POESIAS E CRÔNICAS

| FIGUEIRA VELHA Velha figueira, quantas gerações vistes passar em tua vida centenária. Foste plantada pelo meu bisavô Gregório, que não desfrutou de tua sombra. Nos domingos, depois de uma semana estafante, costumo passar horas e horas debaixo desta figueira, conversando com ela. E ela fala comigo, sorrindo ou chorando. Sorrindo quando o vento movimenta os seus galhos, dando um ar de felicidade e chorando quando da queda do orvalho, acumulado da noite, mostrando suas tristezas. Eu ali me sinto bem, pois minha vida também é repleta de alegria e tristezas. A figueira velha ainda se recorda, quando os meninos e meninas se reuniam em sua sombra. As meninas com suas bonequinhas de pano, fogãozinho, caminhas de bonecas e armarinhos para roupas, que seus pais faziam de pedaços de madeira. Os meninos jogando bolas de pano, feitas de meias e tecidos velhos e guerras nos forte apaches entre índios, mocinhos e os fora da lei. À tardinha, quando o sol se punha no horizonte, aquele local era substituído pelos pais, que com chimarrão e violas cantarolavam as modinhas daquela época. Era lindo de ver o sol se pondo no horizonte e o cantarolar como despedida daquele dia tão prospero. No decorrer dos anos iam-se e vinham novas gerações e os brinquedos das crianças iam seguindo aquela mesma seqüência, chegavam a ser apresentadas aos seus pretendentes conduzindo a sua boneca no colo. Hoje está tudo mudado, os meninos não sabem mais jogar bola de gude, esconde-esconde e o forte apache deram lugar a coisas atuais e bem mais violentas, brincam hoje de seqüestros e a criminalidade está aí, sem escolher mansões ou favelas, matando e esquartejando suas vítimas, fazendo estes barbarismos com o mesmo prazer de haver alcançado o orgasmo, as meninas então, abandonou suas bonecas de pano e tem ao colo seus próprios filhos e nem tem idade para isto. Conheço tantos fatos que se relatados o próprio computador sentir-se-ia envergonhado. Mas eu, figueira velha, não te troco por nada neste mundo e hei de educar minha geração, a saber, o grande valor que tens e boa conselheira que és e enquanto tua sombra guardar tuas histórias e conselhos quero estar próximo a ti para ouvi-los. “É nos pequenos frascos que se encontram os grandes perfumes”, por isto meu amigo, deixo-lhe esta sugestão, quando estiveres preocupado, cansado, procures uma figueira, senta-te na sua saliência de raiz e se sujar-te não levas isto em conta, pois os benefícios que te virão serão bem mais valiosos. Autor: Ney Coelho dos Santos |
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