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INFORMAÇÃO / ARTIGOS

A morte, esse limite da existência humana, e que às vezes tem a fatalidade como parceira, levou ontem o jornalista Ricardo Boechat para a eternidade, diminuindo com isso a dose de talento e amor que jornalistas têm por sua profissão. Era o caso de Ricardo Boechat, cuja trajetória brilhante começou no Diário de Notícias e começou a despontar como um dos redatores da coluna de Ibrahim Sued em O Globo, até passar a assinar a famosa coluna de Carlos Swann, que depois ganhou seu nome e abriu perspectiva para outro grande jornalista, Ancelmo Gois, que viria ocupar seu espaço e ficou emocionado com a morte de seu amigo e antecessor.

O espaço que a GloboNews abriu para falar de sua história e de seu desaparecimento fatal ocupou praticamente sete horas nas quais se desenvolveram os programas de Maria Beltrão e Cristiane Pelágio.

VELHO COMPANHEIRO – Aliás, foi pela Globonews que recebi a notícia e, como seu antigo companheiro no programa de Haroldo de Andrade na Rádio Globo, fui tocado pela emoção. O título deste artigo está inspirado no filme famoso de Michelangelo Antonioni. Esse filme retrata bem o que é ser jornalista: é preciso ter amor pela profissão e ser motivado pela beleza de transmitir a muitos milhares de pessoas as notícias que acontecem. E não é só isso, porque é também responsável pelo transporte dos fatos que sucedem para a opinião pública.

Boechat, com seu estilo de comunicador, tanto da Rede Band de TV quanto na rádio BandNews, exerceu esse trabalho de forma brilhante, conseguindo despertar a atenção de muitos milhares de pessoas diariamente, entre as quais tornou-se também o transmissor da voz de multidões que se sentiam representadas por ele.

EXPRESSÃO DAS RUAS – Boechat deixava a impressão de que estivesse conversando com os que protestam, como ele, contra as injustiças sociais e que, sem ele não poderiam se expressar. Com ele, entretanto, alcançaram seu objetivo e pareciam até personagens eternos da revolta contra as omissões e violações de seus direitos.

Falei do amor que os jornalistas têm pela profissão, ao lado da emoção que é poder passar aos outros fatos que acontecem, opiniões que se impõem, apreciações gerais sobre o panorama do conhecimento e de sua explicação.

Nessa tarefa, um jornalista pode se tornar um autor do amanhã e um tradutor dos acontecimentos que se desenrolam na vida de todos os países, no processo de espelhar e refletir sobre as contradições e os conflitos humanos. Personagem da história o jornalista transforma-se num protagonista e testemunha.

ÁREAS DE SOMBRA – Esse é o destino dos que, como Boechat, empenharam-se e se empenham a fundo para iluminar também as áreas de sombra da existência. Boechat, com seu caráter intimista, arrebatou milhões de ouvintes aos quais pareciam estar sentados à sua frente numa mesa de um bar ou restaurante.

Para os ouvintes ou telespectadores, além de personagem do seu tempo, era um amigo que com eles conversava esclarecia. Era a voz daqueles que não tinham vez de serem ouvidos.

Autor(a): Pedro do Coutto
Fonte: http://www.tribunadainternet.com.br/
Colaborador(a): José Carlos

 

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