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LITERATURA / CANTO DO CONTO

APRISIONADO POR UM ANEL
publicado em: 24/01/2019 por: Lou Micaldas

Danúbio e Pedro são grandes amigos e confidentes. Pedro, na sua última conversa com Danúbio, contara um episódio vivido com sua namorada Marta, quando dela tomou o seu anel e o quanto ela ficara brava pelo seu gesto impulsivo. Mas, ele estava muito feliz, e ingenuamente decidido a não mais devolver-lhe.

Para ele essa era uma forma de sempre estarem juntos, quando os físicos de ambos os conduziam à distância. Porém, numa certa tarde, Danúbio foi surpreendido com a notícia de que Pedro tinha sido indiciado a comparecer à delegacia para responder sobre uma queixa do roubo de um anel e que ele já se encontrava na delegacia.

Sem muito pensar, Danúbio dirige-se com pressa ao local. Lá chegando, encontrou um tumulto de amigos e curiosos daquele pequeno bairro. Danúbio apreensivo procura passar entre as pessoas para adentrar a porta da delegacia.

Pedro, seu melhor amigo realmente para muitos, cometera um delito e fora pego no flagra – roubara de sua própria namorada um anel. Chegando a frente do delegado, ofereceu-se por testemunhar a favor de Pedro.

O delegado, por sua vez, pediu para que ele expusesse sua defesa ao que Danúbio falou: - Senhor delegado, a falta cometida pelo meu amigo, tem relevância numa causa chamada de “desordem do amor”. Explico-lhe melhor: - Pedro faz parte de um grupo de pessoas que quando o coração é comandado pela emoção da existência de um outro coração, o raciocínio não obedece ao comando ético.

Ao se sentir longe de sua amada, teve a péssima ideia de possuir dela um pertence, para que ao tocá-lo sentisse-a tão perto como o objeto em suas mãos. Nesse pensar intrigante, resolveu pedir-lhe o anel que ela usava frequentemente, o que de imediato lhe foi negado, acometido de um súbito o tomou grosseiramente.

Sua namorada também atordoada, sentiu-se agredida ao ponto de buscar defesa prestando queixa desse fato comungado à dois. Peço-lhe que não dê a ele a devida atenção policial, porque o coração amante de um outro coração, será sempre um ladrão, pela simples verdade de que o amor é arrebatador, ele rouba inocentemente e ousa sem consciência a tomada de um espaço e denomina-o dele.

Nesse momento chega Marta, visivelmente de face caída, triste, arrependida, e dirige-se ao delegado com voz entrecortada dizendo: - Vim reparar meu erro. A ignorância me fez agir egoisticamente com o Pedro, provando pra ele um contrário do que o meu coração sente. Foi preciso um anel, um círculo sem começo nem fim, para que eu entendesse o quanto representa as vidas presas na circunferência de uma aliança.

Disfarçando ter sido atingindo pela sensibilidade das palavras de Marisa, o delegado pediu ao escrivão, usando um tom de voz austero, para que tornasse sem efeito aquela queixa de “desordem do amor” como dissera a testemunha Danúbio. Pedro foi liberado da acusação e encontrando-se com Marta ainda na sala do delegado, o brilho de seus olhares refletia um manuscrito de uma frase lida somente pela alma amante – “O amor é uma prisão de porta aberta para com a compreensão e o perdão”. Os dois saíram do recinto com a certeza de que suas vidas pertencem a uma esfera sem porteira, confinados as juras eternas.

Autor(a): Jair Fonseca Martins

 

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