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BREVE HISTÓRIA DE UMA TEMPESTADE NUM OLHAR
Sob as pestanas negras, um olhar invade tudo ao redor. Seus olhos vertem
lágrimas com força profunda e invasora. Delinea-se uma tempestade. Da
fonte lacrimal um reflexo plácido busca a imagem presa à face observadora;
um universo complexo, repleto de vaga-lumes que cintilam mais não o
ilumina. Piscam um ensaio de luzes. O destilar dessas lágrimas
tempestivas, são torrentes quentes que correm para o destino das poças -
estagnação salina. Mas, esse olhar ao pairar ao longe, vê no ângulo de uma
esquina, o encontro da crença para os momentos da exigência, construídos
por faíscas de interesses. E descobre que por traz desta visão, há
variedades de seres que peregrinam sobre os riscos e iscas da ociosidade
racional. Tantas foram às lágrimas que formaram camadas fluviais de
solidão, sonhos e ventos.
Aquietado, aquele olhar permite que suas pálpebras desçam somo cortinas
encerrando um ato panorâmico, onde personagens emprestam um ao outro seus
textos monólogos.
Olhos fechados, solidão e sonhos ao vento.
Autora:
Jair Martins |