A POESIA DO RIBEIRÃO PRETO
O ribeirão Preto,
é o mais belo da região;
abraça o Retiro
e nada deve ao Pardo,
despojado pelos ranchos
e clubes sociais...
O Pardo não quer ser praia popular...
mas tem plataformas para passeios de barco!
O Preto, não dá mais lambaris no anzol...
nem os “Cascudos”de nossa historia
voltarão aos amplos espaços
no livro do povo...
O Preto, em tempos de chuva,
ainda, corre barrento,
mas esverdeado, à beira do Mercado,
desliza, em logos meses do ano...
Nossas palmeiras imperiais,
(mais belas que as de Gonçalves Dias),
são eternas bandeiras de poesia...
O ribeirão Preto, ainda, chora
o assassinato onomástico de Barracão,
quando ultrapassa um antigo viaduto
que espera ser usado por metrô...
Ah! A nova Ribeirão com a via Norte?
o ribeirão Preto é eterna beleza
da historia da cidade
de braços abertos para o futuro...
O ribeirão Preto,
da antiga praça do Mercado,
da ferrovia, da ponte-nova do Triangulo,
da rodoviária tiberense,
da centenária feira-livre
em derredor do entreposto...
O Palácio poderá mudar-se,
para próximo da velha Republica,
mas o Preto sempre terá o caminho principal...
O Preto das palmeiras imperiais,
é o mais bonito da região...
Sua beleza, poucas vezes foi
matéria em Conselho de Cultura...
O ribeirão Preto, é poético céu estrelado
da história da fundação;
suas águas barrentas de outrora
são o eterno sangue da municipalidade...
Sem este postal
a cidade deixará de existir...
O ribeirão Preto,
canta e chora a cidadania emérita
de seus historiadores...
A Jerônimo Gonçalves
fez-se importante avenida
com as palmeiras imperiais
e o canto do Preto...
É o populismo poético
desde os poetas do café...
Da Capital do Interior,
com a ferrovia, foi-se Maria
que, só levou de outrora
a velha porteira, o túnel do xixi
e o “muro da vergonha”...
A praça Schmidt não é mais do povo,
não mais conta história dos tempos distantes...
Tem cargas e descargas de pouca atração...
A Augusto Severo,
é um eterno abandono...
O antigo Barranco, continua o mesmo,
desde os tempos das plataformas ferroviárias...
Quando queda o movimento
por lá tudo pode acontecer,
bem próximo ao ribeirão Preto...
Nem sempre o detetive Fred,
nem o jornalista Clark Kent
podem estar por perto...
O Fantasma que anda,
meio cansado,
namora com Diana
e não atende a tambores...
Os nossos poetas,
por onde andarão?
Longe dos batedouros
não sonho com varais?
As águas cantantes
do ribeirão Preto
são um eterno sonho
desde muito antes
dos arruamentos centrais...
O ribeirão Preto
é a própria cidade;
serpenteia pela geografia
projetando historias
de nossa historia social...
O ribeirão Preto
é o mais belo da região
abraça o Retiro
e nada deve para o Pardo
na sua reta final...
Autor:
Nilton Manoel
(do livro Cenas Urbanas, 1989, Nilton Manoel)