POESIAS E CRÔNICAS

 

 

RIMAS DO COTIDIANO

Enquanto os meus olhos abria,
Logo que me acordei,
Vi que tinha companhia
De emoções que não chamei,
Tentando estragar o meu dia.
Mas resisti, não deixei.

Era a saudade voltando
De um tempo no passado,
Sem aviso, se achegando
Com a tristeza ao seu lado,
Peso duplo carregando
P'ra largar no meu costado.

E antes que fosse tarde,
Corri em procura da fresta
Por onde entrou a saudade
Na intenção manifesta
De se instalar, com maldade,
Disfarçada de modesta.

Tela sem vida, composta
Das lembranças de um amor
Daqueles que a gente gosta
E a quem se deu com fervor,
Que só me trouxe, em resposta,
Indeferença e amargor.

Mandei-o de volta ao passado,
Pois amor de veleidade
Não merece ser lembrado.
Se fosse amor de verdade
Caminharia ao meu lado
E não haveria saudade!

Autora
Lêda Mello

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