
POESIAS E CRÔNICAS
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A GRANDIOSIDADE DO CONHECIMENTO Feliz
o homem que acha a sabedoria, e o homem que adquire conhecimento, porque
melhor é o lucro que ela dá do que o da prata, e melhor
a sua renda do que o ouro mais fino. O conhecimento transforma a vida do ser humano, levando-o à aprendizagem e à mudança. A valorização do saber cresce conforme se entende a sua relevância no desenvolvimento. Conhecemos, gostamos e avançamos. Assim procedemos. Queremos sempre mais. A sociedade, por sua vez, envolvida por este movimento da busca pelas informações e os seus benefícios, cobra com vigor, a permanente fidelidade neste tipo de empreendimento. Percebe-se, no entanto, que a obsessão sobre o consumo do conhecimento toma conta do que apenas deveria permanecer na saudável condição de hábito. Avança-se de forma extremada numa direção que inevitavelmente nos reconduzirá ao equilíbrio. O exagero faz parte do desenvolvimento humano, todavia ele deve encontrar o seu meio termo, a fim de proporcionar o prazer causado pelo conhecimento, e não o pesar que tem imputado àqueles que se empenham mais em acumulá-lo do que usufruí-lo. Nas palavras de Freud (1856-1939) Sem conhecimento não há poder, entende-se a diferença entre ignorar e saber. Age com maior propriedade aquele que tem mais informações e sabe manipulá-las. A experiência oferecida pela vida, variando na sua qualidade, torna-se a prudência pela qual decidimos os constantes dilemas cotidianos. Tudo se torna conhecimento, então, temos determinado poder sobre a vida conforme acessamos o saber. Contudo, deve ser somado um novo elemento a este conjunto dinâmico dos acontecimentos humanos: a humildade. Sem ela, perdemos o controle sobre o equilíbrio necessário de se adquirir e administrar o conhecimento, além de provocar a decorrente soberba. Na tentativa de se sobrepor aos outros, através do saber, o homem se julga detentor de uma enorme porção daquilo que desconhece. Triste tentativa. O sábio Sócrates (470-399 a.C.), com conhecimento acerca dos limites e da imperfeição humana, descreveu: Só sei que nada sei. Conhecer é vital, eleger-se o seu detentor é ilusão. Conhecer a falta de conhecimento demonstra sabedoria. Nos escritos de Carl Sandburg encontra-se: O homem branco riscou na areia um círculo pequeno e falou ao pele vermelha: Isto é o que os índios sabem. Depois, riscando um círculo maior em torno do pequeno, acrescentou: E isto é o que o branco sabe. O selvagem tomou o bastão e traçou um círculo ainda maior, abrangendo ambos os círculos, e disse: Isto é o que branco e vermelho não sabem. Sobre o pedestal do conhecimento, o homem formou a crença de que se encontra impedido de dizer o simples não sei quando questionado acerca de coisas que de fato não sabe. O seu temor reside na idéia de que será reduzido e perderá o prestígio social. Como se o atleta que tanto se exercita perdesse o seu porte apenas por não participar de algum campeonato. Vários professores preferem discutir e até desviar do assunto que não lhes é sabido, no lugar de assumir que não sabem, provocando, assim, a desconfiança entre os seus alunos, que, a seu turno, permanecessem calados, mesmo diante de tantas dúvidas durante uma aula. O ambiente influencia as atitudes. Em outra circunstância, pessoas que ocupam cargos de chefia nas organizações tendem a manter-se na postura do mais alto saber, entendendo que este procedimento as sustentará na sua privilegiada posição. Discussões entre colegas da mesma profissão podem resultar em argumentações descabidas e causar ressentimento na relação. Falta humildade em reconhecer as próprias limitações. Entender que o desconhecimento de muitas coisas é natural e expressar o não saber abre espaço para a formação de novos saberes, além de estimular os outros a compartilhar de tal fato também. A grandeza do conhecimento está na sua simplicidade: adquirir e transformar-se em sabedoria, para si próprio e para os outros. Um monge, de nome Beda, descreveu três caminhos para a infelicidade ou o fracasso: não ensinar o que sabe, não praticar o que ensina e não perguntar o que ignora. É preciso primeiro aceitar que não sabemos, para em seguida, conquistar o conhecimento. Será que admitimos o fato de que pouco conhecemos? Autor |
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