REFLEXÃO SOBRE A EFEMERIDADE E A IMPERMANÊNCIA DAS COISAS
Tudo é transitório. Sobretudo nossa existência.
Vejam a borboleta. A borboleta é efêmera, tem a vida breve. Ela não se detém em nenhuma flor. Ela, apenas, pousa sobre ela. Por segundos, apenas, fecunda-a, embeleza-a e alça suas asas em busca de outra flor. Esvai-se.
Assim passa a sua efêmera existência. O belo é um instantâneo, um fugaz momento de prazer. Um instantâneo, um átimo de existência, um segundo num momento. Há que se considerá-lo assim.
A borboleta é bela sobre a flor, naquele breve momento. Ela não faz parte da flor.
A borboleta não se crê bela. Ela se faz bela. Ela não se dá conta de que sua vida é curta. Ela a aproveita. Ela faz o que foi destinada a fazer. Dentro do feio casulo, ela se prepara para viver o efêmero. Esse efêmero traz beleza e perpetua a espécie da flor. A borboleta ilumina, embeleza e voa.
Nós podemos ser borboletas.
Temos muito onde pousar...
Nossa função é fecundar, despertar o desejo do renascimento, a vontade de se aprimorar e fazer emergir o belo. Findo isso, ela se vai, sorrindo, pousar em outras flores e recomeçar sua função, seu ciclo... Com os ovos recomeça-se o ciclo.
Compreendido isso, tudo o mais é efêmero.
A rosa sem a borboleta, também é bela. Mas ela se faz mais bela, mais bonita, quando a borboleta a desperta e deposita sobre ela seus ovos... Ela, a rosa, também de vida breve, continua lá, ostentando o belo. A borboleta se vai, de flor em flor.
Vai, borboleta, iluminar, embelezar e conversar com outras flores...
Nessas, já pôs o pólen e os ovos, de onde sairão outras borboletas. É essa a sua missão...
Ainda que efêmera, transitória, mas deixando nas flores o pólen das suas minúsculas patinhas. Esse pólen trará novas flores, novas cores, novas espécies, novos perfumes.
É essa a função da borboleta e do passarinho: embelezar e perpetuar a natureza.
Tudo é efêmero, mas o efêmero, às vezes, é divino.
Autora: Nilce de Oliveira Tacuchian