POESIAS E CRÔNICAS

A MAGIA DO TOQUE

Sem dúvida o toque, é uma palavra mágica que revela em sua essência maior a necessidade humana de carinho e de amor.

Atualmente as pessoas não se tocam convenientemente com o objetivo de revelar e de mostrar ao outro os seus sentimentos de forma clara e concreta.

É grande a carência de um toque, de um abraço, de uma carícia e de um beijo.
 
E essa falta é sentida e começa na infância, desde a época em que muitos bebês não se sentiram beijados, tocados nem acariciados como precisavam e queriam.

Com pais e  mães, a pretexto de uma vida corrida, do trabalho mútuo dentro ou fora de casa, das atribulações e das responsabilidades cotidianas, esquecendo-se de ter um contato mais prolongado e pessoal com seus filhos.
 
Muitos deles receosos de serem rotulados de pedófilos apenas porque querem dar algum carinho e afeto aos seus filhos.

Quanto à demonstração de afeto e de amor em suas múltiplas facetas aumenta o número de pais que se mostram receosos de beijarem e de abraçarem os seus filhos homens por terem medo de que possam torná-los presas mais fáceis de um homossexualismo, que interiormente condenam e não desejam para eles.

Eles chegam a acreditar que a dependência dos seus filhos poderá ser maior caso eles lhes dediquem maiores atenções e cuidados.

E se há algum tempo era normal, quando amigos encontravam-se, uma demonstração maior de amizade hoje eles se limitam a dar tapinhas nas costas, enquanto que amigas, ao se encontrarem trocam no máximo beijos formais, sem um maior significado.

De fato hoje um grande número de homens e de mulheres não se abrem, nem se revelam e nem mostram sentimentos de amizade ou de amor de uma forma mais pessoal, livre do que possa estar ou não  politicamente correto.

Sim, vivemos hoje em uma sociedade que ignora ou que está a desconhecer a importância do contato físico, de pele com pele, sem dar a união dessas peles o valor que ela possui, enquanto promotora de uma aproximação menos virtual e mais real entre dois seres humanos. 

De fato a experiência tátil, ou a sua falta, afeta em muito o comportamento humano uma vez que o uso de todos os sentidos é um fator determinante para uma socialização humana de melhor qualidade.
 
 Quer no âmbito da sociedade como um todo, quer na relação entre homem e mulher ou de filhos com pais e de amigos com amigos.

E só através da valorização da proximidade entre humanos e portanto através da valorização de um contato físico de melhor qualidade, sem tantos óbices e falsos formalismos de ocasião, poderemos entender melhor o nosso mundo e o outro ser humano.
 
Para aprofundarmos o nosso conhecimento e o nosso entendimento em relação a eles.

E tocar é, sem dúvida nenhuma, uma das linguagens mais poderosas para se chegar até o outro, de forma menos impessoal e mais humana.

Sim, sabemos que o corpo humano possui mais de 600 mil pontos sensíveis na pele e em decorrência de tal sensibilidade e das funções desempenhadas pela pele, ela é essencial para a nossa convivência humana e para a expressão de nossos sentimentos e emoções.

Não esqueçamos que quando o ser humano está cego, surdo e completamente desprovido dos sentidos do olfato e do paladar, a ausência desses sentidos não será obstáculo para a convivência humana.

Mas é claro que a capacidade de interagirmos hoje com os nossos semelhantes está muito atrasada em comparação com a nossa imensa predisposição  para nos relacionarmos, com os bens de consumo e com as necessidades artificiais criadas pela sociedade.
 
E isso ocorre já há séculos, nos mantendo numa dependência ao ter e ao comprar que chega às raias da escravidão.

Tornamo-nos prisioneiros de uma convivência quer social, quer familiar, e entre sexos, na relação diária de um processo de vida, que passa a ser frio, distante, sem sal, sem gosto, sem sabor e pior ainda, sem um toque pessoal concreto.

Declara-se amizade e amor demasiado, mas quase sempre essas manifestações são protocolares e não refletem a sinceridade, nem a verdade dos sentimentos de quem as revela.

Muitas vezes o constrangimento existe ao se constatar que, na prática, tudo não passa de palavras ditas ao vento, pois o contato mesmo, não formalizado, é refreado sem que os participantes tenham de fato chegado, um ao outro, de forma menos distante e burocrática.

O envolvimento deixa de acontecer devido á profusão de palavras e de declarações formais, não raramente ocas e vazias, que não se traduzem num relacionamento sensorial.
 
 Negligencia-se os sentidos de tal forma a que não se aprofunde, de um para o outro, uma real proximidade da pele.

Quanto às relações sexuais não se pode ignorar a importância do toque e da pele, e esse contato é, sem nenhuma dúvida, a verdadeira expressão de uma mútua linguagem sexual.

E em seu sentido mais profundo, sem a estimulação do tato, de pele com pele, não acontece o orgasmo e o prazer passa a ser reduzido ou não apresenta as características que deve assumir numa relação que pretenda ser mais permanente e feliz.

Quanto mais amplo for o contato pessoal e quanto melhor o contato tátil, na relação, mais se desenvolverá o erotismo, a sexualidade, a sensualidade, a fantasia, a criatividade e o prazer no indivíduo e no casal.

A identificação de papéis sexuais está ligada, em muito, aos condicionamentos, as restrições ou a liberdade, que nasce e se desenvolve através e por meio da pele, durante toda a vida.

E através desses papéis alguns usam o sexo e o contato de pele com pele para magoar, ferir ou explorar o outro.

Entenda-se que a maioria dos distúrbios e das  manifestações patológicas, que o sexo pode vir a assumir, em maior ou menor grau de intensidade, são influenciadas pelas primeiras experiências advindas do tato e do contato da pele com pele.

E mesmo sendo uma necessidade individual e coletiva, essas primeiras experiências podem ser a causa e o efeito de inúmeros desvios de conduta do comportamento humano.

Iludem-se os que acreditam que só o contato virtual, que sempre será abstrato e não concreto, enquanto virtual, seja capaz de trazer para o  ser humano a capacidade de amar e de ser amado, ou de trabalhar, de brincar e de pensar de modo menos estereotipado e livre de preconceitos.

Só o contato de pele com pele pode conduzir o ser humano ao seu paraíso quando estiver acompanhado interagindo com o outro ser humano!

Autor: Roberto Romanelli Maia
Escritor, jornalista e poeta

Qual a sua opinião sobre esta matéria?
Envie suas críticas e sugestões.

Clique aqui

Deseja enviar esta página para um
"Velho Amigo"?

Clique Aqui

<< Clique Aqui para voltar