, ricos e pobres, gays e héteros não entrarem definitivamente em guerra.


DEUS E O UNIVERSO HOLOGRÁFICO

(Aos ateus, agnósticos, religiosos e deístas: a renovação permanente do conceito de Deus é preciso)

Uma coisa é a gente acreditar em um fato, outra coisa é acreditar que acredita. Ou ainda: uma coisa é acreditar na realidade que somos obrigados a acreditar, outra coisa é acreditar que acredita nessa realidade.

Ainda continuo acreditando que um dos principais motivos para que alguém assuma seu ateísmo é a diversidade de interpretações que as religiões dão para conceitos de céu, inferno e, principalmente, de Deus. Apesar de os ateus em geral garantirem que suas posições ateístas estão baseadas apenas no fato de que não se pode (ou não se consegue) provar a existência de Deus, a meu ver, ateus contestam a existência de Deus não pela aparente impossibilidade de se provar a existência de um criador de todas as coisas visíveis, tangíveis ou imagináveis. A maior parte dos ateus simplesmente se nega, com fundamentada razão, a fazer parte de um “rebanho”, que viria a ser um conjunto de pessoas alienadas, os fanáticos de qualquer ordem.

As provas da existência de Deus, que ateus e deístas exigem, precisariam, naturalmente, estar corroboradas pela Ciência. Somente aos fanáticos de qualquer orientação doutrinária, aqueles que se acomodam a uma ditadura dogmática, creem naquilo que não se deve contestar a sua existência, nem mesmo através de uma proposta de representação imaginária. O problema é que a Ciência nem sempre comprova a existência do que ela própria diz existir (ou ter existido). Daí que muitos homens de ciência também se tornam dogmáticos, ou impõem dogmas. E isso ocorre, provavelmente, por mero orgulho próprio.

Vejamos, por exemplo, o caso da Teoria do Big Bang, que, por sinal, se desdobra em duas matrizes: a do Big Bang quente e a do frio – ambas permeadas de adendos que tentam corrigir ou complementar as idéias iniciais sobre a origem do universo e a evolução deste.

Se a Teoria do Big Bang, naquilo que diz respeito à origem do universo – não, à simples evolução – fosse um fato realmente comprovado, não teria mais um caráter especulativo, não seria mais simples teoria hipotética; mas, sim, um tratado científico incontestável, verdade absoluta que ninguém poderia chamar de absurda. Trata-se, porém, ao focar a origem do universo, de uma teoria probabilística; isso olhada e analisada com muita imaginação, para não dizer “boa vontade”; porque, analisando o conjunto dessa teoria, podemos observar que ela aborda com relativa precisão apenas os aspectos da evolução do universo, mas não encontra resposta plausível para as questões referentes à origem desse universo observável. O capítulo dedicado a explicar a origem do universo é curto e essencialmente metafísico, não é propriamente científico. E não poderia ser de outra forma.

Analisando-se essa parte inicial da Teoria do Big Bang, na qual se pretende explicar a origem do universo, podemos perceber que os “métodos científicos” supostamente utilizados não se enquadram nas determinações de uma “metodologia científica”, mas são simplesmente explicáveis por “terminologias científicas”. Porém, nem mesmo a terminologia empregada pode ser considerada eminentemente científica, pois começam falando de um “ponto” (Matemática, geometria), no “nada” (que não pode ser explicado por ciência ou disciplina alguma), ou no “espaço-atemporal” (um possível absurdo geométrico-metafísico, ou mera representação artística); enchem o “ponto no nada” ou no “espaço-atemporal” de partículas subatômicas que teriam vindo do “nada” e explicam suas reações (sem explicar a ação inicial) e combinações aleatórias; sempre usando apenas uma suposta terminologia científica.

Pelo visto, estando nós na bifurcação entre criacionismo e evolucionismo, para tomar um desses caminhos, precisamos inevitavelmente criar, metafisicamente, o “elemento” que originou o processo evolutivo. E acredite nele quem tiver imaginação. Creio que foi por isso que Einstein falou: “A imaginação é mais importante que o conhecimento”. Claro que um não prescinde do outro. É compreensível que quanto mais conhecimento, mais possibilidades de imaginação lógica, racional.

Acontece que o universo conhecido não é único nem existe em número limitado. Os universos são infinitos... Multiuniverso, ao infinito. Isso é o que imagino (o universo holográfico de que falaremos mais adiante). O problema é que nós, seres humanos, apesar de desejarmos ou acreditarmos na sobrevivência da alma por toda a eternidade, não gostamos muito das ideias de infinito e eternidade... Pensar em infinito e eternidade nos leva, em consequência, a pensar no “nada”. E pensar no “nada” pode nos induzir o pensamento de que nem nós mesmos existimos.

Se a gente pensa em espaço infinito, pensa a partir do nosso Eu-objeto, ou seja, sempre concebendo um começo-sem-fim, de nós para o infinito, de forma unidirecional ou mesmo multidirecional.

Partindo de nós, tendemos a pensar sob uma visão de macroinfinito, sem conseguirmos assimilar, simultaneamente, a posição simétrica do segmento que parte de nós para o microinfinito (o infinitesimal), pois tudo parte de Nós para o universo conhecido, visível e tangível. Colocamo-nos, por assim dizer, como sendo o centro do universo. E – por que não dizer? – na condição de um deus, ou mesmo, de Deus, o que não é de todo errado (na parte conclusiva deste texto, abordaremos essa questão).

Imaginemos, por exemplo, uma estrela (ponto de luz) irradiando em todas as direções. Seus raios percorrendo o espaço, a partir dela para o macroinfinito (macrouniverso). Tentemos imaginar o movimento oposto desses raios, em sentido ao microinfinito (microuniverso, o infinitesimal). Provavelmente, ao imaginar esse movimento retrocedente, a gente para no ponto de luz (a estrela). Eu não estou falando simplesmente de raios simétricos e externos em relação ao ponto de luz, no caso, a estrela. Refiro-me ao sentido interno do ponto de luz, quero dizer que precisamos projetar mentalmente (ou graficamente, talvez numericamente) o sentido do raio indo ao infinito pela via macroinfinita e sua volta ao microinfinito. Ou seja: imaginar que a luz da lâmpada que desligamos “nunca se apagaria”, em nenhum sentido: nem do ponto de iluminação para o macrouniverso, nem desse mesmo ponto para o microuniverso (o infinitesimal). Os raios simétricos levam a luz de sua fonte geradora para o infinito externo, mas aí temos o ponto de partida, o começo, portanto ainda não estamos falando propriamente de infinito (infinito não tem começo nem fim). Estaríamos tratando de um ponto num segmento de reta em direção ao macroinfinito, com suas partes simétricas no mesmo sentido. O que estou querendo é imaginar, por exemplo, a matéria (o universo material) expandindo-se eternamente, ao macroinfinito (macrouniverso), e comprimindo-se eternamente ao microinfinito (microuniverso). Em nenhuma dessas duas hipóteses ela alcançaria o tamanho máximo nem mínimo, ao ponto de se tornar o “tudo” ou o “nada”. Disso podemos deduzir que o “tudo” e o “nada” venham a ser equivalentes; se não, iguais; visto que a representação mental de um ou do outro implica conceituar o infinito.

A meu ver, o maior engano do pensamento metafísico dos cientistas que tentam explicar a origem do universo através da Teoria do Big Bang consiste em falar de um suposto “espaço sem tempo”, “espaço-atemporal” equivalente ao “nada”. Creio que o “espaço sem o tempo” só pode ser concebido matematicamente, em geometria, considerando-o apenas uma especulação puramente artística, que não caberia dentro de si a presença, nem ao menos, de um ser imaginário.

Quando a gente identifica que a Teoria do Big Bang considera o “espaço sem o tempo” antes da explosão do “átomo primordial”, e somente a partir desse fenômeno teria sido iniciado ao espaço-temporal, e ela solicita do leitor-estudante que tente colocar-se do lado de fora do universo para observar, através da imaginação, o momento da “explosão” e expansão do universo, solicita aí uma posição praticamente impossível até de se imaginar. Porque o “espaço sem tempo” e o “nada” têm, basicamente, a mesma “não-essência”, deles não se encontra qualquer parâmetro possível a uma lógica mesmo que imaginária, exceto a possibilidade de uma visão artística, planificada, como concebemos a imediata tridimensionalidade (altura, largura e profundidade) a que estamos acostumados a “tangenciar” com a alma. Porém, esse “tangenciar” é indissociável de uma intuição mais completa, pois implica sentir, o mais profundamente possível, a quadrimensionalidade einsteiniana.

Podemos nos colocar em posição de observador dos aspectos interiores do universo conhecido. A observação exterior desse universo só seria possível através da imaginação caso se considere o espaço e o consequente tempo. (Precisa-se de muita imaginação para colocar-se no “nada”, simplesmente porque não podemos conceber o “nada”.)

Como não temos como conceber, de forma ao menos metafísica, o infinito espacial e a eternidade em separados, não podemos assim estabelecer a origem do universo, a partir de qualquer teoria, fazendo malabarismos mentais para idealizar um “espaço sem tempo”, coisa impossível, pois todo espaço pressupõe o desenvolvimento de suas dimensões e consequente tempo para percorrê-las. Mesmo um segmento de reta (espaço unidimensional) evoca o tempo que se necessita para percorrê-la. Daí, podemos ter uma noção conceitual de infinito: Infinito é o espaço que necessita da Eternidade para ser totalmente percorrido. E Eternidade é o tempo necessário para se percorrer o Infinito. São inseparáveis.

Se é infinito, qualquer ponto-espacial do Infinito é o seu começo e o seu fim ao mesmo tempo. Se é eterno, qualquer ponto-temporal (ou fração de segundo) da Eternidade é o seu começo e fim simultaneamente. Por isso conseguimos falar em perpetuidade como sendo aquilo que tem começo mas não tem fim, simplesmente porque estabelecemos um começo da infinitude, que é ao mesmo tempo começo e fim. (Perpétuo é aquilo que foi eternizado.) Portanto, se dividirmos o infinito-eterno ao meio, teremos dois infinitos-eternos, visto que, se imaginarmos um ponto, uma reta ou um plano e colocarmos qualquer um deles como representação da imaginária fronteira (espaço-cisão) do infinito-eterno, seria ele começo e fim concomitantemente. Basta que recapitulemos a questão dos raios simétricos que vão simultaneamente em direção ao macroinfinito (ou macrouniverso) e ao microinfinito (ou microuniverso), tendo como ponto de partida essa fronteira imaginária.

(Talvez possamos, assim, sentir ou intuir, com maior profundeza, a dimensão espaço-temporal, de acordo com a quadrimensionalidade einsteiniana, mas sem qualquer implicação relativista submetida a conceitos da Mecânica clássica ou probabilística quântica. Apenas captando esta visão e sentimento imediatos de tridimensionalidade (altura, largura e profundidade) indissociada da transcursão do tempo.)

O Universo Holográfico

Dizem que cientistas do mundo inteiro andam pasmados com a idéia de que viveríamos num universo holográfico – o universo seria um infinito holograma –. Isso realmente tem fundamento.

Diante do exemplo da imaginária divisão do infinito-eterno, teorizando que, ao dividir o infinito-eterno, obtemos dois infinitos-eternos, podemos verificar que, se continuarmos dividindo esses infinitos-eternos, em progressão geométrica, obteremos um infinito número de infinitos-eternos. Esta é a característica fundamental do holograma: cada parte contém o todo. O mistério persiste apenas em determinar a fronteira imaginária entre as partes. O que foi feito neste texto: “Portanto, se dividirmos o infinito-eterno ao meio, teremos dois infinitos-eternos, visto que, se imaginarmos um ponto, uma reta ou um plano e colocarmos qualquer um deles como representação da imaginária fronteira (espaço-cisão) do infinito-eterno, seria ele começo e fim concomitantemente. Basta que recapitulemos a questão dos raios simétricos que vão simultaneamente em direção ao macroinfinito (ou macrouniverso) e ao microinfinito (ou microuniverso), tendo como ponto de partida essa fronteira imaginária.” [16º parágrafo]

Agora, ao analisarmos a representação gráfica de um holograma, precisamos pensar nele com o sentimento, intuição, de um espaço quadrimensional (sentimento espacial-temporal). Quero dizer: imaginando o movimento a partir de uma das infinitas partes para outra de forma quadrimensional.

Temos, então, como imaginar a passagem de uma dimensão cósmica para outra.

(Até aqui, minhas explanações e conceitos só se enquadrariam numa visão e sentimento de cunho artístico-geométrico, entretanto os formulei com o propósito que estou de teologar daqui em diante.)

O homem à semelhança de Deus

Deus não é apenas essencialmente bom, ou o Bem, conforme entendemos essas palavras, ou de acordo com os significados que lhes atribuímos a nosso bel-prazer. Deus está acima do Bem e do Mal. Acontece que, entre nós, quando dizemos que alguém está acima do bem e do mal, queremos dizer que esse alguém é a personificação da arbitrariedade, com as inevitáveis associações ao que é violentamente despótico, atendente a interesses de caprichos pessoais. Porém, em se referindo a Deus como um ser acima do Bem e do Mal, quero dizer que Deus é perfeitamente justo, que a Justiça Divina não se limita a conceitos de bem ou mal, bom ou mau, certo ou errado, de acordo com os nossos interesses imediatos. Deus – não personificado – é a essência da própria Justiça Divina, e esta responde por todas as demais qualificações de Deus: onipresença, onisciência e onipotência. A nossa própria consciência é, por natureza, o repositório da Justiça Divina, entretanto ela é apenas uma entre todas as faculdades humanas em fase evolutiva, tanto que a Psicanálise identifica subsistemas, ou departamentos, da nossa consciência. Porém, mesmo embotada por falsos juízos alicerçados em preconceitos – estes, por sua vez, frutos do nosso desejo individual, coisa muito natural –, essa consciência em evolução pode assimilar que aquilo que para a nossa individualidade é bom ou mau, é o bem ou o mal, o certo ou o errado, pode apresentar-se com sentidos invertidos em outros indivíduos, ou seja, em outras consciências. Isso me parece tão evidente que acredito ser desnecessário expressar qualquer tipo de exemplo.

Somos a semelhança de Deus; não, iguais a Ele; apenas semelhantes porque caminhamos para a perfeição. E, graças à perfeição da Justiça Divina, nunca chegaremos lá, jamais seremos iguais a Deus. Ser igual a Deus seria descortinar o infinito (impossível), tendo, por assim dizer, vencido a eternidade (igualmente impossível). Seria o fim, seria a inércia total do processo evolutivo. Ponto final. A morte, no seu mais amplo sentido. Precisamos compreender que o melhor da luta não é a vitória, o melhor de qualquer luta que empreendemos é ela própria, a luta em si. Vida é luta constante, ininterrupta. A vitória representa apenas a dilatação momentânea do prazer, um prêmio fugaz, um orgasmo. Os passos de uma caminhada deveriam ser moderada e continuamente prazerosos. Inclusive os passos aparentemente dados à ré; aparente porque, em todos os sentidos, o movimento nos conduz ao infinito. Se pararmos com intenção de “meditar”, não estaremos propriamente estacionados, o ponto de parada, nesse caso, representa uma caminhada em direção ao microinfinito, ao infinitesimal. Paramos de contemplar o mundo exterior e nos voltamos para dentro de nós mesmos. Mas acho que não devemos, ainda muito jovem, nos enclausurar num mosteiro, numa caverna, ou reclusos no deserto ou no meio da mata, com o propósito de nos tornar ermitões, achando que assim seremos capazes de nos transformar em “sábios” gurus; mesmo que o faça com um computador interligado à internet e mantendo-se em interação ideológica com toda a Humanidade.

Já disseram que o homem inteligente aprende com os próprios erros, e o sábio aprende com os erros dos outros. Acontece que ninguém nasce sapiente, mas apenas inteligente, com a inteligência, a faculdade de conhecer, compreender e aprender. Portanto a verdadeira sapiência só pode vir com a vivência, a experiência própria do indivíduo. Sábio, entendo aí um indivíduo com a postura de mero observador, seria apenas aquele que não repete, ou repete o mínimo de vezes, seus próprios erros e, com a consciência de tê-los cometido, consegue identificar, através de processo analógico, os erros que os outros cometeram em áreas distintas às de suas experiências diretas, pessoais; e assim evitá-los, se necessário e possível for.

Deus personificado e Deus impessoal

O Pai, aquele de quem Jesus falou, é Deus personificado, um ser que já encarnou sob todas as condições em que nós existimos – mesmo que tenha isso ocorrido em outro universo, que não seja este que conhecemos pelas vias dos básicos sentidos humanos –. O Pai e o próprio Jesus têm origem determinada, início, são perpétuos, eternizados. Vivem nos “universos holográficos” de acordo com os seus graus de evolução: a parte do holograma universal em que o Pai se encontra abrange a parte holográfica do Filho, o universo deste envolve os hologramas dos “santos”, dos espíritos relativamente muito evoluídos, até o holograma em que vivemos sob envoltório material denso. O encaixe dos “hologramas universais” é infinito, assim como os deuses personificados também o são; por isso mesmo (por ser infinita), essa personificação de Deus faz de cada parte o Todo, pois o Todo está unificado pelo Deus Impessoal: Causa primária de todas as coisas (realmente infinito e eterno),  que emana da fronteira imaginária das infinitas partes holográficas e habita em toda a parte sob o conceito de Espírito Santo.

Quando Jesus disse “Vós sois deuses”, não estava usando figura de linguagem, fazia referência ao grau de evolução de cada um de nós (hologramas autoconscientes).

Transcrevo a seguir trecho do artigo de minha autoria intitulado “Deus crê em Deus que crê em Deus que crê em Deus...”:

“Também o Pai a quem Jesus tantas vezes se referiu não é ‘a causa primária de todas as coisas’, mas, sim, a personificação de Deus, uma entidade em altíssimo grau de evolução, da qual Jesus é assessor direto para as questões referentes à humanidade terrena. ‘Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém pode ir ao Pai senão por mim.’  João, 14 - 6.

Quando Jesus afirmou ‘Eu e o Pai somos Um’, ele fazia referência à união entre as criaturas através do Espírito Santo (‘inteligência suprema, causa primária de todas as coisas’), o Deus eterno e infinito [a Justiça Divina], aquilo de que jamais desvendaremos o mistério de sua natureza íntima em toda extensão; do contrário, não seria eterno, infinito.”

Onipresença, Onisciência e Onipotência dos deuses em evolução

A chave da onisciência e da onipotência está na consciência da nossa relativa onipresença. Relativa inclusive para o Deus personificado Pai, para Deus-Jesus, para todos os deuses-“santos”, deuses-espíritos relativamente bem evoluídos, etc. Os supra-humanos, vivendo sob roupagem de matéria quintessenciada.

Ser onipresente, na condição de ser humano, não é poder estar de corpo presente em todos os lugares, também não é a simples ação do fenômeno da ubiqüidade (isso também vale para um deus personificado, em qualquer grau evolutivo, até mesmo o Pai). Ser onipresente, para nós aqui na Terra, é respeitar o nosso semelhante (ou igual), é ter consciência de que não somos apenas indivíduos, mas que fazemos parte da Humanidade. Ser onipresente é ter consciência de que aquilo que faço aqui e agora repercute em todo lugar, sem limite preestabelecido, em todo o universo. É, por assim dizer, o “efeito borboleta” que não pode ser facilmente detectado, mas somente intuído. E as nossas ações, quando praticadas sob essa consciência de onipresença, podem nos imbuir de uma sensação de o quanto somos, igualmente de forma relativa, oniscientes, e, daí, aflorar a sensação de onipotência. Basta agora nos impregnar do sentimento de humildade, concluindo que nossa onipresença, tanto quanto a onisciência e onipotência, é relativa ao estado evolutivo de nossa consciência.

Conscientes de onipresença são os africanos, que dizem: “Eu existo porque nós existimos”. E os “civilizados” foram lá ensinar religião a eles. E a nossa filosofia científica também foi lhes dizer: “Penso, logo existo”. Ora, as pedras não pensam, mas elas também existem. Talvez fosse mais racional pensar e dizer: “Penso, logo sei formular conceito de tudo que existe”, mesmo duvidando desses conceitos, ou, de preferência, sempre duvidando mesmo!

Penso, logo sei formular conceito de tudo que existe ou provavelmente deve existir, inclusive sobre a existência de Deus.

Já foi dito que se a Teoria do Big Bang, naquilo que diz respeito à origem do universo – não, à simples evolução – fosse um fato realmente comprovado, não teria mais um caráter especulativo, não seria mais simples teoria hipotética; mas, sim, um tratado científico incontestável, verdade absoluta que ninguém poderia chamar de absurda. Entretanto, com a “verdade absoluta”, estaríamos hoje trabalhando mecanicamente, apenas para observar os efeitos do Big Bang e preparar a “lavoura” contra ou a favor de tais efeitos. Não precisaríamos de cosmólogos estudando a origem (causa) do universo, mas apenas preocupados com a evolução, os efeitos. Seria um trabalho mecânico, tanto quanto trabalhar como operário numa linha de montagem industrial.

Por que o homem de ciência precisa ter fé na Ciência? Porque aquilo que a Ciência ainda não revelou é o que faz ela própria se mover. Não é o que temos cientificamente provado que move a ciência. Os louros das vitórias vão ficando pra trás, e os cheques de Prêmio Nobel muitas vezes são empregados para dar continuidade à luta. Aquilo que a Ciência ainda não conseguiu provar ou alcançar é o que realmente a estimula.

Por que precisamos ter fé na existência de Deus? Porque a verdade absoluta (a certeza: conhecimento perfeito e indiscutível) sobre a sua origem e existência faria de nós “deuses perfeitos”, completos, seria o fim, A fé, portanto, não impõe dogmas; pelo contrário, a fé nos conduz à busca da compreensão do que seja Deus, e isso se traduz apenas em atividade intelectual, não em heresia ou ateísmo. E só temos como assimilar, de forma um pouco mais evidente, aquilo que venha a ser Deus Personificado, que se manifesta na nossa consciência em evolução. E devemos simplesmente referenciá-lo com devido respeito, sem necessidade de adoração fanática, respeito que devemos ter uns com os outros, imbuídos da consciência de que “Eu existo porque nós existimos”, Essa é a mesma reverência que devemos a Deus Impessoal, a Justiça Divina, Inteligência Suprema, Causa primária de todas as coisas (Átomo Primordial), o Infinito e o Eterno (infinito-eterno), pois Este também não exige de nós qualquer postura de adoração, mas tão-somente de compreensão intuitiva de sua existêcia, para que nos sintamos, cada vez mais, à sua semelhança.

***

PS: O filme Matrix só me surpreendeu com uma frase. Foi quando um personagem, observando outro em outra dimensão, falou preocupado: “Ele está começando a acreditar” (mais ou menos isso). Quase caí da cadeira!

Autor: Fernando Soares Campos


VIVER OU JUNTAR DINHEIRO?

Há determinadas mensagens que, de tão interessante, não precisam nem sequer de comentários. Como esta que recebi recentemente.

Li em uma revista um artigo no qual jovens executivos davam receitas simples e práticas para qualquer um ficar rico. Aprendi, por exemplo, que se tivesse
simplesmente deixado de tomar um cafezinho por dia, nos últimos quarenta anos, teria economizado 30mil reais. Se tivesse deixado de comer uma pizza por mês, 12 mil reais.

E assim por diante.

Impressionado, peguei um papel e comecei a fazer contas. Para minha surpresa, descobri que hoje poderia estar milionário. Bastaria não ter tomado as caipirinhas que tomei, não ter feito muitas viagens que fiz, não ter comprado algumas das roupas caras que comprei.

Principalmente, não ter desperdiçado meu dinheiro em itens supérfluos e descartáveis.

Ao concluir os cálculos, percebi que hoje poderia ter quase 500 mil reais na minha conta bancária. É claro que não tenho este dinheiro.

Mas, se tivesse, sabe o que este dinheiro me permitiria fazer?

Viajar, comprar roupas caras, me esbaldar em itens supérfluos e descartáveis, comer todas as pizzas que quisesse e tomar cafezinhos à vontade.

Por isso, me sinto muito feliz em ser pobre. Gastei meu dinheiro por prazer e com prazer. E recomendo aos jovens e brilhantes executivos que façam a mesma coisa que fiz. Caso contrário, chegarão aos 61 anos com uma montanha de dinheiro, mas sem ter vivido a vida.

"Não eduque seu filho para ser rico, eduque-o para ser feliz. Assim ele saberá o VALOR das coisas e não o seu PREÇO"

Que tal um cafezinho?

Autor: Max Gehringer


O ESPETÁCULO VIVO

Assistir a um espetáculo teatral deve proporcionar ao espectador o prazer de uma vivência milenar única e profunda. O teatro, esse ritual elementar da espécie humana, possui, tal como as outras artes, uma linguagem com características particulares e traços distintivos próprios. Sua especificidade é a representação: os atores representam personagens, o palco representa o espaço onde se desenrola a ação, os objetos presentes no palco representam objetos muitas vezes similares aos existentes na vida real ou na imaginação de um determinado grupo social.

Consequentemente, tudo o que surge aos olhos do espectador sintetiza a busca impetrada pelo grupo de atores, diretor e técnicos, com o objetivo de criar uma representação utilizando todas as variantes e as possíveis combinações que a riqueza e a maleabilidade da linguagem teatral permitem. E se cada componente da encenação - do menor gesto ou objeto de cena ao cenário mais grandioso - representa "alguma coisa", cada um deles aparecerá frente ao público carregado de significação, estimulando uma forma de leitura apoiada, de um lado, na montagem dos elementos cênicos e na ênfase intencionalmente colocada nos diversos signos do discurso gestual, que almejam a comunicação; e de outro, nas relações entre a organização deliberada dos elementos constitutivos do espetáculo e a realidade sócio-cultural, na qual público e atores estão inseridos.

A compreensão e a assimilação gradativa dos significados produzidos pela montagem e combinados na ação dramática, suscitam o prazer da descoberta e da vivência lúdica, e tornam o público um participante ativo que aprimora a sensibilidade e exercita o raciocínio - independentemente de sua inclusão física nas ações cênicas, pois a sua participação pode se caracterizar também por uma determinada postura frente à obra.

Cada elemento desempenhará uma função fundamental na construção do "Gestus" total da obra - segundo Brecht, a "expressão mímica e conceitual das relações sociais existentes entre os homens de uma determinada época". Ao contrário do cinema ou da televisão, no teatro o público vê e observa tudo ao mesmo tempo, e relaciona o conjunto de imagens vivas mostradas em cena. A partir de suas próprias experiências e das referências culturais específicas da comunidade a que pertence, ele irá considerar e reconhecer as vivências sociais mostradas no palco. É claro que sempre haverá a possibilidade de se quebrar os padrões existentes e apontar novos caminhos, exigindo-se um pouco mais do público.

A convivência intensa e direta entre ator e público, reunidos para a prática do exercício vivo da comunicação, aprofunda o caráter prazeroso, humano e social de uma representação. Talvez resida exatamente aí a complexidade do fenômeno teatral, que inclui os atores - empenhados numa intensa "produção de sentidos" por meio de uma linguagem viva que abarca todos os matizes do comportamento humano - e o público, envolvido na leitura e na decodificação desta realidade lúdica intensa e fugaz, e compactuando ativamente com o puro prazer de jogar, compreender e descobrir. O bom teatro será sempre uma experiência estética marcante.


O Céu, o Inferno e a campanha dos ateus

Em meados dos anos 1990 (infelizmente não lembro precisamente mês e ano), fui convidado a participar da composição de uma mesa de debate no Seminário Arquidiocesano São José, localizado no bairro do Rio Comprido, aqui no Rio de Janeiro. O tema se reportava aos diversos conceitos de Céu e Inferno, conforme as orientações de religiões diversas. A plateia era composta de seminaristas, leigos católicos e convidados especiais. Os integrantes da mesa deveriam se posicionar como representantes de credos religiosos ou simplesmente praticantes de tal ou qual doutrina religiosa. Também participou um notável professor do Instituto, o qual se declarava ateu.

Estavam ali representantes do Candomblé, do Evangelismo Protestante, da Igreja Católica (evangelismo católico) do Ateísmo e eu, estudante da Doutrina Espírita. E na condição de mediador, um seminarista, destacado líder estudantil do Seminário Arquidiocesano São José. Representando a Igreja Católica, ninguém menos que Dom Estêvão Bettencourt, teólogo, professor do Instituto Superior de Teologia da Arquidiocese do Rio de Janeiro.

O evento representava, simbolicamente, a última aula do curso de Teologia para a turma de seminaristas que se graduavam naquele ano. Ao ser convidado para participar do evento, imaginei que, no mundo “avançado” em que nos encontrávamos alunos de cursos de Teologia já haveriam de ter tido acesso a todas as visões de Céu e Inferno pregadas por todas as doutrinas religiosas do mundo. Principalmente pelas mais ativas em território nacional. Ledo engano. Ali, pude deduzir, em vista das perguntas que vieram da plateia, que ignoravam tudo, tudo mesmo, sobre os conceitos da Doutrina Espírita e das outras religiões. Pelo visto, ali o ensino se resumia aos dogmas da Igreja Católica. E os efeitos da função cognitiva do ser humano estariam submetidos simplesmente à aceitação de uma fé cega. (O Espiritismo orienta seus seguidores estimulando-lhes a fé fundamentada em argumentos científico-filosóficos, sobrepondo a lógica à mera emotividade.)

Dom Estêvão Bettencourt foi o primeiro a expor noção do que a Igreja Católica prega sobre o que venha a ser o Céu e o Inferno. E eu esperava que, a esse respeito, ele discorresse sobre duas regiões bem definidas, para onde iriam todas as almas depois da morte do corpo físico. Cada uma sendo admitida em ambiente próprio ao seu merecimento: as virtuosas para um lado, as pecadoras para o outro, de maneira definitiva, para todo o sempre; conforme me fora ensinado quando criança, na Cruzada Infantil.

Mas eis que o eminente sacerdote católico me surpreendeu. Falou de Céu e Inferno como sendo resultado de profundas impressões que o espírito leva na consciência, a qual, depois da passagem para dimensões quintessenciadas (com a morte do corpo carnal), não mais possuía o material denso para encobrir ou dissimular os verdadeiros valores morais que alimentou enquanto encarnada. Naquele estado, o espírito, ou alma, na mais perfeita liberdade de consciência sobre si mesmo e seus atos, seria o seu próprio e único juiz, impondo-se sentimentos de culpa e consequentes remorsos que o levariam a sofrer atrozes dores morais que conseguira evitar na existência terrena; ou, no caso dos que bem procederam durante sua estada na Terra, se rejubilaria entre os justos, aqueles que lhe antecederam na passagem para o Além.

“Ora! – pensei – Mas esse é, basicamente, o conceito de Céu e Inferno de acordo com os princípios doutrinários do Espiritismo.” Em momento algum Dom Estêvão se referiu a Lúcifer e suas falanges espetando tridentes nas nádegas dos pecadores que teriam sido condenadas a viver em regiões infernais bem definidas. Nada de caldeirões ou lagos de enxofre fervente, não falou de monstruosas criaturas do tipo lobisomem torturando a pobre alma por toda a eternidade.

Porém, se na explanação de Dom Estêvão identifiquei aparente concordância entre a visão espírita e católica sobre o destino das almas desencarnadas, o mesmo não aconteceu quando fomos questionados a respeito da criação do ser humano, da reencarnação versus ressurreição e comunicação com os “mortos”. Conforme a religião católica, o ser humano nasce para uma única existência; a alma seria criada no momento da concepção do corpo e o animaria para jornada única na Terra: nascimento, vida e morte. Depois disso, aguardaria o dia do juízo final, com a ressurreição dos mortos – na oração “O Credo”, os católicos professam a crença na “ressurreição da carne”. (O problema é quando a gente questiona o porquê de tanta gente nascer saudável, com o corpo em perfeita conformação, algumas externando, ainda em tenra idade, desenvolvido grau de inteligência; enquanto outras nascem com deformações físicas e profundas dificuldades para exteriorizar de forma compreensível o produto de suas funções mentais.)

De acordo com a doutrina dos espíritos, o espírito se formaria em milenar desenvolvimento, originando-se embrionário no reino mineral, passado por estágios de evolução no reino vegetal e animal, até encarnar em corpo hominal, simples e ignorante; a partir daí iniciando jornada evolutiva, agora consciente de sua própria individualidade. As multirreencarnações teriam como objetivo o autoaperfeiçoamento, até quando não mais necessitasse da roupagem carnal, passando a viver em corpo de matéria mais sutil, quintessenciada, mas ainda submetido a processo evolutivo.

Em cada reencarnação, o esquecimento das reencarnações anteriores seria estabelecido por natural dispositivo, a fim de que o espírito não se perturbasse com as reminiscências do passado.

Transcrevo abaixo trecho do livro “Nosso Lar”, colônia espiritual levada às telas de cinema, atualmente em cartaz em todo o Brasil, sob o mesmo título do livro psicografado por Francisco Cândido Xavier e ditado pelo espírito André Luiz.

Dois espíritos desencarnados, vivendo na colônia, dialogam, e um deles explica para o outro: “...antes de tudo, é indispensável nos despojarmos das impressões físicas. As escamas da inferioridade são muito fortes. É preciso grande equilíbrio para podermos recordar, edificando. Em geral, todos temos erros clamorosos, nos ciclos da vida eterna. Quem lembra o crime cometido costuma considerar-se o mais desventurado do Universo; e quem recorda o crime de que foi vítima, considera-se em conta de infeliz, do mesmo modo. Portanto, somente a alma, muito segura de si, recebe tais atributos como realização espontânea. As demais são devidamente controladas no domínio das reminiscências, e, se tentam burlar esse dispositivo da lei, não raro tendem ao desequilíbrio e à loucura.”)

A certa altura, o debate se polarizou entre mim e Dom Estêvão; à época, declarado inimigo do Espiritismo, autor de pequena obra que denota contundente manifesto contra a chamada Codificação Kardequiana, a base da Doutrina dos Espíritos.

Notando que a plateia se empolgava e parecia querer se esclarecer mais e mais sobre os conceitos espíritas, Dom Estevão, certamente incomodado devido a que a maior parte das perguntas era encaminhada a mim, alertou: “Não é porque um sopro de lógica acena para a nossa mente que devemos aceitá-lo como expressão da verdade”. Lógico! Até porque “um sopro de lógica” não pode ser de imediato aceito como lógica plenamente desenvolvida. Mesmo assim, é preferível acompanhá-lo, analisando-o com racionais critérios, a fechar a mente sob a ditadura de um dogma qualquer.

A campanha de ateus e agnósticos no Brasil

Em Porto Alegre, RS, e Salvador, BA, foi deflagrada campanha publicitária institucional, com o uso de outdoors, patrocinada pelos membros da Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos (ATEA), que declaram ter o propósito de combater o preconceito e discriminação que supostamente sofrem por parte de religiosos.

Um dos cartazes mais utilizados pelos ateus que aderiram à campanha na internet veicula a frase “Religião não define caráter”. Certamente um explícito sofisma (argumento ou raciocínio concebido com o objetivo de produzir a ilusão da verdade, que, embora simule um acordo com as regras da lógica, apresenta, na realidade, uma estrutura interna inconsistente, incorreta e deliberadamente enganosa – Houaiss) tomado como verdade absoluta.

O caráter de uma pessoa é moldado sob inúmeros fatores; circunstâncias e comportamentos que, adquirindo características de hábitos ou viciações, podem consolidar ou alterar as características morais dos indivíduos, aquelas que lhe são doutrinadas ainda na infância ou adolescência. O livre-arbítrio lhe faculta escolher os caminhos. A família, a escola, as amizades, a política, as filosofias, as religiões... tudo isso e muito mais, principalmente sua solidão espiritual, aliada, inclusive, a fatores biológicos, constituem a forja de um caráter bom, mau ou intermediário (refiro-me às nuances).

Talvez a frase mais adequada para a campanha da ATEA teria sido “Religião não é o único fator que define o caráter”. Igualmente óbvia, mas um tanto distanciada de conotação sofista. Observadores afirmam que a ATEA decidiu-se pela campanha a partir das declarações de um apresentador de televisão, o Datena, da Band, que no seu programa “Brasil Urgente”, teria declarado: "- Olha, eu continuo dizendo que eu acredito que as pessoas que estão comigo, me assistindo há tanto tempo (12, 13, anos) fazendo esse tipo de jornal, eu acredito que as pessoas comunguem da mesma crença que eu: deus. Não importa se você é judeu, se você é muçulmano, se você é católico, se você é evangélico, vocês acreditam em deus. Eu parto dessa pressuposição. Quem não acredita em deus não precisa me assistir não, gente. Quem é ateu não precisa me assistir, não. Mas se eu fizer uma pesquisa aqui se você acredita em deus ou não é capaz de aparecer gente que não acredita em deus. Porque não é possível, cada caso que eu vejo aqui é gente que não tem limite, é gente que já esqueceu que deus existe, que deus fez o mundo e coordena o mundo. É gente que não acredita no inferno...”

(...) Mais adiante reafirmou: “Eu não faço questão NENHUMA de que ateu assista o meu programa. Nenhuma. Agora, quem acredita em deus, seja evangélico, seja muçulmano, seja judeu, seja católico, qualquer religião, entendeu, de quem acredita em deus, continue comigo.”

Datena estava totalmente focado na audiência do seu programa, nada mais que isso, num país de muitos por cento de religiosos cristãos. Uma estupidez, a atitude do apresentador.

E ele conclui: “Se você não acredita em deus, nunca matou ninguém, nunca fez mal pra ninguém, muito bem, parabéns. Mas quem mata com crueldade, quem enterra vivo, quem estupra, quem violenta criança, também não acredita em deus. Não acredita. Pode até falar que acredita mas não acredita. Entendeu?”

Se tiver paciência para ler tudo, acesse a página através deste link:

http://www.atea.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=192:datena-e-os-ateus&catid=923:dia-a-dia&Itemid=104

Fóruns de debate

A campanha da ATEA desencadeou o debate em diversas páginas da internet. Participei de um desses via e-mail. A matéria me chegou através de um dos correspondentes de minha lista, distribuída com os endereços em aberto (c/c). Respondi (a todos) expondo o que achava daquilo. Daí em diante cerca de 30 mensagens se relacionaram à original, expressando-se em proveitoso debate. Mas eis que, entre os debatedores, alguém postou a seguinte mensagem: “Por favor, não confundir ateus (que são pessoas normais que simplesmente não acreditam em Deus) com neo-ateus, que são uma seita de intolerantes bancadas pelo tio Sam. Não tenho nada contra ateus, mas tenho TUDO CONTRA NEO-ATEUS.”

Foi o suficiente para um ateu que participava das discussões ironizar: “Nossa.. neo-ateus financiados pelos EUA para espalhar o caos pelo mundo! E olha que eu acredito em teorias da conspiração...”

Agradeci a informação do mensageiro que trata de supostos “neo-ateus”, insinuando que seriam eles os tais membros da ATEA, e comentei com o segundo: “...pelo tom e cor de sua mensagem, você acredita naquilo que lhe convém. Inclusive quando se tratar de teoria da conspiração.

Esse aí não seria o único elemento para se estabelecer o caos (na verdade se estabelecer o domínio mais acentuado), são muitos, e o desespero não escolhe caminhos ponderadamente, mas o que estiver ao alcance. Não faz muitos anos, os poderosos ianques deflagraram campanha contra os católicos. O Brasil é um país eminentemente católico, não é de espantar que se utilizem de meios como esse ou de falsos religiosos, a quem eles dão guarida já faz algum tempo. Ou você acredita que aqueles [brasileiros] que foram "presos" nos Estados Unidos, acusados de entrarem no país com dinheiro não declarado, foram vítimas da orientação ideológica dos poderosos da nação americana? Não, nada disso, eles foram tão-somente vítimas incidentais de funcionários da Alfândega, só, nada mais. Mas o tratamento dado a eles não foi o mesmo que se dá a pés-de-chinelo que tentam entrar no ‘paraíso’ ilegalmente.”

Ainda nos anos 1990, testemunhei que um professor ateu era membro do corpo docente do Instituto Arquidiocesano do Rio de Janeiro. Fica difícil acreditar que num país como este exista discriminação sistemática contra ateus e agnósticos. O que ocorre aqui é o mesmo que acontece em todo o mundo: existem pessoas que interpretam muito mal os preceitos religiosos e códigos políticos. Gente, as mais das vezes, intolerante.

A Inquisição se foi, Portugal foi o último país europeu a abolir a ditadura inquisitorial. Lá pelo século XVIII, o Marquês de Pombal, então ministro com livres poderes, influenciou na redução dos poderes do Santo Ofício. Não podemos nem devemos esquecer as barbaridades cometidas pela Santa Inquisição, mas isso é hoje apenas parte da História; mesmo assim, a propósito da campanha dos ateus e agnósticos, muita gente deitou falação evocando o que foi a Igreja Católica.

Talvez nem tanto quanto as ciências, mas filosofias e religiões também são dinâmicas. Foi o que pude deduzir da exposição de Dom Estêvão Bettencourt (setembro de 1919 – abril de 2008) no evento em que participei.

Bom, a quem se dispôs a ler até aqui, eu agradeço e vou ficando cá com meus botões, a perguntar: Existem realmente muito mais coisas entre o Céu e o Inferno do que possa imaginar nossa vã filosofia?

Autor: Fernando Soares Campos


DEUS CRÊ EM DEUS QUE CRÊ EM DEUS QUE CRÊ EM DEUS...

“Por certo são maravilhosas as conquistas da ciência moderna. Contudo, a melhor forma de conhecer os segredos da natureza não é inventar instrumentos, mas sim o investigador aperfeiçoar-se a si mesmo. O homem tem em si faculdades que eliminam a distância, e em grau muito maior do que os mais potentes telescópios e microscópios podem consegui-lo em comparação com o olho nu. Esses sentidos ou faculdades são os meios de investigação usados pelos ocultistas, sendo também por assim dizer, o ‘abre-te Sésamo’ na procura da verdade.” (Max Heidel, em “Conceito Rosacruz do Cosmos – ou Cristianismo Místico”, 1909.)

Desde o princípio, quando da aparição do ser humano sobre a Terra, o homem observa atentamente o mundo em que está inserido, inclusive com a curiosidade voltada para si próprio, tentando compreender o princípio de todas as coisas, a origem do universo imediato, tudo aquilo que está ao alcance de nossas vistas e sentidos em geral.

O firmamento, as estrelas, a Lua, o Sol, campos e florestas, as águas em suas diversas concentrações, sejam os mares e oceanos, rios e lagos, nuvens e o fenômeno da chuva, o fogo, as rochas, a imensa variedade de animais e vegetais, tudo isso sempre inquietou a alma humana, despertando-lhe o interesse em identificar e conhecer o começo e o fim do Universo, a origem e o destino da humanidade.

O sentimento da existência de Deus é universal. Em toda a face da Terra, desde tempos remotos, o ser humano professa a crença no Criador de todas as coisas. As formas expressas variam apenas de acordo com a época e o lugar, porém todas convergem para a existência de um ser regente universal, perfeito, justo, onipresente, onisciente e onipotente.

O ateu

Há quem acredite que Deus é fruto da fértil imaginação do ser humano, afirmando que a imagem e predicados divinos teriam sido criados pelo homem com o propósito de explicar o inexplicável, ou transmitir certa noção sobre aquilo que ainda não compreendemos. Para esses, as chamadas leis divinas foram “promulgadas” pelas religiões, a fim de exercerem controle social, refreando as más inclinações humanas.

O fanático

Há os que acreditam num deus à semelhança das imperfeições humanas, um deus capaz de amar, mas também de odiar. Quem de nós não ouviu pregações sobre um deus capaz de se irar (“A ira de Deus!”)? Um deus capaz de lançar maldições sobre indivíduos ou coletividades humanas. Esses falam de um deus que ama apenas os bons, os obedientes, e condena os maus, os rebeldes, a penas eternas, sem direito a se redimirem de suas faltas. Um deus com características humanas, mas nem de todos os humanos; pois, nesse caso, existiriam pessoas até mais indulgentes que o próprio Deus: aquelas que se compadecem dos que ainda permitem que seus instintos se sobreponham à razão, praticando delitos contra suas próprias consciências.

Entretanto, ateu ou fanático, ambos têm lá suas razões de assim se comportarem. E podemos supor que tais razões seriam as mesmas para um e para o outro. Eles se distinguiriam apenas pelos caminhos escolhidos.

Em geral, ateu e fanático são o resultado de uma formação ou orientação religiosa distorcida, aquela que prega uma divindade à semelhança das imperfeições humanas. Diante de tal doutrina e em vista da impossibilidade de se identificar signos de lógica que alimente tal raciocínio, o primeiro optou por não acreditar em nada que se reporte a um ser supremo, nega-se a ser criatura. A evolução humana, para ele, é atributo exclusivo da matéria; e a alma, ou espírito, não lhe passa de uma abstração, resultado de processos mentais gerados por funções orgânicas, reflexos de um fenômeno puramente material que se apagaria após a morte do corpo físico. O segundo se deixou dominar pelo medo e aceita, sem qualquer questionamento, os princípios estabelecidos por supostas autoridades religiosas. Permite que os outros pensem por si.

O que ou quem é Deus?

O que distingue as religiões entre si são, basicamente, as interpretações que elas dispõem sobre a origem do Universo e das leis que regem a existência e comportamento dos seres animados e inanimados que compõem o cenário universal. A aceitação de tais interpretações está condicionada ao grau de instrução de cada indivíduo e aos nossos processos de recepção sensorial mais específicos: visão, audição, paladar, tato e olfato, e estão, invariavelmente, atreladas aos interesses imediatos de indivíduos ou de castas. Porém, se analisadas com o espírito despojado de sentimentos inferiores, como, por exemplo, o orgulho ilusório, e de paixões sem reservas, podemos perceber que as divergências interpretativas, na maioria dos credos religiosos, se sustentam apenas na superfície de pretensas filosofias que atendem a objetivos de dominação e consequente proveito por parte dos dominadores. Contudo uma análise um pouco mais aprofundada pode nos revelar que em geral estariam manifestando, basicamente, os mesmos conceitos. “Todos os caminhos levam a Roma”, porém existem os mais ou menos curvos, os mais ou menos íngremes, os bem pavimentados e os esburacados, os mais largos e os mais estreitos, enfim, os mais ou menos adequados, os que oferecem maior ou menor risco, mais ou menos esforço...

O Espiritismo, doutrina fundamentada no conjunto de cinco livros que recebe a denominação de Codificação Kardequiana (de Allan Kardec), trata, na obra intitulada Livro dos Espíritos, da definição daquilo que vem a ser Deus, as provas de sua existência e os atributos da divindade. Também desenvolve temas relacionados com a imortalidade da alma, a natureza dos espíritos e suas relações com o homem, entre outras abordagens. O livro é composto de 1018 perguntas elaboradas por Kardec, e as respostas teriam sido dadas por espíritos que já alcançaram alto grau de evolução moral. A primeira pergunta é: “O que é Deus?”, a qual recebeu a seguinte resposta: “Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas”.

2 – O que devemos entender por infinito?

– O que não tem começo nem fim; o desconhecido; tudo o que é desconhecido é infinito.

3 – Poderíamos dizer que Deus é infinito?

– Definição incompleta. Pobreza da linguagem dos homens, que é insuficiente para definir as coisas que estão acima de sua inteligência.

A pergunta número quatro se refere a provas da existência de Deus: “Onde podemos encontrar a prova da existência de Deus?” Resposta: “Num axioma que aplicais às vossas ciências: não há efeito sem causa. Procurai a causa de tudo o que não é obra do homem, e a vossa razão vos responderá”. Segue-se um comentário de Kardec: “Para acreditar em Deus, basta ao homem lançar os olhos sobre as obras da criação. O universo existe, portanto ele tem uma causa. Duvidar da existência de Deus seria negar que todo efeito tem uma causa e admitir que o nada pudesse fazer alguma coisa”..

Atributos da Divindade

Ainda extraído do Livro dos Espíritos:

10 – O homem pode compreender a natureza íntima de Deus?

– Não, falta-lhe, para isso, um sentido.

11 – Um dia será permitido ao homem compreender o mistério da Divindade?

– Quando seu Espírito não estiver mais obscurecido pela matéria e, pela sua perfeição, estiver mais próximo de Deus, então o verá e o compreenderá.

Comentário de Kardec: “A inferioridade das faculdades do homem não lhe permite compreender a natureza íntima de Deus. Na infância da humanidade, o homem O confunde muitas vezes com a criatura, da qual lhe atribui as imperfeições; mas, à medida que o senso moral nele se desenvolve, seu pensamento compreende melhor o fundo das coisas, e ele faz uma idéia de Deus mais justa e mais conforme ao seu entendimento, embora sempre incompleta”.

12 – Se não podemos compreender a natureza íntima de Deus, podemos ter idéia de algumas de suas perfeições?

– Sim, de algumas. O homem as compreende melhor à medida que se eleva acima da matéria. Ele as pressente pelo pensamento.

13 – Quando dizemos que Deus é eterno, infinito, imutável, imaterial, único, todo-poderoso, soberanamente justo e bom, não temos uma idéia completa de seus atributos?

– Do vosso ponto de vista, sim, porque acreditais abranger tudo. Mas ficai sabendo bem que há coisas acima da inteligência do homem mais inteligente, e que a vossa linguagem, limitada às vossas idéias e sensações, não tem condições de explicar. A razão vos diz, de fato, que Deus deve ter essas perfeições em grau supremo, porque se tivesse uma só de menos, ou que não fosse de um grau infinito, não seria superior a tudo e, por conseguinte, não seria Deus. Por estar acima de todas as coisas, Ele não pode estar sujeito a qualquer instabilidade e não pode ter nenhuma das imperfeições que a imaginação possa conceber.

E comenta Kardec: “Deus é eterno. Se Ele tivesse tido um começo teria saído do nada, ou teria sido criado por um ser anterior. É assim que, de degrau em degrau, remontamos ao infinito e à eternidade. É imutável; se estivesse sujeito a mudanças, as leis que regem o universo não teriam nenhuma estabilidade. É imaterial, ou seja, sua natureza difere de tudo o que chamamos matéria; de outro modo não seria imutável, porque estaria sujeito às transformações da matéria. É único; se houvesse vários deuses, não haveria unidade de desígnios, nem unidade de poder na ordenação do universo. É todo-poderoso, porque é único. Se não tivesse o soberano poder, haveria alguma coisa mais ou tão poderosa quanto Ele; não teria feito todas as coisas e as que não tivesse feito seriam obras de um outro Deus”.

Personificação de Deus

Inspirado pelos espíritos evoluídos que o acompanharam nos trabalhos da Codificação, Allan Kardec formulou perguntas e teceu comentários às respostas. Observe que Kardec não perguntou “quem é Deus”, mas sim “o que é Deus”. Ambas as partes concordam que “a pobreza da linguagem dos homens é insuficiente para definir as coisas que estão acima de sua inteligência”, conforme afirmaram os espíritos. E concluiu Kardec: “A inferioridade das faculdades do homem não lhe permite compreender a natureza íntima de Deus. Na infância da humanidade, o homem O confunde muitas vezes com a criatura, da qual lhe atribui as imperfeições...”.

Considerando a pobreza da linguagem humana e a nossa inferioridade intelectual, Jesus, quando entre nós encarnado, se utilizou, em diversas ocasiões, de prático método de comunicação que nos facilitaria compreender melhor as mensagens divinas: a parábola, narrativa alegórica capaz de estabelecer uma comparação entre o comportamento humano e os preceitos morais estabelecidos na nossa consciência desde o momento da criação; mas ainda em estado latente, em função da densa materialidade a que estamos sujeitos.

Porém Jesus não se expressou apenas por figuras de linguagem, ele também empregou o discurso direto, mesmo sabendo que somente muito adiante, quando avançássemos no campo científico e na elevação moral, poderíamos melhor entender algumas de suas declarações, como, por exemplo, quando afirmou: “Vós sois deuses”. E acrescentou: “Podeis fazer tudo que faço e muito mais”. Com isso, o Mestre de Nazaré evidenciou que aquilo que nos distingue um dos outros, inclusive dele próprio, é o grau de evolução que cada indivíduo haja conquistado.

Também o Pai a quem Jesus tantas vezes se referiu não é “a causa primária de todas as coisas”, mas, sim, a personificação de Deus, uma entidade em altíssimo grau de evolução, da qual Jesus é assessor direto para as questões referentes à humanidade terrena. “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém pode ir ao Pai senão por mim.” João, 14 – 6.

Quando Jesus afirmou “Eu e o Pai somos Um”, ele fazia referência à união entre as criaturas através do Espírito Santo (“inteligência suprema, causa primária de todas as coisas”), o Deus eterno e infinito, do que jamais desvendaremos o mistério de sua natureza íntima em toda extensão; do contrário, não seria eterno, infinito.

Voltemos à pergunta número onze do Livro dos Espíritos: – Um dia será permitido ao homem compreender o mistério da Divindade?

Resposta: – Quando seu Espírito não estiver mais obscurecido pela matéria e, pela sua perfeição, estiver mais próximo de Deus, então o verá e o compreenderá.

Veremos Deus personificado, o Pai a quem Jesus se reporta, pois esse é uma entidade perpétua, como cada um de nós. Perpétuo porque tem um começo, é criatura eternizada, imortal, não tem fim. E aí, diante dele, compreenderemos com relativa clareza “o que é Deus”, a Lei Suprema que rege o Universo, eterna, imutável, imaterial e única a “inteligência suprema, causa primária de todas as coisas”.

Hierarquia Universal

“Rezam as tradições do mundo espiritual que, na direção de todos os fenômenos do nosso Sistema, existe uma comunidade de espíritos puros e eleitos pelo Senhor Supremo do Universo em cujas mãos se conservam as rédeas diretoras da vida de todas as coletividades planetárias.” (Do livro "A Caminho da Luz", ditado pelo espírito Emmanuel, psicografado por Francisco Cândido Xavier.)

Os sistemas hierárquicos piramidais que se verificam nas organizações das sociedades terrenas são reproduções experimentais fundamentadas em um sistema hierárquico universal. As famílias, as comunidades, as empresas, as cidades, as províncias ou estados e as nações são exemplos de organizações terrenas sob sistemas hierárquicos, cada qual sob o regime que lhe parecer mais adequado, daí o caráter experimental, se comparado ao que ocorre no Universo, onde a hierarquia acontece de forma inalterável, eterna e infinita.

À noite, muitos de nós costumamos contemplar as estrelas e daí afirmar que a Terra é como um grão de areia no deserto ou um cisco de poeira cósmica. “Somos insignificantes em relação ao Universo”, afirmam diante da imensidão do firmamento. Porém, durante o dia, quando o Sol brilha impedindo a visão da abóbada celeste a olho nu, essas mesmas pessoas pasmam-se diante da imensidão dos mares, das gigantescas cadeias de montanha, das imensas geleiras das regiões polares, dos enormes desertos, das intensas florestas e de tantas outras grandiosidades geográficas do nosso “minúsculo” planeta. Encantam-se até mesmo diante de algumas obras humanas, tais como as pirâmides egípcias, pontes quilométricas, grandes edifícios, metrópoles...

O que isso tem a ver com hierarquia universal?

É que à noite, quando nos apequenamos diante da infinitude do firmamento, estamos propensos a negar a responsabilidade que nos cabe sobre a manutenção e equilíbrio da Criação Divina. Por isso, em vista de não sermos capazes de expressar nem mesmo uma noção específica do infinito e da eternidade (qualquer tentativa de formularmos uma idéia de infinito e eternidade acaba nos levando ao “nada”), uma angústia oriunda do nosso orgulho de deuses em princípio evolutivo assoma à nossa alma e preferimos acreditar que do nada viemos e ao nada retornaremos. Porém cada novo alvorecer, nos revelando a Terra em todo o seu esplendor, nos desperta para a Realidade, que traz em si os princípios da Verdade.

Quando nos apequenamos diante da imensidão do Universo conhecido, tentando acreditar que a Terra equivale a um insignificante grão de areia no deserto, manifestamos apenas a descrença em Jesus como Filho do Homem, reencarnado entre nós com o propósito de nos salvar do atraso em que nos enredamos.

Cada átomo tem um núcleo, cada organismo tem um comando, cada organização social tem um dirigente, toda nação tem um governante. No universo em geral não é diferente. Os planetas, as estrelas, as constelações, as galáxias, os grupos de galáxias, tudo tem governos definidos, subordinados entre si, organizados através do Sistema Hierárquico Universal. Assim, Jesus governa o planeta Terra e está subordinado diretamente ao Pai, de quem ele tanto falou, que por sua vez governa o Sistema Solar e se reporta ao governador da constelação a que o nosso sistema pertence (Plêiades?).

Na “Oração da Ave Maria”, os católicos referem-se a Maria, mãe de Jesus na Terra, como “Santa Maria, mãe de Deus”. Não estarão errados se considerarmos que Jesus é o Regente do nosso planeta e na escalada evolutiva está acima, muito além, de todos nós, habitantes do orbe terrestre.  É o Deus personificado para a humanidade terrena.

“Vós sois deuses”

Portanto Deus crê em Deus que crê em Deus que crê em Deus.... Ao infinito. Eternamente.

Autor: Fernando Soares Campos


O PRAZER DA LEITURA

Muito se afirma em nossos dias que as pessoas de maneira geral leem pouco ou nada. Não é o que se constata convivendo com jovens das mais diversas origens. Talvez o que esteja se transformando seja o significado da leitura e o prazer dela oriundo. Outra controvérsia atual seria a possibilidade da substituição gradativa dos livros impressos pelos livros digitalizados disponíveis na íntegra em portais para buscas on-line.

Constato também que apesar de todas as polêmicas o livro impresso continua sendo um dos mais nobres objetos culturais, um símbolo de nossa memória e de nossa civilização. Sem dúvida mudaram as necessidades dos leitores habituados hoje com as novas tecnologias e as frases curtas predominantes nas redes sociais. E a leitura silenciosa, ainda considerada como uma das formas mais adequadas para a obtenção de conhecimentos e de informação, adquire novas dimensões e novos desdobramentos neste nosso mundo veloz e dotado de inúmeras possibilidades de intercâmbio cultural.

Por outro lado, há sempre o risco do culto à superficialidade e, por conseguinte, de um vazio existencial que precisa ser abastecido ininterruptamente com novidades quase sempre fúteis, que anseia por uma satisfação de seus desejos cada vez mais rápida e mais sintonizada com as novas ofertas do mercado. Neste sentido, Theodor Adorno, sociólogo alemão, em 1959, cria um conceito - o semiculto - para tentar definir a formação cultural, num ensaio intitulado Theorie der Halbbildung (Teoria da semicultura).

Ele fala sobre a modernidade que privilegia um indivíduo semiculto, que conhece um pouco de tudo, que se limita aos resumos e se orienta pela ambição. Adorno vê nisso um enorme perigo: "Compreender e saber pela metade não é uma etapa preliminar da cultura e sim um inimigo mortal desta: elementos culturais que cheguem à consciência sem pressuporem sua continuidade transformam-se em substâncias tóxicas malignas." Qual a saída? Para Adorno, só há uma: uma vida autodeterminada, através da reflexão crítica sobre a semicultura e sobre o semiconhecimento.

O prazer da leitura está muito associado às vivências de experiências estéticas que nos conectam com o que de melhor foi produzido por nossa civilização e que reforçam nossa condição humana em meio a um mundo repleto de ameaças e perigos iminentes. Jorge Luis Borges considerava o livro uma extensão da memória e da imaginação. Para ele, a biblioteca - um local quase mágico povoado pela imaginação humana - seria a memória da humanidade. Em suas aulas aconselhava os alunos a não lerem críticas, e sim as próprias obras em questão. Talvez compreendam pouca coisa, dizia, mas sentirão um prazer único e estarão ouvindo a voz de alguém, já que cada autor tem a sua voz.

É preciso considerar, contudo, que as mídias e as novas formas de comunicação se complementam e se otimizam mutuamente, modificando a inserção social dos objetos culturais, sua recepção e a produção de seus conteúdos, além de fazer frutificar novas linguagens artísticas. Neste contexto, a leitura seguirá sendo sempre uma "forma de felicidade".

Autor: Erlon José Paschoal


O RAUL

Durante minha vida profissional, eu topei com algumas figuras cujo sucesso surpreende muita gente.

Figuras sem um vistoso currículo acadêmico, sem um grande diferencial técnico, sem muito networking ou marketing pessoal. Figuras como o Raul. 

Eu conheço o Raul desde os tempos da faculdade. Na época, nós tínhamos um colega de classe, o Pena, que era um gênio.

Na hora de fazer um trabalho em grupo, todos nós queríamos cair no grupo do Pena, porque o Pena fazia tudo sozinho.

Ele escolhia o tema, pesquisava os livros, redigia muito bem e ainda desenhava a capa do trabalho - com tinta nanquim.

Já o Raul nem dava palpite. Ficava ali num canto, dizendo que seu papel no grupo era um só, apoiar o Pena.

Qualquer coisa que o Pena precisasse, o Raul já estava providenciando, antes que o Pena concluísse a frase. Deu no que deu.

O Pena se formou em primeiro lugar na nossa turma. E o resto de nós passou meio na carona do Pena - que, além de nos dar uma colher de chá nos trabalhos, ainda permitia que a gente colasse dele nas provas.

No dia da formatura, o diretor da escola chamou o Pena de 'paradigma do estudante que enobrece esta instituição de ensino'.

E o Raul ali, na terceira fila, só aplaudindo.

Dez anos depois, o Pena era a estrela da área de planejamento de uma multinacional.

Brilhante como sempre, ele fazia admiráveis projeções estratégicas de cinco e dez anos.E quem era o chefe do Pena? O Raul.

E como é que o Raul tinha conseguido chegar àquela posição? Ninguém na empresa sabia explicar direito.

O Raul vivia repetindo que tinha subordinados melhores do que ele, e ninguém ali parecia discordar de tal afirmação.

Além disso, o Raul continuava a fazer o que fazia na escola, ele apoiava.
Alguém tinha um problema? Era só falar com o Raul que o Raul dava um jeito.Meu último contato com o Raul foi há um ano. Ele havia sido transferido para Miami , onde fica a sede da empresa.

Quando conversou comigo, o Raul disse que havia ficado surpreso com o convite. Porque, ali na matriz, o mais burrinho já tinha sido astronauta...
E eu perguntei ao Raul qual era a função dele. Pergunta inócua, porque eu já sabia a resposta.O Raul apoiava. Direcionava daqui, facilitava dali, essas coisas que, na teoria, ninguém precisaria mandar um brasileiro até Miami para fazer.

Foi quando, num evento em São Paulo , eu conheci o Vice-presidente de recursos humanos da empresa do Raul.

E ele me contou que o Raul tinha uma habilidade de valor inestimável:... ELE ENTENDIA DE GENTE!

Entendia tanto que não se preocupava em ficar à sombra dos próprios subordinados para fazer com que eles se sentissem melhor, e fossem mais produtivos.

E, para me explicar o Raul, o vice-presidente citou Samuel Butler, que eu não sei ao certo quem foi, mas que tem uma frase ótima: "Qualquer tolo pode pintar um quadro, mas só um gênio consegue vendê-lo".
Essa era a habilidade aparentemente simples que o Raul tinha, de facilitar as relações entre as pessoas.

Perto do Raul, todo comprador normal se sentia um expert e todo pintor comum, um gênio.Essa era a principal competência dele.

"Há grandes Homens que fazem com que todos se sintam pequenos. Mas, o verdadeiro Grande Homem é aquele que faz com que todos se sintam Grandes".

Autor: Max Gehringer - CBN
Enviado por: Elenita Pedrosa / Spartaco Massa


A ARMADILHA DO TWITTER

Semana passada minha mulher e eu autorizamos nossa filha de 13 anos a entrar no Facebook. Em algumas horas ela acumulou 171 amigos e eu me senti um pouco como se tivesse dado à minha filha um cachimbo com ópio.

Não pretendo ser um estraga-prazeres. Edito um jornal que abraçou a nova mídia com entusiasmo e criatividade. Entendo que a internet alcança e mobiliza uma audiência global, que ela convida à participação e facilita – até certo ponto – a apuração de notícias. Mas, antes de nos rendermos à idolatria digital, devemos ponderar que a inovação sempre tem um preço. Às vezes imagino se ele não é um pedaço de nós mesmos.

O cativante best-seller “Moonwalking with Einstein”, de Joshua Foer, cita um colossal exemplo do que nós trocamos pelo progresso. Até o século XV, as pessoas eram ensinadas a guardar uma vasta quantidade de informações. Façanhas da memória – como recitar de cor livros inteiros – não eram raras. Então surgiu o Mark Zuckerberg de sua época, Johannes Gutenberg. À medida que nos acostumamos a depender da página impressa, o hábito de guardar de cor caiu gradualmente em desuso. A capacidade prodigiosa de se lembrar ainda existe, mas, para a maioria, está na garagem.

Meu pai, que estudou engenharia no MIT na época da régua de cálculo, lamentava que a calculadora de bolso, com todas as suas conveniências, reduziu a capacidade matemática de minha geração. Muitos de nós descobrimos que a navegação por GPS comprometeu nosso conhecimento sobre as ruas da cidade e talvez tenha até prejudicado nosso senso inato de direção.

Bater à máquina matou o ato de escrever à mão. Twitter e YouTube estão tirando nacos de nossa atenção. E o pouco de nossa memória que não entregamos a Gutenberg abdicamos em favor do Google. Por que lembrar se achamos em segundos?

Robert Bjork, que estuda memória e aprendizado na UCLA, notou que mesmo estudantes muito inteligentes, familiarizados com o Excel, não são capazes de perceber nos dados padrões que seriam evidentes se não tivessem deixado o programa fazer a maior parte do trabalho.

Foer leu que a Apple contratara um grande especialista em mostradores monitorizados – os painéis transparentes usados por pilotos. Ele se pergunta se isto significa que a Apple esteja desenvolvendo um iPhone que dispensaria usar os dedos no teclado. O comando viria diretamente do córtex cerebral (a Apple não quis comentar).

Estamos terceirizando nosso cérebro para a nuvem. O lado positivo é que isto libera massa cinzenta para coisas importantes. Mas meu pessimismo imagina se as novas tecnologias não estariam erodindo características essencialmente humanas: a capacidade de refletir, a busca por significado, a empatia genuína, um senso de comunidade conectado por algo mais profundo.

A mais óbvia desvantagem das mídias sociais é que elas são agressivamente distrativas. O Twitter não é uma mera presença no ambiente. Ele exige atenção e resposta – é o inimigo da contemplação e do aprofundamento. Cada vez que o notificador apresenta na minha tela um novo tweet, eu experimento um pequeno surto de dopamina que me distrai imediatamente daquilo que eu estava fazendo, mas… mas… o que era mesmo que eu estava fazendo? Minha desconfiança em relação à mídia social é intensificada pela natureza efêmera dessas comunicações.

Não estou nem mesmo seguro de que esses novos instrumentos sejam genuinamente “sociais”. Há algo decididamente falso sobre a camaradagem no Facebook, algo ilusório sobre conectividade do Twitter. Espreite uma conversa na multidão digital e, muito frequentemente, ela é reduzida e redundante.

Como uma espécie de experiência masoquista, outro dia tuitei “#Twittertorna você burro. Discuta.” Isso produziu poucos flashes de inteligência (“Dê algum crédito a nossas escolas públicas!”); um par de respostas óbvias (“Depende de quem você segue”); algumas especulações compreensíveis de que minha conta tinha sido hackeada; e um monte de gírias. Quase todo mundo que não tinha algo profundo a dizer em resposta à minha pequena provocação preferiu fazê-lo fora do Twitter.

Numa discussão real, a informação é cumulativa, a complicação é reconhecida, às vezes a persuasão ocorre. Numa discussão no Twitter, opiniões e nossa tolerância às opiniões alheias são atrofiadas. Não sei se o Twitter torna você burro, mas ele faz algumas pessoas inteligentes parecerem burras.

Percebo que estou atraindo fogo de tuiteiros apaixonados, de acadêmicos que adoram idolatrar novidades e de colegas do “New York Times” que estão criando uma estratégia para a mídia social com o objetivo de ampliar o alcance de nosso jornalismo. Então deixe-me esclarecer: o Twitter é um recurso brilhante – um megafone para promoção, uma rede para a informação, uma valiosa ferramenta para organizar tudo, de encontros de donos de cães a revoluções. Embora eu não seja muito tuiteiro e preste pouca atenção à minha conta no Facebook, gosto de ver algo que escrevi cair na Twittersphere, mesmo quando sei – como agora – que o veredito da massa será hostil.

As desvantagens da mídia social não me incomodariam terrivelmente se eu não suspeitasse que a amizade de Facebook e a conversa no Twitter estão tomando o lugar da relação e da conversação reais. As coisas que podemos estar deixando de aprender – complexidade, acuidade, paciência, sabedoria, intimidade – fazem diferença.

Autor: Bill Keller é jornalista. ©The New York Times
Enviado por: Arthur Morais


AMOR E INVEJA

É comum as pessoas se encantarem por outras que possuem características de personalidade que elas não têm e gostariam de ter. Só não sei se numa relação amorosa entre pessoas tão diferentes há espaço para uma vida a dois satisfatória.

Quando um homem tímido e inseguro se casa com uma mulher extrovertida, falante, cheia de amigos, o que pode acontecer à vida deles? À primeira vista só coisas boas, claro. Ela possui o que falta a ele e, portanto, pode ajudá-lo a ser mais comunicativo, se soltar mais, conhecer mais pessoas. Um complementa o outro. Esse encaixe parece ser a solução perfeita.

Além do tímido e da extrovertida, conhecemos também o decidido e a indecisa, o animado e a deprimida, o alienado e a sabetudo, a corajosa e o medroso, entre outros. Sem contar que existem várias outras diferenças sutis, difíceis de ser percebidas. Mas na maioria dos casos essa situação é bem mais complicada do que parece e surgem problemas. O primeiro deles é a acomodação. Ela impede o crescimento pessoal; o indeciso acaba deixando o outro resolver todas as questões que necessitem de decisão, não se empenhando para modificar o que não gosta em si próprio.

Entretanto, há no amor entre duas pessoas muito diferentes um inconveniente mais sério e bastante comum: a inveja. Há quem diga até que a inveja nasce imediata e espontaneamente da admiração. Será que quando admiramos e nos encantamos tanto por alguém oposto a nós, estamos realmente satisfeitos com o que somos? O invejoso admira o invejado, desejaria estar em seu lugar, ser como ele é e não consegue. O pior é quando o invejoso, não suportando a sua própria inveja, passa a depreciar no outro, justamente os aspectos que gostaria de possuir. Ou então, o que também ocorre com frequência, sutilmente sabota as realizações do parceiro, numa tentativa desesperada de diminuir seu sentimento de inferioridade.

Na fase do encantamento apaixonado a inveja não se manifesta, por mais diferentes que sejam as pessoas. O que elas vivenciam é a ilusão da fusão romântica, em que os dois se transformam num só. Nesse momento não se deseja nada do outro além do amor. Contudo, todos sabemos que esse período inicial de paixão não resiste à
convivência cotidiana. Portanto, quando a inveja surge é um sinal de que o encantamento chegou ao fim.

Autora: Regina Navarro Lins, psicanalista e sexóloga, é autora de O Livro de Ouro do Sexo (Ediouro).
Enviado: Marly Santanelli


ONDE ANDARÁ O MEU DOUTOR?

Hoje, acordei sentindo uma dorzinha...
Aquela dor sem explicação e uma palpitação!
Resolvi procurar um doutor...
Fui divagando pelo caminho...
Lembrei daquele médico que me atendia vestido de branco
e que para mim tinha um pouco de pai, de amigo e de anjo...
o meu doutor que curava a minha dor!
não apenas a do meu corpo, mas a da minha alma...
e que me transmitia paz e calma!
chegando à recepção do consultório,
fui atendida com uma pergunta!
"Qual o seu Plano? O meu Plano?"
Ah! o meu plano é viver mais e feliz!
é dar sorrisos, aquecer os que sentem frio
e preencher esse vazio que sinto agora!
mas, a resposta teria que ser outra!
O "Meu Plano de Saúde"...
Apresentei o documento do dito cujo, já meio suado tanto
quanto o meu bolso... e aguardei
quando fui chamada, corri apressada...
ia ser atendida pelo doutor,
aquele que cura qualquer tipo de dor!
entrei e olhei... me surpreendi...
rosto trancado, triste e cansado...
"Será que ele estava adoentado?
é, quem sabe, talvez gripado!"
não tinha um semblante alegre, provavelmente devido a febre...
dei um sorriso meio de lado e um bom dia!
Olhei o ambiente bem decorado
sobre a mesa a sua frente um computador
e no seu semblante a sua dor...
O que fizeram com o Doutor?
Quando ouvi a sua voz de repente:
"O que a senhora sente?"
Como eu gostaria de saber o que ele estava sentindo...
Parecia mais doente do que eu a paciente...
"Eu? Ah! Sinto uma dorzinha na barriga e uma palpitação"
E esperei a sua reação
Vai me examinar, escutar a minha voz
E auscultar o meu coração
para minha surpresa
apenas me entregou uma requisição e disse:
"Peça autorização desses exames para conseguir a realização..."
Quando li quase morri...
"Tomografia Computadorizada",
"Ressonância Magnética"
e Cintilografia"!
Ai Meu Deus! Que agonia!
Eu só conhecia uma tal de Abeugrafia"...
Só sabia o que era "Ressonar" (dormir),
de "Magnético" eu conhecia um olhar...
e "Cintilar" só o das estrelas!
Estaria eu a beira da morte? De ir para o Céu?
Iria morrer assim ao léu?
Naquele instante timidamente pensei em falar:
"Não terá o senhor uma amostra grátis de calor humano
para aquecer esse meu frio?
O que fazer com essa sensação de vazio?
Me observe Doutor!
O tal "Pai da Medicina", o Grego Hipócrates acreditava que,
"A arte da medicina está em observar"
Olhe para mim...
É bem verdade que o juramento dele está ultrapassado!
Médico não é Sacerdote...
tem família e todos os problemas inerentes ao ser humano...
Mas, por favor me olhe!
Ouça a minha história!
Preciso que o senhor me escute e ausculte!
Me examine! estou sentindo falta
de dizer até "Aquele 33"!
Não me abandone assim de uma vez!
Procure os sinais da minha doença
e cultive a minha esperança!
alimente a minha mente e o meu coração...
me dê ao menos uma explicação!
o senhor não se informou se eu ando descalça...
ando sim!
gosto de pisar na areia e seguir em frente deixando
as minhas pegadas pelas estradas da vida,
Estarei errada?
Ou estarei com o verme do amarelão?
Existirá umas gotinhas de solução?
Será que já existe vacina contra o tédio?
ou não terá remédio?
Que falta o senhor me faz meu antigo Doutor!
Cadê o scoot, aquele da emulsão?
que tinha um gosto horrível
Mas me deixava forte que nem um "Sansão"!
E o elixir? Paregórico e categórico!
e o chazinho de cidreira,
que me deixava a sorrir sem tonteiras?
Será que pensei asneiras?
Ah! Meu querido e adoentado Doutor!
Sinto saudades...
dos seus ouvidos para me escutar...
das suas mãos para me examinar...
do seu olhar compreensivo e amigo...
do seu pensar...
do seu sorriso que aliviava a minha dor...
que me dava forças para lutar contra a doença...
e que estimulava a minha saúde e a minha crença...
sairei daqui para um Ataúde?
Preciso viver e ter saúde!
Por favor me ajude!
Oh! Meu Deus, cuide do meu médico e de mim,
caso contrário chegaremos ao fim...
porque da consulta só restou,
uma requisição digitada em um computador
e o olhar vago e cansado do Doutor!
Precisamos urgente dos nossos médicos amigos...
a medicina agoniza...
ouço até os seus gemidos...
Por favor! Tragam de volta o Meu Doutor!
Estamos todos doentes e sentindo Dor! E Peço!!!
Para o Ser Humano uma Receita de "Calor"
e para o exercício da Medicina uma Prescrição de "Amor"!
Onde andará o Meu Doutor?

Autora: Tatiana Bruscky
"Vestido de Chita" -
Recife/Pe
Enviado por: Marly


VOCABULÁRIO FEMININO

Se eu tivesse que escolher uma palavra – apenas uma – para ser item obrigatório no vocabulário da mulher de hoje, essa palavra seria um verbo de quatro sílabas: descomplicar.

Depois de infinitas (e imensas) conquistas, acho que está passando da hora de aprendermos a viver com mais leveza: exigir menos dos outros e de nós próprias, cobrar menos, reclamar menos, carregar menos culpa, olhar menos para o espelho.

Descomplicar talvez seja o atalho mais seguro para chegarmos à tão falada qualidade de vida que queremos e merecemos  ter.

Mas há outras palavras que não podem faltar no kit existencial da mulher moderna. Amizade, por exemplo.

Acostumadas a concentrar nossos sentimentos (e nossa energia...) nas relações amorosas, acabamos deixando as amigas em segundo plano.

E nada, mas nada mesmo, faz tão bem para uma mulher quanto a convivência com as amigas. Ir ao cinema com elas (que gostam dos mesmos filmes que a gente), sair sem ter hora para voltar, compartilhar uma caipivodca de morango e repetir as histórias que já nos contamos mil vezes – isso, sim, faz bem para a pele.

Para a alma, então, nem se fala.

Ao menos uma vez por mês, deixe o marido ou o namorado em casa, prometa-se que não vai ligar para ele nem uma vez (desligue o celular, se for preciso) e desfrute os prazeres que só uma boa amizade consegue proporcionar.

E, já que falamos em desligar o celular, incorpore ao seu vocabulário duas palavras que têm estado ausentes do cotidiano feminino: pausa e silêncio.

Aprenda a parar, nem que seja por cinco minutos, três vezes por semana, duas vezes por mês, ou uma vez por dia – não importa – e a ficar em silêncio.
Essas pausas silenciosas nos permitem refletir, contar até 100 antes de uma decisão importante, entender melhor os próprios sentimentos, reencontrar a serenidade e o equilíbrio quando é preciso.

Também abra espaço, no vocabulário e no cotidiano, para o verbo rir.

Não há creme antiidade nem botox que salve a expressão de uma mulher mal-humorada.

Azedume e amargura são palavras que devem ser banidas do nosso dia a dia.

Se for preciso, pegue uma comédia na locadora, preste atenção na conversa de duas crianças, marque um encontro com aquela amiga engraçada – faça qualquer coisa, mas ria.
O riso nos salva de nós mesmas, cura nossas angústias e nos reconcilia com a vida.

Quanto à palavra dieta, cuidado: mulheres que falam em regime o tempo todo costumam ser péssimas companhias.

Deixe para discutir carboidratos e afins no banheiro feminino ou no consultório do endocrinologista.  Nas mesas de restaurantes, nem pensar.

Se for para ficar contando calorias, descrevendo a própria culpa e olhando para a sobremesa do companheiro de mesa com reprovação e inveja, melhor ficar em casa e desfrutar sua salada de alface e seu chá verde sozinha.

Uma sugestão? Tente trocar a obsessão pela dieta por outra palavra que, essa sim, deveria guiar nossos atos 24 horas por dia: gentileza.

Ter classe não é usar roupas de grife: é ser delicada.

Saber se comportar é infinitamente mais importante do que saber se vestir.

Resgate aquele velho exercício que anda esquecido: aprenda a se colocar no lugar do outro, e trate-o como você gostaria de ser tratada, seja no trânsito, na fila do banco, na empresa onde trabalha, em casa, no supermercado, na academia.

E, para encerrar, não deixe de conjugar dois verbos que deveriam ser indissociáveis da vida: sonhar e recomeçar.

Sonhe com aquela viagem ao exterior, aquele fim de semana na praia, o curso que você ainda vai fazer, a promoção que vai conquistar um dia, aquele homem que um dia (quem sabe?) ainda vai ser seu.

Sonhar é quase fazer acontecer. Sonhe até que aconteça.

E recomece, sempre que for preciso: seja na carreira, na vida amorosa, nos relacionamentos familiares.

A vida nos dá um espaço de manobra: use-o para reinventar a si mesma.

E, por último (agora, sim, encerrando), risque do seu Aurélio a palavra perfeição. O dicionário das mulheres interessantes inclui fragilidades, inseguranças, limites. Pare de brigar com você mesma para ser a mãe perfeita, a dona de casa impecável, a profissional que sabe tudo, a esposa nota mil.

Acima de tudo, elimine de sua vida o desgaste que é tentar ter coxas sem celulite, rosto sem rugas, cabelos que não arrepiam, bumbum que encara qualquer biquíni.

Mulheres reais são mulheres imperfeitas. E mulheres que se aceitam como imperfeitas são mulheres livres.

Viver não é (e nunca foi) fácil, mas, quando se elimina o excesso de peso da bagagem (e a busca da perfeição pesa toneladas), a tão sonhada felicidade fica muito mais possível.

Autora: Leila Ferreira
Enviado por: Nelly Machado


A MÚSICA DA VIDA

Pretendo fazer mais uma viagem a Buenos Aires neste ano. Uma cidade que respira cultura como toda grande metrópole, apesar dos inúmeros problemas sociais vindos à tona depois da nebulosa crise econômica que assolou aquele país.

Visitei certa vez como todos o fazem os famosos pontos turísticos daquela cidade, como Puerto Madero, Caminito, La Casa Rosada, o Teatro Colón e os bairros de San Telmo e Recoleta, este ainda marcado pela presença de um dos maiores escritores da literatura mundial: Jorge Luis Borges.

Talvez por isso, a literatura e o teatro desempenham um papel importante na vida cultural daquela cidade, além do tango e de toda sua influência no universo popular de comportamentos e relações humanas. Contudo, a música clássica exerce também um poder de atração muito forte, sobretudo, entre os jovens. O que me faz lembrar da importância que a Ofes tem adquirido ao longo dos últimos anos no horizonte cultural do Espírito Santo.

Na ocasião, tive a oportunidade de entrar em contato com vários jovens talentosos e predestinados para a música, e gostaria de reproduzir aqui um pouco do que ouvi de dois deles. Um foi o fagotista Diego Armengol. Ele começou a estudar fagote bem cedo. Primeiramente, chamou-lhe a atenção o instrumento curioso que ele tinha nas mãos. Perguntado a respeito, respondeu: "Depois de escutá-lo, me apaixonei pelo som. Certo dia, meu pai foi falar com meu professor e pediu-lhe para me tirar essa ideia da cabeça. Ele disse que o instrumento era muito caro. Mas continuei assim mesmo. Acho o som do fagote bastante sentimental, às vezes até mesmo engraçado. E é uma sensação tão forte tocá-lo diante do público... a gente expressa os próprios sentimentos, o que temos de mais profundo. Para mim, um bom instrumentista é aquele que está preparado tecnicamente para poder expressar seus sentimentos, de modo que os outros possam captá-lo".

O outro se chamava Carlos Céspedes, um clarinetista considerado um grande virtuose. De origem humilde, Céspedes mostrou que mesmo com todas as dificuldades, a paixão, a disciplina, o prazer e a seriedade são fundamentais para se transpor quaisquer obstáculos. Ele já se apresentou em vários países tocando como solista junto com diversas orquestras. "Na minha casa, escutávamos muito o rádio. Por decisão de minha mãe, entrei na escola de música aos 8 anos. Eu gostava muito de ficar brincando na rua com meus amigos e no começo foi muito difícil para mim. Bem, minha mãe chegou na escola, viu uma lista de instrumentos e achou "clarinete" uma palavra muito bonita, e assim comecei a tocar clarinete... O que mais me fascina no ato de tocar é a entrega... tocar significa dar o melhor de si. É uma atitude de amor... é quando alguém dá o melhor de si para que os outros apreciem".

Talvez seja assim para todas as coisas importantes da vida. Toda realização significativa e duradoura começa com um sonho, uma estranheza talvez, que aos poucos vai ganhando uma dimensão quase autônoma, quase incontrolável e praticamente irreversível.

Caetano Veloso não deixou por menos e cantou: "Como é bom saber tocar um instrumento".

A Gazeta
Autor: Erlon José Paschoal
erlonpaschoal.blog.uol.com.br


É IMPOSSÍVEL SER FELIZ SOZINHO

“A dor da solidão é uma ferida profundamente perturbadora”, afirma o pesquisador John Cacioppo, professor de psicologia da Universidade de Chicago e um dos mais renomados pesquisadores sobre solidão dos Estados Unidos. A afirmação consta no livro Solidão, recém lançado pela Editora Record, que traz um amplo estudo sobre um ‘estado’ que causa temor em muita gente: ‘o sentir-se sozinho’. “A solidão remete à angústia da separação e faz parte do ser humano temer o desamparo”, comenta a psicóloga do Hospital Samaritano de São Paulo, Luana Viscardi.

Segundo o livro, o isolamento social tem um impacto na saúde comparável ao efeito da pressão sanguínea alta, da falta de exercícios, da obesidade e do cigarro. O estudo que deu origem ao livro utilizou exames de ressonância magnética para estudar as conexões entre isolamento social e atividade cerebral. E o resultado é que, em pessoas mais sociáveis, uma região do cérebro conhecida como estriato ventral ficou muito mais ativa quando elas observavam imagens de pessoas em situações agradáveis. O mesmo não ocorreu nos cérebros de pessoas solitárias. Vale destacar que o estriato ventral é uma região importante para o cérebro, em especial para o aprendizado, ativada por estímulos que os especialistas chamam de recompensas primárias (como a comida) e recompensas secundárias (como o dinheiro). A convivência social e o amor também podem ativar a região.

A dor da solidão é psíquica
Exagero? Que nada! Para Margareth dos Reis, Doutora em Ciências pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e psicóloga do Instituto H. Ellis, de São Paulo, a sensação de vazio provocada pela solidão pode desenvolver sintomas sérios. “Depressão, compulsão por comida e alcoolismo podem entrar nessa lista”, confirma Margareth. Já Luana explica que a dor da solidão não é física, e sim psíquica. “Mas, ao se sentir sozinha, a pessoa pode ser levada à angústia e daí ter reações físicas como tontura, sudorese e coração acelerado”, completa.

A obrigação de ser a pessoa mais feliz do mundo
Ser gentil faz diferença

Para tratar o problema, em casos mais amenos, o acompanhamento psicológico pode ajudar. Se o individuo já estiver em um nível mais crônico, apresentando um quadro depressivo, por exemplo, pode necessitar de medicamentos. Isso porque, de acordo com a pesquisa apresentada no livro, os seres humanos são muito mais entrelaçados e interdependentes – em termos fisiológicos e psicológicos – do que se supõe. “O ser humano precisa do contato social, pois isso é benéfico para ele perceber seu potencial, aprender, crescer e trocar experiências”, diz Margareth.

Dificuldade de interagir
No entanto, cada vez mais a conectividade está sob risco. “Há uma enorme oferta de atividades, porém existe uma superficialidade nos relacionamentos”, alerta Margareth. Para ela, quem vive nas grandes metrópoles sofre ainda mais com isso. “As pessoas não conseguem se identificar com as outras, estão sempre reclamando de falta de tempo, vivem na correria e usam isso para justificar a dificuldade de interagir”, acrescenta a psicóloga. Além disso, segundo ela, existem as redes sociais na Internet que conquistam cada vez mais seguidores e, muitas vezes, criam uma ilusão. “Há pessoas que têm uma rede de contato extensa, mas não têm intimidade com ninguém. Se quiser uma companhia para ir ao cinema, por exemplo, não consegue contar com alguém desta lista virtual”, condena Margareth.

Em contrapartida, Luana defende que não dá apenas para enxergar os contatos virtuais de forma negativa. “Tudo depende da forma como cada um utiliza essa ferramenta. Enquanto alguns se fecham neste mundo ilusório, outros usam isso para ampliar trocas e reencontrar verdadeiras amizades.” A superficialidade também está fora do virtual. “Nas grandes cidades, por exemplo, estão todos centrados no trabalho e, após o expediente, nem sempre ocorre esta troca”, destaca Luana.

A versão positiva
John Cacioppo explica em seu estudo que, para um ser da nossa espécie, a saúde e o bem-estar requerem que o indivíduo esteja satisfeito e seguro em seus laços com outras pessoas. Seria uma forma de ‘não se sentir só’. E Margareth acrescenta que um indivíduo solitário não pode se deixar cair nessa rotina empobrecida, de isolamento e confinamento de vida. “Se não reagir logo, a pessoa pode ficar depressiva e indisposta para reverter o caso”, avalia. “Nada substitui a presença de alguém, o contato”, afirma Margareth.

Embora a solidão esteja sempre atrelada a um sentimento negativo, ela também apresenta sua versão positiva. Pelo menos é o que defendem os especialistas. “Se fechar para balanço ou ter um momento de recolhimento é muito positivo para qualquer pessoa”, diz Margareth. Para Luana, este pode até ser um processo doloroso, porém de enorme importância para o crescimento pessoal. “Isso apenas não pode se tornar constante”, lembra Margareth. Segundo a obra, “quase todos sentem as pontadas da solidão em algum momento”. E este sentimento pode ser algo breve e superficial, como ser o último escolhido para uma brincadeira – ou algo agudo e severo -, como a perda de um ente querido. “Este tipo de solidão faz parte da vida de qualquer pessoa”, avalia Margareth.

Autor: Margareth dos Reis
Enviado por: Marly Santanelli


O SEGREDO DO XIXI EM GRUPO

Só uma mulher consegue entender cada vírgula deste texto, mas os homens têm que ler para saber compreendê-las!

Quando você TEM que ir ao banheiro público, você encontra uma fila de mulheres, que faz você pensar que o Bradd Pitt deve estar lá dentro. Você se resigna e espera, sorrindo para as outras mulheres que também estão com braços e pernas cruzados na posição oficial de "estou me mijando".

Finalmente chega a sua vez, isso, se não entrar a típica mamãe com a menina que não pode mais se segurar.

Você, então verifica cada cubículo por debaixo da porta para ver se há pernas. Todos estão ocupados. Finalmente, um se abre e você se lança em sua direção quase puxando a pessoa que está saindo.

Você entra e percebe que o trinco não funciona (nunca funciona); não importa... você pendura a bolsa no gancho que há na porta e se não há gancho (quase nunca há gancho), você inspeciona a área.. o chão está cheio de líquidos não identificados e você não se atreve a deixar a bolsa ali, então você a pendura no pescoço enquanto observa como ela balança sob o teu corpo, sem contar que você é quase decapitada pela alça porque a bolsa está cheia de bugigangas que você foi enfiando lá dentro, a maioria das quais você não usa, mas que você guarda porque nunca se sabe...

Mas, voltando à porta...

Como não tinha trinco, a única opção é segurá-la com uma mão, enquanto, com a outra, abaixa a calcinha com um puxão e se coloca "na posição".
Alívio...... AAhhhhhh.....finalmente...

Aí é quando os teus músculos começam a tremer [...] Porque você está suspensa no ar, com as pernas flexionadas e a calcinha cortando a circulação das pernas, o braço fazendo força contra a porta e uma bolsa de 5 kg pendurada no pescoço.

Você adoraria sentar, mas não teve tempo de limpar o assento nem de cobrir o vaso com papel higiênico. No fundo, você acredita que nada vai acontecer, mas a voz de tua mãe ecoa na tua cabeça "jamais sente em um banheiro público!!!" e, assim, você mantém "a posição" com o tremor nas pernas...

E, por um erro de cálculo na distância, um jato finíssimo salpica na tua própria bunda e molha até tuas meias!! Por sorte, não molha os sapatos. Adotar "a posição" requer grande concentração. Para tirar essa desgraça da cabeça, você procura o rolo de papel higiênico, maaassss, para variar, o rolo está vazio...! Então você pede aos céus para que, nos 5 kg de bugigangas que você carrega na bolsa, haja pelo menos um miserável lenço de papel. Mas, para procurar na bolsa, você tem que soltar a porta. Você pensa por um momento, mas não há opção...

E, assim que você solta a porta, alguém a empurra e você tem que freiá-la com um movimento rápido e brusco enquanto grita OCUPAAADOOOO!!!

Aí, você considera que todas as mulheres esperando lá fora ouviram o recado e você pode soltar a porta sem medo, pois ninguém tentará abri-la novamente (nisso, nós, as mulheres, nos respeitamos muito) e você pode procurar seu lenço sem angústia. Você gostaria de usar todos, mas quão valiosos são em casos similares e você guarda um, por via das dúvidas. Você então começa a contar os segundos que faltam para você sair dali, suando porque você está vestindo o casaco já que não há gancho na porta ou cabide para pendurá-lo. É incrível o calor que faz nestes lugares tão pequenos e nessa posição de força que parece que as coxas e panturrilhas vão explodir. Sem falar do soco que você levou da porta, a dor na nuca pela alça da bolsa, o suor que corre da testa, as pernas salpicadas...

A lembrança de sua mãe, que estaria morrendo de vergonha se a visse assim, porque sua bunda nunca tocou o vaso de um banheiro público, porque, francamente, "você não sabe que doenças você pode pegar ali"

[...] você está exausta. Ao ficar de pé você não sente mais as pernas. Você acomoda a roupa rapidíssimo e tira a alça da bolsa por cima da cabeça!....

Você, então, vai à pia lavar as mãos. Está tudo cheio de água, então você não pode soltar a bolsa nem por um segundo. Você a pendura em um ombro, e não sabendo como funciona a torneira automática, você a toca até que consegue fazer sair um filete de água fresca e estende a mão em busca de sabão. Você se lava na posição de corcunda de notre dame para não deixar a bolsa escorregar para baixo do filete de água... O secador, você nem usa. É um traste inútil, então você seca as mãos na roupa porque nem pensar usar o último lenço de papel que sobrou na bolsa para isso.

Você então sai. Sorte se um pedaço de papel higiênico não tiver grudado no sapato e você sair arrastando-o, ou pior, a saia levantada, presa na meia-calça, que você teve que levantar à velocidade da luz, deixando tudo à mostra!

Nesse momento, você vê o seu amigo que entrou e saiu do banheiro masculino e ainda teve tempo de sobra para ler um livro enquanto esperava por você.

"Por que você demorou tanto?" Pergunta o idiota.

Você se limita a responder: "A fila estava enorme".
E esta é a razão porque nós, as mulheres, vamos ao banheiro em grupo. Por solidariedade, já que uma segura a tua bolsa e o casaco, a outra segura a porta e assim fica muito mais simples e rápido já que você só tem que se concentrar em manter "a posição" e a dignidade. Obrigada a todas as amigas que já me acompanharam ao banheiro.

Autora: Ana Cristina de Sá

Webdesigner: Netty Macedo

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