ARTIGOS

NEUROPLASTICIDADE
Autor: Elkhonon Goldberg,
Enviado por: Cristina Correa Tibau

FALTA DE DISCIPLINA NA ESCOLA É MAIOR EM SP
Autora: Isis Brum - O Estadão
Enviado por: Rutênio

RESPOSTA DO SR. MARCO MAIA AO MARCELO TAS (E PRETA GIL)
Autor: Marco Maia
Enviado por: Maria José

EDUARDO GALEANO - DE PERNAS PRO AR - A ESCOLA DO MUNDO AO AVESSO
Autor: Rafael Reinehr
Enviado por: Marly Santanelli

JACK 3 D - O QUE NÃO VEM ESCRITO NO RÓTULO
Autor: Diego Zanon
Enviado por: Ivan Freitas da Silva

JOSÉ ALENCAR, DE BALCONISTA A EMPRESÁRIO E VICE-PRESIDENTE DA REPÚBLICA
Autora: Carolina Pimentel

ESTAMOS OBCECADOS PELO "MELHOR"
Autora: Leila Ferreira
Enviado por: Lucilia Loureiro

PELA MORALIDADE
Autor: Merval Pereira

O QUE ESTÁ POR TRÁS DO DESEJO DE COMPRA DE BEM DE LUXO?
Fonte: Agência Notisa

EDUCAÇÃO, O MELHOR INVESTIMENTO
Autor: Delúbio Soares
Enviado por: Wanderlei dos Santos

QUEM NÃO GOSTA DE DOCE DE LEITE?
Fonte: UOL
Enviado por: Marly Santanelli

É SÓ TRISTEZA
Autora: Verônica Mambrini
Enviado por: Marly Santanelli

RECEBER CRÍTICAS NÃO É AGRADÁVEL
Autora: Verônica Mambrini
Enviado por: Marly Santanelli

O TIME QUE PREFERIU MORRER A PERDER
Autor: Não mencionado
Enviado por: Eunice Bertoti de Freitas

ESCRITA NA ERA DIGITAL
Autora: G1 - Jornal Nacional
Enviado por: Suely Souza

ELE É CASADO; E AGORA?
Autora: Suely Buriasco
Enviado por: Adriana Franco

A DISTÂNCIA ENTRE A AGENDA DO CONGRESSO NACIONAL E A REALIDADE DO PAÍS
Autor: Jorge Abrahão

O ALZHEIMER, PELO PACIENTE
Autor: Arthur Rivin
Enviado por: Ernesto Porto

VAI VIAJAR?
Fonte: Ex-Libris Comunicação Integrada
Enviado por: Cibele Cintra

 


NEUROPLASTICIDADE

Sabia que o cérebro melhora com a idade?
As últimas investigações das Neurociências demonstram que o cérebro pode se regenerar mediante seu uso e potenciação, que a atividade mental modifica o cérebro e nos conduz ao que conhecemos como sabedoria, e que o cérebro muda de forma, segundo as áreas que mais utilizamos, segundo a atividade mental.

Os modernos estudos demonstram que os cérebros das pessoas mais velhas não degeneram, mas tem uma evolução particular, de acordo com a atividade realizada, o que torna essas pessoas “sábias” quando chega a velhice.

A chave para alcançar este sucesso se chama neuroplasticidade: que significa moldar a mente, o cérebro, através da atividade. A atividade pode moldar a mente.

Em março de 2000, investigadores da Universidade de Londres descobriram que os taxistas dessa cidade tinham uma parte do cérebro, o Hipocampo - região importante para a memória espacial -, particularmente desenvolvida, muito mais que o resto das pessoas. Os taxistas desenvolviam mais essa zona porque a exercitavam mais, memorizando a cada dia ruas e caminhos. Nesses homens e mulheres, sua capacidade para memorizar ruas e caminhos não diminuía, mas aumentava com o passar dos anos.

Em 2002 cientistas alemães descobriram a mesma coisa na Circunvolução de Heschl dos músicos, área do córtex cerebral importante para processar a música.

Em 2004 os mesmos resultados tiveram o Instituto de Neurologia de Londres, na circunvolução angular esquerda, estrutura cerebral importante para a linguagem, no cérebro das pessoas bilíngües.

Sabia que nós podemos criar novos neurônios ao longo de toda a vida?
Durante muitos anos se acreditou que, a partir de certa idade, o número de neurônios não se renovava mais.

O esforço para criarmos novos neurônios pode aumentar mediante o esforço mental. Isto demonstra a importância de se manter uma atividade mental intensa, conforme envelhecemos. O exercício físico protege nossa saúde cardiovascular. O exercício cognitivo protege nossa saúde cerebral e é fator de proteção contra demência e senilidade.

Os efeitos são específicos: dependendo da natureza da atividade mental, os novos neurônios se multiplicam com especial intensidade em diversas zonas cerebrais, mas vão ficar nas zonas do cérebro que mais usamos.

Sabia que o Cérebro muda de forma segundo as áreas que mais utilizamos?
Nas pessoas, à medida que envelhecem, se dá naturalmente uma deterioração maior no hemisfério direito que no esquerdo. Isto ocorre porque usam mais o hemisfério esquerdo, que é o encarregado de colocar em marcha tarefas já aprendidas e consolidadas.

Para aprender algo, necessitamos mais do hemisfério direito, mas quando alcançamos certo nível de perícia, essas atividades passam a ser controladas pelo hemisfério esquerdo.

Ao longo da vida, acumulamos um repertório de destrezas cognitivas (habilidades e capacidade para reconhecer padrões) que nos permitem abordar novas situações com familiaridade. É o que popularmente chamamos “EXPERIÊNCIA”.

À medida que envelhecemos, nossa atividade mental está mais dominada por essas “rotinas cognitivas”, pelo “piloto automático”. Isto não é ruim, pois permitem resolver problemas complexos mediante o reconhecimento instantâneo de padrões, sem muito esforço, problemas que podem representar um verdadeiro desafio para uma mente mais jovem.

Porém, a estimulação cognitiva, que obriga a utilizar o hemisfério direito, é um ingrediente no estilo de vida que ajuda a evitar a deterioração do cérebro.

A corrente científica dominante respalda a afirmação de que a vida mental intensa desempenha um papel essencial no bem-estar cognitivo, nas etapas avançadas da vida.

Que tal a idéia de incluir o exercício cognitivo de forma regular, como um traço do nosso estilo de vida? Um FITNESS MENTAL!

Autor: Elkhonon Goldberg,
Neurologista da Universidade de New York,
Diretor do Instituto de Neuropsicología e Funcionamento Cognitivo.
Enviado por: Cristina Correa Tibau


FALTA DE DISCIPLINA NA ESCOLA É MAIOR EM SP

Se a sala de aula fosse um campo de futebol, a indisciplina seria a bola no clássico 'alunos contra professores'. O mau comportamento dos estudantes está entre as principais causas dos conflitos escolares, dizem os professores. E, sob a perspectiva dos alunos, essa relação também é vista como complicada. Em São Paulo, o descontentamento é ainda maior em relação ao restante do País: apenas 37,6% dos alunos paulistanos consideram que sua relação com o professor é 'boa ou ótima', índice inferior à média nacional, de 45%, segundo um estudo da Organização das Nações Unidas para a Educação (Unesco).

'Indisciplina é um sintoma de que algo não vai bem em sala de aula. O aluno quer dizer: 'estou sendo obrigado a fazer algo que não me interessa', diagnostica Maria Regina Maluf, doutora em Psicologia da Educação e professora da Pós Graduação em Psicologia da Educação na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Para resgatar a atenção e restabelecer a ordem em sala, um dos desafios é apresentar o conteúdo de forma interessante, de forma que ele possa competir com o mar de informações à disposição nas redes sociais e em outras ferramentas do dia a dia do aluno.

'O professor, hoje, tem de tornar o método mais interessante e se colocar no papel desse aluno', aponta Maria Ângela Barbato Carneiro, coordenadora do Núcleo de Cultura, Estudos e Pesquisas do Brincar e da Educação Infantil da PUC-SP. Isso significa que aulas muito teóricas, distantes da realidade dos estudantes e formatadas para serem copiadas da lousa, por exemplo, tornam-se enfadonhas para uma geração que já nasceu em meio às tecnologias interativas.

O levantamento da Unesco, denominado Cotidiano das escolas: entre violências, levou em conta o depoimento de 500 alunos de ensino fundamental e médio. Além de São Paulo, participaram da pesquisa três capitais (Salvador, Belém, Porto Alegre), mais o Distrito Federal. O panorama traçado pelo estudo reflete um cenário de 2006, mas os conflitos dentro da sala de aula, garantem os especialistas, permanecem.

Mais recentes, outros dois estudos colocam a insubordinação no centro dos problemas entre alunos e professores. Em um deles, feito pela Fundação SM, com 3,5 mil docentes brasileiros, a indisciplina é apontada como a situação mais difícil de se lidar em sala de aula. Outra pesquisa, realizada pelo Ibope com base no relato de 500 professores do País, revelou que para 69% deles a indisciplina e a falta de atenção são os principais problemas escolares.

Mas, se para os especialistas a falta de disciplina tem a ver com aulas que não prendem a atenção do aluno, para os professores o problema está na casa do estudante e não na metodologia de ensino. 'A maioria, até 62% dos docentes, ainda responsabiliza a família pela situação', diz a coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisa em Educação Moral (Gepem) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Luciene Regina Paulino Tognetta, com base em vários estudos desenvolvidos por sua equipe sobre o tema.

ESTUDANTES

37,6% dos alunos de SP consideram que sua relação com o professor é 'boa ou ótima', índice inferior à média nacional, (45%), diz estudo da Unesco

PROFESSORES

69% dos docentes dizem que a indisciplina e a falta de atenção são os principais problemas na sala de aula, segundo pesquisa do Ibope.

Autora: Isis Brum - O Estadão
Enviado por: Rutênio


RESPOSTA DO SR. MARCO MAIA AO MARCELO TAS (E PRETA GIL)

Tenho 42 anos, sou gay, advogado e moro em Londres.
Nunca sofri nenhum tipo de discriminação em virtude de minha orientação sexual.
E como gay, penso que tenho alguma autoridade nesse assunto.
Primeiramente - e já contrariando a turba - gostaria de expressar minha sincera simpatia pelo Sr. Bonsonaro, que no fundo deve ser uma pessoa de uma doçura ímpar, apesar de suas manifestações "grosseiras e/ou politicamente incorretas".

Vou direto ao assunto. Nunca tive problemas em ser homossexual porque sou uma pessoa normal, como qualquer heterossexual. Esse negócio de viver a vida expressando dioturnamente sua sexualidade é uma doença. A sexualidade é algo que se encontra na esfera da intimidade e não diz respeito a ninguém. Não tenho trejeitos e não aprecio quem os tem. Para mim, qualquer tipo de extremo é patológico.

Minha vida é dedicada e focada em outras coisas. Outros, como doentes que são, vivem a vida focados na sexualidade. O machão grosseiro e mulherengo ou a bicha louca demonstram bem estes extremos. Qualquer tipo de pervertido ou depravado (como a Preta Gil), o pedófilo, etc..., estão neste barco. Nunca fui numa parada gay e jamais irei, pois para mim aquilo é um circo de horrores, uma apologia à bizarrice e à cocaina - sejam francos e falem a verdade!

Hoje aplaudimos o bizarro e a perversão doentia e ainda levamos nossos filhos pra assistir. Se a parada gay realmente fosse um ato político, relembrando sua real importância histórica, muito bem caberia no carnaval - abrindo o desfile das escolas de samba. Muito mais apropriado. Está rolando sim, um movimento das bichas enlouquecidas, no sentido de transformar o mundo num grande puteiro-hospício gay.

Eu tenho um sobrinho de 11 anos e nunca senti a necessidade de explicar para ele que o "titio é gay" - isto é uma palhaçada. As crianças devem ser educadas no sentido de respeitar o próximo e ponto. Isto engloba tudo. Se pararmos para olhar como o mundo se encontra, temos que reconhecer que o modelo de educação que se desenvolve há décadas foi criado no sentido de deseducar e desestruturar cultural e intelectualmente as massas.

Universidades por todo mundo vomitam milhões de pseudos-intelectuais todos os anos, mas tudo piora a cada dia e caminhamos a passos largos para o buraco. Todos os governos do mundo conspiram contra seus próprios cidadãos e se transformaram em grandes máfias, junto com os Bancos e as Corporações estão levando tudo, inclusive (e principalmente) nossa própria humanidade.

A corrupção se alastra pelo globo e nunca vimos tantas guerras e destrições que vão desde o aspecto moral, até o material - a destruição de nosso próprio planeta. A coisa está tão feia, mas tão feia, que somente uma intervenção "divina" é capaz de frear nossos insanos governantes e a turba alucinada. Vejam a quantidade de manifestações de OVNIS pelo mundo. O “disclosure” é iminente. 2012, como símbolo de transformação está aí e a peneira vai passar.

Não crucifiquemos o pobre do Bolsonaro. Tenhamos o entendimento de que seu comportamento é um grito de agonia de alguém que está lá para fazer o seu papel, pois se ninguém disser um chega BEM ALTO a coisa sairá dos limites - como já está saindo. Ele é sim a expressão de milhares e milhares de pessoas, para não dizer milhões. Ele pode ser meio atrapalhado, mas não está errado não. E tenho certeza que esse blá blá blá de dar porrada no filho se for “viado” é só da boca pra fora. Ele é uma pessoa boníssima. Eu tenho certeza disso.

O mundo precisa de amor e filosofia, não de mais ódio e fanatismo. E essa Preta Gil é o fim. Vai ser vagaba assim na pqp.


EDUARDO GALEANO - DE PERNAS PRO AR - A ESCOLA DO MUNDO AO AVESSO

Idolatrar pessoas geralmente é característica do espírito jovem, adolescente. Depois que crescemos, costumamos incorporar algumas características daqueles nos quais espelhamos em nossa personalidade, mas não temos o hábito de seguir identificando-nos com ídolos. Se me perguntassem, entretanto, o que gostaria de ser quando crescer, não teria dúvidas em dizer: Eduardo Galeano!

É claro, também gostaria de ser um pouco Bakunin, um pouco Capra, um pouco Morin e, se sobrasse espaço, muito de mim mesmo...

Me foi emprestado pelo grande amigo Eduardo Sabbi o livro De Pernas Pro Ar – A Escola do Mundo ao Avesso. Quando me emprestou, disse: “Esse livro é uma patada em cima da outra”. E estava certo: em “De Pernas Pro Ar”, Galeano exerce todo seu conhecimento da cultura e política da América Latina sob o olhar atento de alguém que, desde 1971, com “As veias abertas da América Latina” vem criticando a exploração de nossa sociedade pelo assim por Deleuze chamado de Capitalismo Mundial Instituído.

Publicado em 1999, esta obra do escritor uruguaio possui tantas pérolas que necessitam ser registradas lá dentro de nosso ser que precisarei relê-la novamente e, desta vez, não sem fazer anotações detalhadas de todos trechos impressionantes que ela contém em quase todas as mais de 350 páginas.

Até lá, selecionei alguns trechos representativos de parte do pensamento de Eduardo Galeano. Acompanhe:

“Caminhar é um perigo e respirar é uma façanha nas grandes cidades do mundo ao avesso. Quem não é prisioneiro da necessidade é prisioneiro do medo: uns não dormem por causa da ânsia de ter o que não têm, outros não dormem por causa do pânico de perder o que têm. O mundo ao avesso nos adestra para ver o próximo como uma ameaça e não como uma promessa, nos reduz à solidão e nos consola com drogas químicas e amigos cibernéticos. Estamos condenados a morrer de fome, morrer de medo ou a morrer de tédio, isso se uma bala perdida não vier abreviar nossa existência.”

“O mundo ao avesso nos ensina a padecer a realidade ao invés de transformá-la, a esquecer o passado ao invés de escutá-lo e a aceitar o futuro ao invés de imaginá-lo: assim pratica o crime, assim o recomenda. Em sua escola, escola do crime, são obrigatórias as aulas de impotência, amnésia e resignação. Mas está visto que não há desgraça sem graça, nem cara que não tenha sua coroa, nem desalento que não busque seu alento. Nem tampouco há escola que não encontre sua contra-escola.”

“A publicidade manda consumir e a economia proíbe. As ordens de consumo, iguais para todos, mas impossíveis para a maioria, são convites ao delito.”

“A igualação, que nos uniformiza e nos apalerma, não pode ser medida. Não há computador capaz de registrar os crimes cotidianos que a indústria da cultura de massas comete contra o arco-íris humano e o humano direito à identidade. O tempo vai-se esvaziando de história e o espaço já não reconhece a assombrosa diversidade de suas partes. Através dos meios massivos de comunicação, os donos do mundo nos comunicam a obrigação que temos todos de nos contemplar num único espelho, que reflete os valores da cultura de consumo. “A televisão (...) não só ensina a confundir qualidade de vida com quantidade de coisas...”

O PROBLEMA: A economia mundial exige mercados de consumo em constante expansão para dar saída à sua produção crescente e para que não despenquem suas taxas de lucro, mas, ao mesmo tempo, exige braços e matéria-prima a preços irrisórios para baratear os custos da produção. O mesmo sistema que precisa vender cada vez mais, precisa também pagar cada vez menos. E como quem recebe menos pode comprar mais?

Segundo Galeano, o valor dos produtos para animais de estimação que, a cada ano, são vendidos nos Estados Unidos, é quatro vezes maior do que toda a produção da Etiópia. As vendas da General Motors e da Ford superam largamente a produção de toda a África negra. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, “dez pessoas, os dez mais ricos do planeta, têm uma riqueza equivalente ao valor da produção total de cinqüenta países, e quatrocentos e quarenta e sete milionários somam uma fortuna maior do que ganha anualmente a metade da humanidade”

“Num mundo que prefere a segurança à justiça, há cada vez mais gente que aplaude o sacrifício da justiça no altar da segurança. Nas ruas das cidades são celebradas as cerimônias. Cada vez que um delinqüente cai varado de balas, a sociedade sente um alívio na doença que a atormenta. A morte de cada malvivente surte efeitos farmacêuticos sobre os bem-viventes. A palavra farmácia vem de phármakos, o nome que os gregos davam às vítimas humanas nos sacrifícios oferecidos aos deuses nos tempos de crise.”

Uma dos achados fantásticos deste livro foi a citação de uma série de frases encontradas em muros e cidades do mundo. Eis algumas delas: “Combata a fome e a pobreza! Coma um pobre!” (de um muro em Buenos Aires)

“Bem-vinda classe média!” (dizer na entrada de um dos bairros mais miseráveis de Buenos Aires)

“Deixemos o pessimismo para tempos melhores”(de um muro em Bogotá)

“Basta de fatos! Queremos promessas!”

“Existe um país diferente, em algum lugar”

“Quando tínhamos todas as respostas, mudaram as perguntas” (de um muro em Quito)

Estas citações me deram a idéia de criar uma seção no meu site pessoal para receber fotos de frases de cunho político ou de humor encontradas nos muros e locais públicos pelo mundo. Como não tenho viajado muito nem tenho muitos contatos, não sei se a idéia vai vingar, mas um dia começo a pô-la em prática.

Antes do capítulo final, “O direito ao deliro”, Galeano filosofa e filosofa bem: “A natureza se realiza em movimento e também nós, seus filhos, que somos o que somos e ao mesmo tempo somos o que fazemos para mudar o que somos. Como dizia Paulo Freire, o educador que morreu aprendendo: “Somos andando”. A verdade está na viagem, não no porto. Não há mais verdade do que a busca da verdade. Estamos condenados ao crime? Bem sabemos que os bichos humanos andamos muito dedicados a devorar o próximo e a devastar o planeta, mas também sabemos que não estaríamos aqui se nossos remotos avós do paleolítico não tivessem sabido adaptar-se à natureza, da qual faziam parte, e não tivessem sido capazes de compartilhar o que colhiam e caçavam. Viva onde viva, viva como viva, viva quando viva, cada pessoa contém muitas pessoas possíveis e é o sistema de poder, que nada tem de eterno, que a cada dia convida para entrar em cena nossos habitantes mais safados, enquanto impede que os outros cresçam e os proíbe de aparecer. Embora estejamos malfeitos, ainda não estamos terminados; e é a aventura de mudar e de mudarmos que faz com que valha a pena esta piscadela que somos na história do universo, este fugaz calorzinho entre dois gelos”.

Autor: Rafael Reinehr
Enviado por: Marly Santanelli


JACK 3D - O QUE NÃO VEM ESCRITO NO RÓTULO

Tenho recebido diversas perguntas sobre esse suplemento, o Jack3d. Meus alunos de personal e da academia, amigos e outras pessoas, me perguntam se podem utilizar, se é seguro, se dá mesmo resultados.

“Prezado Diego, alguns amigos meus tem me indicado um produto que deve ser usado antes de malhar que se chama Jack3d. Achei difícil de comprar aqui na grande Vitória, cara. Sabe me dizer se ele é seguro e se funciona mesmo? Você indica para seus alunos quando? Se ele tem algum risco gostaria que me falasse, pois cada vez vejo mais gente usando.… Não quero usar algo que possa trazer riscos e na minha academia (prefiro nao falar qual é) os personais falam pouco sobre o assunto. Detalhe: na Net achei pouca coisa a respeito. Abraço, Roberto”.

A enorme quantidade de produtos mágicos oferecidos pela indústria de suplementação nos deixa realmente atordoados e sem saber como julgar qual o melhor, se realmente funciona e quais são os riscos. Por isso vou escrever um post sobre esse produto especificamente.

Quando pensamos em suplementação, sempre temos que lembrar de alimentação. Os suplementos nada mais são do que compostos isolados de determinadas substâncias presentes nos alimentos ou no nosso organismo. E por isso, uma análise criterosa de cada componente do suplemento deve ser feita antes de ser consumido. Basicamente, deve­mos analisar o que é e para que serve cada item e seus efeitos colaterais.

O Jack3d é vendido como um super suplemento pré-treino, que irá te fazer ficar mais focado, levantar mais peso e te dar energia duradoura para treinos intensos! Para confirmar isso e responder as pergun­tas que me fazem, busquei estudos com dados científicos sobre o Jack3d. Entretanto, em minhas pesquisas não encontrei experimentos com esse suplemento. O que fiz então foi procurar sua composição detalhada para analisá-la separadamente.

A composição do Jack3d é divida em 2 complexos:
COMPLEXO I: Y-RD™ (153,33 mg)
THEOPHYLLINE (TEOFILINA)
É também conhecida como dimetilxantina. É uma droga usada no tratamento de doenças respiratórias como asma, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), tem efeitos estimulantes por possuir forma estrutural semelhante a da cafeína. Contudo, por causa dos seus efeitos colaterais agora é raramente utilizada clinicamente. A teofilina é naturalmente encontrada na maior parte dos chás, só que em menores quantidades.

Suas principais ações são: dilatar os brônquios no pulmão; aumentar a força de contração do coração; aumentar a frequência (ritmo) de contrações do coração;
aumentar a pressão arterial; aumentar o fluxo sanguíneo nos rins; efeito estimulante no sistema nervoso central (SNC), principalmente na parte responsável pelo controle da respiração.

Alguns possíveis efeitos colaterais da Teofilina: diarréia; náusea; aumento da frequência cardíaca; cefaléia; insônia; irritabilidade; tonturas; vertingens.

1,3 DIMETHYLAMYLAMINE
A Dimethylamylamine ou Methylhexaneamine, é um componente do óleo da flor de Gerânio e por isso é vendida pela indústrias de suplementação como alimento dietético. Quando isolada em laboratório, normalmente é utilizada como descongestionante nasal, por via oral ou nasal, por causa do seu efeito vasoconstritor.

Entretanto, essa droga não é aprovada pela Food and Drug Administration (FDA), nos EUA, pela falta de estudos conclusivos sobre sua dose segura e pelos efeitos estimulantes sobre o SNC semelhantes ao das anfetaminas e efedrina, o que pode ocasionar dependência.

Na Nova Zelândia frequentadores de festas noturnas consumiam comprimidos estimulantes que tinham como ingrediente ativo a Dimethylamylamine. Alguns efeitos adversos sérios foram relatados: dores de cabeça; náuseas; acidente vascular cerebral (AVC).

E então, desde 2008 essa substância passou a ser considerada ilegal na Nova Zelândia.

No meio esportivo, já foram encontra­dos vários casos de doping por utilização da Dimethylamylamine.

Em 2009 cinco atletas jamaicanos foram pegos no exame pelo Comitê Jamaicano de Anti-Doping, pelo uso dessa droga como estimulante. Durante os Jogos da Commonwealth neste ano, o atleta nigeriano Damola Osayemi perdeu sua medalha de ouro nos 100m, após ser detectada a substância Dimethylamylamine durante os testes de drogas. Em seguida, o teste de outro atleta nigeriano, Samuel Okon, que terminou em sexto nos 110m com barreiras, também deu positivo para a droga.

Ainda em 2010, em outubro, dois ciclistas Portugueses, foram pegos no dopping durante o Campeonato Nacional Português no final de junho. O Australian Sports Anti-dopping Authority suspendeu nove atletas australianos da Liga de Futebol Australiano e Liga Nacional de Rugby também em outubro.
Em novembro foi a vez da África do Sul encontrar a substância em dois jogadores de Rugby na turnê anual de Rugby do Hemisfério Norte, os jogadores foram suspensos e imediatamente mandados de volta casa, apesar de terem alegado que consumiram a substância involuntariamente, sob a forma de medicação para os sintomas da gripe.
Por esses fatos, a par­tir de 2010, a World Anti-Doping Agency incluiu a Dimethylamylamine na lista de substâncias ilegais.

DIBENZO
Essa substância é da família das Benzodiazepinas, que são um grupo de medicamentos utilizados para tratamento de ansiedade, amnésia anterógrada ou como sedativos, hipnóticos, relaxante muscular e ainda anti­convulsionante. Ela tem uma grande capacidade de deprimir o SNC, ou seja, diminuir a atividade cerebral.

Alguns efeitos adversos do seu uso:
Sedação;
Euforia;
Amnésia;
Indiferença e má avaliação do perigo;
Exacerbar muito os efeitos do álcool;
Confusão mental;
Hipotermia (diminuição da temperatura corporal);
Dependência;
Aumento da hostilidade (agressividade);
Ataxia (falta de coordenação nos movimentos);
Anemia;
Alucinações.
Nome de alguns tipos de benzodiazepínicos:
Diazepam ou Valium;
Lorazepam;
Clonazepam ou Rivotril;
Bromazepam ou Lexotan.

SCHIZANDROL A
O Schizandrol A possui a seguinte combinação: 2, 3, 4, 1, 2, 3 hexamethoxy - 6,7 -dimetil-1, 2,3,4 - dibenzo-1,3-cyclooctadien- 6- Ol e junto com o Dibenzo, atuam no funciona­mento cerebral inibindo o SNC.
Ele provoca o aumento nas concentrações de dopamina e serotonina no cérebro, levando a um aumento na sensação de prazer e bem estar, por isso, também pode ser utilizado no tratamento de transtornos de comportamento, ansiedade e depressão. Entretanto, existem poucas pesquisas com a sua utilização em humanos, somente em roedores.

COMPLEXO II: ATP-Carnosina-Vaso Com­plex™ (3500,00 mg)
CREATINA MONOHIDRATADA
A creatina é um composto enco­trado nos músculos na de forma de Creatina Fosfato (CP), pois em sua estrutura química existe uma molécula de fósforo adicionada.
Como suple­mento, é utilizada normalmente em modalidades esportivas que exigem uma grande produção de força, e de maneira rápida. Nos alimentos é encontrada em maiores quantidades nas carnes em geral.

BETA ALANINA
É um aminoácido não essencial presente no nosso organismo, que tem participação em todas as vias energéticas: carboidratos, proteínas e gorduras. Ela atua no reconhecimento dos nutrientes que serão utlizados pela célula, na regulação da atividade de certos tipos de enzimas, no metabolismo do Triptofano (aminoácido formador de Serotonina) e também auxilia no aumento da síntese proteíca (formação de novas proteínas).

ARGININA
É também um aminoácido presente no nosso organismo, porém essencial.
A arginina é o precursor imediato do Óxido Nítrico e esse por sua vez promove relaxamento dos vasos sanguíneos, diminuindo a pressão arterial. Também é importante para produção de creatina e tem papel fundamental na divisão celular (mitose e meiose), na cicatrização de feridas, na remoção de amônia do corpo, no sistema imunológico e na produção de alguns hormônios.

ALFA-CETOGLUTARATO
Conhecido também como Ácido Alfa-Cetoglutarato tem participação na formação de energia celular sendo uma peça chave no Ciclo de Krebs (ciclo formador de energia dentro das células). Além de regular a produção de energia, outra função importante desse ácido é a formação de ácido glutâmico ou Glutamina, aminoácido essencial para controlar a reparação de tecidos no corpo (pele, músculos e outros) e manter o sistema imunológico.

OUTROS INGREDIENTES

ÁCIDO CÍTRICO
O ácido cítrico é um antioxidante encontrado na maioria das frutas, sobretudo nas mais cítricas, limão, laranja, acerola. Sua função é ajudar a remover os átomos de oxigênio que “sobram” no nosso corpo, retardando o processo de envelhecimento.

SUCRALOSE
É um adoçante derivado do açúcar, bastante utilizado em bebidas de baixa quantidade calórica.

ACESULFAME-K
Adoçante dietético bastante utilizado em doces, bebidas e chicletes. Ele não é metabolizado pelo organismo humano, sendo eliminado com a mesma forma em que foi ingerido.

IMPORTANTE!
Todas as substâncias descritas no COMPLEXO I atuam no funcionamento do Sistema Ner­oso Cen­ral e podem causar dependência.

OPINIÃO PROFISSIONAL

Infelizmente, na indústria da suplementação existem poucos estudos comprovando a eficácia de alguns produtos e estes, acabam sendo consumidos de maneira equivocada pelas pessoas. O mais importante quando se trata de eficiência e segurança é sempre procurar orientação de profissionais sérios e qualificados para enten­der qual a real necessidade da supleme­tação, qual tipo de pr­duto e qual a dosagem mais adequada para você.

Quanto ao Jack3d, sou total­mente CONTRA o seu consumo, não indico, não compro e não recomendo. Haja visto, os componentes utilizados em sua fabricação, apoi­ado pela falta de registro na Food and Drugs Administration (FDA) nos EUA e também na Agência de Vigilância Sanitária (ANVISA) no Brasil.

Autor: Diego Zanon
Enviado por: Ivan Freitas da Silva


JOSÉ ALENCAR, DE BALCONISTA A EMPRESÁRIO E VICE-PRESIDENTE DA REPÚBLICA

Brasília – O ex-vice-presidente José Alencar Gomes da Silva nasceu no vilarejo de Itamuri, no município de Muriaé, na Zona da Mata de Minas Gerais, em 17 de outubro de 1931. Era o 11º filho de um total de 15 do comerciante Antônio Gomes da Silva e da dona de casa Dolores Peres Gomes da Silva.

Em 2003, Alencar foi eleito vice-presidente na chapa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O empresário mineiro teve papel fundamental para que Lula ganhasse a confiança do empresariado durante a campanha eleitoral. Em 2006, foi reeleito para o cargo.

No governo, Alencar acumulou a vice-presidência com o cargo de ministro da Defesa, de 2004 até março de 2006, quando se licenciou do ministério para concorrer novamente às eleições presidenciais.

Filiado ao Partido Republicano Brasileiro (PRB), Alencar fez inúmeras críticas à política econômica adotada pelo Conselho de Política Monetária (Copom) e virou símbolo dos que pediam a redução da Taxa Básica de Juros (Selic).

Alencar deixou a casa dos pais aos 14 anos para ser balconista da loja de tecidos A Sedutora, em Muriaé. Dois anos depois, mudou-se para Caratinga (MG), onde continuou a trabalhar como vendedor.

Quando completou 18 anos, Alencar foi emancipado pelo pai, pegou dinheiro emprestado com o irmão mais velho, Geraldo Gomes da Silva, e abriu o próprio negócio. Em 31 de março de 1950, abriu a primeira empresa A Queimadeira, onde vendia tecidos, calçados, chapéus, guarda-chuvas e sombrinhas. Para economizar, morava na própria loja.

Com o apoio dos irmãos, o ex-vice presidente manteve a loja até 1953, quando decidiu vendê-la e mudar de ramo. Tornou-se representante comercial de um fabricante de tecidos do Rio de Janeiro, trabalhou na área de cereais e foi sócio de uma fábrica de macarrão. Em 1959, o irmão mais velho de Alencar morreu em Ubá, também em Minas, e ele assumiu os seus negócios.

Em 1967, em parceria com o empresário de beneficiamento de algodão e deputado Luiz de Paula Ferreira, Alencar fundou, em Montes Claros, a Companhia de Tecidos Norte de Minas, a Coteminas, que se tornaria um dos maiores grupos têxteis do Brasil. Em 1975, ele inaugurou a mais moderna fábrica de fiação e tecidos do país. A Coteminas tem fábricas de fios, tecidos, malhas, camisetas, meias, toalhas de banho e de rosto, roupões e lençóis para o mercado interno. O grupo ainda tem cinco unidades nos Estados Unidos, uma na Argentina e uma no México.

O ex-vice-presidente atuou em entidades representativas do empresariado. Foi presidente da Associação Comercial de Ubá e da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), além de vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Na vida política, em 1994, candidatou-se ao governo de Minas e, em 1998, elegeu-se senador pelo PMDB, com quase 3 milhões de votos.

No Senado, foi presidente da Comissão Permanente de Serviço de Infraestrutura e membro da Comissão Permanente de Assuntos Econômicos e da Comissão Permanente de Assuntos Sociais.

Desde 1997, o vice-presidente lutava contra o câncer. Fez tratamento no Brasil e nos Estados Unidos. Ao todo, ele passou por 17 cirurgias. Alencar era casado com Mariza Campos Gomes da Silva, com quem teve três filhos: Josué Christiano, Maria da Graça e Patrícia.

Autora: Carolina Pimentel, da Agência Brasil
Fonte: Envolverde/Agência Brasil


ESTAMOS OBCECADOS PELO "MELHOR"

Estamos obcecados com "o melhor". Não sei quando foi que começou essa mania, mas hoje só queremos saber do "melhor". Tem que ser o melhor computador, o melhor carro, o melhor emprego, a melhor dieta, a melhor operadora de celular, o melhor tênis, o melhor vinho. Bom não basta. O ideal é ter o top de linha, aquele que deixa os outros pra trás e que nos distingue, nos faz sentir importantes, porque, afinal, estamos com "o melhor". Isso até que outro "melhor" apareça - e é uma questão de dias ou de horas até isso acontecer. Novas marcas surgem a todo instante. Novas possibilidades também. E o que era melhor, de repente, nos parece superado, modesto, aquém do que podemos ter. O que acontece, quando só queremos o melhor, é que passamos a viver inquietos, numa espécie de insatisfação permanente, num eterno desassossego.

Não desfrutamos do que temos ou conquistamos, porque estamos de olho no que falta conquistar ou ter. Cada comercial na TV nos convence de que merecemos ter mais do que temos. Cada artigo que lemos nos faz imaginar que os outros (ah, os outros...) estão vivendo melhor, comprando melhor, amando melhor, ganhando melhores salários. Aí a gente não relaxa, porque tem que correr atrás, de preferência com o melhor tênis. Não que a gente deva se acomodar ou se contentar sempre com menos. Mas o menos, às vezes, é mais do que suficiente. Se não dirijo a 140, preciso realmente de um carro com tanta potência? Se gosto do que faço no meu trabalho, tenho que subir na empresa e assumir o cargo de chefia que vai me matar de estresse porque é o melhor cargo da empresa? E aquela TV de não sei quantas polegadas que acabou com o espaço do meu quarto?

O restaurante onde sinto saudades da comida de casa e vou porque tem o "melhor chef"? Aquele xampu que usei durante anos tem que ser aposentado porque agora existe um melhor e dez vezes mais caro? O cabeleireiro do meu bairro tem mesmo que ser trocado pelo "melhor cabeleireiro"? Tenho pensado no quanto essa busca permanente do melhor tem nos deixado ansiosos e nos impedido de desfrutar o "bom" que já temos. A casa que é pequena, mas nos acolhe. O emprego que não paga tão bem, mas nos enche de alegria. A TV que está velha, mas nunca deu defeito.

O homem que tem defeitos (como nós), mas nos faz mais felizes do que os homens "perfeitos". As férias que não vão ser na Europa, porque o dinheiro não deu, mas vai me dar a chance de estar perto de quem amo... O rosto que já não é jovem, mas carrega as marcas das histórias que me constituem. O corpo que já não é mais jovem, mas está vivo e sente prazer. Será que a gente precisa mesmo de mais do que isso? Ou será que isso já é o melhor e na busca do "melhor" a gente nem percebe?

Autora: Leila Ferreira


PELA MORALIDADE

O ministro Luiz Fux vai ter muito trabalho para se livrar da pecha de ser o responsável pela sobrevida política de tipos como Jader Barbalho, que retornou do limbo em que se encontrava devido ao voto de desempate contra a adoção da Lei da Ficha Limpa já para as eleições do ano passado.

Evidentemente, trata-se de uma matéria polêmica, a ponto de ter perdurado um empate na decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), depois que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu que a lei, por ter sido aprovada antes das convenções, não provocou mudanças no processo eleitoral, não sendo necessário, portanto, esperar um ano para aplicá-la, como manda a Constituição em casos de mudanças de regras eleitorais.

A maioria dos juízes do Supremo decidiu ao contrário, mesmo que eles tenham elogiado o espírito da lei. A base comum dos votos contra a aplicação imediata foi o artigo 16 da Constituição, que impede a aplicação de novas regras eleitorais a menos de um ano antes da votação, para não afetar a "segurança jurídica" de candidatos e eleitores, que o ministro Gilmar Mendes classificou de cláusula pétrea da democracia.

O presidente do TSE, Ricardo Lewandowski, argumentou que o princípio da anualidade não precisa ser observado porque a nova lei não alterou a igualdade na disputa. "Não se verificou alteração da chamada paridade de armas. Todos os candidatos de todos os partidos estavam exatamente na mesma situação antes do registro, antes das convenções partidárias".

Também a ministra Cármem Lúcia defendeu que o processo eleitoral começa com as convenções, quando as candidaturas são formalizadas. Portanto, as novas regras de inelegibilidade não teriam afetado diretamente os concorrentes. "Não vejo quebra das condições de igualdade", disse.

Ao analisar a questão da anterioridade da lei eleitoral, prevista no artigo 16 da Constituição Federal, o Tribunal Superior Eleitoral já decidira que a criação, por lei complementar, de novas causas de inelegibilidade não se enquadra nela, pois a Lei da Ficha Limpa não rompe a igualdade das condições de disputa entre os contendores e também não é uma decisão retroativa, pois simplesmente inclui novas exigências para que todos os candidatos sejam registrados.

A lei ficaria caracterizada como retroativa se, por exemplo, um deputado já eleito perdesse o mandato por estar enquadrado nela, mas esse não era o espírito da legislação aprovada no Congresso.

O que se aprovou não é uma mudança na legislação atual, mas novas exigências para o acesso à legenda partidária para concorrer às eleições.

Apenas os novos candidatos, mesmo que desejando a reeleição, encontraram pela frente novas exigências, além daquelas a que estavam acostumados.

O espírito da lei tem base na seguinte pergunta: por que uma pessoa é impedida de fazer concurso público se tiver antecedentes criminais de alguma espécie, mesmo sem trânsito em julgado, e pode se candidatar e assumir um mandato eletivo? Para além da discussão técnica sobre prazos para a aplicação da lei, os cinco juízes que votaram pela sua imediata vigência utilizaram o princípio da moralidade que deve reger o serviço público, previsto na Constituição, e é aí que se encontra a chave para o entendimento do que significou o julgamento de quarta-feira.

Se não bastasse representar um avanço democrático fundamental, por ter nascido de uma petição pública com milhões de assinaturas, a Lei da Ficha Limpa teve uma qualidade suplementar, a de ultrapassar a exigência do "trânsito em julgado" dos processos, prevista na lei complementar das inelegibilidades e que protegia os candidatos infratores eternamente, na miríade de recursos que a lei brasileira permite.

Desde 2006, há um consenso entre os presidentes de Tribunais Regionais Eleitorais de todo o país, de fazer prevalecer a interpretação que não se pode deferir registro de candidatura quando existe prova de vida pregressa que atenta contra os princípios constitucionais.

E sempre esse princípio era derrubado pelo Tribunal Superior Eleitoral por uma margem mínima. O ministro Carlos Ayres Britto foi um dos derrotados em julgamentos no TSE, e no de quarta-feira reafirmou seu ponto de vista que "o cidadão tem o direito de escolher, para a formação dos quadros estatais, candidatos de vida pregressa retilínea", ressaltando a importância do artigo 14 da Constituição Federal, que prega a moralidade na vida pública.

Vitoriosa a tese que a lei vale para ser aplicada na próxima eleição, temos vários casos de políticos que se elegeram em 2010 e de antemão não poderão concorrer à reeleição em 2014. Estarão exercendo um mandato já com a definição de que são fichas-sujas, o que torna a decisão do Supremo uma incongruência em si mesma.

"A Constituição diz que pode ser corrupto em 2010 e não pode em 2012?", questionou a senadora Marinor Britto (PSOL) pelo Twitter, que perderá o mandato para Jader Barbalho no Pará.

A alegação levantada pelo ministro Luiz Fux de que é preciso garantir estabilidade às regras eleitorais para impedir que governantes alterem a lei para se manterem eternamente no poder, como faziam no período militar, foi rebatida pelos ministros que colocaram a moralidade pública acima dessa tecnicalidade constitucional.

Além do mais, o que se busca com a lei não é a manutenção do poder, e sim a moralização da vida pública. Ao contrário, a decisão do Supremo permitiu que figuras políticas deletérias ganhassem uma sobrevida política no poder.

Autor: Merval Pereira


O que está por trás do desejo de compra de um bem de luxo?

Segundo estudo, consumidores desse segmento compram “emoções” ou “comportamentos”.

O mercado brasileiro de bens de luxo está em franca expansão. E um dos principais motivos é a vontade que as pessoas têm de comprar algo que seja considerado de luxo. No estudo, “Aspectos influentes na decisão de compra de bens de luxo do consumidor de alta renda de Belo Horizonte”, Tiago Carvalho, especialista em gestão estratégia de marketing, e José Marcos de Mesquita, economista, mestre e doutor em administração e professor da Universidade Fundação Mineira de Educação e Cultura, investigaram o que está por trás desse desejo.

A análise de consumidores de alta renda da cidade de Belo Horizonte permitiu que os pesquisadores observassem que esse público possui aspirações e influências distintas ao decidirem adquirir um bem de luxo. Porém, existem alguns fatores mais decorrentes e que são decisivos para a compra.

O primeiro deles é o ambiente ao qual pertence o consumidor. Com isso, a pessoa não só busca se diferenciar das outras pessoas por suas posses, mas principalmente, busca se firmar e se adequar a um determinado grupo social. “Através de grupos de referências, o consumidor é influenciado nas decisões de compra com o intuito de adequação ao meio em que se relaciona e, muitas vezes, buscando ainda uma aprovação social com aquela aquisição”, explicam no artigo.

O imaginário, portanto, constitui, segundo os especialistas, uma parte essencial das marcas de luxo ao passo que os consumidores compram ou deixam de comprar produtos partindo de seus atributos emocionais. “Eles estão comprando emoções ou comportamentos. Estes atributos relacionados ao produto e à marca têm como base a necessidade por aprovação social, expressão pessoal e auto-estima, pois normalmente no mercado de bens de luxo, os consumidores valorizam prestígio, exclusividade e modernidade”, dizem.

Outro aspecto observado pelo estudo é que a imagem das marcas de luxo como referenciais de qualidade também é preponderante na decisão de compra, visto que os consumidores se sentem mais confiantes ao realizar a compra, mesmo que o preço seja mais elevado.

“Marcas como Louis Vuitton, Chanel, Cartier e Rolex são percebidas pelos consumidores de bens de luxo, como tradicionais e sempre referenciadas como as de maior qualidade no segmento. Isso se deve ao fato de estas empresas, e consequentemente suas marcas, sinalizarem valor, além de criarem e firmarem uma imagem positiva dos bens pelas quais representam”, explicam.
No estudo, que está publicado na edição de dezembro de 2009 da revista Gestão & Tecnologia, os especialistas dizem ainda que a expansão do mercado consumidor de luxo no Brasil está refletindo também no setor acadêmico, onde é crescente a abertura de cursos especializados na área. Como exemplo, eles citam o Master Bussiness Administration (MBA) em Gestão de Luxo na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) em São Paulo, o curso de pós-graduação em Marketing de Produtos de Luxo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) do Rio de Janeiro e o Curso Avançado de Marketing para Produtos e Serviços de Luxo da Escola Superior de Propaganda e Marketing – ESPM.

Fonte: Agência Notisa


EDUCAÇÃO, O MELHOR INVESTIMENTO

"Educai as crianças e não será preciso punir os homens"
Pitágoras, 570 a.c.

Aeroportos, trem-bala e ferrovias, portos, rodovias, usinas hidrelétricas e grandes obras de infra-estrutura. Há muito sendo feito e muito por fazer. São os investimentos que o país reclama permanentemente e se fazem indispensáveis para a continuidade de nosso processo desenvolvimentista. Quanto mais são feitos, mais se fazem necessários, em maior número, ao longo dos anos.

Consomem bilhões, anos de trabalho, largo planejamento e decisão política. Mas, certamente, pouco ou nada são se comparados ao grande investimento que um país deve, diuturna e obrigatoriamente, fazer: a educação.

É difícil mensurar. Talvez seja impossível chegar à conta certa. Mas para cada real gasto com educação, o Brasil ganha, ao longo dos anos, milhões de retorno. Cada estudante bem formado no ensino elementar, cada aluno que recebeu uma educação básica adequada, é um excelente investimento realizado no futuro da Nação, tornando-se um cidadão de altíssima qualificação no mercado de trabalho e na própria vida pessoal.

Sou, antes de tudo, um professor. Minha devoção ao magistério é integral, assim como meu compromisso para com a educação. Vivenciei nas escolas públicas de Goiás, primeiro como aluno e depois como professor, a dura luta dos que buscam o saber e dos que o ministram, enfrentando a escassez de recursos, os baixos salários e toda sorte de dificuldades surgidas na longa caminhada. Nada disso jamais inibiu meu espírito de luta ou esmoreceu a vontade de meus alunos, milhares ao longo de décadas de trabalho duro e fé inquebrantável em nossa missão.

Não acredito em países que não investirem até o último centavo na formação educacional. Não vislumbro futuro nos povos que não priorizarem a educação. Não creio na viabilidade das Nações que não elevarem o ensino à condição de um compromisso irrevogável e absoluto. Sem educação, nada feito.

Os organismos internacionais estão aí, cheios de números eloqüentes, lotados de mapas e gráficos, comprovando que os países que lá atrás, na virada do século XIX, jogaram pesado em favor do ensino básico e, também, iniciaram a construção de sólidas universidades, hoje colhem os frutos de tamanhos acertos. São o Canadá, os Estados Unidos e alguns países europeus. Mas também são vizinhos como o Uruguai e Argentina, além do Chile, que apresentam altíssimo índice de alfabetização e uma grande população universitária. O IDH desses países é maior que o nosso, suas classes médias são fortíssimas e a escola pública apresenta uma qualidade surpreendente.

Nem a turbulência política eventual de décadas passadas conseguiu empanar o brilho das vitórias alcançadas na educação pública de boa qualidade. O número dos que se iniciam no ensino primário e chegam à universidade nesses países é bastante maior do que no Brasil. Já conseguimos diminuir a distância nos últimos anos, com o Pro-Uni e uma acentuada melhora na rede de ensino público, mas ainda há muito por fazer.

Não acredito que exista uma conspiração elitista contra a presença dos filhos do povo nos bancos universitários. De forma alguma. Acredito, sim, que exista uma consciência que cresce entre nossa população mais humilde, em meio à massa trabalhadora, de que ter um filho seu freqüentando a faculdade de medicina, ou de engenharia, ou de direito, não é mais um sonho generoso de pai e mãe, mas possibilidade concreta numa sociedade que se democratiza e onde a justiça social se faz mais presente a cada dia. A universidade hoje é um desafio, não é mais um sonho. Ela é possível, ela é viável, ela pode ser alcançada, sim!

Temos uma larga tradição de educadores geniais. São Anísio Teixeira, Darcy Ribeiro, Paulo Freire e Milton Santos. E são os mestres anônimos perdidos nos sertões desse país continente. Mas há o outro lado da moeda, aquele Brasil onde 11,8% da população ainda não receberam a benção do alfabeto. São 18 milhões de irmãos brasileiros, com mais de 10 anos de idade e sem saber ler ou escrever. Algo como toda a população da região metropolitana de São Paulo sem as luzes do saber, imersos nas trevas do analfabetismo. Há progresso que compense tamanha chaga?

Existem outros indicadores que nos inquietam: menos de 1/3 da população, em idade apropriada, cursou integralmente o ensino médio. No ensino fundamental público, a reprovação é de 12,5%; o abandono é de 9,5%. Menos de 5% da população adulta cursa ou cursou o ensino superior. Tal situação já foi pior. Nos últimos oito anos os índices negativos experimentaram uma curva decrescente acentuadíssima. O governo Lula primou por investir em todas as frentes da educação. No governo Dilma, com certeza, não será diferente.

Eu vos garanto como aluno das escolas rurais do interior goiano, eu vos asseguro como professor das escolas públicas anos a fio: não há maior e melhor investimento que um país possa fazer do que na educação de seu povo. Ali, nas salas de aula, com professores bem pagos, alunos bem assistidos, bem alimentados e com material didático e pedagógico adequados, em escolas e faculdades modernas e informatizadas, está a semente da grande potência do século XXI.

Autor: Delúbio Soares
Professor
Enviado por: Wanderlei dos Santos


QUEM NÃO GOSTA DE DOCE DE LEITE?

O sujeito odiava doce de leite! Já estava entrando na casa dos oitenta e nem se lembrava mais como começou essa ojeriza ao doce. Gabava-se de comer de tudo, de quiabo, a jiló, mas morreria se tivesse de comer doce de leite. Um dia foi convidado a uma festa de aniversário de uma velha amiga, uma das raras pessoas por quem nutria um carinho especial. Ela estava comemorando 90 anos! Na festa lúcida e ativa ela chegou com um pratinho cheio de copinhos para oferecer a ele. Nos copinhos havia uma iguaria ímpar, feita por ela mesma, com todo carinho e competência. Ao chegar com sorrisos a frente do seu velho amigo, nem reparou como ele empalideceu e seu sorriso ficou amarelo: doce de leite! Era o fim. Ele não podia se imaginar recusando, e correndo o risco de magoar a anfitriã, mas... Bem se tivesse de morrer que fosse ali, afinal oitenta anos também já é uma boa idade, quantos mais restariam?

Preparou-se para provar o doce como quem ajeita a corda no pescoço. Ela o observava com atenção esperando a prova e o comentário de “está ótimo, muito bom mesmo”. Ele lentamente leva a colher de plástico à boca com a diminuta porção. Não sabia bem o que esperar, um choque anafilático talvez. Mas o “veneno” chegou-lhe à boca, e logo na língua que mandou as devidas mensagens ao cérebro, que por sua vez deu o veredito: Bom, muito bom, gostoso, delicioso! Chocado e com as pernas ligeiramente trêmulas, ele mergulhou a colher no potinho para se certificar que não estava louco. Bom, muito bom, delicioso, sem dúvida. Feliz com a sua obra a velha dama se afastou sorrindo em busca de outro elogio. Ele ficou ali, com a sua tão antiga e cuidada “falseza” derribada, estraçalhada e aquele gostinho doce maravilhoso na boca e na memória. Uma lágrima escorreu pela face. E agora? Quanto tempo perdido, quanto mais restaria para que pudesse aproveitar a maravilha do doce de leite?

Falsezas: as falsas certezas

Falsezas são falsas certezas, mas que nos enquadram, colocam nosso pensamento e ações (e até emoções) em trilhos tão rígidos que até parecem reais. Falsezas são essas “mentiras” que contamos para nós mesmos e que aceitamos como verdades até que um dia num duelo ao pôr-do-sol com a realidade, são baleadas e seu corpo antes tão sólido se desfaz como entidade alienígena. Agora escrevo ao computador como se tivesse feito isso desde criancinha. Mas minha memória não me permite esquecer o quanto relutei em começar a escrever nessa “geringonça”. Simplesmente não entrava na minha cabeça como as ideias que fluíam diretamente para a ponta dos meus dedos e movia a caneta poderia fazer o mesmo nas teclas de um PC. Caneta e papel e eventualmente uma velha Olivetti Lettera eram coisas naturais, o computador sabe se lá que mente maligna o inventou. Hoje não consigo compreender o meu dia a dia sem ele, talvez isso seja outra falseza, por isso não coloco na gaveta das certezas.

Muitas de nossas expectativas podem ser ilusórias

Lembro-me também dos anos que passei imaginando-me fazendo hipismo, montado num belo cavalo branco ou preto, e saltando obstáculos cheio de pose, como se estivesse num filme. Mas imagine, isso é esporte de rico, dificilmente eu poderia... e fui cozinhando em banho-maria a minha frustração. Um dia fiquei sócio de um clube hípico. Descobri que poderia praticar salto sem comprar um cavalo e mesmo que resolvesse ser proprietário de um animal, não era tão caro como imaginava. Cheio de excitação comprei o equipamento, e a cada item adquirido as minhas fantasias ficavam mais vívidas. Mal consegui dormir a noite anterior à primeira aula, minha estréia triunfal nas pistas. Resumindo, foi uma decepção. Minhas costas doíam com aquele saltinho sem graça, repetido por minutos que pareciam séculos. O cheiro de bosta , o sol de rachar na cabeça com aquele capacete apertado, e nada de salto, nada de glamour em tela grande. Essa tortura durou dois meses e pouco até que finalmente a minha falseza não resistiu à realidade, ou a essa leitura da realidade.

Muitos dos meus clientes, amigos, parentes desfilam diante de mim as suas falsezas e as defendem com obstinação, como se fosse um território a ser protegido dos invasores. Eu faço o meu trabalho destruidor mas consciente: o que eu vejo não é o mesmo que eles veem. Por isso pego leve e tento compreender. Sei que muitos já sabem que as suas falsezas são assim umas falsas, mas temem o depois. Lidar com o day after duelo, ter de decidir o que fazer com o cadáver da falseza jazendo ali dentro de si, não é fácil, hay que tener cojones! Mas, principalmente, é uma missão das mais sofridas o processamento desse passado onde a falseza era apenas mais uma certeza, inabalável e concreta. Nesse momento de acerto de contas muitas perguntas cobranças assaltam a mente. Quem era essa pessoa que acreditava piamente naquilo? Como eu pude ser tão “cego”? Por que não questionei, não fui mais fundo na análise crítica disso? Por que não ouvi fulano quando tentou me alertar e eu simplesmente o desprezei? Por raios não provei antes o tal do doce de leite?

As crianças e adolescentes cultivam falsezas de forma sistemática e costumam sofrer mais por elas do que por ofensas reais. Quantos de nós já não sofremos dores agudas por termos a suspeita ou a certeza de sermos filhos adotivos? Quantos filhos constroem fantasias absurdas em relação aos seus pais, e padecem mais que a mãe do porco-espinho, só para descobrirem muitos anos depois que tudo não passava de falseza? Quanto sofrimento em vão. O pior é que às vezes quando chega a vez da realidade não há espaço para ela, e a rejeitamos como se esta sim fosse ficcional. Assim, se pensarmos bem, a criação e acolhimento das falsezas e as torturas internas que causam, são um efeito da infantilização a que estamos submetidos por imaturidade emocional.

Para os hindus todo desejo que satisfaz um dos cinco sentidos é ilusório

Os hindus dizem que vivemos num universo do maya, a grande ilusão. Jung falava de “transe cultural” uma espécie de torpor alucinógeno onde navegamos e achamos que estamos em terra firme. A grande lição que levo das falsezas é que não podemos, não devemos nos apegar a nada, nem ao carro importado, nem às certezas, nem às pessoas, pois como dizia a minha mãe: “ninguém é de ninguém, na vida tudo passa.” É uma mistura de apego, e ilusão, que junto com o medo pode construir e manter as falsezas na nossa vida. Se coubesse aqui alguma dica, se fosse possível passar alguma experiência eu diria: coloque as suas certezas em teste, e se forem falsezas vão ser desmascaradas. O que vem depois junto com todo esse questionamento, é um grande alívio, é como se fizéssemos um super-regime e perdêssemos 50 quilos! A vida fica mais leve, mais verdadeira, e damos um largo passo em direção a tão desejada liberdade.

Fonte: UOL
Enviado por: Marly Santanelli


É só tristeza

Nem sempre quem apresenta os sintomas de depressão tem a doença. A tristeza muitas vezes é temporária na vida da pessoa.

Pelo menos 121 milhões pessoas sofrem de depressão, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Até o ano de 2030, a depressão se tornará a segunda doença incapacitante mais recorrente do mundo, atrás apenas da aids, de acordo com o estudo “Global Burden of Disease”, promovido em conjunto pela OMS, a Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard e o Banco Mundial.

Nem sempre a tristeza intensa ou prolongada significa depressão
Na contramão da previsão alarmante, os psiquiatras americanos Allan Horwitz e Jerome Wakefield lançaram neste ano o livro "A tristeza perdida” (Editora Summus), no qual acusam a psiquiatria de transformar a “depressão em moda”. Segundo eles, em boa parte dos casos diagnosticados como depressão, a pessoa estaria simplesmente experimentando um sentimento humano, comum e necessário. Os médicos ainda afirmam que ter fases de tristeza é saudável. De forma semelhante a quem torce o pé e precisaria se imobilizar para a recuperação, quem sofre com um trauma psicológico usaria de mecanismos como a tristeza para se reorganizar interiormente.

Embora seja um sentimento normal e comum, a visão contemporânea da tristeza faz com que ela seja encarada como uma doença, algo que precisa ser eliminado imediatamente, defendem Horwitz e Wakefield. Sueli Damergian, livre docente do departamento de Psicologia Social da Universidade de São Paulo, acredita que ela seja indispensável. “É um sentimento que faz parte da alma, característico do ser humano. Quem não sente tristeza e angústia dificilmente vai entrar em contato com sentimentos mais profundos, entender o outro”, diz Damergian. “Negá-la é negar a realidade”, afirma a professora de psicologia.

O desejo por uma droga que acabasse com angústia é tão intenso que, quando o antidepressivo fluoxetina foi lançado comercialmente, em 1987, ganhou o apelido de "pílula da felicidade", refletindo a expectativa de que um remédio capaz de resolver o problema da tristeza para sempre. Não à toa, se tornou um dos medicamentos mais vendidos do mundo, segundo Sergio Blay, psiquiatra e professor da Unifesp. Cerca de 22,2 milhões de receitas de floxetina foram prescritas nos Estados Unidos em 2007, tornando-o o terceiro antidepressivo mais consumido depois da sertralina e do escitalopram, de acordo com relatórios da indústria farmacêutica americana.

Tanta pressa em resolver os problemas emocionais é comum, de acordo com Blay. "Ao passar por um sofrimento, pessoas leigas querem se ver livres dele o quanto antes. Cabe explicar que remédios podem tratar algumas coisas, mas outras não. Muitas vezes os pacientes têm expectativas falsas a respeito dos médicos e tratamentos", disse ele durante o 28º Congresso Brasileiro de Psiquiatria, realizado no fim de outubro em Fortaleza, no Ceará. Damergian, da USP, faz coro. “É importante sentir dor, e entender que essa dor não vai matar, e que pode te fazer crescer. Não existe pílula mágica que resolva o problema”, afirma a professora de psicologia. Rafael Faria Sanches, psiquiatra e doutor pela Universidade de São Paulo, vai além. “Se mal aplicado, o tratamento para depressão pode piorar mais do que ajudar”, disse o psiquiatra, no Congresso Brasileiro de Psiquiatria.

Além da tristeza
No caso de sintomas que persistem por semanas sem motivos fortes, como a perda de um ente querido, é necessário buscar um especialista. “Por conta das queixas físicas da depressão, os indícios podem ser facilmente confundidos com outros problemas", diz Blay. A maior diferença da tristeza comum para o sintoma patológico é que a depressão é uma doença incapacitante - a pessoa não consegue mais manter sua rotina e dar conta de sua vida, tendo ou não motivos objetivos para estar triste.

Entre os outros sintomas da depressão estão mudanças de humor, perda de interesse ou satisfação nas atividades outrora consideradas prazerosas, distúrbio de sono ou de apetite, perda de energia e falta de concentração. O problema é que não existem testes clínicos para diagnosticar a doença. “Existem algumas evidências usadas em pesquisa, mas não é como fazer um diagnóstico de diabetes”, diz Sanches. Os testes que são usados em pesquisa médica avaliam desequilíbrios no nível de neurotransmissores e mudança no metabolismo das regiões cerebrais. “Mas os resultados só são válidos para grupos de pacientes. Isoladamente, não é aplicável”, diz o médico.

Na dúvida, se os sintomas de uma possível depressão aparecerem, é necessário buscar ajuda médica. “Há quadros depressivos que precisam de fato ser tratados, porque causam prejuízo no trabalho, no dia a dia. Alguns pacientes passam períodos longos com os sintomas e a família acha que é normal, que a pessoa é assim", diz Blay, da Unifesp. “Além da pessoa ter os sintomas da depressão, eles têm que causar algum sofrimento e prejuízo significativos no funcionamento social, profissional ou emocional. Mas tristeza por si só não dura indefinidamente”, diz Sanches. Portanto, é preciso aprender a entender a aceitar a tristeza, quando ela acontece dentro dos limites de uma vida saudável, e procurar ajuda quando sair dela foge ao controle.

Autora: Verônica Mambrini
Enviado por: Marly Santanelli


Receber críticas não é agradável, mas aprender com elas é fundamental para o crescimento pessoal

As reações diante de uma crítica podem variar. Tem gente que se irrita e fica na defensiva. Outros perdem o chão: o coração dispara e a sensação é de ter congelado por dentro. Há ainda os que ficam tristes e arrasados. Mas se as críticas têm poder de mexer com você, comemore. É sinal de maturidade emocional e de que você pode crescer com elas.

Com base nas situações a seguir, escolha a alternativa que melhor representa sua reação.

É natural não se sentir feliz diante de uma crítica. “O que a gente mais deseja é ser perdoado pelos nossos erros e aceito com nossos defeitos”, afirma a psicoterapeuta Lúcia Rosenberg, que assina a coluna “Identidade Feminina” no Delas. Contudo, não aceitá-la pode ser um sinal de imaturidade emocional, que “borra a capacidade de entendimento”, de acordo com psiquiatra Paulo Quinet, membro da Sociedade Psicanalítica do Rio de Janeiro.

Entre os motivos para lidar mal com as críticas, a insegurança para ser o mais recorrente. “Pessoas extremamente defensivas podem ter uma autoexigência muito elevada ou uma insegurança grande”, acredita Eliane Mary de Oliveira Falcone, terapeuta e professora de psicologia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro.

Joio e trigo
Para extrair o que há de melhor das críticas é preciso aprender a separar as opiniões construtivas dos ataques pessoais. “Algumas delas são desoladoras e negativas. Temos que procurar críticas que nos ajudem a perceber o que sozinho não conseguiríamos”, diz Lúcia. Para a psicoterapeuta, nessa hora é possível filtrar as relações verdadeiras. Só os mais próximos têm coragem de dizer coisas desagradáveis com jeitinho e sinceridade. “Quem é criticado precisa entender as razões do outro e aprender a avaliar se aquilo faz sentido ou se é um exagero”, diz Eliane Mary, da UERJ.

É normal ficar chateado ou abatido também diante de críticas construtivas. “Mesmo se a pessoa ficar arrasada, e se imobilizar, ela vai pensar sobre aquilo”, diz Paulo Quinet, analista da sociedade psicanalítica do Rio de Janeiro. “A crítica pode vir para te tirar de uma prisão, porque os problemas conhecidos também te dão um certo conforto. A ferida velha você já conhece”, afirma Lúcia.

Abra o coração
Quem já percebeu os benefícios de ouvir uma crítica pode, mesmo assim, ter dificuldade em digeri-la. E se a reação emocional for muito forte (raiva, mágoa ou vontade de rebater), respirar fundo e não responder na hora ajudam a organizar as ideias. “Qualquer que seja a crítica, quem recebe deve ouvir, fazer perguntas, ter uma atenção genuína, antes de responder”, diz Eliane Mary. “Humildade é um bom caminho para se abrir a elas”, afirma Quinet. É essencial investir na autoestima: quem confia no seu taco não se abala e aproveita os comentários dos outros.

Se você está no papel de quem critica, há cuidados para tomar. “Você está falando algo negativo do outro, então seja gentil. Quem quer ser ouvido precisa cuidar do tom, do momento, da palavra certa”, diz Lúcia. Para Elane Mary, da UERJ, o crítico precisa ter o cuidado de não rotular a outra pessoa. “Deve levar em conta as emoções do outro. Empatia e compreensão também ajudam", diz.

Segundo a professora, estudos de empatia – a habilidade de se colocar no lugar do outro - mostram que a esse componente afetivo diminui o medo e a ansiedade do julgamento. Uma crítica pode não ser extremamente agradável, mas em uma coisa os especialistas concordam: o que realmente importante é saber o que fazer de positivo com ela.

Autora: Verônica Mambrini
Enviado por: Marly Santanelli


O Time que preferiu morrer a perder

A história do futebol mundial inclui milhares de episódios emocionantes e comovedores, mas seguramente nenhum seja tão terrível como o protagonizado pelos jogadores do Dinamo de Kiev nos anos 40. Os jogadores jogaram um partida sabendo que se ganhassem seriam assassinados e, no entanto, decidiram ganhar. Na morte deram uma lição de coragem, de vida e honra, que não encontra, por seu dramatismo, outro caso similar no mundo.

Para compreender sua decisão, é necessário conhecer como chegaram a jogar aquela decisiva partida, e porque um simples encontro de futebol apresentou para eles o momento crucial de suas vidas.

Tudo começou em 19 de setembro de 1941, quando a cidade de Kiev (capital ucraniana) foi ocupada pelo exército nazista, e os homens de Hitler aplicaram um regime de castigo impiedoso e arrasaram com tudo. A cidade converteu-se num inferno controlado pelos nazistas, e durante os meses seguintes chegaram centenas de prisioneiros de guerra, que não tinham permissão para trabalhar nem viver nas casas, assim todos vagavam pelas ruas na mais absoluta indigência. Entre aqueles soldados doentes e desnutridos, estava Nikolai Trusevich, que tinha sido goleiro do Dinamo.

Josef Kordik, um padeiro alemão a quem os nazistas não perseguiam, precisamente por sua origem, era torcedor fanático do Dinamo. Num dia caminhava pela rua quando, surpreso, olhou um mendigo e de imediato se deu conta de que era seu ídolo: o gigante Trusevich.

Ainda que fosse ilegal, mediante artimanhas, o comerciante alemão enganou os nazistas e contratou o goleiro para que trabalhasse em sua padaria. Sua ânsia por ajudá-lo foi valorizado pelo goleiro, que agradecia a possibilidade de se alimentar e dormir debaixo de um teto. Ao mesmo tempo, Kordik emocionava-se por ter feito amizade com a estrela de sua equipe.

Na convivência, as conversas sempre giravam em torno do futebol e do Dinamo, até que o padeiro teve uma idéia genial: encomendou a Trusevich que em lugar de trabalhar como ele, amassando pães, se dedicasse a buscar o resto de seus colegas. Não só continuaria lhe pagando, senão que juntos podiam salvar os outros jogadores.

O arqueiro percorreu o que restara da cidade devastada dia e noite, e entre feridos e mendigos foi descobrindo, um a um, a seus amigos do Dinamo. Kordik deu trabalho a todos, se esforçando para que ninguém descobrisse a manobra. Trusevich encontrou também alguns rivais do campeonato russo, três jogadores da Lokomotiv, e também os resgatou. Em poucas semanas, a padaria escondia entre seus empregados uma equipe completa.

Reunidos pelo padeiro, os jogadores não demoraram em dar o seguinte passo, e decidiram, alentados por seu protetor, voltar a jogar. Era, além de escapar dos nazistas, a única que bem sabiam fazer. Muitos tinham perdido suas famílias nas mãos do exército de Hitler, e o futebol era a última sombra mantida de suas vidas anteriores. Como o Dinamo estava enclausurado e proibido, deram um novo nome para aquela equipe. Assim nasceu o FC Start, que através de contatos alemães começou a desafiar a equipes de soldados inimigos e seleções formadas no III Reich.

Em sete de junho de 1942, jogaram sua primeira partida. Apesar de estarem famintos e cansados por terem trabalhado toda a noite, venceram por 7 a 2. Seu seguinte rival foi a equipe de uma guarnição húngara, ganharam de 6 a 2. Depois meteram 11 gols numa equipa romena. A coisa ficou séria quando em 17 de julho enfrentaram uma equipe do exército alemão e golearam por 6 a 2. Muitos nazistas começaram a ficar chateados pela crescente fama do grupo de empregados da padaria e buscaram uma equipe melhor para ganhar deles. Trouxeram da Hungria o MSG com a missão de derrotá-los, mas o FC Start goleou mais uma vez por 5 a 1, e mais tarde, ganhou de 3 a 2 na revanche.

Em seis de agosto, convencidos de sua superioridade, os alemães prepararam uma equipe com membros da Luftwaffe, o Flakelf, que era uma grande time, utilizado como instrumento de propaganda de Hitler. Os nazistas tinham resolvido buscar o melhor rival possível para acabar com o FC Start, que já gozava de enorme popularidade entre o sofrido povo refém dos nazistas. A surpresa foi grande, porque apesar da violência e falta de esportividade dos alemães, o Start venceu por 5 a 1.

Depois dessa escandalosa queda do time de Hitler, os alemães descobriram a manobra do padeiro. Assim, de Berlim chegou uma ordem de acabar com todos eles, inclusive com o padeiro, mas os hierarcas nazistas locais não se contentaram com isso. Não queriam que a última imagem dos russos fosse uma vitória, porque acreditavam que se fossem simplesmente assassinados não fariam nada mais que perpetuar a derrota alemã.

A superioridade da raça ariana, em particular no esporte, era uma obsessão para Hitler e os altos comandos. Por essa razão, antes de fuzilá-los, queriam derrotar o time em um jogo.

Com um clima tremendo de pressão e ameaças por todas as partes, anunciou-se a revanche para 9 de agosto, no repleto estádio Zenit. Antes do jogo, um oficial da SS entrou no vestiário e disse em russo: - "Vou ser o juiz do jogo, respeitem as regras e saúdem com o braço levantado", exigindo que eles fizessem a saudação nazista.

Já no campo, os jogadores do Start (camisa vermelha e calção branco) levantaram o braço, mas no momento da saudação, levaram a mão ao peito e no lugar de dizer: - "Heil Hitler!", gritaram - "Fizculthura!", uma expressão soviética que proclamava a cultura física.

Os alemães (camisa branca e calção negro) marcaram o primeiro gol, mas o Start chegou ao intervalo do segundo tempo ganhando por 2 a 1.

Receberam novas visitas ao vestiário, desta vez com armas e advertências claras e concretas: - "Se vocês ganharem, não sai ninguém vivo". Ameaçou um outro oficial da SS. Os jogadores ficaram com muito medo e até propuseram-se a não voltar para o segundo tempo. Mas pensaram em suas famílias, nos crimes que foram cometidos, na gente sofrida que nas arquibancadas gritava desesperadamente por eles e decidiram, sim, jogar.

Deram um verdadeiro baile nos nazistas. E no final da partida, quando ganhavam por 5 a 3, o atacante Klimenko ficou cara a cara com o arqueiro alemão. Deu lhe um drible deixando o coitado estatelado no chão e ao ficar em frente a trave, quando todos esperavam o gol, deu meia volta e chutou a bola para o centro do campo. Foi um gesto de desprezo, de deboche, de superioridade total. O estádio veio abaixo.

Como toda Kiev poderia a vir falar da façanha, os nazistas deixaram que saíssem do campo como se nada tivesse ocorrido. Inclusive o Start jogou dias depois e goleou o Rukh por 8 a 0. Mas o final já estava traçado: depois dessa última partida, a Gestapo visitou a padaria.

O primeiro a morrer torturado em frente a todos os outros foi Kordik, o padeiro. Os demais presos foram enviados para os campos de concentração de Siretz. Ali mataram brutalmente a Kuzmenko, Klimenko e o arqueiro Trusevich, que morreu vestido com a camiseta do FC Start. Goncharenko e Sviridovsky, que não estavam na padaria naquele dia, foram os únicos que sobreviveram, escondidos, até a libertação de Kiev em novembro de 1943. O resto da equipe foi torturada até a morte.

Ainda hoje, os possuidores de entradas daquela partida têm direito a um assento gratuito no estádio do Dinamo de Kiev. Nas escadarias do clube, custodiado em forma permanente, conserva-se atualmente um monumento que saúda e recorda àqueles heróis do FC Start, os indomáveis prisioneiros de guerra do Exército Vermelho aos quais ninguém pôde derrotar durante uma dezena de históricas partidas, entre 1941 e 1942.

Foram todos mortos entre torturas e fuzilamentos, mas há uma lembrança, uma fotografia que, para os torcedores do Dinamo, vale mais que todas as jóias em conjunto do Kremlin. Ali figuram os nomes dos jogadores.

Na Ucrânia, os jogadores do FC Start hoje são heróis da pátria e seu exemplo de coragem é ensinado nos colégios. No estádio Zenit uma placa diz "Aos jogadores que morreram com a cabeça levantada ante o invasor nazista".

Esta é a história da dramática "Partida da Morte". O cineasta John Huston inspirou-se neste fato real para rodar seu filme "Fuga para a vitória" (Escape to Victory) de 1982 que chamou muita atenção à época do lançamento porque dele participaram grandes nomes do cinema como Michael Caine, Sylvester Stallone e Max Von Sydow, mas muito mais pela participação de algumas estrelas do futebol, como Bobby Moore, Osvaldo Ardiles, Kazimierz Deyna e Pelé. No filme John Huston fez o que não pôde o destino: salvar os heróis.


NA ERA DIGITAL, JOVENS VOLTAM ÀS AULAS DE CALIGRAFIA PARA APRENDER A ESCREVER ELES NÃO DESGRUDAM DE COMPUTADORES E CELULARES E ESTÃO PERDENDO O HÁBITO DE USAR A CANETA E O PAPEL PARA SE COMUNICAR.

Os jovens que não desgrudam de computadores e celulares estão perdendo um hábito antigo: usar a caneta e o papel pra se comunicar. O resultado é que está cada vez mais difícil decifrar o que eles escrevem.

Foram dois meses longe da caneta, só no computador. Mas, as férias acabaram. Saíram os computadores e entraram os cadernos, uma tortura para Jonathan.

“A professora escreve muito rápido, aí eu perdia. Para acompanhar, tinha que escrever muito rápido, minha letra saia muito ruim”, lembrou.

A solução foi permitir que as explicações de história e português fossem anotadas no computador.

Na escola, o uso do computador só foi liberado para aqueles alunos que têm dificuldades com a escrita. Mas isso não significa que eles estejam livres da caligrafia. Tudo que eles digitam tem que ser repassado em casa para o caderno.

Um treino forçado que está dando certo. “Até eu entendo agora!”, contou Jonathan.

“O aluno tem que escrever uma produção escrita, fazer uma redação escrita em um vestibular, em um concurso. E a letra legível faz com que o leitor entenda e compreenda”, explicou a coordenadora pedagógica Lígia Fleury.

Agora, por que alguns jovens escrevem tão mal? As desculpas são variadas... “Eu acho que é porque minha mãe tem uma letra muito feia e é genético, pode ser”, brincou o estudante Bruno Marienberg.

Não é uma questão genética. O professor de caligrafia Antonio de Franco ensina que basta concentração e treino. “Temos muitos alunos na faixa dos 15 aos 17 anos, principalmente que estão entrando nessa fase de vestibular, como também temos muitos alunos dedicados à parte de concursos públicos”, disse.

A professora de comunicação da USP Elizabete Saad Correa diz que as escolas não devem fechar os olhos para o mundo digital. “Você tem uma tendência a usar muito mais o teclado do que o texto escrito no papel. Se você não treinar a escrita em papel, realmente você vai perder a prática até de segurar uma caneta”, destacou.

Preocupado com isso. Paulo César está frequentando aulas de caligrafia. Quer ter moral para cobrar da filha de 10 anos um bom desempenho. “Nada melhor do que você chegar com o exemplo. Como é que eu posso cobrar hoje se a minha letra é horrorosa?”, disse.

Jornal Nacional - Edição do dia 05/02/2011


ELE É CASADO; E AGORA?

Você está toda entusiasmada com o rapaz que acabou de conhecer, afinal ele se mostrou tão cordial, educado e atencioso.

Pode até não ser um galã, mas você adorou estar com ele! Então resolve saber um pouco mais e acaba descobrindo que é casado. E agora? Contenha a indignação, pois, essa história além de comum tem gerado muitos conflitos existenciais!

Não me refiro aqui às oportunistas, mas sim às mulheres bem resolvidas, normalmente entre na casa dos quarenta, independentes financeiramente, que almejam viver um relacionamento mais maduro, mas acabam se desiludindo e o que é pior, desacreditando na possibilidade de refazer a sua vida afetiva. O que considero total contra-senso, afinal, não se pode generalizar dignidade, ética caráter.

Feito esse pequeno parênteses, continuamos.

De princípio ser “a outra” não era o seu objetivo, mas ele continua lhe procurando e, embora quisesse negar, você está gostando muito disso.

Vencer conflitos interiores é sempre muito penoso porque são idéias pessoais que se debatem gerando aflição, medo e culpa. É como se dois seres se instalassem dentro de você; um diz que não deve; outro que mesmo assim você quer tanto!

Não há como viver de forma sadia sem resolver essa questão, mas ninguém poderá dizer-lhe o que fazer a não ser você mesma. Portanto, refletir sobre a situação é um ótimo começo no sentido de tomar a decisão que mais a satisfaça.

Você pode optar por fingir que não sabe de nada e se fazer de boba diante das desculpas dele em manter o relacionamento em segredo; pode contar a ele que sabe e encarar o caso de vocês como algo passageiro; pode ainda aceitar as argumentações dele em relação ao porque de não terminar o casamento ou, também, pode chegar à conclusão que não é isso que quer e acabar tudo.

Cada ser humano é único e, portanto, só você pode saber qual opção é melhor na sua vida. Mas algumas considerações podem ser feitas no sentido de encontrar resposta para uma questão básica: qual a possibilidade desse relacionamento fazê-la feliz?

Muitos são os depoimentos masculinos em relação à própria infidelidade e, na grande maioria, eles não se intimidam em demonstrar desprezo pelo caso extraconjugal, considerando-o apenas como um escape à rotina do casamento.

Alguns demonstram total desrespeito a si mesmos, encontrando no adultério um meio de se auto-afirmarem. É ainda esse o caso dos homens que alegam não conseguir sair de um casamento ruim, afinal, ninguém pode ser obrigado a viver com outra pessoa sem que essa seja a sua vontade. Também há os que realmente se apaixonam e optam por terminar o casamento e assumir a nova relação, embora em escala muito menor.

Várias são as conclusões de estudos sobre a famosa infidelidade masculina, mas a questão é: vale a pena “pagar para ver”? Sendo o outro uma incógnita, bom mesmo é focar a atenção em você mesmo e no que realmente quer desse relacionamento.
Independente da escolha que fizer, lembre-se sempre que o importante é nunca se desrespeitar, imputando-lhe situações inconvenientes ao seu modo de pensar, pois que lhe fariam sofrer. Busque assim a coerência em suas idéias e ações, jamais se permitindo a coação. E nunca perca a esperança, nem aceite que outra pessoa, seja quem for, tire a sua vontade de perseverar naquilo que lhe faz bem à alma e ao coração.

Pense: você é a pessoa mais importante desse relacionamento e serão as suas ações que promoverão o bem ou mal estar consigo mesmo e, consequentemente, com a vida!

Autora: Suely Buriasco
Educadora e Mediadora de Conflitos
Mais informações: www.suelyburiasco.com.br
Enviado por: Adriana Franco


A DISTÂNCIA ENTRE A AGENDA DO CONGRESSO NACIONAL E A REALIDADE DO PAÍS

As tragédias provocadas pelas chuvas no começo de cada ano no Brasil já não surpreendem mais por seu registro, e sim por sua intensidade e poder de destruição, como demonstram, desta vez, as terríveis imagens de águas descendo morros e levando tudo em seu caminho nas cidades da região serrana do Rio de Janeiro. Perdemos mais vidas que países ainda mais castigados do que nós, como a Austrália.

Outro ponto em comum observado nesse período é que, em muitos desses lugares, o ser humano simplesmente não deveria estar presente. Pelo menos não com essa forma de ocupação, que implica uma série de problemas. A ocupação de encostas e morros, das margens dos rios, e a destruição de várzeas por onde a água poderia naturalmente se acumular são alguns exemplos da presença humana que contrariam leis da natureza.

Essa reflexão pareceria óbvia se, a partir das catástrofes, as ações subseqüentes fossem na direção de se providenciar a correção de rumos. Ou seja, evitar novas ocupações, retirar as pessoas dos locais ocupados irregularmente, proteger as margens dos rios, córregos e riachos etc.

Como dissemos, apesar da obviedade dessas afirmações, somos surpreendidos com notícias de que a situação pode até mesmo piorar com a adoção de leis que, de certa maneira, representam um incentivo a interferências humanas fadadas a trazer conseqüências negativas.

O jornal Folha de S. Paulo de domingo, 16/1, afirma em manchete: “Novo Código Florestal amplia risco de desastre”. Segundo a reportagem, o texto do novo código em tramitação no Congresso Nacional “deixa de considerar topos de morros como áreas de preservação permanente e libera a construção de habitações em encostas”, o que ampliaria as ocupações de áreas sujeitas a tragédias em zonas urbanas.

Na mesma matéria, o relator do projeto do novo Código Florestal, deputado Aldo Rebelo, nega que as ocupações de morros e encostas em áreas urbanas estejam contempladas na lei, o que é desmentido pela reportagem.

O fato é que leis e medidas deveriam estar sendo tomadas num sentido totalmente oposto, buscando prevenir futuras tragédias que fatalmente irão ocorrer se forem mantidos os mesmos elementos que vêm causando, ano após ano, destruições em grande escala, que atingiram seu ápice com esse triste episódio do Rio de Janeiro.

Caminhos existem para compatibilizarmos o desenvolvimento econômico com ações positivas em relação ao meio ambiente. Um bom exemplo é a criação de corredores ecológicos, que conjugam a recuperação de um bioma, por meio do replantio da mata nativa, com o cultivo de florestas para fins comerciais. É o que vem ocorrendo, por exemplo, no Vale do Paraíba, no Estado de São Paulo.

É preciso integrar as diversas políticas para a área ambiental de modo a beneficiar o conjunto da sociedade, e não apenas alguns poucos. Conjugar áreas de reserva e proteção ambiental com as demandas da produção agrícola é possível e deveria ser o objetivo central da política nacional de meio ambiente.

Nesse sentido, há um descompasso entre a política oficial do Executivo com o que vem sendo discutido no Congresso Nacional. Da forma como está, o governo brasileiro terá dificuldades para honrar o compromisso voluntário que assumiu em 2009, durante a Conferência do Clima de Copenhague, de reduzir suas emissões de gases de efeito estufa entre 36,1% e 38,9% em relação às quantidades estimadas para 2020. A meta é baseada, principalmente, na diminuição do desmatamento.

O novo Código Florestal, cuja votação está prevista para o próximo mês de março, estabelece, ainda, maiores enfrentamentos às leis da natureza, como a redução, de 30 metros para 15 metros, da área de preservação permanente às margens de rios com até 5 metros de largura, e a retirada da obrigatoriedade de manutenção de mata em pequenas propriedades, inclusive na região amazônica. O texto prevê também anistia para produtores rurais que cometeram crimes ambientais até julho de 2008, data da segunda regulamentação da Lei de Crimes Ambientais. Com isso, os produtores, mesmo que tenham infringido a lei, poderão continuar com suas atividades na reserva legal ou nas áreas de proteção permanente até a elaboração do Programa de Regularização Ambiental.

A prestigiada revista científica Science chegou a publicar no ano passado carta de pesquisadores brasileiros com alertas para a possibilidade de extinção de mais de 100 mil espécies de animais e aumento substancial das emissões de gás carbônico na atmosfera, caso as alterações no Código Florestal sejam aprovadas. Segundo o texto, as mudanças no código preocupam a comunidade científica no Brasil, que foi "largamente ignorada" durante a elaboração das propostas. A carta classifica as possíveis alterações como o "pior retrocesso" em relação às questões ambientais em 50 anos.

A legislação ambiental brasileira é considerada uma das mais completas do mundo. Em 1998, foi criado outro importante aparato legislativo no país em defesa do meio ambiente. Sancionada em fevereiro daquele ano, a Lei 1905, conhecida como Lei de Crimes Ambientais, especifica responsabilidades penais e administrativas para o infrator que agrida o meio ambiente, pelo desmatamento de áreas preservadas, por exemplo.

Se, com uma excelente legislação ambiental, não temos sido capazes de coibir as ocupações e a destruição das margens de rios, responsáveis pelas recentes tragédias, o que poderemos esperar da liberação proposta pelo novo Código Florestal? Caso ele seja aprovado como está, teremos de redobrar a atenção para os chamados fenômenos climáticos.

Em relação às empresas e aos empresários, caberá a eles agir de modo a respeitar os mais altos princípios socioambientais, a fim de reduzir ao máximo o impacto de suas atividades. A redução dos desperdícios, o aumento da eficiência energética, a busca pelo resíduo zero, a recuperação dos recursos naturais e o estabelecimento de metas para reduzir e compensar os impactos ambientais devem ser perseguidos por todas as empresas que tenham um real compromisso com a responsabilidade socioambiental, independentemente de possíveis liberalidades previstas em lei.

Fonte: Envolverde/Instituto Ethos
Autor: Jorge Abrahão
Presidente do Instituto Ethos


O ALZHEIMER, PELO PACIENTE

Médico americano conta o processo de desenvolvimento da doença, dos sintomas ao diagnóstico, e como sua rotina mudou

Sou médico aposentado e professor de medicina. E tenho Alzheimer. Antes do meu diagnóstico, estava familiarizado com a doença, tratando pacientes com Alzheimer durante anos. Mas demorei para suspeitar da minha própria aflição.

Hoje, sabendo que tenho a doença, consegui determinar quando ela começou, há 10 anos, quando estava com 76. Eu presidia um programa mensal de palestras sobre ética médica e conhecia a maior parte dos oradores. Mas, de repente, precisei recorrer ao material que já estava preparado para fazer as apresentações. Comecei então a esquecer nomes, mas nunca as fisionomias. Esses lapsos são comuns em pessoas idosas, de modo que não me preocupei.

Nos anos seguintes, submeti-me a uma cirurgia das coronárias e mais tarde tive dois pequenos derrames cerebrais. Meu neurologista atribuiu os meus problemas a esses derrames, mas minha mente continuou a deteriorar. O golpe final foi há um ano, quando estava recebendo uma menção honrosa no hospital onde trabalhava. Levantei-me para agradecer e não consegui dizer uma palavra sequer.

Minha mulher insistiu para eu consultar um médico. Meu clínico-geral realizou uma série de testes de memória em seu consultório e pediu depois uma tomografia PET, que diagnostica a doença com 95% de precisão. Comecei a ser medicado com Aricept, que tem muitos efeitos colaterais. Eu me ressenti de dois deles: diarreia e perda de apetite. Meu médico insistiu para eu continuar. Os efeitos colaterais desapareceram e comecei a tomar mais um medicamento, Namenda. Esses remédios, em muitos pacientes, não surtem nenhum efeito. Fui um dos raros felizardos.

Em dois meses, senti-me muito melhor e hoje quase voltei ao normal. Demoramos muito tempo para compreender essa doença desde que Alois Alzheimer, médico alemão, estabeleceu os primeiros elos, no início do século 20, entre a demência e a presença de placas e emaranhados de material desconhecido.

Hoje sabemos que esse material é o acúmulo de uma proteína chamada beta-amiloide. A hipótese principal para o mecanismo da doença de Alzheimer é que essa proteína se acumula nas células do cérebro, provocando uma degeneração dos neurônios. Hoje, há alguns produtos farmacêuticos para limpar essa proteína das células.

No entanto, as placas de amiloide podem ser detectadas apenas numa autópsia, de modo que são associadas apenas com pessoas que desenvolveram plenamente a doença. Não sabemos se esses são os primeiros indicadores biológicos da doença.

Mas há muitas coisas que aprendemos. A partir da minha melhora, passei a fazer uma lista de insights que gostaria de compartilhar com outras pessoas que enfrentam problemas de memória: tenha sempre consigo um caderninho de notas e escreva o que deseja lembrar mais tarde.

Quando não conseguir lembrar de um nome, peça para que a pessoa o repita e então escreva. Leia livros. Faça caminhadas. Dedique-se ao desenho e à pintura.

Pratique jardinagem. Faça quebra-cabeças e jogos. Experimente coisas novas. Organize o seu dia. Adote uma dieta saudável, que inclua peixe duas vezes por semana, frutas e legumes e vegetais, ácidos graxos ômega 3.

Não se afaste dos amigos e da sua família. É um conselho que aprendi a duras penas. Temendo que as pessoas se apiedassem de mim, procurei manter a minha doença em segredo e isso significou me afastar das pessoas que eu amava. Mas agora me sinto gratificado ao ver como as pessoas são tolerantes e como desejam ajudar.

A doença afeta 1 a cada 8 pessoas com mais de 65 anos e quase a metade dos que têm mais de 85. A previsão é de que o número de pessoas com Alzheimer nos EUA dobre até 2030.

Sei que, como qualquer outro ser humano, um dia vou morrer. Assim, certifiquei-me dos documentos que necessitava examinar e assinar enquanto ainda estou capaz e desperto, coisas como deixar recomendações por escrito ou uma ordem para desligar os aparelhos quando não houver chance de recuperação. Procurei assegurar que aqueles que amo saibam dos meus desejos. Quando não souber mais quem sou, não reconhecer mais as pessoas ou estiver incapacitado, sem nenhuma chance de melhora, quero apenas consolo e cuidados paliativos.

Autor: Arthur Rivin
Fonte: O Estado de S.Paulo
Enviado por: Ernesto Porto


VAI VIAJAR?

CONHEÇA OS SEUS DIREITOS

Saiba quais os direitos dos passageiros em caso de atrasos e cancelamentos de viagens

Nem o cancelamento da greve dos funcionários das empresas aéreas está livrando os passageiros de enfrentarem transtornos e atrasos nos principais aeroportos brasileiros. A paralisação dos aeronautas e aeroviários, que reivindicam reposição salarial e participação nos lucros das empresas áreas, estava prevista para começar, foi suspensa até nova avaliação no início de janeiro.

Segundo as advogadas de Direito Cível, Ana Luisa Porto Borges e Gislaine Lisboa Santos, do Peixoto e Cury Advogados, os atrasos e cancelamentos de vôos têm se tornado frequentes e as empresas são obrigadas a reparar os danos sofridos pelos passageiros prejudicados. “Um contrato de transporte aéreo tem data e hora para começar e terminar. Quando há quebra deste contrato, todos os prejuízos decorrentes podem ser objetos de reparação de danos”, afirma.

Ana Luisa alerta que, para garantir seu direito e gerar prova no momento da propositura de uma eventual ação, o passageiro deve tirar foto do painel que mostra o atraso ou cancelamento do vôo ou mesmo de uma viagem rodoviária, além de guardar todos os comprovantes de despesas de alimentação e hospedagem.

Confira abaixo as recomendações da advogada diante de atrasos, cancelamentos e danos sofridos em viagens de final de ano e férias:

Atraso e Cancelamento de Vôos

- Após uma hora de atraso do vôo, a empresa aérea é obrigada a fornecer ao passageiro acesso a comunicação seja por meio de telefone ou internet.

- A partir de duas horas de atraso, a empresa é obrigada a fornecer alimentação aos passageiros.

- A partir de quatro horas de atraso, deve fornecer hospedagem.

- O passageiro tem o direito, caso queira, de ser imediatamente reembolsado pela companhia aérea em caso de o vôo ser cancelado ou atrasar mais de quatro horas, caso o bilhete esteja quitado.

- Caso o vôo seja cancelado ou interrompido, o passageiro terá a opção de terminar o trajeto por meio de outro transporte ou esperar o próximo vôo.

* Estes direitos são assegurados pela ANAC – Agência Nacional de Aviação Civil, mas não eximem as empresas de indenizar os demais prejuízos. O Código de Defesa do consumidor é aplicável à empresa aérea nacional ou internacional que opera rotas no Brasil e a ação contra a empresa deve ser proposta no domicílio do consumidor.

Atrasos e Cancelamentos nas Viagens de Ônibus

Passageiros de ônibus também têm direitos assegurados pelo Código de Defesa do Consumidor e ainda:

- Os bilhetes de passagens intermunicipal, interestadual e internacional valem por um ano, a partir da data de sua emissão. O consumidor pode remarcar a passagem sem prejuízo, dentro deste prazo, sem pagar qualquer adicional, mesmo que o trecho passe por aumento de tarifa no período. O passageiro pode optar, ainda, pela devolução do valor pago pelo bilhete, que deve ser reembolsado em 30 dias.

- Se a partida do ônibus atrasar por mais de uma hora, seja no ponto inicial, seja nas paradas durante a viagem, a empresa é obrigada a embarcar o passageiro em outra transportadora que ofereça serviço equivalente ou a restituir o valor do bilhete. Caso haja atraso de mais de três horas, a alimentação e a hospedagem dos passageiros devem ser de responsabilidade da empresa.

- Em caso de descumprimento do contrato, o consumidor também deve guardar todos os comprovantes dos gastos com alimentação, taxi, pernoite em hotéis e compra de outra passagem para terminar a viagem. Relacione nome, RG, CPF, endereço e telefone de outros passageiros com o mesmo problema, pois eles poderão servir de testemunhas para você e você para eles. Vale registrar uma reclamação no balcão da ANTT – Agência Nacional de Transporte Terrestre - da Rodoviária ou Delegacia de Polícia, caso haja no Terminal Rodoviário.

Problemas na Hospedagem ou Descumprimento de Pacotes

- O consumidor deve ter atenção redobrada para as propagandas com ofertas muito vantajosas, que podem esconder armadilhas;

- O consumidor deve exigir um contrato por escrito com o preço total da viagem, o nome da companhia aérea, data e horário do vôo, transporte terrestre, hotéis, traslado, refeições, guias e taxas extras incluídas no pacote;

- Antes de fechar qualquer contrato, o consumidor, deve pesquisar no Procon de sua cidade, para conferir se existe reclamação sobre a agência contratada;

- Nas viagens internacionais o consumidor deve fazer a conversão da moeda para saber o valor exato do pacote em reais. Aliás, o próprio contrato deve trazer esta informação;

- O consumidor deve ser informado com antecedência se a viagem tiver como destino cidades, países ou épocas sujeitos a furacões, terremotos, vulcões e pandemias como a de gripe suína;

- O cliente deve conferir se o vôo tem escalas e perguntar se tem direito a desdobrar a passagem para visitar outra localidade;

- O consumidor deve conferir a categoria do hotel e se o preço da diária inclui meia pensão ou pensão completa;

- Cuidado com as atrações e eventos especiais que, na maioria das vezes, aumentam e muito o custo da viagem;

- Cuidado ao contratar "pacotes de aventura", para que não haja risco grande de acidente. Para se prevenir, contrate um seguro de vida e acidentes pessoais específico;

- Em caso de problemas, o consumidor deve fotografar e filmar tudo que ocorrer de forma diferente do contratado; deve guardar também todos os comprovantes de despesas extras que fizer e registrar um Boletim de Ocorrência na Delegacia de Polícia. Uma reclamação ao Procon também é válida, pois gerará uma multa administrativa para a empresa que pode chegar até R$ 3 milhões, dependendo da gravidade do caso e dos antecedentes da empresa.

Furtos ou Extravio de Bagagens

- Furtos ou extravio de bagagens em viagens aéreas e até rodoviárias são bastante comuns. A franquia de bagagem inclusa na passagem integra o contrato de transporte e obriga a empresa a zelar pela bagagem e garantir sua chegada ao destino.

- Para evitar furtos e danos, o passageiro não deve deixar jóias, perfumes e eletrônicos como celulares, máquinas fotográficas, filmadoras, nas malas que seguirão no compartimento de bagagem.

- Use sempre um lacre ou cadeado para comprovar que a mala estava fechada. Vale a pena colocar uma etiqueta de identificação com nome e telefone do proprietário da mala. É salutar levar na bagagem de mão algumas peças de roupa para qualquer eventualidade, até que sua mala seja localizada ou que você seja indenizado pela empresa.

- Chegando ao destino e não encontrando sua mala, o passageiro deve registrar queixa imediatamente junto à empresa responsável, bem como junto à ANAC e à Infraero (em caso de viagens aéreas), ANTT (em caso de viagens rodoviárias) e na delegacia de polícia, se possível. Declare o conteúdo da mala e detalhes que possam identificá-la; e exija da companhia providências emergenciais enquanto ela procura ou aguarda a chegada da bagagem.

- Guarde todos os comprovantes de despesas que tiver que fazer com roupas, material de higiene pessoal, sapatos e o que mais estava na mala, para poder ser ressarcido posteriormente.

Fonte: Ex-Libris Comunicação Integrada
Enviado por: Cibele Cintra

Webdesigner: Lika Dutra

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