BANZAI!

A festa dos 100 anos da imigração japonesa no Brasil coroa uma das mais intensas trocas culturais (e lingüísticas!) já ocorrida entre o Ocidente e o Oriente.

No dia 18 de junho de 1908, o navio Kasato-Maru atracou no porto de Santos, no litoral paulista. A bordo, trazia 781 pessoas que fugiam da falta de emprego no Japão e cruzavam os mares com a esperança de encontrar novas oportunidades. Os primeiros imigrantes da terra do sol nascente traziam muito mais do que o pouco que puderam portar em suas malas: carregavam consigo uma bagagem cultural de incomensurável riqueza, que influenciaria definitivamente os costumes brasileiros.

Cem anos mais tarde, o Brasil abriga a maior comunidade de descendentes de japoneses no mundo. Marcam presença nas artes plásticas, na agricultura, na religião, nos hábitos domésticos, nos esportes, na culinária e também na língua portuguesa. Hoje, inúmeros vocábulos de origem nipônica estão incorporados ao português nas áreas em que a presença cultural do país asiático se faz mais forte.

É o caso de origami, ikebana, “xintoísmo”, “quimono”, hashi, ofurô, “sumô” e “judô”. Algumas destas palavras encontram-se dicionarizadas, tais como “tatame”, "sushi", “missô”, “saquê” e “camicase”.

Japonês de brasileiro

O cenário atual de integração cultural – reforçada em tempos de globalização –, no entanto, é fruto de uma trajetória repleta de obstáculos e desafios ao longo de um século.

Muito antes de os termos japoneses se tornarem populares no Brasil, os primeiros colonos esbarraram nas dificuldades lingüísticas encontradas em sua nova terra. A gramática da língua japonesa, embora bastante diferente da língua portuguesa, é relativamente simples e regular. Por isto, falantes nativos de japonês costumam precisar de um esforço suplementar para o aprendizado de línguas estrangeiras.

Alóctone, o idioma falado pelos imigrantes no Brasil, denominado coroniagô (língua de colônia), em que se misturam termos das línguas japonesa e brasileira, não se atualizou. É como se tivesse parado no tempo, ao passo que, no Japão, a língua em constante mudança absorveu muitas expressões estrangeiras – sobretudo estadunidenses, em razão primeiro da ocupação dos Estados Unidos no território japonês no pós-guerra e, atualmente, da dominação cultural do país ocidental.

Assim, grande parte dos brasileiros com ascendência nipônica usa o japonês antigo para se comunicar e encontra dificuldades em compreender a língua japonesa atual. Por exemplo, a palavra “banheiro” ainda é usada como benjyô pelos imigrantes. No Japão, contudo, o termo é visto de forma depreciada – hoje é socialmente aceito o vocábulo toirê, derivado do francês toilette (também conhecido aqui como “toalete”).

No caso principalmente daqueles cujos ancestrais vieram de províncias mais afastadas dos grandes centros urbanos no Japão, pode-se dizer que guardam uma língua em extinção, uma vez que falam um dialeto idiossincrático, muito diferente da língua oficial.

O dialeto falado pelos descendentes de imigrantes de Okinawa, ilha japonesa no Pacífico, por exemplo, costuma ser foco de estudo de especialistas em lingüística, que vêm do Japão visitar o Brasil em busca dessas origens idiomáticas. Com o movimento reverso de emigração de nipo-brasileiros ao Japão, intensificado a partir dos anos 1980, nota-se que a língua japonesa no Brasil passou a equiparar-se à do Japão mais rapidamente.

Chamados de decasséguis, esses trabalhadores costumam passar temporadas do outro lado do planeta a fim de obter melhores condições financeiras.

Indiretamente, conferem dinamismo ao desenvolvimento da língua japonesa no Brasil.

Mangás e animês

Para muitos dos descendentes de japoneses – sobretudo os jovens – se atualizarem em relação não só à língua, mas também aos costumes do país oriental, não foi preciso, entretanto, viajar à terra do sol nascente. O caminho por eles encontrado foi o da leitura de mangás (histórias em quadrinhos típicas do Japão) e o de vídeos de animês (em geral, desenhos de heróis, da abreviatura do inglês animation).

Símbolos da cultura pop japonesa, os mangás e os animês transcenderam as estantes de nipo-brasileiros e hoje se tornaram fenômeno entre adolescentes sem ascendência oriental – alguns dos quais passaram a freqüentar aulas de língua japonesa de forma contínua.

Muito antes de Frank Miller – renomado roteirista e desenhista estadunidense – “descobrir” os mangás, porém, estes já eram fartamente lidos pela comunidade nipônica. Importados por distribuidoras, o mesmo aconteceu com animês e filmes japoneses.

Segundo a professora de histórias em quadrinhos e mídia Sonia Bibe Luyten, doutora em ciência da comunicação pela USP, “a leitura do mangá para a comunidade japonesa, representava dois segmentos importantes: um era a manutenção da língua, e o outro, a aquisição ou o aprendizado de novos termos, sobretudo os incorporados da língua inglesa”. Ou seja, sua função foi a de manter a língua coloquial viva para os que estavam fora do Japão.

Literatura japonesa

Outro canal importante pelo qual as línguas portuguesa e japonesa se encontraram foi a literatura do país asiático. Podemos dizer que os escritores nipônicos mais conhecidos no mundo ocidental são Junichiro Tanizaki, autor de "As Irmãs Makioka" e "Há Quem Prefira Urtigas"; Yasunari Kawabata, que escreveu "O País das Neves" – obra que lhe rendeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1968; e Yukio Mishima, que tem entre seus títulos mais conhecidos "Cores Proibidas", lançado há cerca de dois anos, e "Mar Inquieto". As obras desses autores criaram uma imagem de que a literatura japonesa é caracterizada por ser evasiva, obscura e inconclusa. No entanto, é importante observar que as obras conhecidas no Ocidente foram traduzidas primeiramente por acadêmicos de língua inglesa, especialistas em literatura japonesa, e que as traduções para as demais línguas aconteceram posteriormente, a partir dessas versões.

Desse ponto de vista, afirmam estudiosos como Edward Fowler, não podemos deixar de observar que as preferências dos acadêmicos, o interesse das editoras e, de certo modo, “os gostos dos leitores de língua inglesa têm, de um modo geral, ditado os gostos de todo o mundo Ocidental no que se refere à fi cção japonesa”. Com isso, são poucas as obras japonesas traduzidas diretamente para o português. No Brasil, Irmãs Makioka, de Tanizaki, e Musashi, de Eiji Yoshikawa, são exceções – foram traduzidas pela brasileira Leiko Gotoda. O best-seller de Yoshikawa conta a história de um famoso samurai em busca de seu aprimoramento como espadachim. O livro é visto como referência na divulgação da literatura japonesa por aqui. Seu sucesso de vendas, depois de traduzido pela Estação Liberdade em 1999, parece ter despertado o interesse das editoras brasileiras pelas obras nipônicas, claramente em destaque no panorama literário nacional atual. Depois de Musashi, já foram publicados no Brasil autores como Yukio Mishima, Ryunosuke Akutagawa, Junichiro Tanizaki, Kenzaburo Oe, Yasunari Kawabata, Seicho Matsumoto, Eiji Yoshikawa, Tsuneo Tomita, Haruki Murakami e a poetisa Machi Tawara. Uma das próximas traduções – também diretamente para o português – que chegará em breve às prateleiras das livrarias nacionais será "O Livro do Chá", de Kazuko Okakura.

Entre os autores modernos que tiveram livros traduzidos recentemente para o português destaca-se Banana Yoshimoto, considerada uma das mais destacadas escritoras da literatura japonesa contemporânea e autora de Kitchen. As angústias da juventude japonesa atual são minuciosamente retratadas nas suas obras, em que predominam temas como morte, solidão, desencontro e perda, tornando-a bastante popular entre os jovens. O apelido artístico Banana, segundo ela, seria uma palavra propositadamente andrógina – seu nome verdadeiro é Nahoko Yoshimoto. Autor de Norwegian Wood; "Dance, Dance, Dance" e "Caçando Carneiros", Haruki Murakami é outro nome cada vez mais conhecido nas prateleiras brasileiras.

Influências literárias

É possível encontrar influências nipônicas na literatura brasileira, principalmente de três formas: por meio de autores brasileiros que escrevem narrativas vinculadas direta ou indiretamente ao Japão; de escritores que se utilizam do estilo e de técnicas literárias japonesas; ou de descendentes orientais que vivem e escrevem no Brasil. Do primeiro grupo, constam literatos como Bernardo de Carvalho, que publicou recentemente "O Sol se Põe em São Paulo", em que o personagem central é um descendente de japoneses em busca de suas origens. Outros exemplos são Alberto Renault, autor de "Moko no Brasil", romance baseado nas aventuras de uma garota japonesa em sua passagem por aqui, e Aluísio de Azevedo, que escreveu um livro hoje raro de ser encontrado, intitulado "O Japão" – um relato de viagem do período em que visitou o país na condição de diplomata.

Encontramos influências nipônicas indiretas em obras brasileiras, em decorrência do contato com autores franceses como Mallarmé e Lautreámont. Dessa forma, é possível verificar a concisão da poesia japonesa em Oswald de Andrade, que foi buscar essa influência nos poetas franceses.

Autores como Guilherme de Almeida, Paulo Leminski ("Caprichos e Relaxos", "La Vie en Close" e "Distraídos Venceremos") e Alice Ruiz ("Desorientais" e "HaiTropikai") adotaram a forma concisa de poesia japonesa. Alberto Marsicano (Sendas Solares), Haroldo de Campos ("Harogomo"), Millôr Fernandes e Antônio Fernando de Franceschi (com suas transcrições) são exemplos adicionais de autores que possuem traços da língua japonesa. A maior parte da produção literária da comunidade nipo-brasileira ainda continua em japonês. Somente a poesia haikai tem conseguido, nos últimos anos, chamar a atenção de poetas ocidentais e descendentes de japoneses, e editado uma série de livros em língua portuguesa. Teruko Oda, Goga Masuda, Helena Kolody, Benedita Azevedo e Paulo Franchetti ("Haikais") escrevem haikais em língua portuguesa.

Outro autor que tem difundido muito esse gênero no Brasil é Nelson Savioli, que publicou livros como o recente "Burajiru" (como os japoneses escrevem “Brasil”), com haicais de sua autoria comentados em notas de rodapé. Ao lado dessas obras, destaca-se a tradução de poemas tanka, do mestre Kikuti Iwanami, sob o título "Terratempo" e a "Antologia de Poesia Nikkei", reunindo trabalhos de nove poetas nipo-brasileiros. Já o romance não foi gênero largamente cultivado pelos japoneses ou descendentes que vivem aqui.

Os poucos publicados apresentam como tema principal a história dos próprios imigrantes, em autobiografias. Na lista de romances, que foram originalmente escritos em português e têm como referência o autor nipo-brasileiro ou um tema relacionado à comunidade nikkei, temos "Sonhos Bloqueados" e "Kiken", de Laura Honda Hasegawa; "Sob Dois Horizontes", de Mitsuko Kawai; "Coração de Papel", de Cláudio Mitsuhiro Ono; "Flor de Vidro" e "O Jardim Japonês", de Ana Suzuki; e "Desafio ao Imortal", de Eico Suzuki. Ao bom curioso sobre a cultura japonesa no Brasil, fi ca também a dica de leitura de "Corações Sujos" (Companhia das Letras, 2000), de Fernando Morais. O autor de títulos de sucesso, como "Chatô: O Rei do Brasil" e "Olga", narra, com ar romanceado e vasta pesquisa histórica, os anos da Shindo Renmei, entidade nacionalista que se utilizou de intensa propaganda e ameaças físicas – chegaram a executar “traidores” com katanás, as espadas samurais – para fazer a colônia nipônica brasileira acreditar que o Japão havia ganhado a Segunda Guerra Mundial.

E, se por um lado os japoneses de fato perderam a guerra, por outro ganharam a paz, como cantou Gilberto Gil. E o Brasil ganhou uma grande amizade, além da intensa e já secular convivência com essa cultura tão rica e diferente.

CRONOLOGIA DE GERAÇÕES

Embora os primeiros trabalhadores tenham chegado em 1908, o pico da imigração japonesa ocorreu nos anos 1920 e 1930, quando mais de 140 mil nipônicos desembarcaram no país. O movimento voltou a tomar impulso depois da Segunda Guerra Mundial, após a chegada do navio Kobe-Maru, em 1951.

Em 1965, outros 46 mil japoneses aportaram no país. Hoje abrigamos a maior colônia nipônica fora do Japão, com cerca de 1,5 milhão de pessoas, entre japoneses nativos e descendentes. Quase 70% se concentram no estado de São Paulo, sobretudo na capital paulista e nas cidades de Marília, Tupã, Bastos e Registro.

Outras concentrações relevantes são encontradas no Paraná (em Londrina e em Maringá), em Mato Grosso do Sul (na cidade de Dourados) e no Pará. Segundo pesquisa do Centro de Estudos Nipo-Brasileiros, 13% da comunidade japonesa é composta de isseis (nativos); enquanto 31% são nisseis (fi lhos de japoneses); 41%, sanseis (netos, dos quais 42% são mestiços); e 13%, yonseis (bisnetos, sendo 61% deles mestiços).

SAMBA JAPONÊS

O título acima faz menção a uma canção de Jorge Mautner e Nelson Jacobina de 1981. Desde então, a aproximação entre samba e Japão virou coisa corriqueira, e o interesse dos nipônicos pela música brasileira é cada vez maior. Artistas como Bebel Gilberto, Miúcha, Nara Leão, Tom Jobim e João Gilberto marcaram presença – algumas vezes constante – nos palcos japoneses. E os catálogos musicais das gravadoras da Terra do Sol Nascente estão sempre repletos de artistas brasileiros. Não demoraria, obviamente, para que os próprios japoneses fi zessem música com cara de Brasil.

Hoje, músicos e produtores famosos, como Katsunori Tanaka e Kazufumi Miyazawa, se dedicam a gêneros influenciados por bossa nova e congêneres. Até em Tóquio há desfile de escolas de samba: o carnaval de Asakusa acontece há 28 anos e é famoso no país. Isto que é tradição...

Com tanto bamba japonês, o Brasil reconheceu o esforço e rendeu suas homenagens. No Carnaval de 2008, duas escolas de samba, uma em São Paulo (Unidos da Vila Maria) e outra no Rio de Janeiro (Porto da Pedra), homenagearam o centenário da imigração japonesa no Brasil, divulgando não só a cultura nipônica mas também palavras de origem oriental em seus sambas. Outra que investiu no vocabulário japonês foi a paulistana Vai-Vai, que foi campeã com o enredo há alguns anos.

100 Anos de Imigração Japonesa no Brasil: Tem Pagode no Maru (Porto da Pedra)

Brasil!
Abra o leque ao Japão, são 100 anos de imigração
O show vai começar
De São Gonçalo o meu tigre se transforma em torá
Imperador da cultura milenar
No templo dourado a mãe natureza
Sopra o vento da paz, encontro marcado com a sutileza
Há luz, bambus, bonsais
Gira baiana, oh! mãe do samba
Emana cerejeira em flor
Na grande viagem, fé na bagagem
A esperança navegou
O maru cruzou o mar
Lançado à sorte, o braço forte na lavoura trabalhou
A liberdade cultura viva
Terra querida é luz e cor
O sopro do gênio o fez samurai
Quem foi Manabu? Das artes o pai
Quem dobra o papel com as mãos do céu
Faz do origami pedaço de paz
Vai um sushi saborear
Vi um gato no mangá, o gato é sorte
Vem coração oriental
Vem na era digital me dar suporte Japão, o sol nascente brilha em cada um de nós
Em Azakusa agora explode a minha voz
E a lágrima que cai é de emoção
A verdade que embala o meu coração
É a Porto da Pedra a minha paixão
Aplausos que o show vai terminar
Me perdoe se eu chorar

IDÉIAS, IDIOMAS E IDEOGRAMAS

Apesar da disparidade, as línguas portuguesa e japonesa dividem uma história e uma série de vocábulos nascidos durante as grandes navegações do século 16.

Muitos brasileiros já estão acostumados a pedir tempuras em restaurantes japoneses. Mal sabem, contudo, que o nome dos bolinhos de carne ou legumes fritos, já tão disseminados no vocabulário nacional, vem da própria língua portuguesa. Com raiz no vocábulo “tempero”, tempura é apenas uma das mais de 400 palavras japonesas que têm origem no português.

A explicação está nas grandes navegações portuguesas do século 16. Em 1543, os lusitanos aportaram no Japão, na ilha de Tanegashima, em Kyushu, e a relação entre os dois países se manteve até o governo japonês decretar a política de fechamento dos portos, conhecida como sakakoku, em 1639. Pode-se afirmar que os portugueses foram os primeiros europeus a chegar ao Japão, e a língua portuguesa, a primeira língua européia com a qual os japoneses tiveram contato.

A pedido do rei D. João III, em 1549, Francisco Xavier viajou ao Japão com jesuítas portugueses e iniciou a catequização do país. Os jesuítas levaram conhecimentos referentes a medicina, astronomia, filosofia e literatura européia. Eles estudaram a língua japonesa e a cultura sistematicamente para melhor desenvolver o trabalho missionário e produziram um dicionário chamado "Vocabulário da Lingoa de Japam" com a Declaração em Português, obra que é considerada atualmente indispensável para o estudo da história da língua japonesa.

Com exceção dos países de idioma nipônico, não há nenhum país como o Japão sobre o qual Portugal tenha exercido tanta influência. Naquela época, o país ibérico ditava a moda no Japão, sobretudo na então capital, Quioto. Os japoneses adotaram comidas portuguesas, e usavam uma roupa interior do quimono que se chamava jiban (“calças”, no português antigo eram chamadas de “gibão”).

Nessa época, teriam existido cerca de 4 mil palavras portuguesas no japonês. A influência de Portugal no Japão no decurso de quase um século foi relevante e abrangente, e se deu por meio da divulgação de conhecimentos das ciências náuticas e militar, química, medicina, matemática, teologia, literatura e história. Muitas palavras relacionadas à Igreja e aos rituais litúrgicos foram incorporadas à língua japonesa, como irumam (irmão), kirishtan (cristão) e kurusu (cruz).

Diversas outras que não estão relacionadas a rituais religiosos também foram introduzidas e são largamente utilizadas no vocabulário da língua japonesa, como bidoro (artefatos de vidro), karuta (jogo de cartas), koppu (copo), pan (pão), shabon (sabão), tabako (tabaco), botan (botão) e kappa (capa de chuva).

Existem, ainda, palavras compostas que têm influência da língua portuguesa, como bidama (bolinha de gude), formada pela junção da inicial de bidoro com dama (originariamente tama, que significa “bola”). Até mesmo o famoso arigatô não ficou de fora. Há uma polêmica em torno desse termo, que significa “obrigado”. Autores consagrados, como Marcos Bagno em "A Língua de Eulália", afirmam que arigatô teria sido originado de “obrigado”.

Os professores de língua japonesa, entretanto, não concordam. De acordo com eles, a palavra tem origem no termo chinês arigatai, e existe muito antes de os portugueses chegarem ao Japão.

Português nos estudos japoneses

Quanto ao ensino da língua portuguesa nas universidades japonesas, ele remonta a 1918, quando o professor João Abranches Pinto chegou ao Japão para lecionar na Universidade de Estudos Estrangeiros em Tóquio.

No ano seguinte, foi criado o Departamento de Estudos Estrangeiros na mesma universidade. Outras universidades introduziram o português nos currículos acadêmicos a partir da década de 1950. Em razão dos cerca de 300 mil brasileiros que vivem no Japão atualmente, existem cinco universidades (duas públicas e três privadas) que conferem licenciaturas em língua portuguesa. Outras 19 instituições de ensino superior incluíram o português como segunda língua estrangeira ou optativa, comportando quase 2 mil estudantes de português.

Em relação ao ensino pré-universitário, oito escolas secundárias apresentam nos seus currículos o ensino de língua portuguesa como segunda língua ou língua estrangeira.

Autor: Cássio Aoqui
Enviado por:
Iara Filardi - Assessoria de imprensa - Edições Escala Educacional

RECEITAS JAPONESAS

Dashi (Caldo básico de peixe)

Ingredientes:
1 folha de Kombu
4 e 1/2 xícaras de água
1 xícara (chá) de Katsuobushi

Modo de Preparo:
Limpar a folha de Kombu com um pano úmido, mas sem retirar o pó branco que paira na superfície. Cortar em tiras com uma tesoura. Levar o Kombu ao fogo com 4 xícaras de água. Assim que levantar fervura, retirar de alga. Juntar mais 1/2 de xícara de água fria e colocar o Katsuobushi. Quando levantar fervura, apagar o fogo. Os flocos de peixe deverão assentar no fundo da panela. Só então coar o caldo numa peneira coberta com um guardanapo de pano limpo. Usar este caldo como base para sopas. A fervura do Dashi deve ser feita com a panela destampada para o caldo não ficar com aparência turva e cheiro desagradável.
*Não é necessário colocar sal, porque este caldo será usado como base para sopas e outros pratos onde entrarão Shoyo e Missô, que são salgados.

Salada de Camarão

Ingredientes:
16 camarões médios limpos
1/2 litro de água
1 pepino
8 folhas de alface
2 colheres (sopa) de gengibre ralado
1 colher (chá) de sal
1 limão

Modo de Preparo:
Lavar o camarão e ferver com a água durante 5 minutos. Escorrer e reservar. Cortar o pepino em tiras finas. Reservar. Lavar a alface e picar em pedaços pequenos. Arrumar numa travessa o alface, o pepino e o camarão. Espremer o gengibre num guardanapo limpo e espalhar seu suco sobre a salada. Temperar com o sal. Regar com o suco de limão e servir.
Rendimento: 4 pessoas

Carne de Porco com Tofu

Ingredientes:
200g de tofu
1 folha de cebolinha verde
1/2 kg de carne de porco moída
1 colher (chá) de gengibre ralado
1 ovo
2 colheres (sopa) de Shoyu
3 colheres (sopa) de farinha de trigo
4 colheres (sopa) de óleo de milho, arroz ou soja
4 batatas
1/2 litro de água
sal a gosto
4 colheres (chá) de mostarda
4 folhas de alface
4 ramos de agrião

Modo de Preparo:
Cortar o Tofu em pedaços e enrolar em papel de cozinha para absorver a água. Quando estiver seco, esmagar com um garfo. Picar a cebolinha e misturar à carne, juntamente com o Tofu e o gengibre. Adicionar o ovo batido, o Shoyu e a farinha. Misturar bem com a mão. Dividir em 8 bolinhas e achatar na palma da mão, formando bifes finos. Esquentar o óleo e dourá-los dos dois lados. Descascar e cozinhar a batata em água e sal. Colocar os bifes em uma travessa com um pouco de mostarda sobre cada um e rodear com as batatas, a alface e o agrião.
Rendimento: 4 pessoas

Lombo ao Shoyu

Ingredientes:
600g de lombo de porco
2 copos de água
1 pedaço de cerca de 25g de gengibre
1/2 xícara (chá) de óleo de milho, arroz ou soja
6 colheres (chá) de Shoyu
4 colheres (chá) de açúcar
1 xícara (chá) de Dashi
1 xícara (chá) de Saquê
1 colher (sopa) de Mirin
4 colheres (sopa) de mostarda

Modo de Preparo:
Lavar e secar o lombo de porco com papel absorvente de cozinha. Cortar o lombo em pedaços de cerca de 3 centímetros. Colocar a carne dentro de um escorredor de massa e este sobre uma panela com água. Acender o fogo e deixar a carne receber o vapor da água durante 20 min. Retirar para uma vasilha funda e cobrir com a água fria e o gengibre ralado. Deixar de molho durante 2 horas. Retirar e deixar voltar à temperatura ambiente. Em seguida, dourar no óleo quente. Passar os pedaços de carne já dourados para uma panela. Cobrir com o molho feito a mistura do Shoyu, o açúcar, o Dashi, o Saquê e o Mirin. Cozinhar em fogo baixo até o líquido evaporar quase completamente. Servir em travessinhas japonesas individuais com um pouco de mostarda.
Rendimento: 4 pessoas

Tori Mizutaki

Ingredientes:
600 g de filé de frango
1 colher (chá) de sal
50 g de margarina
1/4 de maço de acelga
2 cenouras
4 folhas de cebolinha verde
4 cogumelos brancos grandes
100 g de tofu
3 colheres (sopa) de açúcar
4 colheres (sopa) de shoyu
4 colheres (sopa) de saquê
2 colheres (sopa) de mirin
1/2 xícara (chá) de dashi
1/2 xícara (chá) de água

Modo de Preparo:
Cortar o filé de frango em fatias muito finas. Temperar com sal e refogar na manteiga. Acrescentar a acelga cortada em pedaços, a cenoura em tirinhas, a cebolinha verde em rodelas, o cogumelo em fatias e o tofu em cubos. Juntar o açúcar, o shoyu, o saquê, o mirin, o dashi e a água. Cozinhar durante 10 a 15 minutos. Colocar numa tigela grande e servir.

Salmão no Shoyu

Ingredientes:
4 filés de salmão fresco
1 colher (chá) de sal
4 colheres (sopa) de óleo de arroz, soja ou milho
2 colheres (sopa) de Saquê
4 avelãs ou amêndoas
1 xícara (chá) de Dashi
3 colheres (sopa) de Mirin
1/2 xícara (chá) de Shoyu
2 colheres (sopa) de Su
1 colher (chá) de farinha de trigo
2 colheres (sopa) de água
2 claras de ovo
1 nabo
1 limão

Modo de Preparo:
Lavar e secar os filés de salmão com papel de cozinha. Temperar com sal e fritar levemente de ambos os lados no óleo quente. Colocar num prato refratário e banhar com o Saquê. Reservar. Misturar o Dashi ao Mirin, ao Shoyu e ao Su. Colocar numa panela e levar ao fogo. Dissolver a farinha na água e juntar ao molho Dashi, mexendo sem parar até engrossar. Apagar o fogo e acrescentar as avelãs. Reservar. Bater as claras em neve firme e juntar o nabo ralado e 1 pitada de sal. Distribuir essa mistura de claras sobre os filés. Levar ao forno bem qunete por 5 minutos. Retirar e cobrir com o molho de avelãs bem quente. Servir enfeitado com rodelas de limão.
Rendimento: 4 pessoas

Sashimi

Ingredientes :
1/2 kg de atum fresco
1/2 kg de filé de linguado fresco
1 lula limpa inteira
1 nabo
1 folha de Nori tostada
4 folhas de cebolinha verde
2 colheres (sopa) de Wasabi
2 colheres (sopa) de gengibre ralado
1/2 xícara (chá) de Shoyu
1 limão

Modo de Preparo:
Lavar e secar com papel de cozinha o atum, o linguado e a lula. Com uma faca muito afiada cortar o linguado em fatias finíssimas, quase transparentes. Cortar também o atum em fatias com cerca de 1/2 cm de espessura. Picar o nabo em tirinhas muito finas, ou ralar. Sobre a lula aberta colocar a folha de Nori e as cebolinhas verdes (só a parte verde), enrolando em seguida como um rocambole. Depois, cortar em fatias de 1 cm de espessura cada uma. Arrumar numa travessa as fatias de atum e de linguado, entremeada com as de lula, dando um belo efeito visual ao prato. Ao lado dos peixes, colocar o wasabi, o gengibre e o limão cortado em fatias. Em tigelinhas individuais, pôr o Shoyu. Cada convidado degustará a fatia de peixe cru, passando-a na raiz forte e no gengibre e, em seguida, mergulhando-o no Shoyu. Se preferir, regar o peixe com caldo de limão antes de ser saboreado.
Rendimento: 4 pessoas

Teppan Yaki

Ingredientes:
4 camarões graúdos
4 postas de salmão fresco
1 colher (sopa) de suco de limão
4 colheres (sopa) de óleo de arroz
3 colheres (sopa) de Dashi
6 colheres (sopa) de shoyu
2 pimentões verdes sem sementes
1 pimenta vermelha sem sementes
1 nabo

Modo de Preparo:
Lavar e secar o peixe e o camarão. Regar com suco de limão. Untar com óleo as postas de peixe e os camarões. Grelhar alguns minutos de cada lado. Servir com o molho preparado com o Dashi, o Soyu, o pimentão e a pimenta picadinhos e porções de nabo ralado.

Mori Soba

Ingredientes:
400g de macarrão japonês
4 xícaras (chá) de Dashi
4 colheres (sopa) de Shoyu
2 colheres (sopa) de Mirin
1 colher (sopa) de açúcar
2 talos de alho-poró
1 folha de Nori tostado
1 colher (sopa) de Wasabi

Modo de Preparo:
Levar ao fogo 2 litros de água. Quando ferver, colocar o macarrão, mexendo sempre para não grudar. Ao levantar fervura, juntar 1/2 xícara (chá) de água fria para baixar a ebulição. Proceder desta forma mais duas vezes, sempre que a água levantar fervura. O macarrão deverá estar cozido em 10 minutos. Escorrer e lavar em água fria para que fique bem solto. Reservar. Misturar o Dashi com o Shoyu, o Mirin, o açúcar e o alho-poró cortado em rodelas finas. Levar ao fogo e ferver durante 2 minutos. Cortar a folha de Nori em tiras. Distribuir o macarrão em 4 tigelas, quente, enfeitar com tiras de Nori, polvilhar um pouquinho de Wasabi e servir.
Rendimento: 4 pessoas

Soba

Ingredientes:
400g de macarrão japonês
200g de filé de frango
1 colher (sopa) de Saquê
5 colheres (sopa) de Shoyu
2 colheres (sopa) de Mirin
1/2 colher (sopa) de óleo de soja, arroz ou milho
4 xícaras (chá) de Dashi
3 cenouras
1 colher (chá) de Togarashi
sal a gosto
2 talos de cebolinha verde

Modo de Preparo:
Levar ao fogo 2 litros de água com 1 pitada de sal. Quando ferver, colocar o macarrão, mexendo sempre para não grudar. Ao levantar fervura, juntar 1/2 xícara (chá) de água fria para baixar a ebulição. Proceder desta forma mais duas vezes, sempre que a água levantar fervura. O macarrão deverá estar cozido em 10 minutos. Escorrer e lavar em água fria para que fique solto. Reservar. Cortar o frango em tiras finas. Temperar com o Saquê, 1 colher de Shoyu e o Mirin. Refogar no óleo. Juntar o restante do Shoyu e o Dashi. Ferver durante 5 minutos. Acrescentar a cenoura ralada e cozinhar mais 2 minutos. Distribuir o macarrão em 4 tigelas e espalhar por cima o Togarashi. Cobrir com o molho de frango e cenoura. Enfeitar com a cebolinha verde picada e servir. *Togarashi: tipo de pimenta japonesa vermelha.
Rendimento: 4 pessoas

Tori Nanban

Ingredientes:
4 peitos de frango
1 colher (chá) de sal
2 colheres (sopa) de Saquê
1 colher (sopa) de óleo de milho, soja ou arroz
1 xícara (chá) de Dashi
1/2 xícara (chá) de Shoyo
1 colher (chá) de açúcar
400g de macarrão japonês
2 talos de cebolinha verde

Modo de Preparo:
Cortar o peito de frango em tirinhas. Temperar com o sal e o Saquê. Marinar durante 10 minutos. Refogar no óleo e juntar o Dashi, o Shoyo e o açúcar. Cozinhar durante 10 minutos. Ferver 2 litros de água. Quando entrar em ebulição, colocar o macarrão, mexendo bem para não grudar. Ao levantar fervura, jogar 1/2 xícara (chá) de água fria. Proceder desta forma mais duas vezes, sempre que a água entrar em ebulição. O macarrão deverá estar cozido em 10 minutos. Escorrer e lavar com água fria. Misturar o molho de frango. Polvilhar a cebolinha verde picada e sevir.
Rendimento: 4 pessoas

Arroz para Sushi

Ingredientes:
3 xícaras (chá) de arroz japonês
3 e 1/2 xícaras (chá) de água
1 pedaço de cerca de 5 cm de Kombu
2 colheres (sopa) de Saquê
4 colheres (sopa) de açúcar
4 colheres (sopa) de Su
1 colher (sopa) de sal

Modo de Preparo;
Lavar o arroz e deixar de molho durante 1 hora. Limpar o Kombu com um pano úmido, sem retirar, porém, o pó branco da superfície. Cortar em tiras com uma tesoura. Levar o arroz ao fogo com o Saquê e o Kombu. Assim que levantar fervura, retirar o Kombu. Abaixar o fogo e cozinhar por 15 minutos. Apagar o fogo e deixar descansar outros 15 minutos com a panela tampada. Passar para uma travessa redonda grande. Temperar com a mistura de açúcar, Su e sal. Mexer com uma colher de bambu até esfriar.

Sushi Califórnia

Ingredientes:
3 colheres (sopa) de gergelim branco
4 camarões grandes limpos
2 xícaras (chá) de água
4 tiras de atum fresquíssimo
4 folhas de cerca de 20cm de Nori tostado
4 xícaras (chá) de arroz para Sushi pronto
4 tiras de manga
4 tiras de pepino tipo japonês
1 colher (sopa) de Wasabi ralado ou em pó

Modo de Preparo:
Tostar o gergelim numa frigideira seca. Reservar. Tirar a tripinha da cabeça do camarão e espetar um palito no seu corpo para ficar reto ao cozinhar. Levar ao fogo com 1 xícara (chá) de água e ferver 5 minutos. Escorrer e esfriar. Levar o atum ao fogo com 1 xícara (chá) de água e ferver 2 minutos. Escorrer e esfriar. Sobre uma esteira de bambu, colocar a folha de Nori. Espalhar sobre ela o arroz e polvilhar o gergelim. Colocar uma tira de atum, uma de manga, uma de pepino, uma de camarão e um pouco de Wasabi. Enrolar como um rocambole com o auxílio da esteira de bambu. Com uma faca afiada, cortar os Sushi. Repetir a operação com todas as folhas de alga. Para dar um belo efeito visual ao prato, pode-se misturar o Sushi Califórnia com o Sushi tradicional.
Rendimento: 4 pessoas

Castanha em Calda

Ingredientes:
20 castanhas tipo portuguesas
4 xícaras (chá) de água
1 xícara (chá) de açúcar

Modo de Preparo:
Com uma faca afiada, dar um talho em cada castanha. Colocar numa panela com 3 xícara de água. Cozinhar durante 30 minutos até a castanha ficar macia. Descascar. Pôr o açúcar numa panela com 1 xícara de água. Ferver 5 minutos e colocar a castanha. Cozinhar até a castanha ficar levemente brilhante.
Rendimento: 4 pessoas

APRENDA ALGUNS KANJIS (IDEOGRAMAS)

Os ideogramas usados pelos japoneses, os kanjis, têm sua origem numa linguagem pictográfica desenvolvida na China antiga. Através dos tempos, desenvolveram-se em formas abstratas estilizadas que são muito complicadas de memorizar.

Em "Kanji Pictográfico", Michael Rowley apresenta um método inovador que associa cada kanji a uma ilustração que lembra sua representação gráfica. Ele associa o significado de cada kanji a um desenho tendo como resultado um verdadeiro dicionário ilustrado, funcional e prático. Podemos notar que o significado se apega à leitura da imagem, não precisamos de muito para associar as imagens com os Kanjis.

Cada elemento foi devidamente estudado e mostrado de forma simples e de fácil compreensão. O mais interessante é que, apenas com a mnemônica visual conseguimos interpretar de forma coerente cada composição. Toda imagem é acompanhada de um texto mnemônico, a citação de um acontecimento facilita na interpretação e conseqüentemente na memorização. Observe bem os exemplos e procure treinar com a criação de pequenas composições - mostre seus desenhos para amigos, mesmo que desenhar não seja o seu forte e observe como eles interpretam seus desenhos, você terá, com certeza, uma grande surpresa.

 

Se desejar fazer um curso, on line, de kanji, clique no site abaixo:
www.nj.com.br/kanji/index.php

Fonte: Livro: "Kanji Pictográfico" de Michael Rowley; Nome original: Kanji Pict-o-graphix;
Tradução: Suara Bastos.

Webdesigner: Lika Dutra

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