POESIAS E CRÔNICAS
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O VENDEDOR DE COCO Em uma bela cidade praiana, apareceu seu Raimundo, um cidadão aposentado, que apesar da idade não sabia permanecer sem nada para fazer. Como sabia manejar bem um facão três listas, resolveu (após adquirir as devidas licenças no município) investir no comércio de cortar coco na beira da praia. Em se tratando de um senhor muito comunicativo e de fino trato, logo foi galgando simpatia e logo adquiriu uma freguesia considerável. As coisas andavam tão bem, que umas senhoras resolveram agracia-lo com uma dúzia de cadeiras plásticas. Aquilo realmente era o que faltava naquele ponto de venda. Ali encontravam-se, o Dr. Anacleto, juiz federal, Sr. Saturnino, velho comerciante dos arredores, D. Luzia, professora aposentada, D. Iara, produtora primária, terra esta, habitada com gados leiteiros e plantação de café (uma praxe comum na redondeza, onde costumam dizer que quem planta café deve também criar gado leiteiro para não ser vítima de qualquer intempérie), a D. Beatriz, viúva do Sr. Lazaro, político muito prestigiado entre o povo, e muitos outros. Ali virou um ponto de encontro entre os freqüentadores do local que além de ingerirem uma água de coco e permanecer naquele bate-papo, ainda efetuavam negócios como locação de móveis e imóveis, pois sempre alguém sabia de alguma coisa disponível para ser oferecido. As cadeiras eram colocadas em rodas de modo que todos pudessem conversar entre si parecendo até que tinham o seu nome. Às vezes ficávamos a admirar o cuidado das pessoas em não se posicionar no lugar de outrem. É uma filosofia de pássaros, que ao final da tarde, ao se recolherem, vão se por exatamente no que os pertence, jamais usando galhos de outrem. E os humanos são, na maior parte das vezes, bem diferente, bastando alguém se afastar um pouquinho para lhe tomar seu posto, apesar de serem denominados de homo-sapiens. Certo dia passou pela cidade um desgarrado qualquer, que vendo tamanha cortesia, resolveu presenteá-lo com placa com os seguintes dizeres: Seu Raimundo, o vendedor de coco mais cortez do mundo. Era uma verdadeira medalha de ouro ou uma menção honrosa, de que Sr. Raimundo orgulhava-se muito, afinal ele fez por merecer. Isto criou uma certa ciumeira entre os demais vendedores de coco e admiração entre os que passavam por ali e se engajavam naquele grupo, onde sempre havia lugar para mais um enquanto aos demais vendedores, cabiam se esforçar muito para serem, dignos de chegarem aos pés de seu Raimundo. E não era nada de mais serem corteses, pois isto é obrigação de todo comerciante, no entanto carisma, Deus confiou a poucos, como ao seu Raimundo. Autor |
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