ENTRE NESTE NOVO MUNDO

ALEXANDRE FELDMAN

TUDO QUE VOCÊ QUERIA SABER SOBRE ENXAQUECA

QUAL A DIFERENÇA ENTRE ENXAQUECA E CEFALÉIA?

Cefaléia é o nome técnico que os médicos usam para chamar a dor de cabeça. Portanto, cefaléia e dor de cabeça são sinônimos.

Existem muitas causas de cefaléia (dor de cabeça) e a enxaqueca é uma delas. Existem 316 possíveis causas de dor de cabeça além da enxaqueca, como por exemplo, sinusite, meningite, gripe, aneurisma, crise de pressão alta, tumor cerebral, distúrbios circulatórios, metabólicos.

A enxaqueca é o tipo mais complicado de diagnosticar, pois o diagnóstico não depende de exames, mas sim, da conversa (entrevista, anamnese) que o médico tem com o paciente durante a consulta. Quanto mais detalhada for a anamnese, maior a possibilidade de um bom diagnóstico.

A maioria das outras dores de cabeça (cefaléias) são sintomas de alguma doença. Uma vez diagnosticada e tratada essa outra doença, a dor de cabeça (cefaléia), que era sintoma, desaparece. Já na enxaqueca, a cefaléia (dor de cabeça) não é sintoma de nenhuma doença. Ela é a própria doença! A verdadeira dor inútil!

ENXAQUECA E PRESSÃO ARTERIAL

Na verdade, a pressão alta (hipertensão arterial) não é uma das principais causas de enxaqueca, ao contrário do que muita gente pensa! Pode causar dor de cabeça, isso sim; quando muito elevada (como por exemplo, nas crises hipertensivas agudas).

A dor de cabeça atribuída à pressão alta pode ser descrita, tipicamente, como sendo de localização occipital (atrás da cabeça e na região da nuca), de intensidade moderada, acometendo ambos os lados da cabeça, "surda", piorando ao exercício e melhorando ao repouso.

Existe um estudo feito com pacientes que sofriam de pressão alta, e foram divididos em dois grupos: os que sabiam ter pressão alta e os que não sabiam. A dor de cabeça mostrou-se mais freqüente entre aqueles que sabiam ter pressão alta!

Isso demonstra que existe um componente de ansiedade muito freqüente em pacientes com pressão alta em relação ao seu problema; e que a dor de cabeça pode muito bem representar uma manifestação clínica dessa ansiedade: a ansiedade gerada na pessoa pelo conhecimento de seu diagnóstico de pressão alta.

Está certo que é muito importante fazer tratamento da pressão alta quando se sofre dela. Afinal, tal problema pode acarretar muitas conseqüências sérias, principalmente no que diz respeito ao coração e vasos sanguíneos.

Conclusão: se você sofre de dores de cabeça, e também de pressão alta, é muito importante corrigir sua pressão para níveis normais.

Porém, não se assuste se, mesmo em tratamento da pressão, a dor de cabeça não passar: é que, realmente, na maioria dos casos, uma coisa não está relacionada com a outra. Procure um médico que lhe trate, também, a dor de cabeça!

ENXAQUECA E ALTERAÇÕES DO SONO

A gente passa pelo menos um terço de nossas vidas dormindo. No entanto, quase nada se sabe sobre as razões por que precisamos dormir; e por que, após dormirmos, nos sentimos tão descansados e refeitos.

Existe um padrão diferente de horas de sono necessárias, diariamente, para cada indivíduo. Alguns não precisam de mais de 3 a 4 horas de sono por noite, enquanto outros já necessitam 10 a 11 horas. Em média, a maioria de nós precisa de cerca de seis e meia a oito horas de sono por dia. Crianças precisam de mais horas; velhos, menos.

O sono normal consiste numa série de ciclos definidos pelo eletroencefalograma, incluindo períodos neurofisiologicamente ativos acompanhados por movimentos rápidos dos olhos; espaçados por quatro outros estágios progressivamente mais profundos, graduados de 1 a 4.

Entre os vários estágios de sono, aquele de movimentos rápidos dos olhos (que ocorre durante a fase de sonhos) tem sido o mais relacionado com o aparecimento de crises de enxaqueca. Para os médicos, tal período é mais conhecido por "fase REM" (do inglês Rapid Eye Movement, significando "movimentos rápidos dos olhos").

Essa fase do sono se caracteriza por movimentos oculares rápidos atrás das pálpebras fechadas; padrões de eletroencefalograma de baixa voltagem e alta freqüência; aceleração da freqüência cardíaca; aumento do fluxo sangüíneo em direção ao cérebro; respiração mais rápida; e sonhos.

Essa fase representa um quarto do tempo de sono de um adulto, enquanto nas crianças, corresponde a bem mais que isso. E encontra-se muito relacionada ao aparecimento de crises de enxaqueca.

Não raro, pode ocorrer de uma crise de enxaqueca acordar o indivíduo do sono. Quantas vezes já não escutei a queixa de pacientes acordados pela dor. Muitas vezes isso causa preocupação. Mas felizmente, na grande maioria dos casos, constata-se ser inerente à própria enxaqueca.

Freqüentemente, ocorre a precipitação de uma crise quando o paciente acorda uma a duas horas mais tarde que de costume. Engraçado: dormir a mais pode causar enxaqueca com muita freqüência!

Por essa razão, aconselha-se aos portadores de enxaqueca acordarem no mesmo horário todos os dias. Em alguns casos, pode funcionar a seguinte dica: acorde sempre no mesmo horário. Nos dias em que poderia dormir até mais tarde, levante-se, coma alguma coisa e então volte para a cama. Pode dar certo com você, pois funciona para muitos.

De outro lado, outros pacientes (menos) reclamam de enxaquecas provocadas por sono insuficiente. Outros se queixam desse problema após tirarem um cochilo durante o dia. Acordam de mau humor, com o corpo pesado, cabeça pesada e, muitas vezes, com dor. De forma que o sono pode precipitar crises de enxaqueca.

Esse fato pode estar relacionado a diversos itens: natureza e duração de cada um dos vários estágios do sono; alterações metabólicas inerentes a cada estágio; padrões de fluxo sangüíneo cerebral; elevação do metabolismo cerebral; alterações respiratórias; alterações da oxigenação dos tecidos; alterações dos níveis de glicose desses tecidos; e flutuações da serotonina e outros componentes bioquímicos cerebrais durante o sono.

Além disso, os efeitos emocionais dos sonhos, em si, podem desencadear enxaqueca pelo stress que às vezes um pesadelo, por exemplo, provoca!

TRATAMENTOS PARA A ENXAQUECA COM REMÉDIOS

Existem dois tipos de tratamento: o sintomático e o preventivo.

O tratamento sintomático, como a própria palavra diz, trata o sintoma: Ou seja, quando o indivíduo apresenta dor, faz-se tratamento sintomático para que ela desapareça, tomando-se remédios que tiram a dor.

O tratamento preventivo, por sua vez, constitui-se num tipo de tratamento visando o não aparecimento da dor. Ou seja, uma vez que o paciente se encontra sem dor, ele faz o tratamento para continuar sem dor.

Esta é a forma mais apropriada de tratamento para a maioria dos indivíduos com dores de cabeça freqüentes, ou muito fortes e incapacitantes, e que não respondem senão a enormes doses de analgésicos. Podemos subdividir o tratamento preventivo em três tipos básicos:tratamento clinico; tratamento psicológico e tratamento complementar.

O tratamento clínico preventivo visa corrigir o distúrbio bioquímico cerebral mencionado, através de remédios que atuam na "raiz" do problema, fazendo com que o cérebro passe a produzir e utilizar a quantidade correta das substâncias químicas destinadas a manter o indivíduo sem enxaqueca. Em outras palavras, está se "ensinando" o cérebro a trabalhar corretamente.

Para um distúrbio químico, nada melhor que uma "correção química". Vários são os remédios preventivos à disposição, atualmente, visto que a década de 80 e os primeiros anos da década de 90 trouxeram grandes descobertas nesta área. Há vários tipos de enxaqueca e, para cada tipo, um conjunto de remédios mais apropriados. Assim, existem aqueles indivíduos com enxaqueca e insônia; enxaqueca e depressão; enxaqueca na menstruação; "pontadas" e "fisgadas" na cabeça, e muitos outros.

O médico familiarizado com as modalidades terapêuticas modernas de enxaqueca escolherá uma fórmula ideal para cada paciente. Infelizmente, não existe "receita pronta". Porém, uma vez encontrada a receita certa, o alívio se dá muito rapidamente, e em questão de poucas semanas o paciente está controlado. A medicação, contudo, precisa ser mantida por um bom período para que a pessoa continue a passar bem.

Não se trata de dependência ou de agressão ao organismo, uma vez que, quando bem prescrita, a medicação propicia o bom funcionamento fisiológico do cérebro, e sem ela, o indivíduo pode voltar a apresentar seu desequilíbrio neuroquímico de base.

E mais: é provável que, ao cabo de um bom período de tratamento clínico bem sucedido, o médico possa vir a suspender a medicação e o paciente permaneça sem enxaqueca. Isso, contudo, não se pode prometer a todos os casos.

Elaborado pela Clínica Alexandre Feldman
Site: www.enxaqueca.com.br

Para acessar matérias anteriores,
clique na caixa abaixo. 

Qual a sua opinião sobre esta matéria?
Envie suas críticas e sugestões

Clique aqui

Deseja enviar esta página para um
"Velho Amigo"?

Clique Aqui